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	<title>Projeto Cooperação &#187; Textos e Artigos</title>
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	<description>Compartilhando soluções cooperativas para um mundo em transformação</description>
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		<title>Jogando cooperativamente para mudar o Mundo</title>
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		<pubDate>Sun, 09 May 2010 23:53:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos e Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[
Com-partilhamos abaixo uma matéria publicada por Val Rocha, do Instituto Elos Brasil, em abril de 2010. Para mais informações sobre o Instituto Elos, acesse http://elosbrasil.org/.

Andamos espalhando por ai a idéia de que mudar o mundo não apenas é possível, como pode ser divertido. Parece que muita gente, muito séria, partilha dessa opinião.    [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[</p>
<p>Com-partilhamos abaixo uma matéria publicada por <strong>Val Rocha, do Instituto Elos Brasil</strong>, em abril de 2010. Para mais informações sobre o Instituto Elos, acesse <a title="http://elosbrasil.org/" href="http://elosbrasil.org/">http://elosbrasil.org/</a>.</p>
<p><strong></strong></p>
<p><strong>Andamos espalhando por ai a idéia de que mudar o mundo não apenas é possível, como pode ser divertido. Parece que muita gente, muito séria, partilha dessa opinião.     <br /></strong><strong><em></em></strong></p>
<p><strong><em>“O jogo é a mais elevada forma de investigação”</em></strong></p>
<p>Quem disse isso foi Einstein, aquele mesmo, da teoria da relatividade. E esta frase revive no discurso inspirador, apaixonado e vibrante de Jane McGonigal.</p>
<p>A designer de jogos do <a href="http://www.iftf.org/">Institute for the Future</a> convence, seja falando diante de uma grande audiência, seja usando sua peruca azul diante da webcam. Seu objetivo para a próxima década é ambicioso: fazer com que <em>salvar o mundo na vida real, seja tão fácil quanto em um jogo virtual</em>. Se eu fosse você não duvidava… Saiba o que ela tem feito para tornar esta meta realidade.</p>
<p><img alt="" src="http://guerreirossemarmas.files.wordpress.com/2010/04/040910_1742_jogandopara1.png" width="299" height="197" /><img alt="" src="http://guerreirossemarmas.files.wordpress.com/2010/04/040910_1742_jogandopara2.png" width="266" height="198" /></p>
<p>“Para resolver problemas urgentes como fome, pobreza, mudança climática, conflitos globais, obesidade, precisamos jogar por cerca de 21 bilhões de horas por semana, até o fim da próxima década.” Este número é simplesmente 7 vezes maior do que o praticado atualmente. E muita gente já considera tempo demais perdido com jogos.</p>
<p>Talvez você esteja se perguntando: É isso mesmo? Ela está falando sério? Estimular os jovens a passar ainda mais tempo diante do computador, jogando?</p>
<p>Sim. Ela está falando seríssimo, e passei a prestar atenção no momento em que começa a descrever atitudes dos jogadores que eu gostaria de reconhecer mais vezes em mim mesma na vida real. Durante uma apresentação para a platéia do <a href="http://www.ted.com/">TED</a> a designer descreve a atitude do jogador diante dos desafios do jogo: disposto a ajudar quem precisa, dedicar-se a resolução do problema pelo tempo necessário e o mais importante, diante de um obstáculo ou derrota, o jogador está sempre disposto a tentar de novo. No jogo, diz McGonigal, nos aproximamos da melhor versão de nós mesmos.</p>
<p><strong>Mudando de atitude através dos jogos     <br /></strong></p>
<p>O jogador é um ser intrépido: calcula, arrisca, planeja, executa. Jogando somos mais criativos, focados, eficientes. Como transpor essa atitude empreendedora, inovadora mesmo, da tela para a vida?</p>
<p>A proposta de Jane é sedutora e o apelo é convicente: criando jogos capazes de provocar as pessoas a inventar soluções para questões que as afetam diretamente no seu cotidiano.</p>
<p>Um exemplo é o jogo <a href="http://worldwithoutoil.org/">World Without Oil</a> –WWO ( Mundo Sem Petróleo). O cenário são as primeiras 32 semanas em um mundo sem o precioso ouro negro. Uma comissão de cidadãos é criada para mapear e registrar todos os acontecimentos e também para compartilhar as soluções.</p>
<p><img alt="" src="http://guerreirossemarmas.files.wordpress.com/2010/04/040910_1742_jogandopara3.png" /></p>
<p>A experiência on-line reune os elementos básicos de jogo: objetivo, regras, desafio. À receita adicionou-se características dos jogos cooperativos : não existem perdedores, não existem ganhadores ou prêmios e uma boa jogada de uma pessoa gera benefício para toda a comunidade. O resultado final é uma mostra do que a inteligência coletiva é capaz de; um laboratório de hipóteses criado por milhares de mentes.</p>
<p>O melhor de tudo, segundo os pesquisadores envolvidos com o projeto: a participação no jogo gerou transformação de atitude na vida real dos jogadores.</p>
<p><em>“Para mim, aqui e agora, sou uma pessoa diferente graças ao WWO. Sou muito mais consciente da fragilidade do fio que sustenta o estilo de vida que mantenho. Estou fazendo mudanças, mas ainda tenho um longo caminho. Mas EU ESTOU mudando, e isto significa que para mim, o WWO foi um sucesso.” Mtalon (jogador)     <br /></em></p>
<p>Em outra aventura, McGonigal e uma equie de experts apresenta um mundo possível no ano de 2019, enquanto os jogadores são desafiados a mostrar formas de viver nesta realidade. Um jogo rico em detalhes construídos com muita veracidade. O <a href="http://www.superstructuregame.org/">Superstructure</a> foi ao ar de 6 de outubro a 17 de novembro de 2008 e no final apresentou <a href="http://www.youtube.com/watch?v=JUCi85sg68M&amp;feature=related">relatórios</a> com os principais insigths e estratégias criadas pelos jogadores para enfretar as<em>Superameaças</em> criadas por um time de 25 especialistas.</p>
<p>Se você ficou com vontade de embarcar em uma dessas aventuras, aceitar um desafio e criar soluções para problemas reais do mundo, a bola da vez é o <a href="http://www.urgentevoke.org">Urgent Evoke</a>.</p>
<p>De estética impecável, no Evoke o time do Institute for the Future constrói narrativas sólidas capazes de nos transportar ao mundo do jogo, ao mesmo tempo em que traz à tona questões tão cotidianas, que embarcar nessa realidade não é nada difícil.</p>
<p><img alt="" src="http://guerreirossemarmas.files.wordpress.com/2010/04/040910_1742_jogandopara4.png" /></p>
<p>Um curso de mudar o mundo, que dura dez semanas, essa é a descrição que você vai encontrar no site. O objetivo é de empoderar jovens em todo mundo, mas especialmente na Àfrica, incentivando-os a encontrar soluções para os mais urgentes problemas sociais da atualidade.</p>
<p>A primeira sessão do Urgent Evoke termina no dia 12 de Maio, quando os participantes se graduarão, como a primeira turma da rede Urgent Evoke.</p>
<p><strong>Termina o jogo virtual começa a mudança real     <br /></strong></p>
<p>O Urgent Evoke se diferencia dos jogos anteriores, pois faz uma ponte direta com a transformação real. A última tarefa do jogo, a Evokation, é um plano de ação, uma descrição clara de um projeto a ser implementado. A entrega da Evokation dá ao jogador a chance de receber:</p>
<ul>
<li>Orientação on-line de líderes executivos e inovadores sociais;</li>
<li>Bolsa para participar primeiro seminário Evoke em Washington DC;</li>
<li>Fundo semente para iniciar seu empreendimento social</li>
</ul>
<p>Essa estratégia está diretamente ligada ao modos operandis do Banco Mundial, desenvolvedor do jogo criado sob a direção de McGonigal. Para não dizer que tudo são flores, ao longo desta pesquisa não encontrei forma para os não falantes de inglês participarem do jogo e das discussões, espero que isso seja corrigido, afinal a gente quer mudar o mundo em muitas línguas e dialetos.</p>
<p>Se você como eu, está morrendo de curiosidade para saber aonde isso tudo vai dar… basta esperar até 12 de maio para descobrir. A dúvida é, você vai esperar de fora, ou vai entrar neste jogo?</p>
<p>Val Rocha</p>
<p><em>Agente Urgent Evoke     </em></p>
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		<title>Caf&#233; Cooperativo</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Apr 2010 18:57:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos e Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[*Texto extraído da Revista da Folha, nº 909, de 04 de abril de 2010
NA VILA MADALENA, FREQUENTADORES DE UMA CAFETERIA ADOTAM A PRÁTICA DE DEIXAR PAGO O CAFÉ PARA OUTRO CLIENTE: É GRATIS!
por Ivy Farias
Em um prédio no coração da Vila Madalena, os pacientes da psicóloga Adriana Venuto, 49, costumam aguardá-la de uma maneira bem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>*Texto extraído da <em>Revista da Folha</em>, nº 909, de 04 de abril de 2010</p>
<p>NA VILA MADALENA, FREQUENTADORES DE UMA CAFETERIA ADOTAM A PRÁTICA DE DEIXAR PAGO O CAFÉ PARA OUTRO CLIENTE: É GRATIS!</p>
<p>por Ivy Farias</p>
<p>Em um prédio no coração da Vila Madalena, os pacientes da psicóloga Adriana Venuto, 49, costumam aguardá-la de uma maneira bem diferente do que a que se vê na maioria das salas de espera da cidade: logo abaixo do consultório em que ela atende, há duas mesas de alumínio, algumas cadeiras e um balcão onde são servidos salgados, doces e café -para você e para o próximo.    <br />O &quot;café do próximo&quot;, como é chamada a prática adotada há mais de três anos neste edifício, consiste em deixar a bebida paga para uma outra pessoa: qualquer um pode chegar e tomar um dos cafés que já foi oferecido por alguém, anonimamente. &quot;Quando conheci, achei a ideia simpática e surpreendente&quot;, lembra a psicóloga, que descobriu o costume logo que começou a atender no prédio. &quot;Eu não tinha trocado para pagar, eles não tinha troco, então tomei o café que alguém me pagou&quot;, conta. Desde então, sempre deixa pago um outro também.    <br />Beth Guido, 58, administradora do Café e Sabor, nome real do local, explica que o método não traz lucro nem prejuízo. &quot;Não tiro nada do caixa, as pessoas simplesmente deixam pago&quot;, diz ela. Há três anos, os frequentadores do prédio -a maioria são pacientes de médicos, psicólogos, dentistas- pagam R$ 2,60 por um café para o próximo.    <br />Sugestão do psicólogo e síndico do prédio, Marcos Fleury de Oliveira, 51, a prática se inspirou em uma iniciativa do Café Severino, que fica dentro da Livraria Argumento, no Leblon (Rio de Janeiro). Os cariocas, por sua vez, copiaram a sugestão de um café que existe em Praga, na República Tcheca.    <br />&quot;Trouxe o &#8216;café do próximo&#8217; para cá porque queríamos deixar de ser um condomínio para nos tornarmos uma comunidade. O café foi um dos jeitos de conquistarmos isso&quot;, explica o síndico, primeiro a deixar um café pago para um desconhecido. O costume logo pegou e, com ele, a intenção de &quot;recuperar a solidariedade em São Paulo&quot;. Para Fleury, &quot;o café desperta o conforto de alguém ter pensado em você&quot;.    <br />Em uma das paredes, ao lado da geladeira, fica uma lousa com o &quot;placar&quot; dos cafés deixados para o próximo -até hoje, 11 foi o maior número marcado. &quot;Uma pessoa resolveu pagar dez&quot;, diz Beth. Mas será que há os mais folgados, que se aproveitam da situação? A dona da cafeteria conta que há apenas um frequentador do prédio que costuma beber e nunca pagar.    <br />&quot;Os clientes todos gostam, acham simpático&quot;, diz ela.    <br />De acordo com Beth, o hábito de deixar pago só funciona porque o acesso ao estabelecimento é restrito, não é qualquer um que entra. &quot;Não sei se daria certo em um bar na praça da Sé&quot;, afirma. O fato é que ali, na Vila Madalena, o café segue funcionando muito bem.</p>
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		<title>Jogos Cooperativos na Funda&#231;&#227;o Casa &#8211; Relato de Experi&#234;ncia</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Sep 2009 20:46:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos e Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Karina Pires &#8211; email: kfpires@yahoo.com.br  
Não tinha a mínima idéia de como seria dentro da Fundação Casa, até ser convidada pela psicóloga Giselda Castro para realizar um dia de jogos cooperativos na unidade Ouro Preto – São Paulo – Vila Maria. Quando aceitei o convite, muitas pessoas acharam que eu era louca de entrar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Karina Pires &#8211; email: <a href="mailto:kfpires@yahoo.com.br">kfpires@yahoo.com.br</a>  </p>
<p>Não tinha a mínima idéia de como seria dentro da Fundação Casa, até ser convidada pela psicóloga Giselda Castro para realizar um dia de jogos cooperativos na unidade Ouro Preto – São Paulo – Vila Maria. Quando aceitei o convite, muitas pessoas acharam que eu era louca de entrar lá sozinha. Talvez eu seja mesmo, mas algo me dizia que esta seria uma experiência incrível.<br />Na Fundação tudo é muito limpo e organizado. Os meninos realizam tarefas diárias como lavar banheiros, chão, lavar suas louças. Tem aulas de música, artes, sala de leitura, tratamento psicológico, aula de Educação Física e Escultura. São separados da área administrativa por duas portas de ferro e dois seguranças e estas portas funcionam em sistema de clausura. Isto significa dizer que enquanto a que dá acesso ao administrativo abre, a do pátio está fechada. E somente quando a do administrativo fecha é que se abre a outra, lugar onde os meninos ficam. É também o espaço onde eu fiquei e que foram realizadas as atividades no trabalho que focalizei.<br />A proposta era que os jogos cooperativos pudessem propiciar momentos de descontração aos meninos, já que eles não poderiam mais fumar dentro da Fundação. Tinha como propósito também despertá-los para um lado mais cooperativo, facilitando a compreensão do quanto eles poderiam cuidar mais deles mesmos e dos outros que estão ao redor.<br />As atividades iniciaram às 9h30 da manhã com um número total de 50 participantes. Às 9h50, havia 10 meninos e cerca de 10 min. depois, o número aumentou para 31. Essa foi a quantidade de participantes, que permaneceu até 16h30 da tarde nas atividades, término da programação.<br />Dei-me conta de que a queda no número de participantes aconteceu por dois motivos. Um deles foi a escolha da música que levei para o inicio do dia. Acostumada com trabalhos cujos participantes são de classe média/alta, fui infeliz ao pensar que um Axé agradaria, ou que pelo menos os meninos se acostumariam com o som. Essa minha escolha fez com que eu perdesse muitos “pontos” com eles. Se já não bastasse essa minha falha, acreditei na atividade Tocou Colou. Sabia que o risco deles não quererem fazer era grande, mas mesmo assim apostei, e a maioria deles teve muita dificuldade em se tocar. Como disse um dos meninos&#8230; “Si tocá não, Senhora, eu so macho, e outro mano tocano im mim, não é legal, não Senhora”. Esse rapaz me marcou e fiquei observando-o do começo ao fim do dia.<br />Reconquistei o grupo minutos depois com um Black e mudei rapidamente de atividade. Percebi que precisava ir com calma.<br />Dentre as diversas atividades do período da manhã destaco o Futpar e o Volençol que trouxeram algumas reflexões bem bacanas. No futpar, um deles falou assim “Eu cai muito, Senhora, mas eu sabia que por mais que eu caísse a minha dupla não ia deixá que eu me machucasse e ia me ajudá a lenvantá quando eu caísse”. Outro disse “ é o que falta, ainda mais aqui dentro”. Fiquei bem atenta no que aquele menino que falei no começo ia dizer e quando ele abriu a boca disse “Meu time Ganhou”. Mas segundos depois ele completou a frase “&#8230; mais pouco me importo, eu ri muito”.<br />No período da tarde eu já tinha conquistado a confiança deles e então foi um pouco mais fácil de trabalhar. Também houveram algumas atividades destaques nesse período, que foram João Confiança, ponte de cordas e varal dos sonhos.<br />Já adianto que ninguém caiu. Na ponte, eles balançavam a corda como se isso fosse mais um desafio para eles. Eu deixei e acabou sendo muito divertido. Começaram a gritar a nome dos funcionários, diretor, para também passarem por cima da corda e dois funcionários passaram&#8230; foi bem legal e importante para o grupo. Conversamos um pouco sobre confiança e ajuda e como nós todos podemos ser melhores quando conseguimos confiar em quem esta perto de nós. E para que possamos cuidar das pessoas e ajudá-las, construímos o varal dos sonhos, onde cada um ficou responsável em ajudar um companheiro a realizar o sonho dele.<br />Neste momento percebi que eu tinha cumprido meu trabalho lá dentro, pois cada um abraçava o seu anjo “cuidador” carinhosamente em gratidão.<br />E para ter certeza de tarefa cumprida, terminei a tarde focalizando uma dança circular chamada escravos de Jó. Pude reparar, olhando na minha frente, aquele rapaz que observava com mais atenção, no circulo de mãos dadas com outros dois homens.<br />Essa experiência, que foi inexplicável, me fez perceber que quanto mais eu vivo, mais sei que NADA sei. Aprendi com eles que jamais posso dizer “você é o cara” e que “juiz” é uma palavra abominável lá dentro. Falar a palavra “soltar” então, é “zoar” com a cara deles. Aprendi que não se fala “chega mais”. Na linguagem deles é “cola aqui mano” e que eles são pessoas bem objetivas. Se você fala demais é bem normal ouvi-los dizer “não estica o chiclete”.<br />Ensinaram-me muitas palavras da linguagem deles e eu ensinei algumas da minha linguagem, mas muito além disso, pude aprender que mesmo com essas diferenças, somos seres humanos sonhadores atrás das mesmas coisas, FELICIDADE e PAZ&#8230; sim PAZ. Não acreditaria nisso se alguém me dissesse, mas como tive a chance de olhar nos olhos deles sei, por incrível que pareça, que é o que eles querem.<br />Todos fizeram algo de ruim, estão ali sabendo disso e tem a oportunidade de repensar nas atitudes e sair de lá, como diz o diretor, RENASCIDOS. Acredito que isso possa de fato acontecer. Olhando nos olhos, senti que na alma de cada um há uma pessoa maravilhosa, mas que ainda não se desenvolveu, porque talvez<br />não teve oportunidade para tal. As pessoas são aquilo que elas vêem. Aprendem na infância que aquilo é o correto e passam a agir daquela forma. Mas se pararem para refletir e a agir de acordo com o que cada um acredita que é correto para si, creio que conseguiremos enfim, chegar à felicidade plena e assim ninguém precisará mais pagar por ações corruptas.<br />Por isso eu retruco o SENHORA que eles tanto me chamaram, dizendo “ Obrigada, SENHORES”.<br />Agradeço a Giselda que me convidou para essa grande experiência. Aos meus amigos, Andressa Pinheiro, Claudia Prado, Cambises Bistricky e Eliana Fausto, que me emprestaram os materiais que foram utilizados nas atividades. À todos os funcionários da Fundação, que estiveram presentes e participaram JUNTOS das atividades cooperativas. Aos meus anjos da Guarda que estiveram comigo o dia inteiro. E aos “manos” participantes que me fizeram perceber a grandeza dos jogos cooperativos e a acreditar que o RENASCER e o RECONSTRUIR são realmente possíveis.</p>
<p>Karina Fernandes Pires</p>
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		<title>Entrevista de F&#225;bio Brotto para a Revista Educa&#231;&#227;o</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Sep 2009 14:47:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Entrevista Fábio Otuzi BrottoRevista EducaçãoJunho 2003
1) Não é uma utopia falar em jogos cooperativos num país que tem o futebol como paixão nacional?Poderíamos pensar assim, caso estivéssemos realizando esta conversa há 12 anos atrás, quando o PROJETO COOPERAÇÃO iniciou a difusão de Jogos Cooperativos, no Brasil. Naquela época, boa parte das instituições, grupos e pessoas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Entrevista Fábio Otuzi Brotto<br />Revista Educação<br />Junho 2003</p>
<p><strong>1) Não é uma utopia falar em jogos cooperativos num país que tem o futebol como paixão nacional?</strong><br />Poderíamos pensar assim, caso estivéssemos realizando esta conversa há 12 anos atrás, quando o PROJETO COOPERAÇÃO iniciou a difusão de Jogos Cooperativos, no Brasil. Naquela época, boa parte das instituições, grupos e pessoas pensavam que a Competição era o único modo de vida possível e aceitável para resolver os problemas e realizar todas as metas desejadas. Hoje, falar em Jogos Cooperativos e promover a Cooperação como um Estilo de Vida, é bem diferente. Especialmente, neste país apaixonado pelo Futebol Pentacampeão e cada dia mais, desafiado a alcançar vitórias reais em campos bem mais complexos e sensíveis, tais como, no da Justiça Social, Educação Cidadã e Qualidade de Vida para todos, sem exceção. Em meu ponto de vista, somente através da prática de Jogos Cooperativos no dia-adia, é que estes “Campeonatos” poderão ser realmente conquistados!</p>
<p><strong>2) O sr. defende que tanto a competição quanto a cooperação são valores culturais e não características inerentes à espécie humana. Mas vivemos em um mundo cada vez mais competitivo. Como essas informações podem ser trabalhadas na escola?</strong><br />Competição e Cooperação são aspectos presentes em muitas formas de vida. Nos Seres Humanos podem se manifestar mais ou menos intensamente dependendo das escolhas que fazemos, individual e coletivamente, isto é, variam de acordo com a Cultura construída e sustentada por nossos pensamentos-sentimentos-atitudesrelacionamentos.<br />Nos Jogos Cooperativos costumamos dizer que existem muitos Jeitos de Ver-e-Viver a Vida&#8230; e são muitos os Jeitos (in)possíveis. Sendo capazes de reconhecer diferentes alternativas para Jogar-Viver, podemos escolher aquela que mais nos agrada, não é? Talvez, precisemos aprender a VER MELHOR para poder VIVER MELHOR. E esta pode ser uma excelente contribuição a ser dada pela Escola, uma profunda e larga alfabetização do Olhar o mundo, os outros e a si mesmo&#8230; para re-encontrar o que é Como-Um a todos<br />Nós!</p>
<p><strong>3) Torcer para o time, xingar a mãe do juiz e usar malícia no jogo não faz parte do “espetáculo” do esporte?</strong><br />Sim, faz parte. Como também faz parte do Esporte aprender sobre como ser mais íntegro e respeitar a integridade uns dos outros; como aperfeiçoar os fundamentos do Jogo e potencializar os princípios de uma co-existência pacífica; como lidar com os limites externos e descobrir algumas ilimitações internas; como valorizar as “pequenas vitórias” mesmo em meio a “aparentes derrotas”; como reconhecer um Solidário por trás do uniforme de um pseudo-adversário; e como celebrar cada gol, cada cesta, cada gesto, cada ponto&#8230; como um presente singular oferecido pela Vida para nosso infinito Jogar&#8230; Sim, tudo isto e muito mais, faz parte do mesmo “espetáculo”. Por isso, saibamos fazer nossas escolhas sobre qual “espetáculo” desejamos ver acontecendo nos campos do Esporte e da Vida.</p>
<p><strong>4) Há quanto tempo existe o Projeto Cooperação? Como surgiu a idéia?<br /></strong>O Projeto Cooperação – Comunidade de Serviço, nasceu em Santos-SP, no ano de 1992 e desde 2002, estamos também em Florianópolis-SC. Surgimos pelo propósito de reunir pessoas, grupos e organizações para difundir Jogos Cooperativos e promover a Cooperação para Construir um Mundo onde Todos podem VenSer&#8230; Juntos! Hoje, somos um grupo de 16 pessoas atuando em quatro grandes Focos: Publicação de Livros e Boletins – Realização de Oficinas e Cursos – Organização de Eventos Cooperativos – Pós-graduação e Intercâmbio. Atualmente, desenvolvemos vários programas em parceria com diversas instituições, tais como: Associação Palas Athena (São Paulo), Universidade Holística Internacional (Brasília), Centro de Vivências Nazaré (Nazaré Paulista), Suryalaya (Salvador), SESC (São Paulo e Rio de Janeiro), UNESCO (Brasília) e La Peonza (Espanha).</p>
<p><strong>5) Quais são os objetivos dos Jogos Cooperativos?</strong><br />Claro, o principal objetivo dos Jogos Cooperativos é estimular a Cooperação em quatro níveis interdependentes: Consigo mesmo, Com os outros, Com o inteiro-ambiente e Com a Comum-Unidade. Para alcançar este objetivo maior, procuramos criar ambientes de Ensinagem Cooperativa suficientemente potentes para promover o desenvolvimento de algumas das principais Co-Opetências da Cooperação, tais como: Confiança mútua, Liderança Circular, Comunicação Colaborativa, Criatividade Compartilhada, Centramento, Bom humor, Liberdade, Co-responsabiliade e Paz-Ciência.</p>
<p><strong>6) O sr. atribui aos jogos alguns valores que extrapolam os limites do campo<br />ou da quadra. Que valores seriam esses?</strong><br />Por que os Jogos são tão importantes para o desenvolvimento humano? Porque nossa maneira de Jogar reflete nossa maneira de Viver. Assim, podemos melhorar nosso Jeito de Viver aperfeiçoando nosso Jeito de Jogar. Nos Jogos Cooperativos encontramos diferentes desafios que simulam a necessidade de resolver problemas, harmonizar conflito e realizar metas e objetivos, nas mais variadas situações de nossa vida cotidiana. A idéia por trás dos Jogos Cooperativos é aperfeiçoar o Estilo de Jogar de cada pessoa e do grupo. Em outras palavras, buscamos despertar virtudes, qualidades, talentos e valores essenciais para a Vida em sociedade, como por exemplo: honestidade, desapego, simplicidade, beleza, empatia, força de vontade, cumplicidade, reciprocidade, amorosidade, respeito e Cooperação. Parafraseando a Palas Athena, diria que são “Valores que não tem preço”&#8230; e nem lugar exclusivo!</p>
<p><strong>7) O que é futepar? E a dança das cadeiras cooperativas?</strong><br />Existem muitos tipos de Jogos Cooperativos: Semi-Cooperativos, Jogos de Inversão, Jogos de Resultado Coletivo, Jogos Cooperativos de Tabuleiro, Jogos de Trans-Formação e Jogos Cooperativos propriamente ditos. É importante saber sobre estas e outras modalidades quando desejamos oferecer Jogos Cooperativos para algum grupo, numa determinada situação, pois muito do sucesso ou fracasso de um programa está na adequação dos Jogos a serem utilizados. O Futepar é um Jogo Semi-Cooperativo, porque aumenta o estímulo para Cooperação dentro de cada equipe e diminui a Competição entre as equipes. Em geral, é praticado como um Jogo de Futebol normal, sendo que joga-se em duplas e com as mãos dadas. É bastante desafiador e divertido, incentivando os jogadores(as) a ajustar os ritmos individuais num jeito de jogar Como-Um. Já a Dança das Cadeiras Cooperativas é um Jogo Cooperativo propriamente dito&#8230; ou pelo menos, espera-se que sim! Baseado na brincadeira tradicional da Dança das Cadeiras, onde existe somente um(a) ganhador(a), este Jogo convida os participantes a terminar o Jogo com TODOS sentados nas cadeiras que sobrarem. Vai-se retirando cadeiras e todos permanecem jogando e descobrindo maneiras para sentar e VenSer&#8230; Juntos! Vale lembrar uma coisa: Um Jogo Cooperativo não garante que haverá Cooperação. Apenas oferece melhores condições para que ela aconteça. Assim, é recomendável preparar adequadamente cada seção de Jogos Cooperativos, propondo desafios compatíveis com cada pessoa e grupo.</p>
<p><strong>8) Dentro desse contexto, jogos de tabuleiro, como os clássicos War, Banco Imobiliário e Imagem e Ação, são “nocivos”? Nem o xadrez escapa?</strong><br />Gisela e eu, somos pai-mãe de três crianças: Tiê (11), Ilê (7) e Lyz (2). Brincamos bastante com eles e tentamos incentiva-los a Jogar Cooperativamente, em casa. Preferimos os Jogos Cooperativos de Tabuleiro (Jogo da Terra e o Jogo Lugar Bonito), mas eles gostam também de outros jogos não propriamente cooperativos. Então, jogamos com eles o Banco Imobiliário, Imagem e Ação, Xadrez, Roba-Monte, Vídeo Game (os de luta não!)&#8230; e tentamos descobrir juntos, como Jogar Cooperativamente Jogos Competitivos. Muitas vezes, é mais importante aprender a lidar com a Competição a partir de uma Consciência Cooperativa, ao invés de evita-la ou ignora-la. Ah! Já existe Xadrez Cooperativo, viu?!!!</p>
<p><strong>9) O ensino de educação física muitas vezes é visto como recreação nas escolas. Por que essa disciplina é tão desvalorizada?</strong><br />Provavelmente, por desconhecimento das muitas possibilidades e contribuições que ela pode oferecer para o desenvolvimento do Ser Humano Integral e para a promoção da Cidadania e Qualidade de Vida pessoal e coletiva. Vejo a Educação Física (Physis=Vida) como uma área tão importante como todas as demais presentes na escola e além dela e procuro vive-la de acordo com sua grandeza. Atualmente, não é difícil encontrar Professores e Professoras de Educação Física entre aqueles “prediletos” da moçada na escola e também, ocupando cargos de direção em diferentes níveis da Educação. Isto é real para todos aqueles Professores(as) de Educação Física dedicados a realizar sua vocação para despertar o que há de melhor no coração de cada um e de todos. Isto é diferente do que fazer despontar os melhores-piores, vencedores-perdedores, bons-maus&#8230; uns-e-tais.</p>
<p><strong>10) A formação que as universidades oferecem tem preparado bons professores de Educação Física?</strong><br />Com certeza! Uma boa parte das Universidades e Faculdades dirigidas a formação e atualização de Professores(as) de Educação Física está sintonizada com os novos desafios impostos pelo Jogo Planetário. Diante da diluição das fronteiras internacionais, do encurtamento das distâncias entre os povos, da mundialização dos problemas e recursos e da eminente necessidade de reequilíbrio entre as muitas ecologias existentes no âmbito individual e coletivo; é preciso responder com um novo conjunto de habilidades e talentos. Não mais a capacidade de Fazer Mais do que outros para Ganhar Sozinho, mas, sim, a Co-Opetência de Fazer Melhor COM os outros para VenSer Juntos! Nesse sentido, muitas re-visões estão sendo processadas na formação e no campo de atuação da Educação Física. E um dos sinais dessa renovação é a inclusão dos Jogos Cooperativos como disciplina curricular na Graduação e a realização de Cursos de Pós-graduação Lato Sensu em Jogos Cooperativos, como o que realizamos em Santos-SP, em parceria com a UNIMONTE e em Florianópolis-SC, através de um Convênio de Cooperação Institucional com o CESUSC. Bons tempos!</p>
<p><strong>11) Você gosta de futebol? Torce para que time?</strong><br />Olha, sou do tempo que a gente brincava na rua e construía “campinhos de futebol” em terreno baldio. Jogávamos com bola de capotão, devidamente cuidada com camadas de sebo de boi. Não sou lá um craque, mas naquele tempo o que importava era o prazer de fazer parte da turma e chegar em casa com a sensação de um dia vivido intensamente. E tinha mais. Jogava Basquete, Vôlei, Andebol, corria, saltava, andava de bicicleta, soltava pipa, fazia carrinho de rolemã, brincava de esconde-esconde e polícia-e-ladrão&#8230; tudo na rua. Desde pequeno, em Rio Claro-SP, pulava o muro do estádio para torcer pelo Velo Clube; então mudei para Sampa e assumi Ser Palmeirense; casei, fui para Santos-SP e com os filhos, virei “Peixe”; agora, estou decidindo Ser Avaí ou Figueirense, mas confesso, aqui em Floripa-SC, tenho muito menos pressa, porque o que afinal interessa é que continuemos bem à beça&#8230; Juntos!</p>
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		<title>Entrevista de F&#225;bio Brotto para a Revista Jogos Cooperativos</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Sep 2009 14:06:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos e Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Entrevista concedida &#8211; e publicada – à REVISTA DE JOGOS COOPERATIVOS.Junho/2001
Em uma tarde chuvosa na cidade de Santos, conversamos com um dos marcos referências dos Jogos Cooperativos no Brasil, Fábio Otuzi Brotto. Sentamos no chão com uma vela acesa no centro de um círculo imaginário, tivemos uma aula de filosofia de vida, cidadania e otimismo. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Entrevista concedida &#8211; e publicada – à REVISTA DE JOGOS COOPERATIVOS.<br />Junho/2001</p>
<p>Em uma tarde chuvosa na cidade de Santos, conversamos com um dos marcos referências dos Jogos Cooperativos no Brasil, Fábio Otuzi Brotto. Sentamos no chão com uma vela acesa no centro de um círculo imaginário, tivemos uma aula de filosofia de vida, cidadania e otimismo. Nossa conversa de mais de duas horas não pode ser condensada em apenas quatro páginas, mas estamos certos que vocês poderão conhecer um pouco mais deste ser humano disposto a ampliar o foco pessoal para envolver todo o grupo.</p>
<p><strong>Fábio, quem é você?</strong><br />Sou Fábio, marido da Gisela, pai do Tiê, do Ilê e da Lyz . Uma pessoa de 40 anos que está descobrindo um pouco sobre como viver junto com os outros. Conviver no dia a dia, tem sido um desafio cada vez maior. Atuando no Projeto Cooperação, juntamente com cerca de dez pessoas, estamos sempre nos desafiando a viver a cooperação entre nós, porque sabemos ser preciso exercitá-la cotidianamente. Agora, temos nos movimentado para que a sociedade perceba o Projeto Cooperação como uma comunidade de pessoas a serviço da Cooperação, ao invés, de identificá-lo como o “Projeto do Fábio”. Mas, olha, este está sendo um grande estímulo para nossa criatividade, humildade, confiança e<br />desapego.</p>
<p><strong>Como assim? Você poderia explicar melhor?</strong><br />Hoje, sinto-me como uma pessoa que está nesse transe, nesse trânsito. Descobrir melhor quem eu sou e como me articular com os outros para resgatar quem somos nós.<br />A história de minha vida está muito ligada a questão do Jogo, do Esporte e da Educação Física. Fui atleta por muito tempo e também, técnico de basquete. Aprendi o valor de buscar ser quem somos autenticamente e ao mesmo tempo, cuidar do “espírito de grupo”. Mesmo assim, vivi muitas vezes, embriagado pela lógica da competição, a lógica do quanto menos os adversários souberem quem eu sou, mais chances terei de vencer.<br />Aprendi e ensinei muito sobre isso. Quando comecei a me dar conta disso, vi que alguma coisa estava meio desarrumada. Então, passei a rever e a refinar a filosofia e pedagogia empregadas no meu trabalho. Foi quando despertei, de uma forma mais consciente, para a importância da Cooperação no Jogo e na minha Vida. Daí, para o primeiro contato com os Jogos Cooperativos, foi um pulinho!</p>
<p><strong>E desse “pulinho” para o salto criativo do Projeto Cooperação, o que aconteceu?</strong><br />Naquele determinado momento comecei a perceber melhor o que havia por trás dos uniformes, das barreiras, do pódium, placares e de tantas outras simulações experimentadas e ensinadas no Jogo. Pude ver de um jeito diferente muito do que vinha vivendo até então. Essa nova visão do Jogo e da Vida pedia novas ações, um novo Estilo de Jogo. A partir daquele imaginei realizar um projeto para realizar minha transformação&#8230; sonhei um Projeto Cooperação!</p>
<p><strong>Você consegue situar no tempo um ponto que marcasse esse momento de descoberta?<br /></strong>Vejo vários pontos de ignição, vários pequenos flashes que foram acontecendo como pequenas “cutucadas” para acordar. Mesmo considerando o conjunto desses pequenos acontecimentos como o facilitador das transformações em minha vida, gosto de lembrar de um fato terrível e muito feliz. É estranho e engraçado, não é? Para mim, foi uma das principais “cutucadas”. Bem, foi em 1984, quando fui pela primeira (e única) vez demitido. Era técnico de basquete em um clube de São Paulo, já há 4 anos. Achava que fazia um trabalho muito bom, tinha o reconhecimento das crianças, dos jovens, até dos pais e da comunidade esportiva. Num belo dia (pra muita gente), quando voltava das férias, recebi um telegrama em casa. Estava demitido e por telegrama, caramba!!! Fiquei bastante bagunçado com aquilo. E aos poucos, fui aprendendo a lição. Tudo é impermanente, por isso, viva inteiramente, o presente! Outra “cutucadinha” boa, recebi quando entrei na USP em 1982, com 22 anos, para ser técnico da Seleção de Basquete masculina e feminina. A maior parte dos atletas eram mais velhos que eu, tinha professor da universidade, doutor, mestre e mesmo no feminino as meninas tinham mais ou menos a minha idade. Por essas circunstâncias e tantas outras, personificava o tipo “bom garoto” ,“técnico perfeito”. Jamais me alterava, era um exemplo de eficiência profissional, nada me abalava nos treinos e nem nos jogos (pelo menos, era isso que aparentava, né?). Após três anos trabalhando, estava dando treino para a seleção feminina, em duas quadras simultâneas, para umas 60 meninas. De repente, depois de um erro de uma das atletas, fiquei furioso, peguei a bola e a chutei para o alto! As 60 pararam espantadas com aquilo, quando uma delas, uma das mais antigas do grupo, olhou para mim e falou assim: “Fábio, ainda bem que você não é Deus.” Olha, que lição eu recebi ali: Ser eu mesmo. </p>
<p><strong>E você aprendeu essa lição?</strong><br />Ainda não, totalmente. Tenha tentado desconstruir e recriar aspectos da minha personalidade. Aprendi a ser um “bom modelo” , uma “pessoa perfeita”, que não dá vexame, não grita, não expressa o que sente, a ser alguém para atender as expectativas do outro. Por outro lado, fui muito amado e encorajado a arriscar e me aventurar, a ousar<br />ser mais leve e ficar à vontade&#8230; da vida! E assim, a vida tem me oferecido brechas extraordinárias para a transformação. Em 1986, fui novamente chacoalhado e de um modo muito especial. O falecimento de meu pai foi um marco bem decisivo no percurso da<br />minha existência (como penso que seja para todo mundo, também). Pela primeira vez, vivi e expressei a dor, solidão, insegurança, saudade, fragilidade&#8230; deixei cair a imagem de perfeição e pude entrar em contato comigo mesmo, através da dor-e-do-amor e então, poder chegar mais perto, realmente, dos outros. Creio ter sido este o “ponto de mutação”, pelo menos, o “ponto de ignição” para uma nova e verdadeira jornada interior.</p>
<p><strong>Falando nisso, você poderia falar um pouco sobre seu encontro com os Jogos Cooperativos?</strong><br />Logo após a morte de meu pai, voltei ao curso de psicologia que havia interrompido anos antes. De novo na faculdade, interessei-me pela Psicologia Transpessoal. Em 1989, tive o privilégio de fazer parte do grupo de estudos em Transpessoal, com a Profa. Márcia Tabone, uma das precursoras do tema no Brasil. Durante os encontros minha inquietação foi aumentando, até que compartilhei com ela e outras pessoas do grupo: “estou com essa inquietação, não sei bem&#8230;estou fazendo uma coisa que já não sei se é isso que eu quero fazer. Estou encantado com algumas outras coisas, mas tenho insegurança para<br />mudar.” Uma colega sugeriu ter paciência e fluir de acordo com o ritmo da vida. Disse que naturalmente, algumas coisas passam a perder a força, enquanto outras ganham energia até se manifestarem plenamente. A Márcia, disse: “fala com a Neyde Marques, da Bahia. Ela está participando da criação da Universidade Holística, em Brasília”. Bem, segui essas duas pistas: desenvolvi a “paz-ciência” e&#8230; liguei pra Neyde. Lembro disso muito claramente: A Gisela e eu, em um orelhão falando: “Neyde, aqui é o Fábio, a Márcia me indicou&#8230;”. Falamos bastante, recebi outras pistas e o telefone da Universidade Holística. Logo depois, em julho de 1988, estava eu lá na UNIPAZ, desfrutando de um seminário sobre Direitos Humanos e Educação para a Paz. Lá, recebi muita inspiração para minha Trans-Piração e, essencialmente, encontrei, como se ao acaso, a Fabienne Lopez, uma professora da Escola das Nações, de Brasília, realizando um jogo bem esquisito, muito estranho: a Dança das Cadeiras Cooperativas. Pronto, minha procura havia encontrado o que buscava: os Jogos Cooperativos!</p>
<p><strong>E qual é o melhor público para se utilizar os Jogos Cooperativos?<br /></strong>Em 1990, no Centro de Práticas esportivas da Universidade de São Paulo &#8211; CEPEUSP, o Prof. Jofre Cabral e eu, começamos a pesquisar e experimentar um pouquinho sobre isso. Em 1991, implantamos um programa de Jogos Cooperativos para a comunidade universitária (professores, alunos, funcionários e dependentes). No primeiro ano, trabalhamos com um grupo de 06 pessoas. Era pouco, mas o suficiente para nos fazer acreditar que era possível. Aquilo foi tão forte para mim, que no ano seguinte, pedi uma licença da universidade para dedicar-me integral e totalmente a investigação e vivência dos Jogos Cooperativos em outros segmentos. De lá para cá, temos compartilhado os Jogos Cooperativos com todo tipo de pessoa e grupo, qualquer que seja o segmento e a faixa etária, quer sejam educadores, empresários, líderes comunitários, jovens ou idosos, todos têm uma boa oportunidade para experimentar a força e a beleza da Cooperação através dos Jogos Cooperativos.</p>
<p><strong>Podemos dizer, então, que Jogos Cooperativos é um bom recurso para desenvolver pessoas?<br /></strong>Mesmo existindo outros recursos tão flexíveis e potentes como os Jogos Cooperativos, considero-os como um exercício de descoberta pessoal e transformação grupal, particularmente, privilegiado. Sob o ponto de vista pedagógico é totalmente adequado para uma criança de 05 anos, bem como para um executivo de 50. Serve tanto para o aluno, como para o professor, atende ao funcionário e ao presidente da empresa, envolve filhos e pais e abraça seres humanos, a natureza e todos os reinos como aspectos de uma mesma totalidade. Temos visto acontecer trabalhos muito bem sucedidos, envolvendo todos esses segmentos, tanto no Brasil como no exterior. Contudo, é um caminho repleto de desafios. O principal deles, para mim, é compreender que os Jogos Cooperativos podem ser algo além da técnica, mais que um recurso ou ferramenta. Jogos Cooperativos pode ser um “Estilo de Jogo”, uma “Filosofia de Vida”, uma “Pedagogia para VenSer”, ou seja, uma caminho para exercitar o Ser quem somos cada um de todos nós! </p>
<p><strong>O quanto cada um de nós olha para si mesmo? O quanto cada um de nós sabe qual é a nossa vocação?</strong></p>
<p>Há uma dimensão essencial do Jogo Cooperativos. É o Jogo Interior. Aquele que jogamos para dentro, com a gente mesmo, descobrindo maneiras de nos harmonizar internamente para cooperar externamente. Investigar ludicamente nossas mais essenciais aspirações, pode nos ajudar a realizar nossas ocupações de um modo mais eficiente e feliz. Conectar-se com a própria vocação, com aquilo que genuína e realmente temos a oferecer ao mundo, pode nos trazer bem-estar pessoal e social. Penso que isto é uma tarefa de permanente afinação do instrumento que somos cada um de nós, visando poder compor-se com outros diferentes e semelhantes instrumentos, para tocar uma partitura como-um. É preciso des-cobrir nosso jeito de Ser e InterSer no mundo. Desse modo, todos são importante e imprescindíveis. Não mais e nem menos, nem melhores ou piores, tampouco perdedores ou vencedores. Somos algo além dessas fragmentações e polarizações, somos “inteiros e não pela metade”!</p>
<p><strong>Normalmente surge a discussão sobre a natureza do ser humano ser<br />competitiva. A maioria das pessoas acredita que sim, e você?</strong><br />Acredito que ao procurarmos investigar a natureza da competição, é preciso colocar pontos de interrogação, onde costumeiramente encontramos pontos finais. Assim, respondo com outras perguntas: Se nossa natureza é competitiva, o que tem nos feito existir de maneira gregária e solidária? O que nos faz dar apoio há alguém? Prestar um serviço à outra pessoa? Se nossa natureza é competitiva, o que faz nosso organismo buscar a harmonia, o bem-estar? Se a competição é natural, deveria ser predominante nas diferentes formas de vida, não é mesmo? Porém, sabe-se que não ocorre desse modo. Atualmente, há muitas evidências científicas e outras, assinalando a cooperação como uma das características essenciais a vida. Por exemplo, os estudos mais recentes de Humberto Maturana, apontam para uma “Biologia do Amor”, tendo a cooperação como um de seus alicerces. Para mim, a natureza da vida é uma natureza de possibilidades. Tanto podemos ser individualistas e competitivos, como podemos ser solidários e cooperativos. E claro, podemos ser, em certos momentos, uma mistura de competição e cooperação. Por isso, penso que devemos colocar nosso foco no poder de escolha que está disponível para todos nós, seres humanos. Somos 100% co-responsáveis por tudo que somos e fazemos. Portanto, a pergunta fundamental é: o que queremos fazer da nossa única vida como-um? Podemos Jogar uns contra os outros para ganhar sozinho OU podemos escolher jogar uns com os outros para construir um mundo onde todos podem VenSer. Façamos nossas escolhas&#8230; e saibamos assumir a responsabilidade por elas.</p>
<p><strong>Qual a dica que você dá para quem mexe com os Jogos Cooperativos, inclusive para quem está começando agora a ter contato com eles?</strong><br />Acredito que estamos todos buscando o melhor em suas vidas. Para mim, essa procura está intimamente atrelada a des-coberta de um caminho pessoal, antes de uma competência profissional, a busca por uma clareza vocacional. Isto é fundamental! Para mim, a Cooperação é uma facilitadora dessa descoberta. Sei que sozinho posso seguir em frente, mas vou muito menos longe e não tão bem e feliz, como se fosse junto com alguém. Também, sei que cooperar é um desafio pra lá de grande&#8230; mas, não vejo outro jeito senão aventurar-me pelo encontro com os outros para achar a mim mesmo. Por isso, trabalhar com os Jogos Cooperativos é, além de muitas outras coisas, uma maneira que criamos para nos alfabetizarmos na Cooperação. Aqueles que participam de Oficinas, Palestras, lê nossos livros, esta revista, vai aos Festivais&#8230; são como mestres-aprendizes<br />nessa escola de Cooperação. Imagino que aos poucos estamos construindo uma maravilhosa Comum-Unidade de Aprendizagem da Cooperação, onde todos ensinam e todos aprendem, a todo momento, com todos as coisas e para sempre. Hoje, confio que a cooperação é favorece a continuidade da vida. Sou uma pessoa confiante e acredito nisso. O mais desafiante nos Jogos Cooperativos é manter a confiança na Cooperação, especialmente, quando o Jogo parece desandar. Neste exato momento, podemos servir como pequeninos pontos de ancoragem da Consciência da Cooperação no cotidiano. Saibamos disto e cuidemos uns dos outros como parceiros essenciais neste Jogo Infinito. Ah! Uma dica?</p>
<p>Sigamos juntos&#8230; con-fiando na Cooperação!</p>
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		<title>Mem&#243;rias da Coopera&#231;&#227;o em Passo Fundo &#8211; RS</title>
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		<pubDate>Tue, 19 May 2009 20:22:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos e Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Sidnei Soares 
Projeto Cooperação – Comunidade de Serviços  
Florianópolis-SC. BRASIL  
sidnei@projetocooperacao.com.br 
Acolhimento e Cooperação 
“O verdadeiro lugar de nascimento é aquele em que lançamos um olhar inteligente sobre nós mesmos.” Marguerite Yourcenar 
Vitor é um sujeito intenso, comunicativo e verdadeiro. Um guerreiro, literalmente. Tem um longo caminho na tradição Lakota. Fez treze dias [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><b>Sidnei Soares</b> </p>
<p>Projeto Cooperação – Comunidade de Serviços  </p>
<p>Florianópolis-SC. BRASIL  </p>
<p><a href="mailto:sidnei@projetocooperacao.com.br">sidnei@projetocooperacao.com.br</a> </p>
<p><b>Acolhimento e Cooperação</b> </p>
<p><i>“O verdadeiro lugar de nascimento é aquele em que lançamos um olhar inteligente sobre nós mesmos.”</i> <b>Marguerite Yourcenar</b> </p>
<p>Vitor é um sujeito intenso, comunicativo e verdadeiro. Um guerreiro, literalmente. Tem um longo caminho na tradição Lakota. Fez treze dias na montanha, dança do sol e muito mais. Conduz a cerimônia do temascal e é um líder do Caminho Vermelho, um guardião dos conhecimentos e das tecnologias dos povos ancestrais da nossa grande América. Além disso, é um experiente psicoterapeuta somático. Diz-se que tem pai que é uma mãe. É o caso do Vitor. Ele tem dois filhos. Fênix, um garoto de 17 anos, que é líder da Unes e uma filha universitária &#8211; que não lembro o nome. Criou os filhos desde pequenos, sozinho. Fênix tinha alguns meses. O orgulho com que fala dos filhos é visível.  </p>
<p>Magali é uma pessoa terna, ativa, de olhos brilhantes. Uma cientista, estudiosa, aplicada, visionária, moderna e solidária. É geneticista. Em parceria com a URGS desenvolve uma linha de pesquisa inédita no Brasil. Pretende introduzir um gene humano (eritropoeitina) em sementes de milho e com isso obter um medicamento para tratamento de insuficiência renal e anemias graves em seres humanos. Além de aulas, orientações, pesquisas, artigos, leituras especializadas, encontra tempo ainda para dedicar-se a comunidade. No sábado cedinho foi pegar na feira de produtores locais mudas de alcachofra. Está desenvolvendo junto com alunos, uma pesquisa para produção local de alcachofra. E com isso melhorar a renda dos pequenos agricultores.  </p>
<p>Vitor e Magali se conheceram num Temascal, quando ele foi dar um curso em Passo Fundo. Vitor estava de malas prontas para morar nos EUA. Em poucos meses estavam juntos. Quando os amigos, por e-mail, perguntavam em que lugar dos “staites” ele estava, respondia: Deep Stap, uma livre tradução para Passo Fundo. Ele conta e dá risadas. Eles formam um casal contemporâneo que faz uma bela síntese entre a tradição e ciência. </p>
<p>Vitor e Magali foram nossos gentis e generosos anfitriões nos dois dias que passamos em Passo Fundo-RS. Somente para ilustrar os adjetivos, Magali na noite fria da palestra, do nada, nos traz um copo térmico com chá de erva doce quentinho. Vitor nos entregou seu corolla que andamos pra cima e pra baixo. </p>
<p>Conheci Vitor num Módulo que facilitei no Curso de Pós-Graduação em Psicologia Transpessoal, do Itecne-PR, realizado aqui em Floripa. Logo após os trabalhos, Vitor me procurou, mostrou seu projeto de um curso de extensão sobre paradigma emergente, encampado pela recém inaugurada Faculdades Anglo-Americana de Passo Fundo. Convidou-me para fazer uma palestra de lançamento do curso e facilitar o primeiro módulo do programa. Convite feito, convite aceito. </p>
<p>Quando eu e Lica chegamos o dia ainda não tinha clareado. Tomamos um táxi e fomos direto pro hotel. Fazia um frio gostoso, uns 8 ou 9 graus. O primeiro frio é assim gostoso, depois a gente vai ficando com saudades do calor. Pra mim, pelo menos, é assim que funciona. </p>
<p>No hotel tivemos a primeira demonstração da famosa hospitalidade do povo de Passo Fundo. O jovem que atendia na recepção, ao perceber que o apartamento reservado só ficaria liberado depois das 12:00 horas e não havendo outros disponíveis, não teve dúvidas em nos oferecer a melhor suíte do hotel. Depois, ao meio dia fomos gentilmente transferidos para o confortável quarto a nós reservado. Estas demonstrações de acolhimento foram se repetindo em várias situações ao longo de nossa estada na cidade.  </p>
<p>Depois de descansar, tomamos um bom café e fomos bater pernas. Nosso próximo encontro seria somente à tarde com a Diretora da Anglo-Americana. </p>
<p>Passo Fundo é uma cidade de aproximadamente 200 mil habitantes. Conserva muitos traços de cidade típica do RS. Imagine que no centro da praça tem uma gigantesca cuia de chimarrão com uma poesia gravada em bronze exaltando a hospitalidade do passofundense (será que é esse o gentílico deles?). É comum encontrar homens pilchados. Um deles estava pilchado com bombacha verde e camisa amarelo. Mais patriota impossível. Uma pena que a máquina fotográfica ficou no hotel. Mas se é conservadora por um lado, por outro é muito moderna. É um importante centro universitário e médico da região. Só a UPF-Universidade de Passo Fundo tem 20 mil alunos e tem um centro de biologia que é referência nacional. Os hospitais fazem transplantes de coração. Não é pouco né? </p>
<p>Também é uma cidade de mulheres bonitas. Vimos um cartaz do cara que descobriu Gisele Bundchen procurando novas beldades. O evento iria rolar, no próximo fim de semana, no mesmo hotel onde ficamos hospedados. Ainda bem. </p>
<p>No centro da cidade andamos pela Rua Moron. Uma charmosa rua cheia de lojinhas, cafés, etc. toda plantada com patas de vaca, nos dois lados da rua, ao longo das calçadas. Esta rua atravessa lateralmente a praça da matriz (a mesma da cuia gigante). </p>
<p>De tarde junto com Vitor fomos conhecer a Ango-Americana e sua admirável diretora. Marisa Zílio é uma mulher simpática, inteligente. Com boa oratória e excelente escutatória (a arte da escuta). Comunica-se com suavidade e diplomacia. Apesar de sua grande responsabilidade e de sua agenda cheia de compromissos parece que dispõe de todo o tempo e nos trata como as pessoas mais importantes do mundo. Percebe-se a prática da presença, do aqui e agora. Ficamos encantados com esta mulher. Foi por intermédio dela que ficamos sabendo da excelência de Passo Fundo em medicina. Nos conta que dali a poucos dias vai se submeter a uma importante cirurgia do coração, ali mesmo na sua cidade. Com simplicidade diz que não quer criar dificuldades para os seus parentes e amigos durante o período pós operatório. </p>
<p>A palestra foi um sucesso. Foi vivencial. Com roda, dança, jogo, tudo mediado por conceitos adequados ao meio acadêmico. No jogo 1&#8230;2&#8230;3 falamos de hemisférios cerebrais e aprendizagem . Na harmonização do círculo tocamos nos processos de melhorias contínuas, visualizamos a existência da unidade na diversidade e na singularidade (igual a preciosidade) de cada um na grande comunidade planetária. Na dança circular vivenciamos a criação de um poderoso campo colaborativo e sentimos o que são propriedades emergentes. Tudo permeado com descontração, alegria e bom humor, próprio de nossa pedagogia da cooperação.  </p>
<p>Deu pra perceber pelos feed-backs e pelos brilhos nos olhos de todos &#8211; este o melhor indicador, que as pessoas saíram com “gostinho de quero mais”. Não fosse pelo horário, 22:20 de uma sexta-feira, estenderíamos o programa. </p>
<p>Agora que o projeto esta lançado, planejamos voltar para facilitar o primeiro módulo e desfrutar mais um pouco desse lugar e povo hospitaleiro. Espero poder retornar na companhia da Lica, minha companheira de muitas e longas jornadas. Viajar com ela é sempre muito gostoso, tranqüilo. Ela é ligada em tudo o que acontece e acabo aproveitando mais intensamente a viajem. Sem contar que, boa psicopedagoga que é, colabora comigo na compreensão de muitas situações nos ambientes de trabalho. É minha melhor crítica. Amorosa e entusiasmada.  </p>
<p>Era manhãzinha do dia 10 de maio (dia das mães) quando chegamos a Floripa. Na estrada olhava para o céu e tive uma inesquecível visão. A leste o sol brilhante, dourado, nascia atrás de umas poucas nuvens, a oeste a lua despedia-se relutante com um brilho azul translúcido, como nunca vi. Assim como Vitor, nesta viagem fiz um excelente exercício de paravisão. No contato com todas as pessoas, atento, fui identificando gestos, atitudes e comportamentos de cooperação. Sinto que nasci mais um pouquinho. </p>
<p>Outono de 2009. </p>
<p>Sidnei da Costa Soares </p>
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		<title>Jogos Cooperativos</title>
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		<pubDate>Sat, 25 Apr 2009 14:30:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos e Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Para Jogar uns Com os outros e VenSer&#8230; Juntos !! FÁBIO OTUZI BROTTO (*)
Os Jogos Cooperativos surgiram da preocupação com a excessiva valorização que a sociedade moderna atribui à competição.
Temos competido em lugares, com pessoas, em momentos que não deveríamos, como se essa fosse a única opção.
Ao contrário de ser uma característica única e inerente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Para Jogar uns Com os outros e VenSer&#8230; Juntos !!</strong> <br /><small><br />FÁBIO OTUZI BROTTO (*)</small></p>
<p>Os Jogos Cooperativos surgiram da preocupação com a excessiva valorização que a sociedade moderna atribui à competição.</p>
<p>Temos competido em lugares, com pessoas, em momentos que não deveríamos, como se essa fosse a única opção.</p>
<p>Ao contrário de ser uma característica única e inerente à espécie humana, a competição e a cooperação, são valores culturais, ou seja, são valores e atitudes construídas pela educação formal e informal.</p>
<p>De acordo com Terry Orlick, nós não ensinamos nossas crianças a terem prazer em buscar o conhecimento, nós as ensinamos a se esforçarem para conseguir notas altas. Da mesma forma, não as ensinamos a gostar dos esportes, nós as ensinamos a vencer jogos.</p>
<p>A hipervalorização da competição se manifesta nos jogos através da ênfase no resultado numérico e na vitória. Os jogos tornaram-se rígidos e organizados, dando a ilusão que só existe uma maneira de jogar.</p>
<p>Os Jogos em sua maioria são verdadeiros campos de batalha capazes de eliminar a diversão e a pura alegria de jogar. Estruturados para a eliminação de pessoas e para produzir mais perdedores do que vencedores, muitos jogos tornaram-se um espaço para tensão, derrota, ilusão de ser melhor ou pior que alguém e para sentimentos como raiva, medo, frustração, fracasso, rejeição, e animosidade.</p>
<p>Se fizermos um balanço de nossas experiências de jogar, na escola ou fora dela, verificamos que pendem muito para o lado dos Jogos Competitivos. Nem sempre os programas de Educação Física, Esporte ou Recreação dão ênfase a atividades que promovam interações positivas, colaborando para que a competição deixe de ser um comportamento condicionado, oportunizando a percepção e o exercício de outras formas de nos relacionarmos com as pessoas, com a natureza e com a gente mesmo.</p>
<p>Os <strong><em>Jogos Cooperativos</em></strong> são jogos com uma estrutura alternativa onde os participantes <strong>jogam COM o outro</strong>, e não contra o outro. Joga-se para superar desafios e não para derrotar os outros; joga-se para se gostar do jogo e pelo prazer de jogar. São jogos onde o esforço cooperativo é necessário para se atingir um objetivo comum e não para fins mutuamente exclusivos.</p>
<p>Tomados como um processo, pode-se aprender a considerar o outro, a ter consciência dos seus sentimentos e a operar para interesses mútuos.</p>
<p>Estes Jogos são estruturados para diminuir a pressão para competir e a necessidade de comportamentos destrutivos, para promover a interação e a participação de todos, e deixar aflorar a espontaneidade e a alegria de jogar.</p>
<p>Os <strong><em>Jogos Cooperativos</em></strong> são jogos de compartilhar, unir pessoas, jogos que eliminam o medo do fracasso e que reforçam a confiança em si mesmo e nos outros. <strong>Todos podem ganhar e ninguém precisa perder</strong>.</p>
<p>Dessa forma os <strong>Jogos Cooperativos</strong> resultam no envolvimento total, em sentimentos de aceitação e vontade de continuar jogando.</p>
<p>Sintetizando, podemos relacionar os Jogos Cooperativos e os Jogos Competitivos observando suas principais características:</p>
<table cellspacing="0" cellpadding="2" width="567" border="1">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="276"><strong>JOGOS COOPERATIVOS</strong></td>
<td valign="top" width="288"><strong>JOGOS COMPETITIVOS</strong></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="276">VISÃO DE QUE “TEM PRA TODOS”</td>
<td valign="top" width="288">VISÃO DE QUE “SÓ TEM PRA UM”</td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="276">OBJETIVOS COMUNS</td>
<td valign="top" width="288">OBJETIVOS EXCLUSIVOS</td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="276">GANHAR JUNTOS</td>
<td valign="top" width="288">GANHAR SOZINHO</td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="276">JOGAR COM</td>
<td valign="top" width="288">JOGAR CONTRA</td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="276">CONFIANÇA MÚTUA</td>
<td valign="top" width="288">DES-CONFIANÇA / SUSPEITA</td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="276">TODOS FAZEM PARTE</td>
<td valign="top" width="288">TODOS À PARTE</td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="276">DESCONTRAÇÃO / ATENÇÃO</td>
<td valign="top" width="288">PREOCUPAÇÃO / TENSÃO</td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="276">SOLIDARIEDADE</td>
<td valign="top" width="288">RIVALIDADE</td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="276">DIVERSÃO PARA TODOS</td>
<td valign="top" width="288">DIVERSÃO ÀS CUSTAS DE ALGUNS</td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="276">A VITÓRIA É COMPARTILHADA</td>
<td valign="top" width="288">A VITÓRIA É UMA ILUSÃO</td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="276">VONTADE DE CONTINUAR JOGANDO</td>
<td valign="top" width="288">PRESSA PRA ACABAR COM O JOGO</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Em geral, tivemos poucas chances de participar de Jogos Cooperativos de uma forma sistematizada. Por isso é importante desenvolver uma PEDAGOGIA DA COOPERAÇÃO.</p>
<p>Aprendendo a jogar cooperativamente podemos descobrir inúmeras possibilidades criar processos facilitadores da participação e inclusão.</p>
<p>Através da modificação gradativa das regras e estruturas básicas do jogo, podemos criar um clima de aceitação mútua entre os jovens praticantes, incentivando-os a refletir sobre as possibilidades de transformação do jogo, na perspectiva de melhorar a participação, o prazer e a aprendizagem de todos. Além disso, uma Pedagogia da Cooperação pode ajudá-los a dialogar, a decidir em consenso e a praticar as mudanças desejadas.</p>
<p>Exercitando a reflexão criativa, a comunicação sincera e a tomada de decisão por consenso para aprimorar o jogo, as crianças e jovens &#8211; e nós, educadores, também &#8211; poderão descobrir que têm plenas condições de intervir positivamente na construção, transformação e emancipação de si mesmos e da comunidade onde convivem.</p>
<p>Todo tipo de Jogo tem uma intenção que ultrapassa os limites do campo e da quadra. Assim, é importante perceber quais os valores que estão por trás dos jogos e a que tipo de propósitos as atividades estão servindo.</p>
<p>Além de conhecer o Jogo é preciso re-conhecer ao que e a quem ele serve. O propósito essencial dos <strong><em>Jogos Cooperativos</em></strong> é colaborar para a construção de um mundo melhor para todos&#8230; sem exceções, onde “se o importante é competir, o fundamental é cooperar.”1 Jogando dentro desse Estilo Cooperativo podemos desfazer a ilusão de sermos separados e isolados uns dos outros e percebermos o quanto é bom e importante ser a gente mesmo, respeitar a singularidade e <strong>JOGAR PARA VenSer&#8230; JUNTOS!</strong></p>
<p>* Fábio Otuzi Brotto, 1997.</p>
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		<title>Vis&#245;es Biol&#243;gicas Competitivas e Colaborativas</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Apr 2009 13:11:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos e Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[AUGUSTO FRANCO &#8211; Escola de Redes &#8211; http://contexto4.blogspot.com/2008/05/7-competio-oucooperao.html&#160; 
Reconhecer que a competição existe nas sociedades humanas nada tem a ver com pregar a sua imanência ou a sua inexorabilidade, ou especular sobre sua possível fonte biológica ou genética.
Argumenta-se, freqüentemente, que o mundo natural é um campo de luta pela vida. Se o mundo natural é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>AUGUSTO FRANCO &#8211; Escola de Redes &#8211; <a href="http://contexto4.blogspot.com/2008/05/7-competio-oucooperao.html">http://contexto4.blogspot.com/2008/05/7-competio-oucooperao.html</a>&nbsp; </p>
<p>Reconhecer que a competição existe nas sociedades humanas nada tem a ver com pregar a sua imanência ou a sua inexorabilidade, ou especular sobre sua possível fonte biológica ou genética.</p>
<p>Argumenta-se, freqüentemente, que o mundo natural é um campo de luta pela vida. Se o mundo natural é um campo de luta pela vida (struggle for life), então seria “natural” pensar que o mundo social também o é? O darwinismo social e um pouco também o neo-darwinismo (como, aliás, qualquer darwinismo, em que pesem os esforços ingentes de vários bem-intencionados pesquisadores contemporâneos de “salvar” Darwin, dizendo que ele nunca disse “isso” ou “aquilo” – mais ou menos assim como se tentou, durante décadas, livrar Lenin das conseqüências maléficas dos sistemas políticos implantados por seus seguidores) induzem a uma resposta afirmativa a esta questão. O problema não é tomar a biologia como geratriz de comportamentos sociais, o que, sob certo aspecto, é<br />inevitável, uma vez que o homem é um ser biológico basicamente. O problema está no tipo de biologia que se toma. Desse ponto de vista, todo darwinismo é social, na medida em que foi o comportamento social, observado num tipo de sociedade, que levou Darwin e seus seguidores a inferir um comportamento natural, ou melhor, a interpretar o comportamento natural em termos de luta. A sociedade inglesa, sob o influxo do emergente mercado capitalista, apresentava-se, de fato, como um campo de luta generalizado e até certo ponto selvagem (aliás, a expressão “capitalismo selvagem” tem tudo a ver com isso). Pelo que se pode depreender, a “lei da selva” não saiu da selva para a “praça do mercado”, mas, ao contrário, da segunda para a primeira como, aliás, já havia reconhecido Marx em 1862.</p>
<p>Matt Ridley resume de maneira brilhante: “Thomas Hobbes foi o antepassado intelectual de Charles Darwin em linha direta. Hobbes (1651) gerou David Hume (1739), que gerou Adam Smith (1776), que gerou Thomas Robert Malthus (1798), que gerou Charles Darwin (1859). Foi depois de ler Malthus que Darwin deixou de pensar sobre competição entre grupos e passou a pensar sobre competição entre indivíduos, mudança que Smith fizera um século antes. O diagnóstico hobbesiano – embora não a receita – ainda está no centro tanto da economia quanto da biologia evolutiva moderna (Smith gerou Friedman; Darwin gerou Dawkins). Na raiz das duas disciplinas está a noção de que, se o equilíbrio da natureza não foi projetado de cima, mas surgiu de baixo, não há motivo para pensar que se trata de um todo harmonioso. Mais tarde, John Maynard Keynes diria que A origem das espécies é ‘simples economia ricardiana expressa em linguagem científica’. E Stephen Jay Gould disse que a seleção natural ‘era essencialmente a economia de Adam Smith vista na natureza’. Karl Marx fez mais ou menos a mesma observação: ‘É notável’, escreve ele a Friedrich Engels, em junho de 1862, ‘como Darwin reconhece, entre os animais e as plantas, a própria sociedade inglesa à qual pertence, com sua divisão de trabalho, competição, abertura de novos mercados, ‘invenções’ e a luta malthusiana pela<br />existência. É a bellum omnium contra omnes de Hobbes’” (Ridley, 1996: 284-5).</p>
<p>Na verdade, a raiz do problema está nos pressupostos que tomamos: no caso da contraposição competição x cooperação, no tipo de biologia da evolução a que recorremos para construir nossos modelos de comportamento social. Como a teoria oficial da evolução – ainda ensinada em quase todas as escolas do mundo – é o neodarwinismo, acabamos importando pressupostos não-cooperativos para as nossas ciências sociais. O neodarwinismo, como se sabe, é resultado de uma combinação das idéias originais de Darwin sobre as mudanças evolutivas graduais com as descobertas de Mandel sobre a estabilidade genética. “De acordo com a teoria neodarwinista, toda variação evolutiva resulta de mutação aleatória – isto é, de mudanças genéticas aleatórias – seguida por seleção natural” (Capra, 1996: 180). Mas o neodarwinismo não é a única teoria existente. Existe também a teoria da endossimbiose seqüencial de Lynn Margulis, para quem “o neodarwinismo é fundamentalmente falho, não somente pelo fato de se basear em conceitos reducionistas, que hoje estão obsoletos, mas também porque foi formulado numa linguagem matemática inapropriada&#8230; [a linguagem] da tradição zoológica&#8230; [acostumada] a lidar apenas com uma parte pequena e relativamente recente da história da evolução. Pesquisas atuais em microbiologia indicam vigorosamente que os principais caminhos para a criatividade da evolução foram desenvolvidos muito tempo antes que os animais entrassem em cena” (Idem: 181) (n. i.).</p>
<p>Para Margulis, a simbiose (“a tendência de diferentes organismos para viver em estreita associação uns com os outros e, com freqüência, dentro uns dos outros, como as bactérias em nossos intestinos”) cumpre um papel fundamental na evolução: “simbioses de longa duração, envolvendo bactérias e outros microorganismos que vivem dentro de células maiores, levaram, e continuam a levar, a novas formas de vida&#8230; [Assim, ela] vê a criação de novas formas de vida por meio de arranjos simbióticos permanentes como o principal caminho de evolução para todos os organismos superiores” (Capra, 1996: 185) (n. i.).</p>
<p>Examinemos o que diz a própria Margulis. “A simbiose, termo cunhado pelo botânico alemão Anton deBary em 1873, é a convivência de tipos muito diferentes de organismos; deBary, na verdade, a definiu como a ‘convivência de organismos de nomes diferentes’. Em certos casos, a coabitação, existência a longo prazo, resulta em simbiogênese: o surgimento de novos corpos, novos órgãos, novas espécies. Em suma, acredito que a maior parte da inovação evolutiva surgiu, e ainda surge, diretamente da simbiose. Essa não é a noção mais comum presente na maioria dos livros didáticos quanto à base da mudança evolutiva.</p>
<p>A simbiogênese, idéia proposta pelo russo Konstantin Merezhkovsky (1855-1921), refere-se à formação de novos órgãos e organismos por meio de incorporações simbióticas&#8230; esse é um fato fundamental na evolução. Todos os organismos grandes o bastante para que possamos vê-los são compostos de micróbios antes independentes, agrupados para formar totalidades maiores. Ao se fundir, muitos perderam o que, em retrospecto, reconhecemos como sua antiga individualidade&#8230; Creio que já consegui convencer muitos cientistas e estudantes de que partes das células, as organelas, surgiram simbiogeneticamente, como consequência de diferentes simbioses permanentes&#8230; Atualmente, trabalho na expansão da teoria, para mostrar que organismos maiores, com seus novos órgãos e novos sistemas de órgãos, também evoluíram pela simbiogênese. Se os simbiontes se fundem por completo, se eles se incorporam e formam um novo tipo de ser, o novo ‘indivíduo’, o resultado da fusão, por definição, evoluiu por simbiogênese. Embora o conceito de simbiogênese tenha sido proposto há um século, somente agora dispomos das ferramentas para testar a teoria com rigor” (Margulis, 1998: 38.9).</p>
<p>Para Margulis, “a simbiogênese foi a lua que puxou a maré da vida de suas profundezas oceânicas para a terra seca e para o ar&#8230; Se as pessoas um dia viajarem por longos períodos pelo espaço, a aventura nunca será tão artificial e estéril quanto em Jornada nas estrelas. A visão da engenharia asséptica nos libertando de nossos companheiros de planeta não é apenas insossa e tediosa, mas toca as raias do revoltante. Não importa o quanto nossa espécie nos preocupe, a vida é um sistema muito mais amplo. A vida é uma interdependência incrivelmente complexa de matéria e energia entre milhões de espécies fora (e dentro) de nossa própria pele. Esses estranhos da Terra são nossos parentes, nossos ancestrais, e parte de nós. Eles reciclam nossa matéria e nos trazem água e alimento.</p>
<p>Não sobrevivemos sem ‘o outro’. Nosso passado simbiótico, interativo e interdependente, é interligado por águas agitadas” (Margulis, 1998: 106) (n. g.). Embora Lynn Margulis esteja se referindo a processos estritamente biológicos – e por isso mesmo –, a idéia de que, na natureza, “não sobrevivemos sem o outro” (ou seja, de que só sobrevivemos com-ooutro) inspira ao pensamento social pressupostos radicalmente opostos àqueles que são sugeridos pela idéia de que, para sobreviver, temos de, de algum modo, vencer o outro (isto é, ultrapassá-lo evolutivamente por melhor adaptação).</p>
<p>Por isso, tem razão Fritjof Capra quando assinala que “a teoria da simbiogênese implica uma mudança radical de percepção no pensamento evolutivo. Enquanto a teoria convencional concebe o desdobramento da vida como um processo no qual as espécies apenas divergem uma da outra, Lynn Margulis alega que a formação de novas entidades compostas por meio da simbiose de organismos antes independentes tem sido a mais poderosa e mais importante das forças da evolução. Essa nova visão tem forçado biólogos a reconhecer a importância vital da cooperação no processo evolutivo. Os darwinistas sociais do século XIX viam somente competição na natureza – “a natureza, vermelha em dentes e em garras”, como se expressou o poeta Tennyson –, mas agora estamos começando a reconhecer a cooperação contínua e a dependência mútua entre todas as formas de vida como aspectos centrais da evolução. Nas palavras de Margulis e de Sagan: ‘A vida não se apossa do globo pelo combate, mas sim, pela formação de redes’ [Margulis e Sagan, 1986: 15]” (Capra, 1996: 185) (n. i.) (n. g.).</p>
<p>Se nossos antropólogos, sociólogos e economistas passassem a tomar como referência a produção, por exemplo, de Margulis, Maturana ou Gould, ao invés de Darwin e seus seguidores, Wilson ou Dawkins; ou seja, se tomassem como pressupostos outras biologias da evolução, é muito provável que fizessem outro tipo de ciência social e econômica e que, assim, suas interpretações do que ocorre na natureza não fossem tão projetivas do que observam na sociedade mercantil.</p>
<p>Quando seres não humanos chocam-se entre si no seu processo de aceder a recursos sobrevivenciais ou reprodutivos – mesmo que uns devorem ou matem os outros – isso não é um duelo, uma guerra, uma competição em termos humanos, porque, em 99,999&#8230;9% dos casos, não há um “átomo de interesse” envolvido em disputa, não há auto-asserção egóica, não há a emoção de se comprazer no ato de privar o outro dos recursos necessários à sua subsistência ou de aniquilá-lo, não há assassinato ou, se houver, como se diz que há no caso de certos primatas (os 0,00&#8230;1%), essa emoção não é constitutiva do seu viver coletivo, a não ser que, por alguma razão (em geral, não por acaso, o contato com humanos civilizados), tenha se estabelecido uma incongruência com o meio, o que acabará levando tal espécie ou linhagem à extinção, em virtude da impossibilidade de realização da sua autopoiese. Todos os choques entre seres não humanos são, como reconheceu Maturana, resultados de processos coletivos de realização de autopoiese, coreografias da dança estrutural que permite a manutenção e a reprodução de espécies e linhagens em congruências múltiplas e recíprocas com o<br />meio.</p>
<p>Os darwinismos são sociais porque decalcam a biologia da sociologia desse tipo de sociedade em que vivemos e, nesse tipo de sociedade (do padrão civilizatório patriarcal), sempre haverá competição, em algum grau, em todas as esferas da realidade humano-social. A conclusão é a de que não há como restringir a competição à esfera do mercado, porque não há como desvencilhar a competição do ser humano realmente existente, na medida em que somos, em parte, culturalmente construídos segundo um padrão que se tem transmitido, de modo não-genético, geração após geração (pelo menos nos últimos seis mil anos). O que não quer dizer que não possa haver graus maiores de cooperação e/ou graus menores de competição nas sociedades atuais. Nem quer dizer que uma “lógica” competitiva (como, por exemplo, a do mercado) deva, necessariamente, prevalecer nas sociedades civis e nos governos das sociedades realmente existentes no mundo de hoje (como preconiza a ideologia dita neoliberal e outras teorias sub-liberais esposadas por grande parte dos economistas hodiernos).</p>
<p>As teorias do capital social, pelo contrário, argumentam que graus maiores de cooperação são mais favoráveis ao desenvolvimento das sociedades humanas. Ao fazer isso, pressupõem que ocdesenvolvimento social é condição para o desenvolvimento, de diversos pontos de vista sob os quais entendem o termo “desenvolvimento”, inclusive quando consideram apenas o desenvolvimento econômico. As teorias do capital aocial não são teorias para uma sociedade que não existe, mas para as sociedades realmente existentes, as quais, embora manifestem, em maior ou menor grau, uma racionalidade competitiva em todas as suas esferas, também são pervadidas, em maior ou menor grau, por uma racionalidade (e por uma emocionalidade!) cooperativa. Então, as teorias do capital social dizem o seguinte: quanto maior for o exercício social da cooperação, mais condições terá uma sociedade de se desenvolver socialmente e, por conseguinte, mais condições terá de ensejar a dinamização das potencialidades e a actualização das capacidades das pessoas que a compõem – o que redunda numa maior capacidade de realizar bons governos e de prosperar economicamente.</p>
<p>Num certo sentido, isso vai contra a crença, hoje bastante generalizada, de que, quanto maior o grau de enraizamento e de abrangência de uma racionalidade competitiva, mais condições terá uma sociedade de dinamizar sua economia, de crescer e, como conseqüência, de melhorar as condições de vida de suas populações. Mas essa crença é meio estúpida – de vez que quem dinamiza a economia não é o capital físico ou financeiro, enquanto coisas, entes objetiváveis independentemente das relações sociais que os constituem, mas a qualidade das relações entre as pessoas; e de vez que a qualidade dessas relações depende das capacidades das pessoas e do ambiente em que estas pessoas se relacionam – o qual deve fornecer uma base de confiança para que se possa efetivar qualquer relação economicamente viável e um lastro de cooperação para que possam tornar-se economicamente favoráveis seus resultados (reduzindo-se, por exemplo, as margens de incerteza e os custos de transação).</p>
<p>SOBRE O TEXTO PUBLICADO AQUI<br />CONTEXTO 4 tem apenas um texto: &#8220;Uma Teoria da Cooperação baseada em Maturana&#8221;, que foi publicado em papel na revista Aminoácidos 4 (Brasília: AED, 2002). Está reproduzido aqui como um registro de um dos caminhos investigativos que me levaram a fazer explorações imaginativas no multiverso de conexões ocultas que configuram o que chamamos de social. As idéias de Maturana fazem parte do grande contexto de visões no qual estou escrevendo agora (em maio de 2008) o livro A REDE. Para acompanhar ou participar da elaboração clique em Nan Dai.</p>
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		<title>The Spirit of Cooperation</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Apr 2009 13:01:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos e Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Allan Combs
Epochs of great confusion and general uncertainty in a given world contain the slumbering, not-yet-manifest seeds of clarity and certainty. The manifestations of the aperspectival world&#8230; show that these seeds are already pressing toward realization. This means that we are approaching the &#8220;zenith&#8221; of confusion and are thus nearing the necessary breakthrough. Jean Gebser, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Allan Combs</p>
<p><em>Epochs of great confusion and general uncertainty in a given world contain the slumbering, not-yet-manifest seeds of clarity and certainty. The manifestations of the aperspectival world&#8230; show that these seeds are already pressing toward realization. This means that we are approaching the &#8220;zenith&#8221; of confusion and are thus nearing the necessary breakthrough.</em> <em>Jean Gebser,</em> 1953 The Ever-Present Origin¹</p>
<p><em>Experience teaches that it is not disarmament that points the way to peace, but rather that peaceful relations open the door to disarmament. Peace is the consequence of practical cooperation.</em> Richard von Weizäcker², President of West Germany.</p>
<p>It is evident that the continued success of the human species into the opening decades of the twentyfirst century will require a spirit of cooperation. This means a spirit of working together between individuals, a spirit of working together between political units such as nation states and international collectives, and a spirit of working together between the human and the many other species with which it shares the Earth.</p>
<p>Gebser&#8217;s evolutionary model of consciousness3 provides a uniquely valuable framework from which to examine the topic of cooperation. The very meaning of cooperation as well as its forms of expression change with each successive evolutionary structure of consciousness. The potentials, qualities, and limits of cooperation thus depend on the structures of consciousness from which it is born. These potentials, qualities, and limits form the subject of the present discussion.</p>
<p>Cooperation is a topic that is more than tangential to human survival in the decades to come. As suggested in the second opening quotation above, it is at the heart of process of reconciliation and peacemaking among otherwise ambivalent or even hostile factions. Based on extensive behavioral investigations of four species of nonhuman primates (chimpanzees, rhesus monkeys, stump-tailed monkeys, and bonobos) as well as careful observations of human behavior, Frans de Waal4 suggests that the failure of cooperation in the form of conflict is a natural part of life among primates. He also suggests, however, that reconciliation is just as natural, and as much a part of the primate constitution as is conflict. He finds that what leads to reconciliation is not the absence of strife but the presence of a valuable relationship, whether this relationship is between individuals or between nation states. Many friendships, for instance, are fraught with conflict, but both parties continue to reconcile their differences as long as the relationship continues to meet their intellectual, emotional, economic, or political needs. What this means in plain English is that both parties are involved in a mutually beneficial interaction.</p>
<p>It is apparent from even a tertiary survey of modern biological literature that cooperation is almost as widespread as life itself.5 Even at the level of single cell organisms cooperation in the form of symbiosis is common place if not, in fact, the rule.6 The meaning as well as the mechanics of cooperation are modulated, however, by the complexity of the particular organisms involved. With the evolutionary advent of large brains, behavior becomes more flexible and dynamic. Intelligence allows for increasingly higher order interactions in which separate organisms join together in elaborate behavioral exchanges. At the human level, such exchanges create higher order systems<br />such as families, communities, cities, nations, economic networks, and so on.7</p>
<p>Within the full spectrum of human activity there are many forms of cooperative exchange. One way to understand these is to examine the major structures of human experience and their implications for cooperation. In Gebser&#8217;s terms this means to explore the worlds of human reality implicit in the principal structures of consciousness, each with its own implications for cooperation as well as for hostility and aggression. The following pages will undertake this examination.</p>
<p><strong>The Structures of Consciousness<br /></strong></p>
<p><strong>The archaic structure.</strong><br />On a historical scale, this structure is essentially prehuman. It is a form of consciousness which, though it knows it not, experiences a primal unity with the light of the origin itself. According to Gebser, this structure is the historical analog of the mythological state of purity at the beginning of history, life in the Garden of Eden before the fall. It represents a time when our hominid ancestors were entirely at home in the world of nature.<br />Since there are no detailed records of life in this epoch, perhaps the best appraisal of it is obtainedfrom observing the natural state of nonhuman primates. These tend to live in relatively small groups within which complex patterns of social interaction are common place, including cooperative behavior exhibited, for example, in defense of the group, foraging for food, and establishing social hierarchies.8</p>
<p>Aggression is not uncommon within and between such groups, but it is often followed by<br />reconciliatory efforts, so that there seems to be a natural counterpoint among primates between conflict and peacemaking.9 Waal concludes that this counterpoint is probably characteristic of most if not all primates, including humans, and probably has genetic roots that extend back at least thirty million years to a time before the modern primates, including humans, divided from a common ancestor. Interestingly, nonhuman primates, like their human relatives, may bear grudges for considerable periods of time, but tend not to exhibit them while cooperation dominates social interaction.10 Welker, for example, comments on the capucine monkey&#8217;s &#8220;ability to suppress enmities, and its inability to forget them.&#8221;11</p>
<p>When fighting breaks out among nonhuman primates it is in response to present causes such as territorial pressures or imbalances in the social structure within the group,12 and does not escalate into sustained conflicts such as are typical in human society. We might well suspect that life was similar among archaic humankind as that described above for nonhuman primates.</p>
<p><strong>The magic structure.</strong><br />We have no pure example of a solitary structure of consciousness in the human being because, like functional systems of the human brain, each new one as it emerges forms a governing system over the older ones, which in turn continue to function at their own level. Form the perspective of the modern human, Gebser&#8217;s structures are, in fact, ontogenic rather than phyletic, that is, each forms part the deep structure of the modern psyche. Historically, as each new structure emerges it becomes dominant over the older ones, until it itself becomes secondary to another emergent structure. We may look for examples of dominantly magical consciousness, for example, in African Bushmen or Australian Aboriginal cultures, but such cultural outlanders of the modern world, while exhibiting a greater awareness of magical possibilities than is characteristic of industrialized cultures, are still products of unique and long evolutionary histories in which the mythic and mental structures have had more than enough time to develop in their own right. Gebser himself was quick to point out the inappropriateness of directly equating, for example, ancient Europeans with modern tribal peoples.13 Still, it is the opinion of the present writer that something is to be learned from such comparisons if they are made cautiously and in the context of the available archeological records of our own history.</p>
<p>Gebser noted that the dominant magic structure of consciousness expressed a tribal or group identity rather than the personal or individual one characteristic of the mental and especially perspectival consciousness. This suggests that cooperation in the dominantly magical human was a matter of immersion in the ethos of the group or tribe. Strong relationships between individuals may well have existed&#8211;pair-bonding is not unknown even among nonhuman primates&#8211;but this would have been secondary to psychological absorption in the collective.</p>
<p>Magical consciousness, however, also implies a first awakening to a sense of separation from nature, and thus the beginning of the drive for power and control. Cultures dominated by this structure would seem capable of power motivated conflict within and especially between tribal or collective units. If such conflict arose, it seems more than likely that magic played some role in it, possibly in the form of spell casting or witchcraft. Large scale and sustained aggression, however, would appear unlikely in the absence of a developed mental structure to organize and carry it over long periods of time.</p>
<p><strong>The mythic structure.<br /></strong>The mythic consciousness is characterized by story telling. In it the imagination is projected outward as imagery, then transformed into narrative. Imagination expressed through myth, in Gebser&#8217;s words, &#8220;renders the soul visible so that it may be visualized, represented, heard, and made audible.&#8221;14 This brings into the spotlight the vastly important process of language. While Gebser tended to focus on the centrality of the imagination in his discussions of the mythic structure of consciousness, the advent of articulate language no doubt played an important historical role in the appearance of the great societies of the mythic epoch, all of which relied heavily on social cooperation. These included the neolithic society of Old Europe,15 as well as the ancient civilizations of Mesopotamia, Egypt, Greece, Crete, the Indus Valley, and the Yellow River in China.</p>
<p>Cerebral asymmetries in the skull casts of Homo habilis suggest that the beginnings of human language may date as far back as four million years.16 The elaboration of language into an exquisite and powerful vehicle of social control and coherence probably did not come about, however, until much later. This may well have occurred as recently as a period from about fifty thousand to perhaps ten thousand years ago.17 This corresponds roughly to the development of the mythic imagination. It includes the the flourishing of the imagination expressed in the paintings found in the great cave sanctuaries of southern Europe,18 as well as the spread of the widely held mythology of the goddess beginning at about 20,000 to 18,000 B.C.19.</p>
<p>The full sweep of the mythic imagination, however, did not break free of the older structures and come into its own until the advent of the neolithic farming revolution around 8,000 to 9,000 B.C. During the next few millennia the entire Old European civilization based on farming developed in regions now largely in Eastern Europe and the Near East, bringing with it artistry, commerce, copper metallurgy, and even what appears to be a rudimentary script.20 Historically, the pouring forth of rich visual imagery characteristic of the mythic structure of consciousness was the internal combustion engine behind the rapid acceleration of technology that was so characteristic of the first millennia of the neolithic era. Homo erectus had lived for over one million years making no technological statement beyond a few modestly well crafted stone tools.</p>
<p>Later the Neanderthal spent half a million years developing what appears to be a moderately rich culture, but one still lacking in rich aesthetic and technological expression as judged against modern standards. With the Cro-Magnon man these aspects of culture began to gain speed, and with the advent of full blown mythic consciousness artistic and technological development accelerated exponentially. Feuerstein point&#8217;s out that this enormous creative energy needs to be made explicit because Gebser, in his own works, tends to stress the introverted aspect of mythic consciousness.21</p>
<p>One might suspect that societies dominated by the mythic structure of consciousness, like those earlier ones dominated by the magic structure, would, without the direction that the mental structure can provide, be subject to no more than occasional conflicts of the type observed in nonhuman primates. This would indeed seem to be the case for the Old European civilization, for which virtually no evidence of violent conflict has yet been found.22 If we look, however, at the more recent, but still ancient civilizations, for instance of Mesopotamia, Greece, and China we find quite a different picture. It would seem, in fact, that war as we know it today was virtually invented in Sumer around the third millennium B.C. A chronicle of that period reads:</p>
<p>Sargon, King of Agade &#8230;the city of Uruk he smote and its wall he destroyed. With the people of Uruk he battled and he routed them. With Lugal-zaggisi, King of Uruk, he battled and he captured him and in fetters he led him through the gate of Enlil. Sargon of Agade battled with the man of Ur and vanquished him; his city he smote and its wall he destroyed. E-Ninmar he smote and its wall he destroyed, and its entire territory, from Lagash to the sea, he smote. And he washed his weapons in the sea&#8230;23 What could motivate such destruction? The chronicle itself seems, indeed, to swagger with the answer. No matter what social or economic reasons might be offered, part of the answer would seem to be the appearance of rulers such as Sargon, who were intoxicated with egotism. Thus, while we are viewing a historical epoch that is, for the most part, still characterized by domination of the mythic structure of consciousness, the mental structure, and even the ego has surfaced with a vengeance.</p>
<p>If there is any doubt about the appearance of the ego in ancient Mesopotamia, it is put to rest by a reading of the epic of Gilgamesh. Here we find the ancient hero blatantly parading his masculine ego to the express humiliation of the representatives of the ancient tradition of the goddess,24 and in the end voicing his frustrations with the limitations human life in a thoroughly self-consciousness manner that carries a distinctly existential flavor.</p>
<p>In the ancient campaigns of king Sargon we have the oldest known record of the emergence of an equation that will occur again and again throughout the history of warfare and conflict. The mythic structure alone would most likely be incapable of sustained and systematic conflict of the kind we see in the campaigns of king Sargon. It would be more likely to engage in more or less sporadic flourishes of fighting, and these with an emphasis on heroic actions of individual warriors. We is what we find in many tribal peoples such as the Native Americans, and it is the style of fighting depicted by Homer in the Iliad. What we see in Sargon, however, is the play of the ego as a modulating influence on the tendency of the mythic consciousness to create great issues, that is, to polarize differences in perspective and magnify them into &#8220;mythic proportions.&#8221; In Sargon&#8217;s case, and many to follow him, this is accompanied by an inflation of the ego to the point that it sees itself as vastly larger than life. Sargon was a megalomaniac.</p>
<p>This mixture of the mental and the mythical structures, by which the mental makes distinctions&#8211;&#8221;I am important and your are not,&#8221; &#8220;capitalism is good, communism is bad,&#8221; &#8220;Christianity is right, Islam is wrong,&#8221; etc.&#8211;and the mythic polarizes them into gigantic proportions, can readily ignite into uncontrolled hostility and war. The enemy may then be projected as a demonic other, deserving of less than human consideration. Combine this with the still extant tendency of the magical structure to be drawn into collective social movements such as the Nazi party or the Moral Majority and we have the full prescription for relentless and heartless aggression. All this is to say that already in the third millennium B.C. we see the basic pattern for war even as it comes to us today, involving a unique interaction of the magic, mythic, and mental structures of consciousness.</p>
<p><strong>The mental structure.</strong><br />This structure became the dominant way of incorporating reality during the final centuries before the birth of Christ, and remains dominant today. As Gebser points out, it first reached full expression in classical antiquity when Parmenides, in 480 B.C., could say to gar auto noein estin to kai einai, &#8220;For thinking and being is one and the same.&#8221;25 Plato, in the Phaedo, attributes a similar attitude to Socrates, who seems to equate the soul and the afterlife with pure thought. The identification of being with thinking would be expressed again in modern times by René Descartes.</p>
<p>Feuerstein26 estimates that the roots of the mental structure of consciousness may actually go back many millennia before Christ and, as noted above, there is reason to postulate the emergence of the ego in certain individuals well before Greek classical antiquity. As with the other structures of consciousness, however, there is an efficient and a deficient form of mental consciousness. The efficient form is represented by directive, discursive thought, as seen, for instance, in the dialogues of Plato. One suspects that such discursive thought carried the potential for the first time of cooperative interactions between relatively large numbers of individuals, interactions based on a mutual exchange of ideas. Indeed, this is precisely what we find in classical Athenian democracy.</p>
<p>The democracy of Athens was no less than an experiment in governance by intellectual discourse. The fact that it lasted for only a brief period of time does not take away from this fact, nor form its greatness. The reasons for its failure are complex, but clearly involved a loss of mental balance in favor of the greed and heady egotism that led the Athenians of the late fifth century into the disastrous naval campaign against Syracuse. It seems that, tragically, while the new democracy was able to triumph over the deep collective tendencies of magical consciousness and the larger-than-life polarities of mythic consciousness, it was unable to stand against the catalytic power of the emergent perspectival egoic structure.</p>
<p>The possibilities for thoughtful cooperation and governance offered by the mental structure were not unique to Greece. For example, the Roman Empire, despite its many political turmoils and its final decadence, gave the world its first great system of international government. This was founded upon an effective system of reasonably equatable international law that was unprecedented in history.</p>
<p>The deficient form of the mental structure is perspectival consciousness, associated with an ego focally located in the head. This perspectival posture did not move into the foreground of consciousness until the mid sixteenth century A.D. and the Italian Renaissance, but as noted above, its roots go back well into the ancient world. Perspectival consciousness is associated with rational thought, or ratio, characterized by divisive, immoderate and hair-splitting reasoning. Gebser wrote: Ratio must not be interpreted&#8230;as &#8220;understanding&#8221; or &#8220;common sense&#8221;; ratio implies calculation and, in particular, division, an aspect expressed by the concept of &#8220;rational numbers&#8221; which is used to designate fractions and decimals, i.e., divided whole numbers or parts of a whole. This dividing aspect inherent in ratio and Rationalism&#8211;an aspect which has come to be the only valid one&#8211;is consistently overlooked, although it is of decisive importance to an assessment of our epoch.27 As expressed so poignantly in this passage, our own age is as much beset by the faults and problems brought on by the rule of the ego as that of the ancient Athenians, and indeed more so.</p>
<p>Such problems include a tendency to adopt isolated and self-centered viewpoints, accompanied by wrangling and hair-splitting over trivial differences in opinion, and, with the help of the mythic and magic strata of the psyche, magnify these to monumental proportions and emotionally acting them out in blind collectives. The result has been everything from the holy crusades and the Holocaust to the present threat to world cooperation and peace posed by nationalist and fundamentalist factions throughout the globe.</p>
<p>Even with all of this, however, the perspectival consciousness holds the seeds of a new form of cooperation, one that will reach completion only with the awakening of the aperspectival or integral structure. This is the ability to enter into cooperative exchanges with others while retaining a complete and developed awareness of one&#8217;s own individuality. In relationships founded on such exchanges each party can pursue her of his own individuation while at the same time contributing to the goals held in common. Such relationships may involve a diad, as in the marriage relationship, a group of scholars with certain broad interests shared in common, or an economic community of separate nation states.</p>
<p>We may understand such collections of dynamic centers of self-initiated activity, engaged in exchanges that benefit both individual goals and mutual interests, as synergistic communities, in the general sense suggested by Ruth Benedict,28 and in the recent specific formulation by mathematician and dynamical systems theorist Ralph Abraham.29 Benedict defined synergy as a situation in which &#8220;any act or skill that advantages the individual at the same time advantages the group.&#8221;30 She contrasted it with the opposite social situation in which &#8220;every act that advantages the individual is at the expense of others.&#8221; Abraham has modelled this notion in the mathematics of dynamical systems theory.</p>
<p>Riane Eisler has developed a partnership model of cooperative interactions between individuals &#8220;in which social relations are primarily based on the principle of linking rather than ranking.&#8221;31 The essential notion here is that human relationships, individual, political, or otherwise, have historically tended to fall into one of two attractor basins, to use the terminology of dynamical systems theory. One of these she terms the partnership model, described above, and the other she terms the dominator model. The latter emphasizes hierarchical relationships in which a small elite controls the lives of the majority by virtue of political power, financial influence, or simple brute strength. Such elites, almost always male, have for the most part determined the destiny of humanity since the the Endoeuropean invasions of the peaceful Old European culture right down to the present day.</p>
<p>The strength of the dominator system takes its origin from the ancient magical urge for power, an urge that undercuts all of the highest motives of compassion and reason. As Carl Jung observed, where there is will to power there is no love, and where there is love there is no will to power. </p>
<p>Even at its highest octave the best intentions of perspectival consciousness tend all too frequently to be undercut by self-centered egoic agendas, nit-picking, and failure to see beyond one&#8217;s own perspectival limitations. If sustained cooperation is to be achieved in personal relationships, in national and international economic ventures, and in the local, national, and international political arenas, a more effective form of consciousness is needed. Such a form is integral or aperspectival consciousness.</p>
<p><strong>The integral structure.<br /></strong>The models for peaceful cooperation that are possible for the mental consciousness are also possible for the integral consciousness which, however, can carry them forward without the selfdestructive limitations of the perspectival structure. Indeed, integral consciousness is not a structure among structures. It is the ability to experience all of the structures in their fullness, without being consumed by any of them. It is a clarity of awareness that stands above and yet contains all other structures. From this posture it is possible to experience one&#8217;s own motives and aspirations with increased transparency, and to see them in the context of the needs of others and of society and the world. It is also possible to overcome the ego&#8217;s neurotic habit of concealing from itself its own selfserving agendas, while pursuing them with a vengeance in the world.</p>
<p>The freedom of this structure from the temporal and spatial constraints of perspectivity allow it a degree of objectivity that no previous structure of consciousness could enjoy. Such objectivity carries the potential of newfound nobility. Frithjof Schuon observes: There is no knowledge without objectivity of the intelligence; there is no freedom without objectivity of the will; and there is no nobility without objectivity of the soul.32 In Gebser&#8217;s words, &#8220;the pursuit of power is replaced by the genuine capacity for love.&#8221;33 The integral structure may seem like the pipedream of a troubled world, or the provence of only a trivial few, but such may not be the case. Gebser saw evidence of its coming in many spheres of human activity, ranging from biology to music, form mathematics to jurisprudence, and from physics to poetry.</p>
<p>Though Gebser gave us relatively few suggestions regarding how to further the unfolding of consciousness to the level of the integral structure, he clearly perceived its development as an ongoning and large-scale process within society, involving many more than a few isolated individuals.</p>
<p>Let us hope that his whole system of structures of consciousness shares something in common with levels of human moral development34 in this sense, that by interacting with others more advanced than ourselves we may also be drawn upward to the highest levels.</p>
<p>1References<br />. Gebser, J. (1949/1986). The Ever-Present Origin. (N. Barstad and A. Mickunas, Trans.).<br />Athens, Ohio: Ohio University Press; p.531.<br />2 . de Waal, Frans. (1989). Peacemaking among primates. Cambridge, Massachusetts: Harvard<br />University Press; p.267.<br />3 . Gebser, J. (1949/1986). The Ever-Present Origin. (N. Barstad and A. Mickunas, Trans.).<br />Athens, Ohio: Ohio University Press.<br />4 . de Waal, Frans. (1989). Peacemaking among primates. Cambridge, Massachusetts: Harvard<br />University Press.<br />5 . Augros, R., &amp; Stanciu, G. (1988). The new biology: Discovering the wisdom in nature.<br />Boston: Shambhala.<br />Axelrod, R., &amp; Hamilton, W.D. (1981). The evolution of<br />cooperation. Science, 211, 1391.<br />6 . Margoulis, L. (1981). Symbiosis in cell evolution. San Francisco: Freeman.<br />7 . Laszlo, E. (1987). Evolution: The grand synthesis. Boston: Shambhala.<br />8 . Jolly, A. (1985). The evolution of primate behavior. (2ed ed.). London: Collier Macmillan.<br />9 . de Waal, Frans. (1989). Peacemaking among primates. Cambridge, Massachusetts: Harvard<br />University Press.<br />10 . de Waal, Frans. (1989). Peacemaking among primates. Cambridge, Massachusetts: Harvard<br />University Press.<br />11 . Welker, C. (1981). Zum sozialverhalten des kapuzineraffen (Cebis apella) in gefangenschaft.<br />Philippia, 4, 331-342.<br />12 . Jolly, A. (1985). The evolution of primate behavior. (2ed ed.). London: Collier Macmillan.<br />13 . Gebser, J. (1949/1986). The Ever-Present Origin. (N. Barstad and A. Mickunas, Trans.).<br />Athens, Ohio: Ohio University Press; p.44.<br />14 . Gebser, J. (1949/1986). The Ever-Present Origin. (N. Barstad and A. Mickunas, Trans.).<br />Athens, Ohio: Ohio University Press; p.67.<br />15 . Gimbutas, M. (1982). The goddesses and gods of old Europe. Los Angeles: University of<br />California Press.<br />16 . Coppens, Y. (1981). Esposé sur le cerveau: Le cerveau des hommes fossiles. Paris: Institut de<br />France, Académie des Sciences.<br />17 . Janes, J. (1976). The origin of consciousness in the breakdown of the bicameral mind. Boston:<br />Houghton Mifflin.<br />Smith, M. (1978). Perspectives on selfhood. American Psychologist, 33, 1053-<br />1063.<br />18 . Putman, J.J. (1988). The search for modern humans. National Geographic, 174(4), 439-477.<br />19 . Campbell, J. (1976/1962). The masks of god: Vol.2: Oriental mythology. New York: Penguin.<br />20 . Eisler, R. (1987). The chalice and the blade: our history, our future. San Francisco: Harper &amp;<br />Row.<br />Gimbutas, M. (1982). The goddesses and gods of old Europe. Los Angeles: University of<br />California Press.<br />21 . Feuerstein, G. (1987). Structures of consciousness: The genius of Jean Gebser. Lower Lake,<br />California: Integral Publishing.<br />22 . Eisler, R. (1987). The chalice and the blade: our history, our future. San Francisco: Harper &amp;<br />Row.<br />23 . Campbell, J. (1976/1962). The masks of god: Vol.2: Oriental mythology. New York: Penguin;<br />p.139.<br />24 . Thompson, W. I. (1981). The time falling bodies take to light: Mythology, sexuality, and the<br />origins of culture. New York: St. Martin&#8217;s Press.<br />25 . Gebser, J. (1949/1986). The Ever-Present Origin. (N. Barstad and A. Mickunas, Trans.).<br />Athens, Ohio: Ohio University Press; p.77.<br />26 . Feuerstein, G. (1987). Structures of consciousness: The genius of Jean Gebser. Lower Lake,<br />California: Integral Publishing.<br />27 . Gebser, J. (1949/1986). The Ever-Present Origin. (N. Barstad and A. Mickunas, Trans.).<br />Athens, Ohio: Ohio University Press; p.95.<br />28 . Maslow, A.H., &amp; Honigmann, J.J. (1970). Synergy: Some notes of Ruth Benedict. American<br />Anthropologist, 72, 320-333.<br />29 . Abraham, R.H. (1989). Social and international synergy: A mathematical model. IS Journal,<br />7/8, 27-26.<br />30 . Maslow, A.H., &amp; Honigmann, J.J. (1970). Synergy: Some notes of Ruth Benedict. American<br />Anthropologist, 72, 320-333; p.325.<br />31 . Eisler, R. (1987). The chalice and the blade: our history, our future. San Francisco: Harper &amp;<br />Row; p.xvii.<br />32 . Schuon, F. (1981). Esoterism as principle and as way. (W. Stoddart, Trans.). Middlesex,<br />England: Perennial Books.<br />33 . Gebser, J. (1974). Verfall und Teihabe. Salzburg: Otto Müller.<br />34 . Kohlberg, L. (1981). Essays on moral development (Vol.1). San Francisco: Harper &amp; Row.</p>
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		<title>Uma Teoria da Coopera&#231;&#227;o Baseada em Maturana</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Apr 2009 12:30:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[AUGUSTO FRANCO &#8211; Escola de Redeshttp://contexto4.blogspot.com/2008/05/7-competio-ou-cooperao.html 
Há uma teoria da cooperação implícita na exposição precedente, cujos elementos principais, apenas elencados em três conjuntos, de modo não axiomático, são os seguintes:
Primeiro conjunto: a cooperação está na constituição do humano.
1 &#8211; O que nos torna humanos é a linguagem.2 &#8211; Não é, fundamentalmente, o tamanho do cérebro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>AUGUSTO FRANCO &#8211; Escola de Redes<br /><a href="http://contexto4.blogspot.com/2008/05/7-competio-ou-cooperao.html">http://contexto4.blogspot.com/2008/05/7-competio-ou-cooperao.html</a> </p>
<p>Há uma teoria da cooperação implícita na exposição precedente, cujos elementos principais, apenas elencados em três conjuntos, de modo não axiomático, são os seguintes:</p>
<p align="justify">Primeiro conjunto: a cooperação está na constituição do humano.</p>
<p align="justify">1 &#8211; O que nos torna humanos é a linguagem.<br />2 &#8211; Não é, fundamentalmente, o tamanho do cérebro o que torna possível a linguagem, e, sim, o modode conviver.<br />3 &#8211; O modo de conviver que torna possível a linguagem jamais se teria conservado sem uma forte emoção amistosa capaz de permitir a intimidade na convivência com certa permanência.<br />4 &#8211; Sem uma história de interações suficientemente recorrentes, abrangentes e extensas, em que haja aceitação mútua em um espaço aberto às coordenações de ações, não se pode esperar que surja a linguagem.<br />5 &#8211; A linguagem só pode surgir na cooperação.<br />6 &#8211; A cooperação está na constituição do humano.</p>
<p align="justify">Segundo conjunto: a cooperação está na fundação do social.</p>
<p align="justify">1 &#8211; Só há sistema social se houver recorrência de interações que resultem na coordenação condutual dos seres vivos que o compõem, quando tal recorrência de interações passa a ser um mecanismo mediante o qual estes seres vivos realizam sua autopoiesis.<br />2 &#8211; A cooperação se dá em todas as relações sociais.<br />3 &#8211; Nem todas as relações humanas são sociais, tampouco o são todas as coletividades humanas, porque nem todas se fundam na operacionalidade da aceitação mútua.<br />4 &#8211; Distintas emoções especificam distintos domínios de ações.<br />5 &#8211; Coletividades humanas fundadas em emoções não centradas na emoção amistosa que permite a intimidade na convivência com certa permanência – ou o ser com o outro – estarão constituídas em outros domínios de ações que não o da cooperação e do compartilhamento – em coordenações de ações que implicam a aceitação do outro como um legítimo outro na convivência – e não serão comunidades sociais.<br />6 &#8211; A cooperação não se dá nas relações de dominação e submissão; a obediência não é um ato de cooperação.<br />7 &#8211; Afirmamos que o indivíduo humano se realiza na defesa competitiva de seus interesses porque não nos damos conta de que toda individualidade é social e só se realiza quando inclui cooperativamente em seus interesses os interesses dos outros seres humanos que a sustentam.</p>
<p align="justify">Terceiro conjunto: a competição não funda o social nem constitui o humano.</p>
<p align="justify">1 &#8211; Não existe, biologicamente falando, contradição entre o social e o individual. Toda a contradição que a humanidade vive nesse domínio é de origem cultural.<br />2 &#8211; A conduta social está fundada na cooperação e não na competição.<br />3 &#8211; O fenômeno da competição é cultural.<br />4 &#8211; A cultura patriarcal nega a colaboração.<br />5 &#8211; A cultura patriarcal se caracteriza pela conservação de um modo de coexistência que valoriza a competição.<br />6 &#8211; O fenômeno da competição não se dá no âmbito biológico.<br />7 &#8211; Seres vivos não humanos não competem.<br />8 &#8211; Se dois animais se encontram diante de um alimento e somente um come, isso não é competição, porque não é central para o que se passa com o que come o fato de que o outro não coma. No âmbito humano, ao contrário, a competição constitui-se culturalmente quando o fato de que outro não obtenha o que alguém obtém é fundamental para constituir o modo de relação.<br />9 &#8211; O ato de compartilhar alimentos – uma forma de colaboração –, que está evolutivamente na origem do humano, não consiste em deixar que o outro coma a seu lado e, sim, em transferir o que se tempara o outro.<br />10 &#8211; A competição tem ganhadores e perdedores. A competição é ganha quando o outro fracassa diante de nós, e se constitui (em escala ampliada) quando a perspectiva de que isso ocorra, de fato, torna-se culturalmente desejável.<br />11 &#8211; A competição não participa da evolução do humano, que se dá pela conservação de um fenótipo ontogênico ou um modo de vida no qual o linguagear pode surgir.<br />12 &#8211; A linguagem não poderia ter surgido na competição.<br />13 &#8211; A competição não pode ser constitutiva do humano.</p>
<p align="justify">Uma teoria da cooperação construída a partir das assertivas expostas acima resulta em algo bastante distinto de uma teoria da cooperação (ou da cooperação versus competição) que possa ser extraída da teoria dos jogos. Na verdade, da teoria dos jogos não pode sair nenhuma teoria da cooperação humana, porque, para a teoria dos jogos, o homem é, fundamentalmente, um ser que faz escolhas racionais, enquanto a cooperação não é motivada por uma razão, mas por uma emoção.</p>
<p align="justify">A emoção que nos leva a cooperar não pode ser completamente rastreada pelo comportamento de jogadores em jogos iterados: embora jogadores, na vida real, se movam sempre a partir de emoções – mesmo quando julgam que se estão movendo pela escolha racional – o que a teoria dos jogos considera, quando os jogadores preferem a cooperação a partir da verificação de que, no longo prazo, ela é mais vantajosa (altruísmo instrumental), é a afirmação da razão do indivíduo como “átomo” de interesse e não como indivíduo que só se realiza quando seus interesses tornam-se, em alguma medida, congruentes com interesses dos outros indivíduos que constituem o meio social a que pertence. Ora, quando há cooperação, é a “molécula social” de interesse que se realiza. Mas a consciência de que é a “molécula social” de interesse que se deve realizar não emerge por força de um raciocinar e, sim, de um emocionar, como atestam a resposta emocional de satisfação que todos obtemos quando cooperamos, e de insatisfação quando somos chamados a cooperar e não o fazemos.</p>
<p align="justify">Neste caso, em geral, nos vemos forçados a arranjar uma explicação racional para a omissão, ou para a deserção – para usar o jargão da teoria dos jogos. O termo, aliás, revela-se muito adequado: não cooperar é, em certo sentido, uma deserção social.</p>
<p align="justify">O que Maturana diz é que o emocionar que nos leva a cooperar é propriamente humano, porquanto nos constitui como seres humano-sociais, mas tem raízes biológicas: existe algo como uma “pegajosidade biológica” que, manifestando-se já no primata bípede que nos precedeu, possibilitou a deriva filogênica humana que resultou na linguagem. Entretanto, o emocionar que nos leva a competir não tem raízes biológicas e não pode ser encontrado em nenhum emocionar animal não humano.</p>
<p align="justify">Nenhuma espécie não humana compete, ainda que nosso olhar humano, lançado a partir uma cultura competitiva, interprete o deslizar dos seres vivos não humanos uns sobre os outros e uns com os outros – em congruência recíproca na conservação da sua autopoiesis e da sua correspondência com um meio que inclui a presença de outros – como uma forma de competição. Aliás, o primata bípede que nos antecedeu jamais se teria humanizado (ou hominizado) se tivesse vivido num ambiente predominantemente competitivo porque, nesse caso, não poderia ter se firmado uma história de interações suficientemente recorrentes, abrangentes e extensas, onde houvesse aceitação mútua em um espaço aberto às coordenações de ações, para que surgisse a linguagem.</p>
<p align="justify">Somente de uma teoria dos jogos que considerasse a “emotional motivation” (que está na raiz da rational choice) do ser emocional-racional que é, de fato, o ser humano poderia ser derivada uma teoria da cooperação. Já uma teoria da competição – que não é, ao contrário do que às vezes se pensa, uma imagem invertida da teoria da cooperação – seria uma teoria da cultura para o padrão civilizatório patriarcal em que vivemos.</p>
<p align="justify">Pode-se dizer que a visão de Maturana também tem lá os seus problemas. Por exemplo, o tratamento que ele dá à competição não deixa espaço para a existência do mercado; uma sociedade democrática sem mercado, nas circunstâncias do mundo atual, é uma sociedade que não pode realizar a democracia na esfera da vida econômica e, assim, não pode ser efetivamente democrática. Se a teoria de Maturana tivesse que servir de base para um programa para o estado atual do mundo, esse programa não levaria à uma sociedade inspirada pelos princípios de “participação, inclusão, colaboração, compreensão, acordo, respeito e co-inspiração” (Maturana, 1993: 27) característicos do modelo não patriarcal de sociedade, supostamente mais conformes à “biologia do amor”. Em outras palavras, não existem mediações nas elaborações intelectuais de Maturana, porque falta política nas suas teorias, inclusive onde não poderia faltar: na sua teoria da democracia. Não existindo mediações, não pode haver transição de um estado do mundo para outro.</p>
<p align="justify">Sustento, não obstante, que nada disso invalida as idéias de Maturana naquilo que essas idéias têm de fundamental. E divirjo daqueles que querem invalidar tais idéias com base em preconceitos com relação à utilização de categorias, consideradas não-científicas, como, por exemplo, a de “amor”. Tal como definido por ele – não como sentimento (psicológico), mas como emoção que possibilita uma proximidade continuada sem a qual não teria surgido o linguagear e, daí, o conversar que dá sequência ao humano propriamente dito – creio que o conceito está muito bem colocado.</p>
<p align="justify">A reação à utilização de categorias como “amor” nas teorias de Maturana, em geral, só fazem confirmar essas teorias. O amor é banido da racionalidade patriarcal e é deportado para o reino da poesia (de onde não consegue visto para reentrar na república dos sábios) porque, de fato, desorganiza essa racionalidade. Por outro lado, é sintomático do tipo de civilização em que vivemos que as pessoas não se assustem tanto com a palavra “violência” quanto com a palavra “amor”. Cenas de assassinato, mutilação, tortura, que nossas crianças assistem diariamente na TV, não são consideradas imorais, mas uma cena de uma pessoa beijando afetuosamente o sexo de outra seria um escândalo para a respeitável família patriarcal reunida após o jantar, mesmo que tal família, de fato, já não exista mais – porquanto a hipocrisia e o cretinismo moral que a caracterizam supervivem como tradição.</p>
<p align="justify">Maturana sustenta que relações hierárquicas e de trabalho, que existem em coletivos humanos, não são relações sociais. Ora, todas as relações que não são relações sociais – no particularíssimo sentido que ele atribui à expressão “relações sociais” – ou são relações competitivas ou, pelo menos, são relações que não induzem à cooperação, sendo que algumas delas induzem à competição regular e sistemática, como é o caso das relações hierárquicas. Portanto, para ele, não é que não possa haver relações competitivas em coletivos humanos e, sim, que essas relações não constituem o propriamente humano; quando tais relações competitivas se conservam como modo de vida transmissível culturalmente, acabam por impedir essa constituição e, no limite, inviabilizam a vida social humana e a própria vida humana (o que aqui se confunde, i. e., as duas dimensões – social e individual do humano – se fundem): nenhum grupo humano com grau zero de cooperação (ou com grau máximo de competição: todos sempre competindo com todos em todas as ocasiões) conseguiria se constituir sustentavelmente como sociedade humana e não se poderia dar, nestas circunstâncias, o fenômeno humano, por assim dizer. Em outras palavras, há um fator antropológico (que Maturana encara como biológico, também no sentido particularíssimo que atribui ao termo “biológico”) fundante das sociedades humanas e esse fator é a cooperação.</p>
<p align="justify">Por outro lado, não me parece correto afirmar que uma sociedade com grau máximo de cooperação (ou com grau zero de competição) não conseguiria se constituir sustentavelmente como sociedade humana. Essas coisas não são simétricas: cooperação não é competição negativa, não é competição com sinal trocado, nem vice-versa. São fenômenos distintos, embora correlacionáveis a posteriori por razão inversa. Mas a afirmação do primeiro, se não é acarretada pela negação do segundo, tampouco o evita. </p>
<p align="justify">Abre-se aqui um debate com os que acreditam que a biologia humana leva à competição.<br />Sobre isso, penso o seguinte. Achar que a competição esteja geneticamente inscrita no corpo humano parece ser mais uma questão de justificação de uma opção e, portanto, de ideologia moral, do que de observação ou conclusão científica. Para aumentar a verossimilhança da hipótese, supõem alguns que a competição já estaria arquivada no genoma de ancestrais evolutivos da espécie, de vez que também se verificaria, por exemplo, em primatas não humanos (como os chimpanzés).</p>
<p align="justify">SOBRE O TEXTO PUBLICADO AQUI<br />CONTEXTO 4 tem apenas um texto: &#8220;Uma Teoria da Cooperação baseada em Maturana&#8221;, que foi publicado em papel na revista Aminoácidos 4 (Brasília: AED, 2002). Está reproduzido aqui como um registro de um dos caminhos investigativos que me levaram a fazer explorações imaginativas no multiverso de conexões ocultas que configuram o que chamamos de social. As idéias de Maturana fazem parte do grande contexto de visões no qual estou escrevendo agora (em maio de 2008) o livro A REDE. Para acompanhar ou participar da elaboração clique em Nan Dai.</p>
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		<title>Competi&#231;&#227;o ou Coopera&#231;&#227;o?</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Apr 2009 12:20:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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AUGUSTO FRANCO &#8211; Escola de Redeshttp://contexto4.blogspot.com/2008/05/7-competio-ou-cooperao.html
Baseado neste arcabouço conceitual, Maturana vai bater de frente com as explicações correntes sobre a natureza competitiva do ser humano, seja nas suas formas hard (do tipo das hipóteses urdidas pelos sociobiólogos e pelos socialdarwinistas), seja nas suas formas mais soft (do tipo das hipóteses cerebradas por economistas, sociólogos, antropólogos [...]]]></description>
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<p>AUGUSTO FRANCO &#8211; Escola de Redes<br /><a href="http://contexto4.blogspot.com/2008/05/7-competio-ou-cooperao.html">http://contexto4.blogspot.com/2008/05/7-competio-ou-cooperao.html</a>
<p>Baseado neste arcabouço conceitual, Maturana vai bater de frente com as explicações correntes sobre a natureza competitiva do ser humano, seja nas suas formas hard (do tipo das hipóteses urdidas pelos sociobiólogos e pelos socialdarwinistas), seja nas suas formas mais soft (do tipo das hipóteses cerebradas por economistas, sociólogos, antropólogos e biólogos da evolução que trabalham, baseados na teoria dos jogos, com o nonzero, ou melhor, com a non-zero-sumness, com a rational choice, enfim, com a combinação otimizada entre competição e colaboração ou com a prevalência da relação “olho por olho” a longo prazo) (2).</p>
<p>Seu esquema explicativo é simples. Se o que nos torna humanos é a linguagem, e se a linguagem é uma coisa que, definitivamente, não pode surgir na competição, então a competição não pode ser constitutiva do ser humano, nem individual nem socialmente falando, isto é, individual –e socialmente falando, o primata bípede que nos antecedeu não se teria humanizado (ou hominizado) se tivesse vivido num ambiente predominantemente competitivo.</p>
<p>Maturana sustenta que “o fenômeno da competição que se dá no âmbito cultural humano e que implica contradição e negação do outro, não se dá no âmbito biológico. Os seres vivos não humanos não competem, deslizam uns sobre os outros e com os outros em congruência recíproca ao conservar sua autopoiesis e sua correspondência com um meio que inclui a presença de outros e não os nega.</p>
<p>Se dois animais se encontram diante de um alimento e somente um come e o outro, não, isso não é competição. E não é [competição] porque não é central para o que ocorre [inclusive e sobretudo em termos emocionais] com o que come, que o outro não coma. Ao contrário, no âmbito humano, a competição constitui-se culturalmente quando o fato de que outro não obtenha o que alguém obtém é parte fundamental do [e constitui o próprio] modo de relação.</p>
<p>A vitória é um fenômeno cultural que se constitui com a derrota do outro. A competição é ganha quando o outro fracassa diante de nós, e se constitui quando a perspectiva de que isso ocorra de fato torna-se culturalmente desejável. No âmbito biológico não humano tal fenômeno não se dá. A história evolutiva dos seres vivos não envolve competição. Por isso, da evolução do humano não participa a competição, senão a conservação de um fenótipo ontogênico ou modo de vida, no qual o linguagear pode surgir como uma variação circunstancial para sua realização quotidiana que não requer nada especial” (Maturana, 1988c: 21-2) (n. i.).</p>
<p>Por outro lado, observa Maturana, “o ato de compartilhar não consiste em deixar que o outro coma ao seu lado. Consiste em transferir o que se tem para o outro. Eu passo para outro algo que tenho, esse é um ato de compartilhar&#8230;. Somos animais compartilhadores porque pertencemos à história de compartilhar. Eu não sei em que momento desses três milhões de anos atrás começou o compartilhamento em nossa linhagem, porém somos animais compartilhadores” (Maturana, s/d: 71- 72). “O compartilhamento é uma forma de colaboração. Logo, somos animais cooperadores. A cooperação se dá somente e exclusivamente nas relações de mútuo respeito. A cooperação não se dá nas relações de dominação e submissão. A obediência não é um ato de cooperação. Nós somos animais enquanto pertencemos à história que nos dá origem, porém somos cooperadores devido a que não temos impedimentos para cooperar; quando, nas relações amistosas, aceitamos o convite para cooperar, sentimo-nos bem” (Idem).</p>
<p>Maturana confronta também aquelas teorias que tentam explicar a evolução humana e o (ou em virtude do) extraordinário crescimento do cérebro humano, a partir do desenvolvimento da mão no (e/ou do) uso da ferramenta, sobretudo da arma utilizada para matar.</p>
<p>Em primeiro lugar, ele sustenta que “não é o tamanho do cérebro o que torna possível a linguagem [que nos constitui humanos] e sim o modo de conviver”, o qual jamais se teria conservado sem uma forte emoção amistosa (base da colaboração) capaz de permitir a intimidade na convivência com certa permanência. Se compararmos o homem com o chimpanzé, veremos que as diferenças genéticas (em termos de DNA) são muito pequenas, não ultrapassando os 3%; porém, “as diferenças no viver são superlativas, somos muito distintos” (Maturana, s/d: 70), ou seja: o fundamental aqui é o fenotípico, não o genotípico.</p>
<p>Em segundo lugar, ele sustenta que nada obriga que a mão se tenha desenvolvido mais ao fabricar instrumentos do que ao debulhar e descascar vegetais e, sobretudo, ao acariciar sensualmente todas as concavidades, convexidades e reentrâncias dos corpos dos semelhantes (tanto dos parceiros sexuais, quanto dos filhos e de outros membros do grupo). Quem quer ver uma coisa vê essa coisa, ou melhor, quem tem medo de ver uma coisa não vê essa coisa – como aqui parece ser o caso: culturalmente vacinado contra o contato corporal, o pensamento da civilização patriarcal e predadora não pode admitir a centralidade da sensualidade na geração continuada do humano. Em terceiro lugar, ele sustenta que o ato de matar é, ao contrário do que supõe qualquer tipo de hunting hipothesis, “completamente distinto do ato de caçar. Se alguém observa as culturas caçadoras, vê que estas culturas consideram o ato de caçar como um ato sagrado: há agradecimento pelo animal que morre porque isso produz alimento para a vida. Da morte do animal se vai obter vida; porém, o ato de matar&#8230; tem um caráter totalmente distinto, não se mata&#8230; para comer e, sim, para exterminar. O ato de matar&#8230; é um assassinato! Quando se mata para exterminar, isso traz consigo uma emoção completamente distinta, não há agradecimento, é um ato de apropriação, é completamente diferente. O artefato que uso, por exemplo, para caçar&#8230; um animal que vou consumir, é um instrumento de caça. Todavia, o instrumento que uso para matar [e. g.] um lobo [o qual, pelo fato de ter sido excluído da minha convivência, tornou-se uma ameaça para os outros animais dos<br />quais me apropriei e, por conseguinte, inclusive para mim e para meus semelhantes neste modo de vida que instaurei] é uma arma. A emoção é distinta e é a emoção com a qual se usa um instrumento que o torna um instrumento de caça ou uma arma. No momento em que se mata por matar, aparece a guerra, aparece a inimizade, porém aparece outra coisa mais: aparece a legitimidade da solução de um conflito com a total negação do outro, porque é assim que funciona. A apropriação e a guerra caminham juntas e se desencadeiam mutuamente, quando da negação do outro se passa à sua eliminação, quando alguém se apropria do modo de viver do outro, quando a apropriação se converte em um modo de vida e quando alguém pode se apropriar de tudo, das coisas, das idéias, do sexo do outro&#8230; O ato de matar o lobo para excluí-lo da sua comida não é trivial na história. As crianças aprendem a fazer isso como uma coisa normal e isso se transforma em um modo de viver e, portanto, em uma cultura. Não se aprende somente a técnica de matar o lobo, se aprende também a emoção que acompanha o ato, a emoção que acompanha a apropriação, a emoção que acompanha o controle. Se se perde a confiança, aparece o controle, as relações passam a ser relações de controle e com isso temos a multiplicação do patriarcado” (Maturana, s/ d: 75-6).</p>
<p>Para Maturana, é como se tudo fizesse parte de um mesmo complexo macro-cultural: “a guerra não acontece, nós a fazemos; a miséria não é um acidente histórico, é obra nossa, porque queremos um mundo com as vantagens anti-sociais, que traz consigo a justificação ideológica da competição na justificação da acumulação de riqueza, mediante a geração de servidão sob o pretexto da eficácia produtiva&#8230; Enfim, afirmamos que o indivíduo humano se realiza na defesa competitiva de seus interesses porque não queremos viver sem dar-nos conta de que toda individualidade é social e só serealiza quando inclui cooperativamente em seus interesses os interesses dos outros seres humanos que a sustentam” (Maturana, 1985a: 85).</p>
<p>Maturana sustenta que “foi a conduta dos seres humanos&#8230; que fez do presente humano o que é&#8230;; vivemos o mundo que vivemos porque, socialmente, não queremos viver outro” (Maturana, 1985a: 85). Ora, impõem-se aqui, inevitavelmente, as perguntas: mas, afinal, que mundo é esse em que vivemos? E por que não queremos viver em outro?</p>
<p>SOBRE O TEXTO PUBLICADO AQUICONTEXTO 4 tem apenas um texto: &#8220;Uma Teoria da Cooperação baseada em Maturana&#8221;, que foi publicado em papel na revista Aminoácidos 4 (Brasília: AED, 2002). Está reproduzido aqui como um registro de um dos caminhos investigativos que me levaram a fazer explorações imaginativas no multiverso de conexões ocultas que configuram o que chamamos de social. As idéias de Maturana fazem parte do grande contexto de visões no qual estou escrevendo agora (em maio de 2008) o livro A REDE. Para acompanhar ou participar da elaboração clique em Nan Dai.</p>
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		<title>A Pedagogia da Coopera&#231;&#227;o: Construindo um Mundo onde Todos podem VenSer!</title>
		<link>http://www.projetocooperacao.com.br/2009/04/14/a-pedagogia-da-cooperao-construindo-um-mundo-onde-todos-podem-venser/</link>
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		<pubDate>Wed, 15 Apr 2009 01:08:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[

Fábio Otuzi Brotto
Projeto Cooperação – Comunidade de Serviços 
Florianópolis-SC. BRASIL 
fabiobrotto@projetocooperacao.com.br 
Começando Juntos&#8230; 
&#8220;Uma visão sem uma tarefa, é apenas um sonho. 
Uma tarefa sem uma visão, é somente um trabalho árduo. 
Mas, uma visão com uma tarefa, pode mudar o mundo&#8221;.[1] 
 
Quando falamos em Pedagogia da Cooperação, estamos imaginando um Caminho de Ensinagem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[</p>
<p><b></b></p>
<p><b>Fábio Otuzi Brotto</b>
<p>Projeto Cooperação – Comunidade de Serviços </p>
<p>Florianópolis-SC. BRASIL </p>
<p><a href="mailto:fabiobrotto@projetocooperacao.com.br">fabiobrotto@projetocooperacao.com.br</a> </p>
<p><b>Começando Juntos&#8230;</b> </p>
<p><i>&#8220;Uma visão sem uma tarefa, é apenas um sonho.</i> </p>
<p><i>Uma tarefa sem uma visão, é somente um trabalho árduo.</i> </p>
<p><i>Mas, uma visão com uma tarefa, pode mudar o mundo&#8221;.<a href="#_ftn1_2892" name="_ftnref1_2892"><b>[1]</b></a></i> </p>
<p><i></i> </p>
<p>Quando falamos em Pedagogia da Cooperação, estamos imaginando um <i>Caminho de Ensinagem Compartilhada</i>, onde cada um e cada uma são considerados mestres-aprendizes, com-vivendo a descoberta de si mesmos e do mundo, através do encontro com os outros, diante de situações-problema que os desafiam a encontrar soluções cooperativas para o sucesso de todos e para o bem-estar Como-Um. </p>
<p>A <i>Pedagogia da Cooperação</i> pode ser percebida como um conjunto de sinais, indicadores, pistas e toques, para orientar a caminhada daqueles que se aventuram pelas trilhas da Cooperação rumo ao centro essencial de sua própria Comum-Unidade.  </p>
<p>É uma pedagogia viva, acontecendo em alguns <b><i>Momentos</i></b><b> </b>e em muitos <b><i>Movimentos</i></b>, sendo organicamente articulada com os passos e com-passos dados ao longo do caminho&#8230; Por quem caminha. É uma jornada de realização exterior para promover a transformação interior&#8230; Da pessoa e do grupo. </p>
<p>Como um mapa de uma viagem que se renova constantemente, a Pedagogia da Cooperação, é desenvolvida a partir de quatro <b><i>Momentos</i> </b>transdisciplinar<b><i> </i></b>e holograficamente articulados:  </p>
<p>1° Momento: Visão (Princípios). </p>
<p>2° Momento: In-Forma-Ação (Procedimentos). </p>
<p>3° Momento: Ação (Processos). </p>
<p>4° Momento: Trans-Forma-Ação (Práticas). </p>
<p>Considerando este nosso diálogo como um primeiro passeio pelos campos da <i>Pedagogia da Cooperação</i>, seguiremos compartilhando alguns dos pontos balizadores de cada um desses <i>Momentos</i> do Caminho&#8230; </p>
<p><b></b> </p>
<p><b>1° Momento: Visão (Princípios)</b> </p>
<p>Ao imaginarmos uma Pedagogia da Cooperação, logo pensamos sobre uma Filosofia da Cooperação: princípios, valores, visão de mundo, perspectivas sobre a co-existência humana&#8230; Como bagagem essencial para uma boa jornada. </p>
<p><b>1. Princípio da CO-EXISTÊNCIA.</b> </p>
<p>Atualmente, não é difícil perceber o quanto somos-estamos ligados uns aos outros. E não apenas ligados aos outros que são-estão próximos da gente, mas nos perceber conectados intimamente, com pessoas, situações, lugares e acontecimentos, aparentemente muito distantes e sem relação direta com nossa vida. </p>
<p>Compreendemos que estamos Todos Juntos num mesmo Grande Jogo e que seja lá o que alguém pensa, sente, faz ou não faz, afeta todos os outros e é afetado por todo mundo, sem exceção. Esta conscientização da Interdependência como uma característica factual de nossa existência, pode nos ajudar a perceber o quanto de Cooperação é necessário resgatar para dar conta das questões que estamos vivendo neste momento, quer sejam na sala de aula, no local que trabalhamos, no bairro onde moramos, no país em que vivemos no planeta que habitamos ou no universo onde existimos. </p>
<p>Cada pensamento, sentimento, sensação e ação ou não-ação de qualquer um, afeta &#8211; e é afetado por – todos os outros – Nós da Teia da Cooperação.  </p>
<p><b>Nós inter-somos na co-existência cotidiana!</b> </p>
<p>Porém, nem sempre temos tido consciência dessa Interdependência tão à flor da pele. Por isso, penso ser importante dedicar boa parte do que fazemos na escola, no trabalho, na comunidade e na família, para recuperar a Consciência dessa nossa inteireza e re-ligação. Em parte, essa não conscientização é conseqüência de uma visão fragmentada da realidade e da gente mesmo. Saber-se Interdependente é antes de tudo, renovar a visão que temos sobre as diferentes relações que estabelecemos com os outros. É exercitar nosso olhar, olhando por outras óticas e renovando a Ética de Comum-Unidade no cotidiano.  </p>
<p>Creio que exercitando o olhar para além da superfície e das aparências, poderemos aperfeiçoar nossas Co-Opetências (competências compartilhadas) para ver o que há de comum na diferença, o que há de proximidade no distanciamento e, especialmente, o que há de solidário no solitário. Entretanto, nem sempre estamos abertos e sensíveis para perceber as relações de interdependência entre nós. “Não somente porque essas relações de interdependência não são objetos físicos visíveis aos olhos, mas fundamentalmente porque nem os nossos olhos e nem as nossas mentes foram preparados e educados para vê-las” (Assmann e Sung, 2000). Para isso, é necessário limpar a lente que temos usado para enxergar uns aos outros e assim, nos liberar da “Ilusão de Separatividade” (Weil, 1987) e recuperar a <b>Visão de Comum-Unidade</b> para nos percebermos como partes uns dos outros. </p>
<p>Além dessa fragmentação na educação de nossos olhares e mentes, podemos reconhecer outros obstáculos à Interdependência real, pois “quanto maior é a extensão do sistema social, os efeitos, benéficos ou perversos das ações e omissões levam mais tempo para retornar a sua origem e tocar os agentes” (Mariotti, 2000). </p>
<p>Nesse sentido, podemos desenvolver iniciativas para a reaproximação de pessoas e grupos que nos ajudem a perceber cada ocorrência, cada fato, como fenômenos pertencentes à realidade da qual somos e fazemos parte. Penso que podemos criar pontos de ressonância na sociedade, pequenos grupos comunitários servindo como elos para comunicar com maior agilidade e fidedignidade os efeitos das diferentes intenções e ações que se manifestam no sistema.  </p>
<p>Tomar cuidado, zelar pelo campo de nossa co-existência, deve ser uma atenção permanente, porque havemos ainda de considerar mais um bloqueio à Consciência de Interdependência: </p>
<p><i>A distribuição desigual dos efeitos benéficos e maléficos no interior do sistema impede que exista uma mobilização interdependente de indivíduos e grupos. Em outras palavras, nem todos são afetados no mesmo instante e com a mesma intensidade (Mariotti, 2000).</i> </p>
<p>Diante destes bloqueios &#8211; e de tantos outros &#8211; à Interdependência como um fato, é preciso continuar olhando mais atenta, ampla e profundamente a vida, para podermos enxergar os efeitos e defeitos das atitudes e comportamentos que praticamos nos vários ambientes que diariamente freqüentamos, especialmente, no ambiente das organizações de trabalho.<br />
<h6>2. Princípio da COOPERAÇÃO.</h6>
</p>
<p>O desenvolvimento da Cooperação como um exercício de co-responsabilidade para o aprimoramento das relações humanas em todas as suas dimensões e nos mais diversificados contextos, deixou de ser apenas uma tendência, passou a ser uma necessidade e em muitos casos, já é um fato consumado (Henderson, 1996). Porém, não é definitivo. </p>
<p>É preciso nutrir e sustentar permanentemente o processo de integração da Cooperação no cotidiano pessoal, comunitário e planetário, reconhecendo-a como um “estilo de vida”, uma conduta ética vital, que esteve consciente ou inconscientemente, presente ao longo da história de nossa civilização.  </p>
<p>Contrariando o mito da competição como forma de garantir a sobrevivência e evolução humana, existe um conjunto amplo de evidências indicando que os povos pré-históricos, “<i>que viviam juntos, colhendo frutas e caçando, caracterizavam-se pelo mínimo de destrutividade e o máximo de cooperação e partilha dos seus bens” (Orlick, 1989).</i> </p>
<p>Ainda hoje, podemos encontrar culturas cooperativas em várias sociedades ancestrais existentes no planeta. Isto pode indicar uma boa reflexão sobre a natureza competitiva do ser humano, pois se essa idéia fosse totalmente verdadeira, seria lógico encontrar nas comunidades ancestrais (representantes da porção mais natural da nossa espécie), traços de uma cultura predominantemente, competitiva.  </p>
<p>Diferentemente disso, tem-se descoberto indícios de uma Cooperação quase que genética, como um ingrediente imprescindível para surgimento e evolução da Vida. Erich Fromm (1973) analisou trinta culturas primitivas e as classificou com base na agressividade-competitiva e no pacifismo-cooperativo. Ora, se existem sociedades humanas pacíficas e cooperativas, e outras agressivas e competitivas, podemos inferir que se há uma natureza humana possível de ser afirmada, esta seria uma <b>natureza de possibilidades</b>.  </p>
<p>A antropóloga Margaret Mead (1961), depois de ter analisado diferentes sociedades, concluiu que os vários graus de competição e cooperação existentes, são determinados pelas respectivas estruturas sociais. Considerando essa estrutura social como resultado das ações e relações dos membros de um grupo social, compreendo a Cooperação e a Competição como desdobramentos das nossas escolhas, decisões e atitudes praticadas na interação com outros indivíduos num pequeno grupo, comunidade, sociedade, país ou no ambiente das relações internacionais. </p>
<p>Somos socializados e socializamos os outros para a Cooperação e Competição através da educação, da cultura e da informação. Portanto, tornar a sociedade Solidário-Cooperativa ou Solitário-Competitiva é uma ação política, isto é, uma arte pessoal e coletiva capaz de realizar o melhor (im)possível para todos. </p>
<p>Terry Orlick, professor da Universidade de Ottawa, no Canadá, e um dos precursores em Jogos Cooperativos no mundo, nos oferece uma visão ampliada sobre a dinâmica de Competição e Cooperação, considerando-a como um espectro de atitudes humanas que variam e se movimentam de acordo com a motivação presente em cada situação (1989). </p>
<p>Fortalecendo essas idéias, de acordo com Humberto Maturana (1990), os seres humanos não são apenas animais políticos, mas, sobretudo <i>“animais cooperativos”.</i> Para ele, a cooperação é central na maneira humana de viver, como uma característica de vida cotidiana fundamentada na confiança e no respeito mútuo.  </p>
<p>Isto talvez, nos ajude a entender um pouco melhor as dificuldades apresentadas por indivíduos e grupos que se dispõe a cooperar. Porque confiança é algo a ser construído e permanentemente nutrido. Confiar é estabelecer um pacto de cumplicidade e de certa maneira, entregar o destino da própria vida, nas mãos uns dos outros. </p>
<p>Estivemos durante muito tempo, nos educando, treinando, nos preparando para não nos mostrarmos aberta e autenticamente ao outro. Aprendemos a dissimular, não nos expormos como somos mesmo, sob o risco de ao fazê-lo, revelar nossas “fraquezas” e então sermos atacados e derrotados pelos “temíveis adversários”&#8230; Os outros seres humanos. </p>
<p>Para promover a mudança necessária, podemos passar a criar espaços para uma nova maneira de olhar uns aos outros, e a si mesmo, para então, podermos alterar nossa maneira de com-viver. Através de uma Educação baseada no desenvolvimento de Competências Cooperativas, poderemos despertar e olhar mais claramente sobre essa pseudo-ameaça – a presença do outro &#8211; que imaginamos estar nos cercando. Podemos fazer crescer nossa habilidade de fazer <i>Com-Tato</i> e de <i>Co-Operar</i> consigo mesmo; com o outro; com o Inteiro-Ambiente; e com a Comum-Unidade.  </p>
<p>Cooperação, confiança e respeito mútuo parecem ser um dos alicerces principais para a co-evolução humana. Para isso, precisamos reaprendê-los, desenvolvendo o interesse pelo bem comum e o compromisso com o florescimento de uma Comum-Unidade Humana Real (nem ideal, nem normal) exercitada e cultivada no cotidiano. </p>
<p><b></b> </p>
<p><b>3. Princípio da COMUM-UNIDADE.</b> </p>
<p>Considerando nossa <b>Co-Existência</b> como um <i>Fato da vida</i> e a <b>Cooperação</b> como uma <i>Prática Diária</i>, podemos imaginar a <b>Comum-Unidade</b> como o <i>Ambiente</i> onde podemos cultivar o Espírito de Grupo, ou como disse Malidoma Some (1998), desenvolver o “Instinto de Comunidade”. </p>
<p>Grande parte dos estudos, pesquisas e trabalhos realizados no mundo atualmente, está focalizando a redescoberta do espírito de Comunidade em todos os lugares: na escola, no trabalho, na rua, em casa&#8230; Consigo mesmo, pois <i>estamos usando o instinto de comunidade para nos isolar e proteger uns dos outros, em vez de criarmos uma cultura global de comunidades diversas e entrelaçadas </i>(Wheatley e Kellner-Rogers in Hesselbein, 1998). </p>
<p>Todos sentimos como é forte o impulso para nos agregarmos a outros, para nos aproximar para constituir grupos, times, famílias e turmas. Ao mesmo tempo, sabemos quão desafiador é criar boas condições para a sustentabilidade dessas pequenas e complexas Comum-Unidades que criamos ao nosso redor. Para Wheatley e Kellner-Rogers (1998), esse paradoxo ocorre porque <i>toda vida se configura como seres individuais que imediatamente se lançam a criar sistemas de relacionamentos. Esses indivíduos e sistemas surgem de duas forças aparentemente conflitantes: </i> </p>
<p><i></i> </p>
<p><i>1) A necessidade absoluta de liberdade individual.</i> </p>
<p><i>2) A inequívoca necessidade de relacionamentos.</i> </p>
<p>Em outras palavras, o problema poderia ser colocado assim: Como Ser e FAZER JUNTOS alguma coisa que sozinho ninguém seria capaz de fazer tão bem&#8230; Nem seria capaz de desfrutar tão plenamente, como se fizesse em Cooperação COM outro, num ambiente de Comum-Unidade? </p>
<p>Estudos clássicos sobre a psicologia dos grupos, tais como os de Morton Deutsch na década de 60, têm abordado as diferentes experiências vividas em situações de Competição e Cooperação, demonstrando experimentalmente, os efeitos de uma e de outra nos processos grupais e na dinâmica pessoal (Deustch apud Rodrigues, 1972). </p>
<p>Todos nós, de muitas maneiras, sabemos bem como é complexa essa dinâmica Cooperação-e-Competição na vida em Comum-Unidade. Praticamente o tempo todo estamos diante de situações nas quais somos convidados a descobrir um “terceiro” jeito de resolver o problema, alcançar a meta, harmonizar o conflito&#8230; Enfim, de sacar uma jogada onde todos ganhem e ninguém precise perder.  </p>
<p>No meio daquele caos todo, bate a vontade de tocar a coisa sozinho &#8211; <i>“deixa comigo, então, que eu resolvo do meu jeito!”</i> ou <i>“Ah é?! Então faz você. Quero ver se faz melhor!” </i>ou ainda <i>“Já que não tem acordo, vamos ver quem é que consegue mesmo fazer o que tá falando que faz!”</i> ou pra terminar <i>“Eu sabia. Num ia dar certo mesmo. É melhor cada um ficar na sua!”.</i> </p>
<p>O anseio por Viver em Comum-Unidade é há muito tempo sonhado&#8230; Contudo, é uma caminho ainda incerto e repleto de surpresas! </p>
<p>Nesse sentido, vale a pena lembrar que <i>em comunidades humanas, as condições de liberdade e de união são mantidas vibrantes concentrando-se no que acontece no coração da comunidade e não se fixando nas formas e estruturas da mesma </i>(Wheatley e Kellner-Rogers in Hesselbein, 1998)<i>.</i> </p>
<p>Por isso mesmo, cuidemos do que está no CENTRO de toda e qualquer Comum-Unidade. Mantenhamos o fogo aceso no meio da roda! Restauremos a todo instante, não aquilo que for importante, mas o que é Essencial!  </p>
<p>Para Margaret Wheatley e Myron Kellner-Rogers, que conduzem o trabalho do Berkana Institute (EUA), uma fundação de pesquisa sem fins lucrativos que estuda novas formas e idéias organizacionais, <i>sem estarmos de acordo sobre o motivo para estarmos reunidos, nunca podemos desenvolver instituições que façam qualquer sentido: nosso instinto de comunidade nos leva a uma comunidade ‘minha’, e não a uma comunidade ‘nossa’(1998). </i> </p>
<p>Tudo isto, InterDepende da Comum-Unidade que desejamos ver <i>aconteSer</i> entre-nós. </p>
<p>Diferentes Comunidades podem existir e são sempre reflexos do <i>Jeito de Ver-e-Viver</i> (Brotto, 2001) do conjunto de seus integrantes. Compartilhar cotidianamente sobre nossas intenções, atitudes e comportamentos no ambiente da Comunidade que sonhamos-realizamos, pode ser um hábito simples e maravilhoso, suficientemente poderoso, não para mudar o mundo, mas para torná-lo mais transparente, acessível, compreensível, sensível&#8230; E possível para todos, sem exceção!!! </p>
<p>Criar, desenvolver e sustentar Comunidades é um cultivo em muitas dimensões e para todo o tempo: pode ser leve, apesar de freqüente; bem-humorado mesmo que profundo; livre e altamente comprometido; um passo-a-passo gradual e pronto para grandes saltos; aberto para abraçar o novo e muito focado no essencial; pode ser&#8230; Ou não&#8230; Mas, será ou não, COM todos em Cooperação! </p>
<p><b>2° Momento: In-Forma-Ação (Procedimentos)</b> </p>
<p>No primeiro <i>Momento</i> de nossa conversa, fomos convidados e convidadas a reconhecer os <i>Princípios da Co-existência, da Cooperação e da Comum-Unidade </i>como reflexos da <i>Visão </i>que está por trás de<i> </i>cada uma de todas as <i>Ações</i> empreendidas para facilitar o desenvolvimento da Cultura da Cooperação. </p>
<p>Aqui-e-agora, vamos procurar nos envolver com alguns dos <i>Procedimentos</i> facilitadores do desenvolvimento da Cooperação em diferentes grupos e ambientes, tais como:  </p>
<p>· <b>O Círculo e o Centro:</b> </p>
<p><b></b> </p>
<p>O Círculo é uma forma e um símbolo. Desde os tempos imemoriais, a humanidade se reúne em Círculos para compartilhar suas jornadas, conquistas e realizações, problemas e soluções, lutos e celebrações&#8230; Quando formamos um Círculo recuperamos o sentido de Comum-Unidade, pois na roda todos são vistos como iguais; todos se vêem e são vistos por todos; não há quem está acima, nem abaixo; todos estão <i>no Círculo,</i> nem dentro, nem fora. </p>
<p>Assim, em <i>Círculo</i>, somos estimulados e estimuladas a manter atitudes e relações circulares, aquelas que são capazes de aparar as arestas, de arredondar os cantos, de harmonizar as diferenças e de encurtar as distâncias&#8230; Aproximando-nos do <i>Centro</i> Como-Um. Ao compor um <i>Círculo</i>, reconhecemos a existência de um <i>Centro</i>, de algo que está entre-nós, que é comum a todos e todas, sem exceção. Nele está aquilo que é essencial para o grupo&#8230; é o <i>fogo</i> que precisa ser mantido vivo no centro da roda. E por ser assim, é cuidado por cada um e cada uma&#8230; Todo o tempo. </p>
<p>Crie o Centro com algo bem familiar ao Grupo que está reunido. Uma boa dica é utilizar um vaso com flores naturais, sobre um tapetinho simples. As flores simbolizam sementes singulares que desabrocham na diversidade&#8230; Encantando o ambiente com a simplicidade e beleza. </p>
<p>O que está no seu <i>Centro</i>? E no nosso <i>Centro</i>? </p>
<p><b></b> </p>
<p>· <b>A Ensinagem Cooperativa: </b> </p>
<p>Ensinagem?  </p>
<p>É o processo de ensino-aprendizagem na linguagem de uma amiga-mestra – Neyde Marques<a href="#_ftn2_2892" name="_ftnref2_2892">[2]</a> &#8211; que com a deliciosa sabedoria do povo de lá, economiza tempo no discurso para aproveitá-lo melhor no percurso compartilhado que a vida oferece. </p>
<p>Ensinagem Cooperativa? Claro, existem muitas boas maneiras para aprender alguma coisa. Nossa preferência é por aprender FAZENDO&#8230; Juntos!  </p>
<p>Daí, toda a Pedagogia da Cooperação estar baseada em três movimentos: </p>
<p><u>Convivência</u>: Ter a vivência compartilhada como o contexto fundamental para a aprendizagem. É preciso experimentar para poder re-conhecer a si mesmo e aos outros.  </p>
<p><u>Consciência</u>: Criando um clima de cumplicidade entre os participantes, incentivando-os a refletir sobre a convivência na Atividade e sobre as possibilidades de modificar comportamentos, relacionamentos e até da própria Atividade, na perspectiva de melhorar a participação, o prazer e a aprendizagem de todos.  </p>
<p><u>Transcendência</u>: Ajudando a sustentar a disposição para dialogar, decidir em consenso, experimentar as mudanças propostas e integrar na Atividade e na vida, as transformações desejadas. </p>
<p><b></b> </p>
<p>Vamos aprender Fazendo&#8230; Juntos?!! </p>
<p><b></b> </p>
<p>· <b>Do mais simples para o mais complexo: </b> </p>
<p><b></b> </p>
<p>De certo modo, toda evolução ocorre de dentro para fora, do pequeno para o maior, do mais próximo para o mais distante, do indivíduo para a sociedade&#8230; Do mais simples para o mais complexo. Assim, aprendemos a correr, aprendendo a andar; aprendemos a escrever, aprendendo a falar&#8230; Aprendemos a Cooperar, praticando a <i>Cooperação em diferentes níveis: pessoal, grupal, institucional e Comum-Unitário.</i> </p>
<p>Para alcançarmos níveis mais complexos de Cooperação é preciso cultivá-la nos níveis mais simples, por exemplo: Ao buscar a Cooperação entre as Instituições Sesi-Senai (<i>nível Comum-Unitário</i>), é preciso promover a Cooperação dentro do Sesi e do Senai (<i>nível Institucional</i>), que por sua vez, leva à Cooperação dentro de cada diretoria, gerência, departamento, equipe&#8230; (<i>nível Grupal</i>), e daí, chegando à Cooperação de pessoa-pra-pessoa (<i>nível Pessoal</i>). </p>
<p>Dentro dessa perspectiva holística-transdisciplinar, teremos melhores chances de promover a Cooperação, quanto melhor estivermos desenvolvendo-a simultânea e adequadamente, em seus diferentes níveis. </p>
<p>Você já Cooperou, hoje?!!! </p>
<p>Com quem? </p>
<p>· <b>Focalizando a Cooperação:</b> </p>
<p>Focalizar um processo de Cooperação é ser como a luz acendida no quarto escuro. É apenas ajudar a iluminar a situação para que cada um descubra seu próprio caminho, dê seus próprios passos e siga na direção de sua própria transformação&#8230; E que além disso, se mantenha aberto em colaborar com aqueles outros que estão, assim como ele mesmo, no infinito caminho de seu eterno reencontro. </p>
<p>Enquanto Pedagogos e Pedagogas da Cooperação, nossa tarefa é criar e manter um ambiente de Cooperação, suficientemente, favorável para o desabrochar da Consciência de Cooperação em cada pessoa, em cada grupo, em cada instituição e em toda a Comum-Unidade. </p>
<p><b></b> </p>
<p>· <b>Começar e terminar com todos juntos:</b> </p>
<p>Eu gosto muito desta pista!!! </p>
<p>Sabe, ela dá aquela sensação da gente fazer parte de um time. Um time se mantém firme diante dos maiores desafios (até quando o desafio maior é o próprio time) e celebra juntos cada pequena conquista. Tem, também, aquela fidelidade a toda prova&#8230; A dos pactos de sangue (que às vezes é o da cuspidela na palma da mão&#8230; dói menos e é tão firme como os outros, né?), de mano-pra-mano&#8230; Coisas de uma cumplicidade deliciosa! </p>
<p>Nem sempre conseguimos realizar um processo de Cooperação mais robusto, que apareça muito&#8230; Mas, começar e terminar com todos juntos, é tão simples de fazer que cabe em qualquer lugar, situação e grupo. E por ser assim tão simples é que é maravilhosamente potente. </p>
<p>Pode ser através de uma história contada, de uma dança dançada, de um jogo jogado&#8230; E até por um silêncio compartilhado. O que vale é sermos e estarmos todos juntos&#8230; Pelo menos no começo e no final da caminhada. Muita coisa pode acontecer durante uma jornada coletiva, não importa nos sabemos ser um Time Como-Um. </p>
<p>Aconteça o que acontecer, começamos e terminamos juntos!!! </p>
<p>Espero que com estas dicas, pistas e toques, tenhamos todos e todas uma boa clareza sobre alguns dos <b><i>Procedimentos</i></b> vinculados à Pedagogia da Cooperação. Com eles na mente e no coração, poderemos seguir caminhando em frente, descortinando outras paisagens, atravessando campos novos e circulando por alguns dos <b><i>Processos</i> </b>facilitadores da Cooperação. </p>
<p><b></b> </p>
<p><b></b> </p>
<p><b>3° Momento: Ação (Processos)</b> </p>
<p>Há muito tempo, a humanidade vem desenvolvendo estratégias colaborativas para favorecer sua própria evolução e a do meio em que vive. É como se tivéssemos um “instinto de cooperação” (Winston, 2006) que vem se aperfeiçoando desde os humanos primitivos que viviam nas savanas africanas, até os humanos civilizados vivendo na aldeia planetária da atualidade. </p>
<p>Muitos desses <i>Processos</i> estão sendo sistematizados como uma nova linguagem pedagógica, combinando a sabedoria de toda nossa ancestralidade, com os recursos de nossa modernidade&#8230; Imaginando desvendar um caminho que nos guie em direção à contínua e infinita eterna-idade.  </p>
<p>Vejamos alguns deles: </p>
<p>· <b>Jogos Cooperativos:</b> </p>
<p><u></u> </p>
<p>Um dos aspectos essenciais, presente nos <i>Jogos Cooperativos</i>, é a possibilidade de ampliarmos nossa consciência sobre a Cooperação. Nesse tipo de Jogo, onde <i>“se o importante é competir o fundamental é cooperar” (Brotto, 1997)</i>, podemos nos dar conta dos padrões competitivos que muitas vezes adotamos, como se fossem a única alternativa, para a relação com o outro e com o mundo. Dessa forma, expandimos nossas percepções sobre a importância de praticarmos um “saber fazer coletivo” que inclua o exercício de convivência e o aprimoramento das relações grupais como condições fundamentais para a vida coletiva. </p>
<p>Nesse sentido a experiência da Cooperação, vivida por meio do<i> Jogo Cooperativo</i>, nos ajuda a reconhecer a importância de aprender a fazer com o outro, bem como, valorizar os processos de construção coletiva presentes nos diferentes contextos de nossas relações cotidianas: na educação, no ambiente familiar, na comunidade e no mundo das organizações de trabalho. </p>
<p><u></u> </p>
<p>· <b>Danças Circulares:</b> </p>
<p><b></b> </p>
<p>No atual momento de evolução da Humanidade, a Dança Circular auxilia na expressão amorosa de cada indivíduo, despertando o espírito de Cooperação. Trabalha com Danças Folclóricas, Étnicas e Coreografadas; com músicas de diversos ritmos, músicas clássicas e cantos universais. Tem como um de seus propósitos demonstrar que cada pessoa pode entrar em contato com o mais profundo ponto do seu ser, o ponto do coração e, a partir daí, se tornar criativo, alegre e participante ativo na sua comunidade. Ressalta ainda a importância da diversidade entre os povos despertando o sentido de Unidade Planetária.  </p>
<p>· <b>Aprendizagem Cooperativa:</b> </p>
<p>Através da Cooperação no dia a dia da sala de aula, podemos transformar a nossa prática pedagógica e criar um ambiente de mútua ajuda, respeito pelas diferenças e responsabilidade compartilhada. </p>
<p>Estudiosos insatisfeitos com a pedagogia tradicional pesquisaram uma prática alternativa que vem se desenvolvendo, especialmente, nos Estados Unidos: a Aprendizagem Cooperativa (Cooperative Learning). Um dos primeiros pesquisadores foi o Dr. Spencer Kagan, que desenvolveu uma abordagem estrutural, na qual há a criação, análise e aplicação sistemática de estruturas que podem ser usadas para quase todas as matérias, nas diferentes séries e em vários momentos de uma aula. Uma abordagem que permite a aprendizagem de conteúdos curriculares, aliada a aprendizagem de valores e atitudes cooperativas. </p>
<p>· <b>Jogos Cooperativos de Tabuleiro: </b> </p>
<p><b></b> </p>
<p>Criados por Jim Deacove, da Family Pastimesã (Canadá), os <i>Jogos Cooperativos de Tabuleiro</i> vêm espalhando-se pelo mundo todo, já sendo possível encontrá-los em diversos idiomas. Esses jogos abrangem uma faixa etária que vai desde cinco anos até a idade adulta, podendo ser jogado individualmente ou em grupos, com os mais diversificados temas e desafios. Os jogadores ajudam-se a despoluir uma cidade, ou para evitar uma Guerra Mundial e até para constituir a Carta da Terra!!! </p>
<p>Como facilitadores no processo ensino-aprendizagem, o <i>Jogo da Terra</i>â e o jogo <i>Lugar Bonito</i>â, entre outros, são ferramentas espetaculares para auxiliar na promoção do espírito de equipe, solução pacífica de conflitos, valorização dos vínculos afetivos e relacionamentos sociais dentro e além da sala de aula. </p>
<p><b></b> </p>
<p>· <b>Brinquedos Cooperativos:</b> </p>
<p>Você se lembra das Brincadeiras e Brinquedos do tempo de criança?  </p>
<p>Muitas delas são puramente cooperativas! </p>
<p>- Brincar na <i>Gangorra</i> do parquinho, subindo e descendo com o amiguinho! </p>
<p>- Fazer <i>Currupio</i> segurando firme nas mãos uns dos outros! </p>
<p>- Brincar com o <i>Vai-e-Vem</i> confiando em ter do outro lado, alguém! </p>
<p>- Jogar Frescobol na praia e desfrutando juntos da brisa do mar! </p>
<p>Você consegue lembrar de outras brincadeiras cooperativas? Quais?  </p>
<p>E daquelas que mesmo sendo, aparentemente, não tão cooperativas, tinham um sabor especial quando conseguíamos compartilhar com os outros?  </p>
<p>- <i>Andar de bicicleta</i> pelo bairro com a turma. </p>
<p>-<i> Fantasiar com bonecas e fantoches</i> um faz de conta&#8230; Re-encantado com as bonecas e a presença das amiguinhas. </p>
<p>- <i>Brincar na rua de terra</i> num dia de chuva de verão&#8230; Aprontando aquela com-fusão. </p>
<p>- E o <i>beijo, abraço ou aperto de mão</i>? Que delícia o friozinho na barriga diante da expectativa de cair com aquela “paquerinha” tão sonhada, hein? </p>
<p>Resgatando um pouco dessa nossa memória lúdica, podemos reconhecer, também, as infinitas possibilidades de re-creação de jogos e brincadeiras tradicionais, em atividades cooperativas. Como seria&#8230; </p>
<p>-<i> Pular corda</i> com todo mundo junto? </p>
<p>-<i> Brincar de amarelinha</i> de um jeito que chegar primeiro é o primeiro passo pra ajudar os outros a chegarem, também? </p>
<p>- Um pega-pega onde o salve-se quem puder, vire um <i>salve-se com um abraço</i>? </p>
<p>- E um <i>Corre Cotia</i> onde quem é pego, ao invés de ficar no meio e “pagar uma prenda”, passa a liderar a brincadeira? </p>
<p>Se pudéssemos enxergar por trás de cada um de todos os <i>Processos</i> acima apresentados, contemplaríamos uma <i>Arquitetura Cooperativa</i>, que se caracteriza, essencialmente por quatro aspectos Como-Uns: </p>
<p>· <b>Todos têm um sentimento de vitória.</b> </p>
<p>· <b>Todos PODEM participar.</b> </p>
<p>· <b>Todos são bem aceitos pelo que são.</b> </p>
<p>· <b>Todos Cooperam para realizar objetivos comuns.</b> </p>
<p>Quando imaginamos criar e realizar (im)possibilidades para a Cooperação circular no grupo, sabemos ser importante respeitar essas Características Como-Uns da Arquitetura da Cooperação.  </p>
<p>Bem, estes são alguns dos <i>Processos</i> que podemos utilizar para facilitar a experiência da Cooperação em diferentes ambientes, grupos e situações. Além destes, existem outros, tais como a <i>Arte de Liderar em Círculo</i>, a <i>Comunicação Colaborativa</i> e as <i>Atividades dos Povos Tradicionais </i>(como a da “Corrida das Toras”, dos índios Kanela, no Brasil). </p>
<p>Agora, sigamos em frente&#8230; Porque <i>se atrás vem gente</i>, o que nos espera lá na frente?! </p>
<p><b></b> </p>
<p><b>4° Momento: Trans-Forma-Ação (Práticas)</b> </p>
<p>Deixar-se aconteSer cooperativamente no dia-a-dia é o desafio essencial deste Jogo de Cooperação. É no cotidiano, diante do mundo e da gente mesmo, que temos a real oportunidade para <i>VenSer</i> quem somos mais plenamente. </p>
<p>É através do <i>Ser-Vir-à</i> que alcançamos o <i>Vir-à-Ser</i> ! </p>
<p>Toda a caminhada pelas trilhas da <i>Pedagogia da Cooperação</i> é um permanente exercício de refinamento do modo como podemos servir à Comum-Unidade que constituímos em todos os lugares. Focalizando o desenvolvimento de diferentes grupos, podemos destacar alguns <i>Movimentos</i> fundamentais para promover a <i>Aplica-Ação</i> da Cooperação:  </p>
<p>· <b>Fazer Com-Tato e Estabelecer Com-Trato: </b> </p>
<p>Quais são nossos acordos fundamentais? O que gostaríamos e o que não gostaríamos que acontecesse entre nós? </p>
<p>· <b>Des-Cobrir a Identidade Grupal: </b> </p>
<p>Quem sou eu, quem é você, e quem somos nós?!!! Quais são nossos signos, símbolos, cores e sabores, nosso nome&#8230; Qual é nosso grito de garra?!!! </p>
<p>· <b>Compartilhar In-Quieta-Ações: </b> </p>
<p>Quais as dúvidas, as incertezas? O que eu não sei? Qual a minha ignorância: “só sei que nada sei” (Sócrates)? E o que não sabemos juntos? </p>
<p>· <b>Vislumbrar o Sonho Coletivo:</b> </p>
<p>O que nos re-uniu?  </p>
<p>· <b>Compor Objetivos Como-Uns:</b> </p>
<p>O que queremos fazer Juntos? </p>
<p>· <b>Cultivar as Co-Opetências para Ser-Vir: </b> </p>
<p>Quais são nossas forças-fraquezas, capacidades-incapacidades, habilidades-inabilidades&#8230; qual nossa luz-e-sombra? Liderança Circular, Com-Fiança, Bom Humor e Diligência. </p>
<p>· <b>Praticar a Cooperação:</b> </p>
<p>Consigo mesmo, com o grupo, com a instituição e com a Comum-Unidade.  </p>
<p>· <b>Exercitar a Com-Vivência: </b> </p>
<p>Diálogo, respeito mútuo, empatia, auto-estima e alter-estima. Cuidar bem uns dos outros. </p>
<p>· <b>Viver a Comum-Unidade: </b> </p>
<p>O que fomos capazes de fazer juntos que imaginávamos ser impossível de fazer sozinhos? </p>
<p>· <b>Re-Crear a Real-Idade:</b> </p>
<p>Transformar Cooperativamente Jogos, Canções, Danças, Eventos, Programas, Rotinas de Trabalho, Hábitos de Vida&#8230; Re-Crea-Atividade Contínua. </p>
<p>· <b>Celebrar os É-Feitos: </b> </p>
<p>Aconteça o que acontecer&#8230; Acontecerá para todo mundo! </p>
<p>Comemorar os resultados e honrar a Memória do Grupo. </p>
<p>· <b>Sonhar um Plano de Pouso:</b> </p>
<p>Qual o próximo passo&#8230; Para dentro de si mesmo&#8230; No Aqui-e-Agora? Prazeres de Casa!!! </p>
<p>Sente-se livre para seguir em frente?  </p>
<p>Porque “se eu não te acompanho, eu te componho!”  </p>
<p>Estes são alguns <i>Movimentos</i> bem simples – e altamente <i>complexos</i> – capazes de estimular e cultivar a Cooperação dentro e entre os diferentes Grupos constituímos nas mais variadas Comum-Unidades que criamos na sociedade em que vivemos. <b><u>Contudo, não há garantias que isso aconteça&#8230; pelo menos do jeito que a gente pensa poder acontecer, pois&#8230;</u></b> </p>
<p><b><u></u></b> </p>
<p>&#8230; quando empoderamos as pessoas e os grupos para desenvolverem-se como uma verdadeira <i>Comum-Unidade Cooperativa</i>, as ações, relações, efeitos e os destinos, escapam do nosso controle – ainda bem – e se alojam no <i>Centro de Poder Como-Um</i> que assume a direção e realização de seu próprio caminho. </p>
<p>Isto é autonomia, emancipação e protagonismo&#8230; soberania, cooperação e realismo&#8230; colocados em <i>Prática</i>, postos em Cooperação!!! </p>
<p>E não é para isto que estamos aqui, percorrendo juntos este caminho para construir um mundo onde todos podem <i>VenSer</i>?! </p>
<p><b>Terminando Juntos&#8230;</b> </p>
<p><i>“As pessoas </i><i>não se precisam, elas se completam. </i> </p>
<p><i>Não por serem metades, mas por serem inteiras, </i> </p>
<p><i>dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias, tristezas</i> </p>
<p><i>e principalmente por continuar escrevendo em conjunto, suas vidas”. <a href="#_ftn3_2892" name="_ftnref3_2892"><b>[3]</b></a></i> </p>
<p><i></i> </p>
<p>Assim, após, caminharmos juntos pelos vários <i>Momentos</i> e <i>Movimentos</i> da <i>Pedagogia da Cooperação</i>, é tempo de re-unir e re-pousar&#8230; </p>
<p>Tempo&#8230; Para recolher a experiência, deixando que ela circule por todo o corpo e se aloje na consciência&#8230; Tempo necessário&#8230; A cada um e cada uma, para uma conversa silenciosa, ao pé do ouvido, ao redor da fogueira&#8230; Tempo extra&#8230; Para celebrar nossa convivência ao longo das palavrAções compartilhadas aqui&#8230; com-firmando nossa Presença Como-Um neste vasto caminho infinito de descoberta pessoal e transformação coletiva. </p>
<p>E Tempo especial&#8230; Para reunir a tribo, embalar o sono, manter o sonho vivo e nos reencantar para a próxima jornada! </p>
<p>Ainda há o Tempo essencial&#8230; Façamos dele um colo amoroso para acolher esta nossa <i>Comum-Unidade Cooperativa</i>&#8230; e-terna-mente, por que&#8230; </p>
<p><b><i>“Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim<br />Que nada nesse mundo, levará você de mim.<br />Eu sei e você sabe, que a distância não existe<br />Que todo grande amor, só é bem grande se for triste.<br />Por isso meu amor, não tenha medo de sofrer<br />Que todos os caminhos me encaminham pra você.<br />Assim como o oceano só é belo com o luar<br />Assim como a canção só tem razão se cantar<br />Assim como uma nuvem só acontece se chover<br />Assim como o poeta só é grande se sofrer<br />Assim como viver sem ter amor não é viver<br />Não há você sem mim, e eu não existo sem você.” <a href="#_ftn4_2892" name="_ftnref4_2892"><b>[4]</b></a></i></b> </p>
<p><b>Para quem quer mergulhar na Fonte&#8230;</b> </p>
<p><i></i> </p>
<p><i>“Pé em Deus e Fé na Taba” <a href="#_ftn5_2892" name="_ftnref5_2892"><b>[5]</b></a></i> </p>
<p>Para mergulhar um pouquinho mais no universo da Pedagogia da Cooperação, compartilhamos algumas de nossas leituras prediletas. Bom proveito!!!<br />
<h4></h4>
</p>
<p>ASSMANN, Hugo e SUNG, Jung Mo. <b>Competência e sensibilidade solidária</b>: Educar para a esperança. 2<sup>a</sup>.  </p>
<p>ed. Petrópolis, RJ : Vozes, 2000. </p>
<p>BOLEN, Jean Shinoda. – <b>O Milionésimo Círculo</b>: como transformar a nós mesmos e ao mundo. Um guia  </p>
<p>para Círculos de Mulheres. São Paulo: Taygeta / Triom, 2003. </p>
<p>BRAHMA KUMARIS WORLD SPIRITUAL UNIVERSITY. &#8211; <b>Visions of a better world.</b> London:<b> </b>United  </p>
<p>Nations Peace Messenger, 1993. </p>
<p>BROTTO, Fábio Otuzi. &#8211; <b>Jogos cooperativos: </b>se o importante é competir, o fundamental é cooperar. Santos:  </p>
<p>Projeto Cooperação, 1997.  </p>
<p>BROTTO, Fábio Otuzi. &#8211; <b>Jogos Cooperativos:</b> O Jogo e o Esporte como um Exercício de Convivência.  </p>
<p>Santos : Projeto Cooperação, 2001. </p>
<p>BROTTO, Fábio Otuzi (org.) – <b>Jogos Cooperativos nas Organizações</b>. São Paulo: SESC e Projeto  </p>
<p>Cooperação, 2001. </p>
<p>BROWN, Guillermo. <b>- Jogos cooperativos</b>: teoria e prática. São Leopoldo: Sinodal, 1994. </p>
<p>CARSE, James P. <b>Jogos Finito e Infinitos: </b>a vida como jogo e possibilidades. Rio de Janeiro : Nova Era,  </p>
<p>2003. </p>
<p>COMBS, Alan (Ed.). &#8211; <b>Cooperation</b>: beyond the age of Competition. Philadelphia: Gordon and Breach  </p>
<p>Science, 1992. (The World futures general evolution studies; v.4). </p>
<p>DEACOVE, Jim. &#8211; <b>Manual de Jogos Cooperativos</b>. Santos: Projeto Cooperação, 2002. </p>
<p>FROMM, Erich. <b>A anatomia da destrutividade humana</b>. Rio de Janeiro: Zahar, 1973.  </p>
<p>HENDERSON, Hazel. &#8211; <b>Construindo um mundo onde todos ganhem</b>: a vida depois da guerra da economia  </p>
<p>global. São Paulo: Cultrix, 1996. </p>
<p>HESSELBEIN, Frances … et al. – <b>A comunidade do futuro</b>: idéias para uma nova comunidade. São Paulo :  </p>
<p>Futura, 1998. </p>
<p>KOHN, Alfie. &#8211; <b>The brighter side of human nature</b>: <b>altruism and empathy in everyday life</b>. USA: Basic  </p>
<p>Books, 1990.  </p>
<p>MALIDOMA SOME, escritor e professor da África Ocidental apud WHEATLEY, M. e KELLNER- </p>
<p>ROGERS, M. &#8211; O Paradoxo e a promessa de comunidade IN Hesselbein, F. et al. &#8211; <b>A Comunidade do </b> </p>
<p><b>Futuro</b>: idéias para uma nova comunidade. São Paulo : Futura, 1998. (p. 21) </p>
<p>MARIOTTI, Humberto – <b>As paixões do Ego</b>: <b>complexidade, política e solidariedade</b>. São Paulo: Palas  </p>
<p>Athena, 2000. </p>
<p>MATURANA, Humberto R. <b>Emociones y lenguaje en educacion y politica</b>. Santiago: Hachete, 1990. </p>
<p>MATURANA, Humberto R. e VERDEN-ZÖLLER, Gerda<b> </b>-<b> Amar e brincar: </b>fundamentos esquecidos do  </p>
<p>humano<b>. </b>São Paulo : Palas Athena, 2004. </p>
<p>MEAD, Margaret. <b>Cooperation and competition among primitive people</b>. Boston : Beacon, 1961. </p>
<p>MORTON Deutsch, apud RODRIGUES, Aroldo. <b>Psicologia social</b>. Petrópolis : Vozes, 1972. (p.149).  </p>
<p>ORLICK, Terry. &#8211; <b>Vencendo a competição</b>. São Paulo: Círculo do Livro, 1989. </p>
<p>PLATTS, David E. &#8211; <b>Autodescoberta divertida</b>: uma abordagem da Fundação Findhorn para desenvolver a  </p>
<p>confiança nos grupos. São Paulo: Triom, 1997. </p>
<p>RAMOS, Renata Carvalho Lima (Org.). <b>Danças Circulares Sagradas</b>: Uma proposta de educação e cura.  </p>
<p>São Paulo: Triom, 1998. </p>
<p>RIDLEY , Matt – <b>As origens da Virtude: um estudo biológico da solidariedade</b>. Record, 2000. </p>
<p>VELÁZQUEZ, Carlos – <b>Educação para a Paz</b>: Desenvolvendo valores na escola através da Educação Física  </p>
<p>para a Paz e dos Jogos Cooperativos. Santos : Projeto Cooperação, 2004. </p>
<p>WEIL, Pierre. &#8211; <b>A neurose do paraíso perdido</b>. São Paulo: Espaço e Tempo: Cepa,  </p>
<p>1987. </p>
<p>WHEATLEY, M. e KELLNER-ROGERS, M. &#8211; O Paradoxo e a promessa de comunidade IN Hesselbein, F. et  </p>
<p>al. &#8211; <b>A Comunidade do Futuro</b>: idéias para uma nova comunidade. São Paulo : Futura, 1998.  </p>
<p>WINSTON, Robert – <b>Instinto Humano</b>: como nossos impulsos primitivos moldaram o que somos hoje. São  </p>
<p>Paulo : Globo, 2006.  </p>
<p><b>SITES</b> </p>
<p><a href="http://www.projetocooperacao.com.br/">www.projetocooperacao.com.br</a> &#8211; Projeto Cooperação – Comunidade de Serviço. </p>
<p><a href="http://www.triom.com.br/">www.triom.com.br</a> – Triom &#8211; Centro de Estudos (Danças Circulares). </p>
<p><a href="http://www.cooperando.com.br/">www.cooperando.com.br</a> – Cooperando – Instituto para a Cooperação. </p>
<p><a href="http://www.jogoscooperativos.com.br/">www.jogoscooperativos.com.br</a> – Revista de Jogos Cooperativos. </p>
<p><a href="http://www.palasathena.org.br/">www.palasathena.org.br</a> – Associação Palas Athena. </p>
<p><a href="http://www.findhorn.org/">www.findhorn.org</a> – Findhorn Foundation (Escócia). </p>
<p><a href="http://www.ecosocial.com.br/">www.ecosocial.com.br</a> – Instituto Ecosocial. </p>
<p><a href="http://www.harmonianaterra.org.br/">www.harmonianaterra.org.br</a> – Instituto Harmonia na Terra. </p>
<p><a href="http://www.institutoelosbr.org.br/">www.institutoelosbr.org.br</a> – Instituto Elos. </p>
<p><a href="http://www.familypastimes.com/">www.familypastimes.com</a> – Family Pastimes (Canadá). </p>
<p><a href="mailto:cooperabrasil@projetocooperacao.com.br">cooperabrasil@projetocooperacao.com.br</a> – Coopera Brasil (J. Cooperativos de Tabuleiro). </p>
</p>
<hr align="left" width="33%" size="1"/>
<p><a href="#_ftnref1_2892" name="_ftn1_2892">[1]</a> <i>Declaração de Mount Abu. “</i>Projeto Cooperação Global para um Mundo Melhor&#8221; &#8211; Universidade Brahma Kumaris-1988/1990. </p>
<p><a href="#_ftnref2_2892" name="_ftn2_2892">[2]</a> NEYDE MARQUES; doutora em arte educação, é uma daquelas pessoas que você deseja estar sempre por perto e que mesmo distante sente-se constantemente abraçado por ela. <a href="http://www.suryalaya.com.br/">www.suryalaya.com.br</a> </p>
<p><a href="#_ftnref3_2892" name="_ftn3_2892">[3]</a> Sem conhecimento da autoria. Colaboração enviada pela Profa. Denise Jayme de Arimathea Villela, Coordenadora de Educação Física da Escola das Nações, em Brasília-DF.  </p>
<p><a href="#_ftnref4_2892" name="_ftn4_2892">[4]</a> Vinícius de Moraes, poeta e compositor brasileiro. </p>
<p><a href="#_ftnref5_2892" name="_ftn5_2892">[5]</a> Da canção: “Os Tribalistas”, com Marisa Monte, Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Dan&#231;ando e Cooperando</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Feb 2009 20:55:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos e Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Denise Jayme &#8211; Escola das Nações &#8211; Brasília &#8211; denisejayme@yahoo.com.br e  
Eliana Fausto &#8211; Projeto Cooperação &#8211; eliana@projetocooperacao.com.br  
&#160; 
RESUMO  
Como Professoras de Educação Física, abraçamos a oportunidade de trabalhar com as Danças Circulares Sagradas na área educacional, pois acreditamos que elas oferecem alguns benefícios aos alunos, diferentes do que são alcançados [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><b>Denise Jayme &#8211; </b>Escola das Nações &#8211; Brasília &#8211; <a href="mailto:denisejayme@yahoo.com.br">denisejayme@yahoo.com.br</a> e  </p>
<p><strong>Eliana Fausto</strong> &#8211; Projeto Cooperação &#8211; <a href="mailto:eliana@projetocooperacao.com.br">eliana@projetocooperacao.com.br</a>  </p>
<p><b></b>&nbsp; </p>
<p><b>RESUMO</b>  </p>
<p>Como Professoras de Educação Física, abraçamos a oportunidade de trabalhar com as Danças Circulares Sagradas na área educacional, pois acreditamos que elas oferecem alguns benefícios aos alunos, diferentes do que são alcançados com os jogos e exercícios físicos que já aplicamos. No início esbarramos com a conhecida resistência a tudo o que é novo. Aos poucos, algumas características dessas danças, como a formação do círculo, as mãos dadas, a magia das músicas e a repetição dos passos, foram contagiando os grupos e facilitando a alegre e participativa presença deles nesse projeto.  </p>
<p>Percebemos então, que as respostas trazidas por nossos alunos eram muito positivas, que o crescimento de cada um era notável aos olhos e que o grupo havia se transformado pela possibilidade de dançarem juntos. Para nós, este foi um bom caminho encontrado, já que trabalhamos atentas ao aprendizado de valores como a cooperação, o respeito a si mesmo e ao outro, a valorização da amorosidade entre os jovens, a inclusão e a aceitação das diferenças.  </p>
<p>Na conclusão do trabalho, nos alegramos ao conhecer os resultados e nos empenhamos a compartilhá-los, desejando que em vocês, as danças também façam a&#8230; DIFERENÇA.  </p>
<p><b>INTRODUÇÃO</b>  </p>
<p>Estamos aqui unidas pelo sonho de divulgar as DANÇAS CIRCULARES SAGRADAS e de contar pra vocês um pouco da nossa experiência de, por meio delas, trabalhar com nossos alunos nas aulas de Educação Física de uma forma mais inteira, somando o corpo, a mente e o espírito.  </p>
<p>Nossa aproximação aconteceu, quando descobrimos que compartilhávamos do mesmo objetivo: dentro de uma pedagogia que busca a educação integral do indivíduo, transformar nossas aulas em um veículo de ligação entre esportes e valores.  </p>
<p>A beleza deste trabalho na área educacional é o fato dele estar cercado de várias possibilidades, como o encontro, o olhar, o contato. Considerando a dança uma forma de expressão, muitas coisas acontecem no círculo sem a necessidade de se dizer algo, como por exemplo, a elevação da auto-estima, revelada pelo ato de executar a dança assim que ela é aprendida, o que é uma ótima referência para seu potencial. Com isso, consideramos que quando dançamos e não damos “importância” ou “valor” ao erro (pois ele SEMPRE irá existir), somos nós mesmos e também capazes de perceber que o ritmo do grupo muitas vezes é diferente do nosso ritmo. Isso nos ajuda a ser pessoas melhores, tanto na roda quanto na vida.  </p>
<p><i>“Onde pessoas dançam umas com as outras, </i><i>elas se educam e se formam em si mesmas” </i>(wosien, 2000)<i></i>  </p>
<p><i></i> </p>
<p><i></i> </p>
<p><b>HISTÓRICO</b>  </p>
<p><b></b> </p>
<p>Em meados da década de 60, Bernard Wosien, um bailarino e coreógrafo alemão/polonês, ao procurar uma nova forma de trabalhar a expressão corporal que pudesse transmitir um estado espiritual pleno e realizar uma conexão com o interior de cada um, começou uma pesquisa sobre os velhos costumes dos povos do leste Europeu. Iniciou então, um trabalho de Danças Folclóricas e vivenciou a alegria, a amizade e o amor, tanto para consigo mesmo como para com os outros. Sentia que a dança de roda possibilitava uma comunicação sem palavras e mais amorosa entre as pessoas.  </p>
<p>Em 1976, ele visitou a Comunidade de Findhorn, no norte da Escócia, e a convite de Peter Caddy, um de seus fundadores, ensinou pela primeira vez uma coletânea de Danças Folclóricas para os residentes. Desde esta época até os dias de hoje, centenas de danças foram incorporadas ao conjunto do que passou a se chamar “Danças Circulares Sagradas”. De Findhorn, essas danças espalharam-se pelo mundo todo, estando hoje presentes em mais de 20 países.<b></b>  </p>
<p><b></b> </p>
<p><b></b> </p>
<p><b>No Brasil</b>  </p>
<p><b></b> </p>
<p>No Brasil, as danças começaram a ser difundidas no Centro de Vivências Nazaré, localizado em Nazaré Paulista, interior da cidade de São Paulo, no início da década de 80. Elas foram trazidas por Sarah Marriot, que morava na Comunidade de Findhorn. A partir da década de 90, essas danças começaram a sair dali para o resto do Brasil. Em 1994, Renata Ramos, diretora da Triom – Livraria e Centro de Estudos começou a oferecer cursos de Dança e ao mesmo tempo foi estreitando sua ligação com a Comunidade de Findhorn, possibilitando um intercambio maior na difusão das Danças aqui no Brasil.  </p>
<p>Um ano depois, em 1995, na 1ª Clínica de Jogos Cooperativos, organizada por Fábio Otuzi Brotto, focalizador do Projeto Cooperação, realiza na Universidade de São Paulo &#8211; CEPEUSP, as Danças Circulares Sagradas experimentaram sua expansão. Muitas pessoas da área da educação perceberam que ali estava o início de um trabalho com grande potencial para trazer ao indivíduo uma consciência de si mesmo e o contato com o outro, de uma forma bastante enriquecedora. Ao mesmo tempo, surgia uma técnica nova para a área educacional no Brasil e a certeza de que seria uma prática escolar bem aceita nas Instituições Educacionais e nas Comunidades.  </p>
<p><b>CARACTERÍSTICAS</b>  </p>
<p><b></b> </p>
<p>Dançar é a manifestação artística mais antiga da humanidade. O homem primitivo dançava em grupos em todas as celebrações dos ciclos da vida humana e também da natureza. As Danças Circulares Sagradas reúnem antigas formas de expressão de diferentes povos e culturas. Somam-se a elas, hoje em dia, novas criações, coreografias, ritmos e significados próprios do homem inserido na realidade atual.  </p>
<p>Elas nos contam histórias curiosas e nos trazem significados variados de acordo com suas origens. Compartilham passos conhecidos por diversas nações e resgatam outros não menos criativos. Espalham a vida e a cultura de outras épocas.  </p>
<p>Elas chegam de todas as partes do mundo trazendo aquilo que tem de mais belo. As melodias delicadas dos pastores dos Bálcãs. Os movimentos do preparo da terra nas danças da Bulgária. A alegria e os passos saltitantes dos Gregos. Os rituais religiosos dos povos indianos. As tradições culturais dos ciganos.  </p>
<p>Dançadas em círculos em sua maioria, também são encontradas na forma de linha, cruz ou espiral. Mas é mesmo de mãos dadas, que a dança acontece.  </p>
<p>A forma geométrica das danças nos remete ao círculo, símbolo universal da unidade e da totalidade.  </p>
<p>As danças, aplicadas de forma pedagógica e voltadas para o aprendizado motor, desenvolvem a coordenação motora, o ritmo, a referência espacial, o equilíbrio. Seguindo mais profundamente, elas dissolvem tensões, fortalecem a auto-estima, favorecem a cooperação, ampliam a concentração, vivenciam a amorosidade, exercitam a integração, promovem a inclusão e o respeito, trabalham a saúde física, emocional, mental e espiritual.  </p>
<p>Além disso, algumas músicas impõem um ritmo físico intenso que, quando unido ao movimento, exige um trabalho cardio–respiratório, principalmente nos praticantes que não possuem um bom condicionamento físico. Outras danças, no entanto, nos fazem acalmar o coração e a alma, o ritmo é lento e sua intensidade nos leva às vezes, a um estado meditativo.  </p>
<p>Só quem dança na roda pode sentir a cura que nos leva à transformação pessoal e coletiva.  </p>
<p><b></b> </p>
<p><b></b> </p>
<p><b>ESCOLA CARANDÁ</b>  </p>
<p><b></b> </p>
<p>CARANDÁ – Uma Palmeira do Pantanal mato-grossense. Ela é alta, reta, esguia, com folhas abrindo em leque. Uma de suas características, é que nunca está isolada – só é encontrada em grupo.  </p>
<p>É uma Escola que ao longo de seus quase 30 anos, tem seu objetivo no indivíduo como único e ao mesmo tempo, um agente transformador da sociedade em que vive.  </p>
<p>A Carandá forma os alunos para serem pessoas criativas, autônomas, críticas, tolerantes, participativas e cooperadoras. Acredita também na formação de pessoas flexíveis e responsáveis.  </p>
<p>Nesta Escola, o aluno aprende a enfrentar os desafios que a vida e os novos tempos irão propor. Desenvolve, harmoniosamente, suas potencialidades intelectuais, físicas e emocionais. Ela acredita também, que seu aluno é um indivíduo que só se desenvolve plenamente em meio a um grupo.  </p>
<p>Não foi difícil convencer a direção e a orientação da Escola a aceitar esta nova proposta de trabalho, uma visão diferenciada da Educação Física como um todo. Visto que o foco não estaria nos jogos esportivos ou mesmo nos exercícios físicos e sim nas Danças Circulares Sagradas, e acreditando nos objetivos e valores que a Escola traz consigo, entendemos que uma atividade com um novo olhar para a Educação Física em geral e também uma mudança de comportamento entre os alunos, mexeria com valores de uma cultura escolar e social, nada convencional.  </p>
<p>O projeto com as Danças na Escola começou com a proposta da construção de sujeitos instrumentalizados para viver, conviver um grupo, respeitar as diferenças e melhorar em seu contexto pessoal e social. No início, a timidez tomou conta do grupo, pois os alunos não tinham o hábito de ficar em roda, de dar as mãos, de se olhar, de se tocar. Situações essas que parecem tão simples, mas para os jovens e adolescentes hoje em dia, que, sabem muito bem se conectar pela internet e se relacionam com facilidade por meio de Blogs e Orkut, ter uma aproximação com o toque das mãos e com a troca de olhares, é uma situação nada usual nos tempos modernos, principalmente para esta faixa etária, em que as relações estão cada vez mais rápidas e superficiais.  </p>
<p>É possível inserir as danças no currículo escolar, ela abre uma nova possibilidade ao professor de Educação Física que em sua maioria vê-se sua prática nos jogos pré-desportivos ou esportivos e também no exercício físico como dito anteriormente. Esta disciplina – Educação Física, tem a possibilidade de ver o aluno como um todo harmonioso, em que o indivíduo é pleno nas suas possibilidades. Por isso a riqueza da área.  </p>
<p>Ao longo do trabalho desenvolvido, algumas respostas por parte dos alunos foram surgindo e com isso a dinâmica da Escola foi mudando, principalmente nos intervalos das aulas, pois a música e a dança começaram a fazer parte dos intervalos uma vez por semana.  </p>
<p>Ao ler um depoimento como este, é de se notar que estamos no caminho certo e que a Escola acredita no desenvolvimento do indivíduo como um todo e a resposta está aqui, quando Carolina Moyses diz:  </p>
<p><i>“A dança circular muitas vezes nos traz sensações muito </i><i>diferentes, não importa a música nem a pessoa que está ao seu lado.&nbsp; </i><i>Ela nos auxilia a tomar consciência de nosso próprio corpo, além de oferecer a nós mesmos a possibilidade de estarmos em contato com nós mesmos, </i><i>assim percebendo a importância dos Valores Humanos”. </i> </p>
<p><i></i> </p>
<p>Flavia T. Iura, uma outra aluna, também trouxe para a roda o seu sentimento com relação às danças:  </p>
<p><i>“Paz é o sentimento que predomina nas aulas de Educação Física. </i><i>O que faz isso comigo? As danças circulares! </i><i>Imagine que bom dançar com suas amigas, </i><i>em que você pode se unir mais com elas e se sentir em Paz”.</i>  </p>
<p><i></i> </p>
<p>Estes depoimentos nos alimentam e nos inspiram a prosseguir e saber que estamos no caminho certo. Outro que enriqueceu o trabalho, foi o depoimento da aluna Mariane Portella:  </p>
<p><i></i> </p>
<p><i>“Para que haja um bom proveito na dança, é preciso relaxar, </i><i>prestar atenção no que está fazendo naquele momento e também, </i><i>prestar atenção no que está sentindo, pois sempre você sente algo novo”</i>.  </p>
<p>É importante ressaltar que o trabalho se enriquece com esses depoimentos, o que faz acreditar que estamos proporcionando aos alunos um crescimento valioso nos tempos modernos, trazendo valores humanos para a roda, a percepção de si e do outro também, e um amadurecimento consciente de que só com consciência se transforma algo em si próprio e no mundo.  </p>
<p><b>ESCOLA DAS NAÇÕES</b>  </p>
<p><b></b> </p>
<p>Há 25 anos nascia em Brasília a Escola das Nações, cuja principal missão é formar cidadãos do mundo. Por ser uma escola bilíngüe, recebe até hoje muitos alunos estrangeiros vindos de longe, o que completa o sonho de uma educação para a paz, realizado com base nos princípios Báhá’is como, unidade entre os povos, igualdade entre homens e mulheres, livre investigação da verdade e educação transformadora. Sendo pioneira neste ramo, seu nome é citado como referência quando se fala em Jogos Cooperativos.  </p>
<p>Com um programa de Educação Física diferenciado, em que são oferecidos, além dos esportes convencionais, atividades como capoeira, karate, dança e escalada, ficou um pouco mais fácil propor algo novo como as Danças Circulares Sagradas. Começamos oferecendo para as alunas de 14 a 17 anos.  </p>
<p>O início se apresentou como um bom desafio para mim e algo bem estranho para elas. O círculo, o centro, as mãos dadas, o toque, o olhar e até os passos repetidos.  </p>
<p>Mesmo cheias da ansiedade comum diante de tudo o que é desconhecido, aos poucos foram se abrindo para o que parecia contagiar seus corações e suas participações se tornaram bem expressivas. Começaram timidamente se fazendo mais presentes em pequenos gestos como, ajudar na criação dos centros, demonstrar curiosidades sobre as danças e as músicas, pedir as preferidas. Algumas queriam as meditativas, outras as de alegres celebrações, cada uma de acordo com o sentimento mais forte no momento. Logo nos reconhecemos bem mais próximas do que imaginávamos.  </p>
<p>A Escola começou a sentir que havia algo diferente naquelas meninas. As pessoas iam passando e parando pra ver o que estava acontecendo. Olhavam curiosas e permaneciam de longe admirando nossa alegria nas danças celebrativas, ou então, se mostravam surpresas ao perceberem nossa capacidade de concentração nas danças meditativas.  </p>
<p>Trabalhamos a coordenação motora, o ritmo, o equilíbrio e a lateralidade&#8230; como boas alunas de educação física. Desenvolvemos a auto-estima, a inclusão, o acolhimento, a aceitação, a igualdade, o reconhecimento do próprio eu, o respeito&#8230; como boas lições para a vida.  </p>
<p>Pedi à Manuela Ugalde, uma aluna chilena que cursa o último ano, para que descrevesse algumas de suas impressões, ela o fez assim:  </p>
<p><i>“A experiência que tive de aprender sobre as Danças Circulares, dançar muitas músicas e conhecer a história de cada uma delas foi indescritível. </i><i>Foi uma oportunidade única que tive até agora, e se pudesse, gostaria de repetir. </i><i>É uma atividade que ajuda a relaxar, que nos leva a um outro mundo durante as danças, nos faz refletir muito e ainda é muito divertida e dinâmica. </i><i>Se você tiver a possibilidade de dançar, não exite, pois não se arrependerá”.</i>  </p>
<p><i></i> </p>
<p>Há um pequeno detalhe desde o começinho desta história. Entre minhas alunas e com o mesmo constrangimento, estava Vanessa, minha filha mais velha que, como uma boa adolescente, sempre se distrai com suas próprias críticas diante das invenções de sua mãe. Devagarzinho ela também foi se entregando, até que, encabulada, ela comentou que a aula tinha sido boa e que as colegas haviam comentado que estavam gostando muito. Neste dia tive a certeza de estar no caminho certo.  </p>
<p>Hoje, pedi a ela que escrevesse um pouquinho sobre a experiência vivida nas aulas e aí estão suas palavras:  </p>
<p><i>“Eu achei muito interessante, pois cada dança tem uma história, um significado e é possível refletir sobre muitas coisas enquanto dançamos. É claro que as que mais me chamaram a atenção foram as mais animadas, já que levantava o astral de qualquer uma na roda. Mas também era muito bom quando ficávamos em silêncio. Foi uma experiência única e muito produtiva.” </i> </p>
<p>Sou muito agradecida a todos que acreditaram neste trabalho e às minhas alunas que, sem saberem, me ensinaram sobre a coragem diante do novo, sobre o desafio do diferente, sobre o poder da transformação, sobre o educar por inteiro.  </p>
<p>Ficou em cada uma de nós o acolhimento peculiar de quem dança em círculo e as marcas invisíveis na alma, porque <i>“quando a dança termina você não tem nada para segurar, exceto o que fica no seu corpo e na sua mente”</i>. (Bernard Wosien)  </p>
<p><b>DANÇANDO E COOPERANDO</b>  </p>
<p><b></b> </p>
<p><i>“Somos, na verdade, seres comunitários que têm prazer em viver em grupo. </i><i>Viver em grupo é necessariamente, cooperar”. (Berni, 2002, pg.05) </i> </p>
<p><b></b> </p>
<p>A sociedade contemporânea nos leva a ter uma postura individualista agindo, em sua grande maioria, com atitudes competitivas e agressivas, onde vencer é o mais importante e o foco está em ser o primeiro. Sendo assim, o erro, que faz parte do nosso acervo humano, passa a ser uma falha quase inadmissível em nossa sociedade. E nossos jovens estão inseridos nesse processo.  </p>
<p>Sabendo disso, percebemos o quanto as pessoas necessitam viver diferente, o quanto é importante trazer para nosso dia-a-dia atitudes amorosas consigo mesmo e, principalmente, para com o outro. Nascemos para estar juntos com o outro, para irmos ao encontro do outro. Por isso, um bom motivo para dançarmos!!!  </p>
<p>Acreditamos que podemos transformar nossos alunos em pessoas melhores, incluindo a Dança e a Cooperação como uma forma de falar de Amor, Respeito e Solidariedade. Ao mesmo tempo, proporcionamos a eles um momento prazeroso tanto em relação à dança como ao contato direto com o grupo, que traz a consciência de pertencimento, que valoriza estar junto com o outro e estar junto para celebrar. Wosien acrescentaria: <i>“Não por acaso o homem exprime na dança a sua pura alegria e seu prazer. A dança lhe concede o brilho e a leveza para as festas e celebração de sua vida”. (wosien, 2000, pg. 28)</i>  </p>
<p>Com isso, percebemos que todas as pessoas que participam do círculo da dança saem satisfeitas e felizes. A cooperação surge naturalmente na roda e tudo acontece ao mesmo tempo, a Dança e a Cooperação.  </p>
<p>“<i>Falar de Dança Circular é falar de Cooperação. Poderia até dizer que são quase sinônimos, pois não existe dança circular se não houver cooperação entre as pessoas que estão dançando. O círculo da dança nos ensina de maneira prática, rápida, direta, que a melhor forma de ganhar é cooperar. Na roda todos ganham. Por uma única e simples razão: se não houver Cooperação não há dança! A roda só ‘roda’ se todos forem para o mesmo lado. É um jogo impossível de se jogar sozinho”. </i><i>(Berni, 2002, pg. 5)</i>  </p>
<p><i></i> </p>
<p>O que nos encanta nas Danças é a forma de dançar. Os passos são dos mais simples aos mais elaborados, mas o enfoque nas Danças Circulares Sagradas não é a técnica, e sim o sentimento de união e de grupo. O espírito comunitário que se instala a partir do momento em que todos, de mãos dadas, apóiam e auxiliam os companheiros é muito grande e intenso.  </p>
<p>Cada Dança tem um ritmo, a melodia é própria, o simbolismo é único, os gestos, trazem, muitas vezes, a história de uma região do planeta, o folclore e as raízes de um povo. Está presente também a história da humanidade como forma de expressão.  </p>
<p><i>“Por meio de passos, gestos e posturas muito simples e de fácil aprendizado, os participantes que conformam a roda vivenciam este sentimento de comunhão pela ampliação da consciência individual que a mesma dança induz”. </i><i>(Grupo Rodas da Lua)</i>  </p>
<p><i></i> </p>
<p>Ao dançarmos de mãos dadas o Círculo está montado, e nele temos a oportunidade de viver a experiência de ser parte de um todo, sem perder a individualidade. Podemos dizer que o círculo<i> </i>representa a conexão com as pessoas e simboliza a interdependência, porque a forma de dar as mãos, sempre com uma palma da mão para cima e outra para baixo, representa o fluir de energia e a conexão com o todo. Outro fator importante no círculo, é que temos a possibilidade de ver todas as pessoas e temos a certeza de que todas as pessoas estão nos vendo. E para concluir, a distância do centro do círculo (do eixo), é igual para todos.  </p>
<p>É importante falarmos aqui por um instante sobre o Sagrado nas danças. Nos tempos atuais, deixamos de lado a importância dos rituais e dos ritos de passagem, nossa vida parece um constante turbilhão de acontecimentos aos quais na maioria das vezes atribuímos pouco ou nenhum significado. O Sagrado na dança vem para nos aproximar de nós mesmos e nos lembrar do que é sagrado em nosso eu interior, nos lembrar da nossa essência.  </p>
<p><i>“Dançar é caminhar para o silencio, é uma oração sem palavras”</i>. (Wosien, 2000, pg. 117)  </p>
<p>E por meio de símbolos e pela atribuição do significado do movimento nas danças, estamos continuamente entrando em contato conosco, com o próximo e com a representação espiritual presente na crença de cada um.  </p>
<p><b>CONCLUSÃO</b>  </p>
<p><b></b> </p>
<p><b></b> </p>
<p>São inúmeros os fatores que interferiram no processo com as Danças Circulares Sagradas na Escola. Essas danças são de fácil acesso, o resultado foi muito positivo para todos os envolvidos no processo.<b></b>  </p>
<p>Junto com a mudança interna que ocorreu em cada aluno, com suas diferenças particulares, foi possível notar um crescimento em relação às atitudes coletivas do grupo, uma relação cuidadosa e amorosa com o outro surgiu e o respeito às diferenças foi visto de uma forma consciente pelo círculo da dança na construção de um grupo coerente, participativo/ativo na Escola.  </p>
<p>É importante ressaltar que a Escola tem um papel fundamental na formação de um indivíduo. A formação desse novo sujeito implica numa escala de valores éticos, de inclusão, de cooperação, de justiça, de aceitação do diferente e de transformação pessoal e social. A Escola é esse canal. Se acreditarmos que por meio da dança o Ser Humano se transforma, aí teremos a confiança de estarmos no caminho certo.  </p>
<p>Com relação à nossa experiência, temos a dizer aquilo que acreditamos: é a melhor maneira do aluno se perceber como indivíduo, dentro de um todo, sendo ele verdadeiramente quem É.  </p>
<p>A Dança possibilita crescimento!  </p>
<p>A Dança permite percepções claras de seu corpo, do movimento e ao mesmo tempo, uma visão ampliada dele mesmo com relação ao grupo.  </p>
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<p><b><u>BIBLIOGRAFIA CONSULTADA</u></b>  </p>
<p><b><u></u></b> </p>
<p><b></b> </p>
<p><b>DANÇAS CIRCULARES SAGRADAS – Uma proposta de Educação e Cura. </b>Organização de Renata Ramos, São Paulo, Ed. Triom, 1998<b></b></p>
<p><b>DANÇA – Um caminho para a totalidade. </b>Bernard Wosien, São Paulo, Ed. Triom, 2000<b></b></p>
<p><b>REVISTA JOGOS COOPERATIVOS</b>. Nº 6 – Ano I, São Paulo, 2002<b></b></p>
<p><b>APOSTILA DE DANÇAS CIRCULARES. </b>Grupo Rodas da Lua, Brasília, 2004<b></b></p>
<p><b></b> </p>
<p><b></b> </p>
<p><b><a href="http://www.edn.org.br/">www.edn.org.br</a> </b></p>
<p><b><a href="http://www.escolacaranda.com.br/">www.escolacaranda.com.br</a> </b></p>
<p><b><a href="http://www.nazarevivencias.com.br/">www.nazarevivencias.com.br</a> </b></p>
<p><b><a href="http://www.projetocooperacao.com.br">www.projetocooperacao.com.br</a></b></p>
<p><b><a href="http://www.triom.com.br/">www.triom.com.br</a></b></p>
<p><b></b> </p>
<p>Grupo Rodas da Lua – Grupo de Mulheres que focalizam Danças Circulares Sagradas em Brasília. </p>
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		<title>Ou Mudamos ou Morremos</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Jan 2009 18:06:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Leonardo Boff *
Hoje vivemos uma crise dos fundamentos de nossa convivência pessoal, nacional e mundial. Se olharmos a Terra como um todo, percebemos que quase nada funciona a contento. A Terra está doente e muito doente. E como somos, enquanto humanos, também Terra (homem vem de húmus = terra fértil), nos sentimos todos, de certa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Leonardo Boff *</p>
<p align="justify">Hoje vivemos uma crise dos fundamentos de nossa convivência pessoal, nacional e mundial. Se olharmos a Terra como um todo, percebemos que quase nada funciona a contento. A Terra está doente e muito doente. E como somos, enquanto humanos, também Terra (homem vem de húmus = terra fértil), nos sentimos todos, de certa forma, doentes. A percepção que temos é de que nãopodemos continuar nesse caminho, pois nos levará a um abismo. Fomos tão insensatos nas últimas gerações que construímos o princípio de auto-destruição.</p>
<p align="justify">Não é fantasia holywoodiana. Temos condições de destruir várias vezes a biosfera e impossibilitar o projeto planetário humano. Desta vez não haverá uma arca de Noé que salve a alguns edeixa perecer os demais. O destino da Terra e da humanidade coincidem: ou nos salvamos juntos ou sucumbimos juntos. Agora viramos todos filósofos, pois, nos perguntamos entre estarrecidos e perplexos: como chegamos a isso? Como vamos sair desse impasse global? Que colaboração posso dar como pessoa individual?</p>
<p align="justify">Em primeiro lugar, há de se entender o eixo estruturador de nossas sociedades hoje mundializadas, principal responsável por esse curso perigoso. É o tipo de economia que inventamos. A economia é fundamental, pois, ela é responsávelpela produção e reprodução de nossa vida. O tipo de economia vigente se monta sobre a troca competitiva. Tudo na sociedade e na economia se concentra na troca. A troca aqui é qualificada, é competitiva. Só o mais forte triunfa. Os outros ou se agregam como sócios subalternos ou desaparecem. O resultado destalógica da competição de todos com todos é duplo: de um lado uma acumulação fantástica de benefícios em poucos grupos e de outro, uma exclusão fantástica damaioria das pessoas, dos grupos e das nações.</p>
<p align="justify">Atualmente, o grande crime da humanidade é o da exclusão social. Por todas as partes reina fome crônica, aumento das doenças antes erradicadas, depredação dos recursos limitados da natureza e um ambiente geral de violência, de opressão e de guerra.</p>
<p align="justify">Mas reconheçamos: por séculos essa troca competitiva abrigava a todos, bem ou mal, sob seu teto. Sua lógica agilizou todas as forças produtivas e criou mil facilidades para a existência humana. Mas hoje, as virtualidades deste tipo de economia estão se esgotando. A grande maioria dos países e das pessoas não cabem mais sob seu teto. São excluídos ou sócios menores e subalternos, como é o caso do Brasil. </p>
<p align="justify">Agora esse tipo de economia da troca competitiva se mostra altamente destrutiva, onde quer que ela penetre e se imponha. Ela nos pode levar ao destino dos dinossauros. Ou mudamos ou morremos, essa é a alternativa. Onde buscar o princípio articulador de uma outra sociabilidade, de um novo sonho para frente? Em momentos de crise total precisamos consultar a fonte originária de tudo, a natureza. Que ela nos ensina? </p>
<p align="justify">Ela nos ensina, foi o que a ciência já há um século identificou, que a lei básica do universo, não é a competição que divide e exclui, mas a cooperação que soma e inclui. Todas as energias, todos os elementos, todos os seres vivos, desde as bactérias e virus até os seres mais complexos, somos inter-retro-relacionados e, por isso, interdependentes. Uma teia deconexões nos envolve por todos os lados, fazendo-nos seres cooperativos e solidários. Quer queiramos ou não, pois essa é a lei do universo. Por causa desta teia chegamos até aqui e poderemos ter futuro.</p>
<p align="justify">Aqui se encontra a saída para um novo sonho civilizatório e para um futuro para as nossas sociedades: fazermos desta lei da natureza, conscientemente, um projeto pessoal e coletivo, sermos seres cooperativos. Ao invés de troca competitiva onde só um ganha devemos fortalecer a troca complementar e cooperativa, onde todos ganham. Importa assumir, com absoluta seriedade, o princípio do prêmio de economia John Nash, cuja mente brilhante foi celebrada por um não menos brilhante filme: o princípio ganha-ganha, onde todos saem beneficiados sem haver perdedores.</p>
<p align="justify">Para conviver humanamente inventamos a economia, a política, a cultura, a ética e a religião. Mas nos últimos séculos o fizemos sob a inspiração da competição que gera o individualismo. Esse tempo acabou. Agora temos que inaugurar a inspiração da cooperação que gera a comunidade e a participação de todos em tudo o que interessa a todos.</p>
<p align="justify">Tais teses e pensamentos se encontram detalhados nesse brilhante livro de Maurício Abdalla, O princípio da cooperação. Em busca de uma nova racionalidade. Se não fizermos essa conversão, preparemo-nos para o pior. Urge começar com as revoluções moleculares. Começemos por nós mesmos, sendo seres cooperativos, solidários, compassivos, simplesmente humanos. Com isso definimos a direção certa. Nela há esperança e vida para nós e para a Terra.</p>
<p align="justify">* Teólogo. Membro da Comissão da Carta da Terra</p>
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		<title>Clasificaci&#243;n de las Actividades F&#237;sicas Colectivas</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Jan 2009 17:40:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[HACIA UNA CLASIFICACIÓN DE LAS ACTIVIDADES FÍSICAS COLECTIVAS. 
Carlos Velázquez 
Si la totalidad de los autores consultados coinciden en las ventajas del juego cooperativo para el desarrollo de valores relacionados con la denominada cultura de paz, sin que se apunte ningún inconveniente en este sentido, a la hora de determinar qué es realmente un juego [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>HACIA UNA CLASIFICACIÓN DE LAS ACTIVIDADES FÍSICAS COLECTIVAS. </p>
<p>Carlos Velázquez </p>
<p>Si la totalidad de los autores consultados coinciden en las ventajas del juego cooperativo para el desarrollo de valores relacionados con la denominada cultura de paz, sin que se apunte ningún inconveniente en este sentido, a la hora de determinar qué es realmente un juego cooperativo se genera una cierta confusión. </p>
<p>La mayoría de los autores distinguen, explícita o implícitamente, entre juego cooperativo, donde no existen acciones opuestas entre los participantes, y juego competitivo, en el cual se establecen unas relaciones de oposición entre los jugadores, con independencia de que también existan relaciones de cooperación (nota 2) entre los miembros de un mismo equipo. Desde este punto de vista, distinguiríamos únicamente dos tipos de juegos: competitivos y cooperativos. </p>
<p>Por otra parte, también son varios los autores que, haciendo referencia a los juegos cooperativos, introducen en sus obras ejemplos de juegos competitivos al tiempo que dan una serie de razones para justificar su descripción, normalmente referidas a que el juego, competitivo en cuanto a su estructura, no despierta en los participantes el afán de victoria sino que el dinamismo o la diversión que el juego proporciona supera con creces al interés por el resultado. Un ejemplo lo encontramos a la hora de describir una carrera en la cual hay que reventar, en parejas, varios globos rellenos de sustancias diversas, desde agua hasta chocolate líquido, sin que se pueda utilizar las manos. Lo menos trascendente en esta actividad sería quién gana esa carrera. </p>
<p>Otras veces, se describen acciones de los propios jugadores, durante la práctica de juegos no cooperativos, para evitar los malos sentimientos de alguno de los participantes, como la fórmula de los aborígenes de Papua Nueva Guinea donde, al terminar un juego de persecución similar a la tula llamado siikori, todos los participantes tocan un árbol en cuyo tronco se supone que depositan todo lo negativo que haya podido acontecer durante el transcurso de la actividad (Orlick, 1990). </p>
<p>Todas estas ideas son importantes y nos proporcionan visiones parciales de una misma realidad que deben ser tenidas en cuenta. Así, es posible aunar todas estas miradas y agruparlas en una clasificación de abarque la totalidad de las actividades en función de dos variables: </p>
<p>a. La interrelación en las acciones de los participantes. </p>
<p>b. La compatibilidad o incompatibilidad de metas. </p>
<p>En este sentido, encontramos actividades donde no existen interrelaciones entre las acciones de los participantes y otras donde sí. En el primer caso hablaríamos de actividades individuales y en el segundo caso de actividades colectivas. </p>
<p>Las actividades individuales suponen acciones orientadas a la realización de una meta u objetivo por parte de una única persona las cuales no interfieren las de los demás, con independencia de que varias personas realicen la misma actividad en un mismo espacio y al mismo tiempo. Así, una profesora de Educación Física puede hacer a su alumnado la propuesta de ver quién es capaz de cruzar el gimnasio sin pisar fuera de unos aros dispuestos en el suelo. El alumnado no necesita cooperar entre sí para superar el reto propuesto, pero tampoco tienen lugar acciones de oposición dentro el grupo. El hecho de que una persona logre el objetivo del juego no implica el que otras lo hagan, pero tampoco el que no lo hagan. </p>
<p>Las actividades colectivas implican, como ya hemos dicho, una interrelación en las acciones de los participantes y, entre ellas distinguiríamos: </p>
<p>a.)<i> <b><u>ACTIVIDADES COMPETITIVAS</u></b></i>. Son aquellas actividades donde existen relaciones de oposición entre las acciones de los participantes y además hay incompatibilidad de meta, dicho de otro modo, el hecho de que una persona alcance el objetivo de la actividad implica, necesariamente, que, al menos, otra no pueda hacerlo. Expresado en un lenguaje más coloquial, actividades competitivas serían aquéllas en las que existe uno o varios ganadores <b>y</b> uno o varios perdedores. Se incluyen también en este apartado actividades que pueden finalizar en empate siempre que el objetivo de las mismas no sea precisamente el empatar.  </p>
<p>El tipo de oposición que se establece entre las acciones de los participantes puede ser activa o pasiva.  </p>
<p>Hablamos de oposición activa o directa cuando las acciones de una persona o de un grupo repercuten en las acciones de la persona o grupo opuesto, un partido de tenis, una lucha o cualquier deporte colectivo son buenos ejemplos de actividades competitivas de oposición directa. </p>
<p>Oposición pasiva o indirecta es aquélla que se produce cuando las acciones de una persona o grupo no afectan a las acciones de la persona o grupos opuestos, pero sí existe una incompatibilidad de meta. Imaginemos una carrera de 100 metros lisos, no hay interferencia entre las acciones de los corredores pero el hecho de que alguien gane la carrera implica que el resto no pueda hacerlo. Hay un ganador y, necesariamente, uno o varios perdedores. </p>
<p>Las actividades competitivas de oposición indirecta pueden ser de desarrollo simultáneo, como el ejemplo expuesto anteriormente, o consecutivo, por ejemplo una partida de bolos o un ejercicio de gimnasia rítmica. </p>
<p>Dentro de las actividades competitivas pueden establecerse relaciones de colaboración entre las personas de un mismo grupo para tratar de superar a otro. La mayoría de los autores hablan de relaciones de cooperación / oposición, pero, desde mi punto de vista, el término cooperación sólo puede aplicarse a aquellas situaciones que implican superar un reto externo al total de los y las participantes en una determinada actividad y no a la superación de otra persona o grupo de personas. De ahí que prefiera hablar de relaciones de colaboración / oposición para hacer referencia a aquellas actividades donde varias personas colaboran entre sí, oponiéndose a otras, con el fin de alcanzar una meta incompatible para todas. Los deportes colectivos de oposición, fútbol, baloncesto, balonmano, voleibol, etc. son un buen ejemplo de este tipo de actividades. </p>
<p>b.)<i> <b><u>ACTIVIDADES NO COMPETITIVAS</u></b></i>. Son aquellas actividades donde hay interrelación entre las acciones de los participantes pero no incompatibilidad de meta, es decir, el hecho de que una persona alcance el objetivo de la actividad no supone que otras no puedan hacerlo, es más, va a suponer que el resto lo logre también. En otras palabras, las actividades no competitivas sería aquéllas en las que existen ganadores <b>o</b> perdedores (todos ganan <b>o</b> todos pierden) o bien en las que no existen <b>ni</b> ganadores <b>ni</b> perdedores (nadie gana y nadie pierde).  </p>
<p>Centrándonos en las actividades no competitivas y atendiendo al tipo de interrelaciones que se establecen entre las acciones de los y las participantes, distinguimos dos grupos: </p>
<p>b.1.)<i> <b><u>Actividades no competitivas con oposición</u></b></i>. Son actividades no competitivas en las que, como su propio nombre indica, existe una oposición entre las acciones de los participantes. Esta oposición puede ser activa o pasiva. Es activa cuando los participantes persiguen distintos objetivos y las acciones de los unos se oponen a las de los otros; un claro ejemplo lo tenemos en los juegos de persecución como la tula. La oposición es pasiva cuando los participantes presentan acciones diferentes pero éstas no se interfieren; por ejemplo, los juegos tradicionales de comba. </p>
<p>b.1.1.) <i><u>Actividades con oposición y cambio de rol</u></i>. Son actividades no competitivas en las que existe una oposición entre las acciones de los participantes y un cambio de papeles de éstos durante el transcurso de la actividad. Es interesante destacar que en las actividades colectivas de cambio de rol no existen nunca ni ganadores ni perdedores, sino que se produce un cambio de papeles a lo largo del juego; dicho de otro modo, la meta de la actividad no es la misma para todos los participantes sino que depende del rol que desempeñan en cada momento, con lo que, al contrario que en las actividades competitivas, no podemos hablar de una meta única incompatible para todos (nota 3). El cambio de papeles es siempre motivado por circunstancias del propio juego, bien por la intervención de otros participantes con un papel distinto, <i>oposición activa</i>, bien por un fallo sin intervención ajena, <i>oposición pasiva</i>. </p>
<p>Atendiendo a si este cambio de papeles es temporal o definitivo distinguimos dos subgrupos dentro de las actividades de cambio de rol: </p>
<p>· <i>Actividades de cambio reversible.</i> En las que una persona puede pasar, a lo largo de la actividad, varias veces por el mismo papel. En el caso de juegos, éstos suelen finalizar cuando lo deciden, de mutuo acuerdo, los propios jugadores; en el caso de danzas jugadas, cuando finaliza la música. Ejemplos de este tipo de actividades los tenemos en el juego de la tula y en danzas juego como el baile de la escoba. </p>
<p>· <i>Actividades de cambio irreversible</i>. En las que la actividad finaliza cuando todos los participantes adoptan un determinado papel. No se puede, por tanto, pasar de un papel a otro más que una sola vez. Un ejemplo de este tipo de actividades lo tenemos en juegos como la araña. </p>
<p>b.1.2.) <i><u>Actividades con oposición y sin cambio de rol</u></i>. Son actividades no competitivas en las que existe una oposición y en las que los participantes no intercambian sus papeles en función de circunstancias derivadas de la propia actividad. Podemos encontrar varios tipos: </p>
<p>· <i>De penitencia.</i> Actividades jugadas donde la persona que falla o bien la persona que le correspondió en suerte, debe cumplir un castigo para seguir en el juego. El castigo suele consistir en realizar una prueba de valor, por ejemplo: dar un beso a otro jugador, o en desprenderse una prenda. Hay que destacar que el castigo forma parte del juego y los participantes buscan evitarlo pero en ningún caso se convierte en un elemento para excluirlos de la actividad, de hecho es bastante frecuente que el castigo sea negociado entre el que lo sufre y el grupo que lo impone o, en el caso de desprenderse de prendas, éstas son recuperadas por sus respectivos dueños al finalizar la actividad. </p>
<p>· <i>De objetivo no cuantificable. </i>Actividades con oposición donde el objetivo no está claramente definido de forma que no puede ser evaluado por criterios rígidos. Un ejemplo muy claro lo encontramos en una pelea de almohadas. El objetivo parece ser golpear con la almohada al otro jugador o jugadores y evitar ser golpeado por ellos, pero el hecho de golpear a alguien o de ser golpeado por alguien no implica eliminación o puntuación alguna, etc. La diversión está por encima de cualquier otra cosa. </p>
<p>b.2.)<i> <b><u>Actividades cooperativas</u></b></i>. Son actividades colectivas no competitivas en las que no existe oposición entre las acciones de los participantes, sino que todos buscan un objetivo común, con independencia de que desempeñen el mismo papel o papeles complementarios. Dentro de las actividades colectivas cooperativas distinguimos dos tipos: </p>
<p>b.2.1.)<i> <u>Con objetivo cuantificable</u></i>. El objetivo, idéntico para todos los participantes, está perfectamente definido y se puede comprobar si se cumple o no. En este tipo de actividades todos ganan o todos pierden, en función de si el grupo alcanza o no el objetivo propuesto. Dentro de este grupo, diferenciamos estos dos subgrupos: </p>
<p>· <i>Con puntuación</i>. Actividades de tanteo colectivo. El objetivo común es hacer el mayor número de puntos posible, superando una puntuación determinada que, a veces, no está definida al comenzar la actividad, sino que se va definiendo en función de los puntos obtenidos por el grupo, de forma que éste considera que gana cuando supera su propio récord. </p>
<p>· <i>Sin puntuación</i>. Actividades en las que el objetivo que hay que superar no es el de alcanzar una puntuación determinada, sino que normalmente se trata de una prueba que debe superar el grupo. </p>
<p>b.2.2.)<i> <u>Con objetivo no cuantificable</u></i>. Actividades en las que el objetivo no puede ser evaluado por criterios rígidos. No puede determinarse si se ha cumplido o no. No existen, por tanto, ni ganadores ni perdedores. El papel de todos los jugadores puede ser el mismo o diferenciarse varios papeles. En este último caso pueden existir cambios de rol a lo largo de la actividad pero, a diferencia de los que se producían en las actividades de cambio de rol propiamente dichas, en las actividades cooperativas de objetivo no cuantificable estos cambios vienen determinados por los propios participantes y no por circunstancias del juego. Otra diferencia significativa es que en las actividades de este tipo no existe preferencia por parte de los participantes del tipo de papel que van a desarrollar, mientras que en las actividades de cambio de rol propiamente dichas, los participantes prefieren un determinado papel (perseguir a ser perseguido, saltar a hacer girar la comba, etc.) </p>
<p>Dentro de las actividades cooperativas de objetivo no cuantificable pueden distinguirse tantos subgrupos como tipos de objetivo consideremos. Señalaremos, a modo de ejemplo, los siguientes: </p>
<p>· <i>De imitación</i>. Uno o varios participantes imitan a otro u otros. El objetivo suele ser el hacerlo lo más fielmente posible. Ejemplos los encontramos en seguir al rey, el espejo, etc. </p>
<p>· <i>De vértigo</i>. Uno o varios participantes, con ayuda de otro u otros, tratan de sentir una sensación especial mediante el juego. El látigo y el molinillo son dos juegos tradicionales que nos sirven de ejemplo. </p>
<p><i></i> </p>
<p>· <i>De mantener un objeto en movimiento</i>. El objetivo es que un móvil no se detenga. La mayor parte de las actividades cooperativas con puntuación podrían incluirse aquí cuando precisamente falte el tanteo; en este caso, los participantes no se preocupan por hacer el mayor número de puntos, sino que lo único que les interesa es mantener el objeto en movimiento el mayor tiempo posible o hacerlo tan deprisa como puedan. El tenis de mesa rotativo es un ejemplo de este tipo de actividades. </p>
<p>· <i>De reproducción de secuencias rítmicas</i>. Incluimos aquí las danzas colectivas, todos aquellos juegos tradicionales de palmas sin eliminados, los de corro y los juegos cantados. El objetivo es reproducir, tan fielmente como sea posible, una serie de acciones mientras se canta una canción o se escucha una melodía. </p>
<p>El siguiente esquema pretende clarificar todos los conceptos desarrollados anteriormente para facilitar su comprensión por el lector: </p>
<p><a href="http://projetocooperacao.tempsite.ws/wp-content/2009/01/clip-image00114.gif" rel="lightbox[667]"><img style="border-right: 0px; border-top: 0px; border-left: 0px; border-bottom: 0px" height="500" alt="clip_image001" src="http://projetocooperacao.tempsite.ws/wp-content/2009/01/clip-image001-thumb1.gif" width="570" border="0"/></a> </p>
<p>Al contrario que otras clasificaciones (Cascón y Beristain, 1989; Jares, 1989, 1992), que agrupan las actividades en función de los diferentes objetivos que persiguen dentro del proceso de conformación de un grupo (nota 4), donde una misma actividad puede ser incluida en varios apartados, la clasificación que anteriormente he expuesto permite clasificar cualquier actividad en función de su propia estructura interna, de acuerdo a las variables consideradas e integrarla en un único apartado, lo cual supone un gran paso a la hora de comprender la lógica interna de cualquier actividad, individual o colectiva. </p>
<p>Un segundo elemento que conviene destacar de la taxonomía propuesta es la diferenciación entre oposición y competición. La oposición hace referencia a un tipo de interrelación entre las acciones de los y las participantes mientras que la competición implica una incompatibilidad de meta entre los mismos. Todas las actividades competitivas implican relaciones de oposición, pero la existencia de oposición no siempre supone competición. </p>
<p>Atendiendo a su estructura interna, es decir, en función únicamente de la propia actividad, de su reglamentación, queda perfectamente definida una actividad cooperativa como aquélla donde existe compatibilidad de meta para todos los participantes y donde, desarrollando el mismo papel o papeles distintos, no hay oposición entre las acciones de los mismos.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Artigo &#8211; Jogos Cooperativos na Educa&#231;&#227;o F&#237;sica: Criar e Recriar</title>
		<link>http://www.projetocooperacao.com.br/2009/01/15/artigo-jogos-cooperativos-na-educao-fsica-criar-e-recriar/</link>
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		<pubDate>Thu, 15 Jan 2009 13:25:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos e Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Eliana Rosseti Fausto (Lili) &#8211; eliana@projetocooperacao.com.br 
RESUMO
Um Educador F&#237;sico deve ter como objetivo de aula a educa&#231;&#227;o por inteiro. Isso quer dizer: uma educa&#231;&#227;o que contemple os aspectos f&#237;sicos (motor) e tamb&#233;m os aspectos cognitivo, social e emocional. Devemos garantir o todo do indiv&#237;duo nas aulas de Educa&#231;&#227;o F&#237;sica. O jogo cooperativo nos aproxima [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Eliana Rosseti Fausto (Lili) &#8211; <a href="mailto:eliana@projetocooperacao.com.br">eliana@projetocooperacao.com.br</a> </p>
<h3>RESUMO</h3>
<p>Um Educador F&#237;sico deve ter como objetivo de aula a educa&#231;&#227;o por inteiro. Isso quer dizer: uma educa&#231;&#227;o que contemple os aspectos f&#237;sicos (motor) e tamb&#233;m os aspectos cognitivo, social e emocional. Devemos garantir o todo do indiv&#237;duo nas aulas de Educa&#231;&#227;o F&#237;sica. O jogo cooperativo nos aproxima desse objetivo. O jogo cooperativo propicia essa educa&#231;&#227;o por inteiro. Utilizando esses jogos, nota-se quanto o aluno se envolve com a atividade proposta. A liberdade de express&#227;o e a&#231;&#227;o, a confian&#231;a em si mesmo e a alegria vivenciada oferecem oportunidades para a crian&#231;a criar situa&#231;&#245;es diferentes, pensar estrat&#233;gias e garantir que o aluno seja ele mesmo, pois, as rela&#231;&#245;es intersubjetivas ajudam cada indiv&#237;duo a se conhecer melhor, aumentando suas condi&#231;&#245;es de transformar regras de um jogo, aceitar mudan&#231;as e acreditar que h&#225; possibilidade de transformar valores e atitudes de sua vida. O professor tamb&#233;m aprende a import&#226;ncia de transformar conceitos, aceitar mudan&#231;as, questionar os alunos faz&#234;-los pensar e acreditar que assim, a crian&#231;a pode levar essa experi&#234;ncia vivida no jogo, (ser ele mesmo, ter confian&#231;a em si, saber o que quer) para al&#233;m da quadra, incorporando-a para sua vida.</p>
<p><b>1. INTRODU&#199;&#195;O</b></p>
<p>&#201; de se notar que a Educa&#231;&#227;o F&#237;sica escolar est&#225; mudando a cada ano, um novo olhar est&#225; surgindo e modificando conceitos mais antigos. Exemplo disso &#233; o fato de que os professores est&#227;o mais preocupados com o n&#237;vel educacional, com o indiv&#237;duo e n&#227;o tanto com ensinar &#8220;esportes&#8221;. Preocupamo-nos mais com a socializa&#231;&#227;o, integra&#231;&#227;o e participa&#231;&#227;o dos alunos do que com os ensinamentos de esporte ou seu aperfei&#231;oamento, quando o aluno chega ao Ensino M&#233;dio.</p>
<p>Como professora de Educa&#231;&#227;o F&#237;sica h&#225; quase vinte anos, tenho a cren&#231;a no desenvolvimento de uma pessoa aut&#244;noma &#8211; que tem, como caracter&#237;stica, a capacidade de pensar por si mesma, ser cr&#237;tica, ter consci&#234;ncia de sua escala de valores, ser uma agente da transforma&#231;&#227;o social. Assim, &#233; importante que eu, como educadora, trabalhe com todos os aspectos do indiv&#237;duo, para a forma&#231;&#227;o de pessoas realizadas, engajadas, cooperadoras e que saibam se portar neste mundo de intensas mudan&#231;as culturais e sociais.</p>
<p>Quando se tem esses objetivos, logo se percebe a import&#226;ncia dos jogos cooperativos no desenvolvimento do indiv&#237;duo: por meio deles aprende-se a trabalhar ou jogar em grupos, n&#227;o para vencer por vencer , mas para vencer a si mesmo.</p>
<p>A Educa&#231;&#227;o F&#237;sica, um meio para o desenvolvimento dos indiv&#237;duos, &#233; tamb&#233;m uma forma de o aluno adquirir uma melhor qualidade de vida. Um dos objetivos da Educa&#231;&#227;o F&#237;sica &#233; educar o aluno para viver bem a vida; da&#237; a import&#226;ncia de desenvolver a coopera&#231;&#227;o, pois como afirma (Brotto, 2001, p.82) a Educa&#231;&#227;o F&#237;sica mobiliza desafios, refor&#231;a a confian&#231;a em si mesmo e no outro, incentiva a participa&#231;&#227;o, ensina a ganhar e perder e aprimora a pessoa seja em termos pessoais ou coletivos. Tamb&#233;m d&#225; oportunidade a esse aluno de ser cr&#237;tico, ser criativo e faz&#234;-lo pensar.</p>
<p>&#201; de se notar as diferen&#231;as que os alunos estabelecem com os pr&#243;prios colegas de classe. Fica clara a distin&#231;&#227;o (e, constantemente, a discrimina&#231;&#227;o): do mais lento para o mais r&#225;pido, do mais &#225;gil para o mais desastrado, do mais gordo para o mais magro. Enfim, essas diferen&#231;as existem e sempre existir&#227;o, mas &#233; necess&#225;rio que sejam RESPEITADAS. Neste sentido, existem in&#250;meras vantagens nos jogos cooperativos. Eles trazem o sucesso para todos os participantes. As crian&#231;as que jogam sentem prazer, alegria e descontra&#231;&#227;o; o medo de errar passa a ser inexistente e ganhar ou perder n&#227;o &#233; o mais importante.</p>
<p>O jogo cooperativo une os extremos: aquela crian&#231;a que &#233; mais &#225;gil fisicamente, ou que tem uma habilidade motora melhor acaba n&#227;o sendo a &#250;nica a se sobressair; aquele aluno que &#233; o &#250;ltimo a concluir uma tarefa, ou aquele que fracassa, tamb&#233;m ter&#225; nos jogos cooperativos mais sucesso, porque conseguir&#225; realizar as atividades propostas.</p>
<p>&#201; num ambiente assim que a cria&#231;&#227;o ou re-cria&#231;&#227;o de jogos surge, pois a crian&#231;a n&#227;o est&#225; sendo tolhida pelos colegas ou pelo professor que, nesse momento, assume um papel importante porque, caso ele n&#227;o facilite tal abertura para as crian&#231;as, de nada adianta a cria&#231;&#227;o espont&#226;nea dos alunos.</p>
<p>Desenvolver a coopera&#231;&#227;o nas crian&#231;as atrav&#233;s dos jogos cooperativos, al&#233;m de ajud&#225;-las a construir esse conceito t&#227;o importante, far&#225; com que sejam crian&#231;as felizes, corajosas, confiantes, amorosas, criativas e cooperadoras.</p>
<p>O jogo exerce um fasc&#237;nio muito grande nas pessoas, tanto em quem joga como em quem assiste. Em apenas um jogo, somos capazes de sentir tantas emo&#231;&#245;es&#8230; E essas emo&#231;&#245;es se misturam: ansiedade, nervosismo, alegria e tristeza, choro e riso.</p>
<p>Como &#233; do conhecimento de todos, v&#225;rios especialistas s&#227;o a favor do jogo como um instrumento de trabalho valioso no sentido de ajudar no desenvolvimento da crian&#231;a, principalmente no aspecto social. Jean Piaget (in Orlick, 1989, p. 107), tamb&#233;m privilegia a atividade f&#237;sica da crian&#231;a no seu meio ambiente e, assim, ela aprende sobre si mesma e sobre os objetos do mundo. No Brasil, h&#225; tamb&#233;m dois grandes nomes, F&#225;bio Otuzzi Brotto e Jo&#227;o Batista Freire, que tamb&#233;m se expressam da mesma maneira. Para (Brotto, 2001, p.17), <i>&#8220;jogando por inteiro podemos desfrutar da inteireza uns dos outros e descobrir o jogo como um extraordin&#225;rio</i> <i>campo para a RE-Crea&#231;&#227;o pessoal e coletiva&#8221;.</i> J&#225; (Freire, 1989, p. 134), exp&#245;e que o jogo reflete sobre o corpo como refer&#234;ncia para a crian&#231;a se portar no mundo e, por isso, a necessidade de uma Educa&#231;&#227;o F&#237;sica que proporcione ao aluno um pensar mais cr&#237;tico e uma constru&#231;&#227;o de id&#233;ias no momento do jogo ou durante uma atividade que ajude a crian&#231;a a ser mais criativa e participante.</p>
<p>Sobre isso, Freire afirma que, para crian&#231;as da Educa&#231;&#227;o Infantil &#224; 4<sup>&#170;</sup> s&#233;rie do Ensino Fundamental, tudo se reduz ao concreto, ou seja, a vida &#233; &#8220;vista&#8221; pelo corpo. Por isso as produ&#231;&#245;es f&#237;sicas ou intelectuais s&#227;o produ&#231;&#245;es corporais que se d&#227;o nas intera&#231;&#245;es com o mundo.</p>
<p>O jogo &#233; um &#243;timo instrumento de trabalho nas aulas de Educa&#231;&#227;o F&#237;sica. Ele promove a intera&#231;&#227;o dos participantes, faz pensar, tem a capacidade de transformar valores, atitudes e tamb&#233;m aprender a ser e estar no mundo.</p>
<p>Com isso, fica refor&#231;ada a import&#226;ncia que se deve dar para a aprendizagem da coopera&#231;&#227;o nessa faixa et&#225;ria. Tudo que a crian&#231;a aprende &#233; pelo corpo, pelo movimento. Suas sensa&#231;&#245;es, atitudes e emo&#231;&#245;es s&#227;o corporais, ent&#227;o a coopera&#231;&#227;o, sendo aprendida nessa faixa et&#225;ria, far&#225; parte do comportamento cotidiano desse indiv&#237;duo. Neste momento, tamb&#233;m &#233; dado o mesmo valor para a cria&#231;&#227;o e re-cria&#231;&#227;o de jogos. </p>
<p>Pode-se afirmar que, com os jogos cooperativos a crian&#231;a desenvolve todo este potencial: de ser ela mesma, de aprender a cooperar, de ser cr&#237;tica, criativa. Quando adulta, poder&#225; utilizar destes elementos para &#8220;ser&#8221; um indiv&#237;duo mais atuante em nossa sociedade.</p>
<p>Dentro dos jogos cooperativos, ou mesmo jogos criados e re-criados pelos alunos, s&#227;o trabalhados todas e quaisquer habilidades motoras, (saltar, pular, arremessar, pegar, chutar, lan&#231;ar), com uma vantagem: a crian&#231;a, ao jogar, n&#227;o estar&#225; preocupada com a forma de executar o movimento, o aprendizado faz-se mais facilmente, pois n&#227;o h&#225; press&#227;o em acertar ou errar.</p>
<p>2. Inten&#231;&#227;o da Experi&#234;ncia: objetivos</p>
<p>Como educadores, devemos ter a certeza de que estamos plantando v&#225;rias sementes dentro de cada um, porque seus frutos ser&#227;o colhidos num futuro pr&#243;ximo, por eles mesmos e por pessoas que conviver&#227;o com eles familiares, amigos, colegas. Professores e educadores que passaram por suas vidas, dificilmente v&#227;o compartilhar o resultado deste processo de mudan&#231;a e crescimento. Faz sentido a compara&#231;&#227;o com a hist&#243;ria do bambu chin&#234;s. Depois de plantada a semente deste incr&#237;vel arbusto, n&#227;o se v&#234; nada por aproximadamente 5 anos. Durante esse tempo, o crescimento &#233; subterr&#226;neo, invis&#237;vel a olho nu, mas uma maci&#231;a e fibrosa estrutura de raiz, que se estende vertical e horizontalmente pela terra, est&#225; sendo constru&#237;da. A planta, ao mostrar-se afinal, &#233; forte&#8230;</p>
<p>Mesmo acreditando que estes objetivos ser&#227;o atingidos ao longo da vida, &#233; de se notar a mudan&#231;a que ocorre em muitos alunos no dia-a-dia das aulas, porque a experi&#234;ncia pr&#225;tica que a Educa&#231;&#227;o F&#237;sica proporciona, faz com que os alunos comecem a se exercitar. </p>
<p>&#201; importante que a crian&#231;a desenvolva, ao longo do processo, os seguintes aspectos:</p>
<p>q Saber ouvir.</p>
<p>q Saber falar &#8211; comunicar-se e ser entendido.</p>
<p>q Respeitar o outro e sua opini&#227;o.</p>
<p>q Respeitar a si mesmo.</p>
<p>q Atuar em seu grupo (equipe) de uma forma &#233;tica, sugerindo, cooperando, ajudando.</p>
<p>q Realizar tarefas, mesmo sem vontade, por pensar na equipe.</p>
<p>q Perceber e mostrar que as diferen&#231;as devem ser respeitadas.</p>
<p>3. JOGOS COOPERATIVOS NAS AULAS DE EDUCA&#199;&#192;O F&#205;SICA COM ALUNOS DO ENSINO FUNDAMENTAL &#8211; DESENVOLVIMENTO DA EXPERI&#202;NCIA</p>
<p>Este projeto foi desenvolvido com alunos entre 10 a 11 anos. Nessa faixa et&#225;ria, iniciamos a aprendizagem de fundamentos para a inicia&#231;&#227;o esportiva.</p>
<p>Embasada nos jogos cooperativos, iniciei um trabalho com os alunos: sempre que necess&#225;rio, quando surgia uma d&#250;vida do pr&#243;prio grupo, n&#243;s par&#225;vamos o jogo para conversar sobre o que estava acontecendo. Nesse momento, a maioria dos alunos se coloca &#8211; como estava se sentindo e como poderia atuar numa determinada situa&#231;&#227;o. Com disso, percebemos o quanto cada um poderia contribuir com o desenvolvimento do jogo e com o desenvolvimento pessoal de cada participante. Foi observado o quanto todo esse movimento de alunos e professor enriquecia o grupo de alunos.</p>
<p>Num determinado dia, um aluno sugeriu uma mudan&#231;a na estrat&#233;gia de jogo. Foi un&#226;nime a vontade de jogar de uma forma diferente. &#201; importante lembrar que isso ocorre quando damos a oportunidade para a crian&#231;a pensar e agir livremente, quando ensinamos de tal maneira que todos est&#227;o envolvidos com o processo de &#8220;ensinagem&#8221; <sup>1 </sup>(Brotto, 2001, p. 84). H&#225; de se ressaltar o desempenho do professor neste momento. &#201; muito importante! Cabe ao professor somente ajudar a organizar a situa&#231;&#227;o para que n&#227;o haja conflitos; e deixar que o grupo pense e elabore as novas regras e as vivenciem no jogo. Ressaltamos que &#233; neste momento que os alunos est&#227;o se desenvolvendo de uma forma mais criativa e cr&#237;tica.</p>
<p>Cria-se uma esp&#233;cie de aula assemelhada a uma boa discuss&#227;o, pois todos querem falar ao mesmo tempo, os alunos gritam e ficam mais agitados. &#201; hora do professor entrar em a&#231;&#227;o: sendo um focalizador, ele &#233; respons&#225;vel em organizar a &#8220;bagun&#231;a&#8221; ou pensamentos desordenados dos alunos. Pensamentos desordenados pelo fato de que todos querem falar e, nesse momento, as crian&#231;as ainda n&#227;o percebem que &#233; necess&#225;rio ouvir e respeitar o outro. </p>
<p>Ent&#227;o, no andamento do jogo, quando algum aluno sentir a necessidade de dar uma sugest&#227;o ou colocar algo que n&#227;o gostou, &#233; feito um c&#237;rculo na pr&#243;pria </p>
<p>quadra para que o grupo possa chegar a uma conclus&#227;o. O aluno coloca sua sugest&#227;o; se todos concordam, &#243;timo, se h&#225; controv&#233;rsias, os pr&#243;prios alunos sugerem vota&#231;&#227;o. O c&#237;rculo s&#243; &#233; desfeito quando as d&#250;vidas ou sugest&#245;es daquele momento foram sanadas ou consideradas, isso quer dizer que: caso haja uma nova situa&#231;&#227;o de sugest&#245;es ou algu&#233;m querendo se colocar, &#233; feito novamente um c&#237;rculo. N&#227;o &#233; um momento f&#225;cil porque o jogo &#233; interrompido muitas vezes, mas &#233; importante que aconte&#231;a isso, porque o aluno ser&#225; ouvido por todos, muitas vezes sua sugest&#227;o ser&#225; aceita pelo grupo, ou n&#227;o, outras vezes este mesmo aluno vai opinar contra ou a favor de outras id&#233;ias. Tudo isso com a supervis&#227;o do professor, porque ele estar&#225; apoiando o aluno e ajudando-o a se colocar caso haja necessidade e tamb&#233;m garantir&#225; a rela&#231;&#227;o entre os alunos, n&#227;o deixando que os mesmos se tratem com desrespeito.</p>
<p><b>4. PROCESSO DE EVOLU&#199;&#195;O E RESULTADOS OBTIDOS. </b></p>
<p>Com o passar do tempo, as aulas foram ficando cada vez mais interessantes e ricas de id&#233;ias. Alguns jogos eram os preferidos dos alunos, e eles come&#231;aram a criar e re-criar em cima das regras j&#225; existentes, introduzindo os fundamentos b&#225;sicos dos jogos &#8211; v&#244;lei, basquete, futsal e handebol &#8211; que naquele ano eles iriam conhecer.</p>
<p>&#8220;Um Time Zoneado&#8221; e &#8220;Pique &#8211; Bandeira&#8221; (ver t&#243;pico 6), foram os mais jogados e escolhidos pelos alunos. No jogo &#8220;Um Time Zoneado&#8221; (que &#233; jogado com as m&#227;os), criou-se uma forma de jogar com os p&#233;s (chute), podendo-se tamb&#233;m jogar de m&#227;os dadas, como se fosse um pebolim humano.</p>
<p>J&#225; no &#8220;Pique &#8211; Bandeira&#8221; os alunos criaram v&#225;rias estrat&#233;gias e novas formas de jogar. Um exemplo: Em vez da bandeira, colocava-se em jogo uma bola de v&#244;lei para jogar Pique &#8211; Voleibol, quando se jogava Pique &#8211; Basquete, a bola era de basquete.</p>
<p>Com rela&#231;&#227;o &#224; pontua&#231;&#227;o, o grupo de alunos soube explorar esse valor de v&#225;rias maneiras. Esta &#233; uma &#243;tima refer&#234;ncia para o professor perceber qual o valor que os alunos est&#227;o dando ao jogo. Quer dizer, quando se joga pelo puro prazer de jogar, a pontua&#231;&#227;o n&#227;o tem um valor expressivo. &#192;s vezes, alguns alunos at&#233; sugeriam a hip&#243;tese de n&#227;o ser necess&#225;ria a contagem de pontos. Por outro lado, sabemos da import&#226;ncia desses pontos, at&#233; porque vivemos em uma sociedade e tamb&#233;m &#233; nosso dever ensinar nossos alunos a terem consci&#234;ncia de duas possibilidades: Ganhar e Perder. Com isso eles puderam jogar de v&#225;rias formas:</p>
<p>q Todos ganham,</p>
<p>q Pontua&#231;&#227;o invertida,</p>
<p>q Jogadores trocam de time quando fazem ponto ou escolhem uma pessoa para a troca,</p>
<p>q Pontua&#231;&#227;o conquistada fica no pr&#243;prio grupo.</p>
<p>Como resultado desse trabalho, podemos observar quantos componentes de coopera&#231;&#227;o os alunos puderam desenvolver ao longo do projeto. Al&#233;m disso, outros aspectos foram observados: respeito a si mesmo e ao outro, a auto-estima mais elevada e, conseq&#252;entemente, uma autoconfian&#231;a conquistada. </p>
<p>Houve tamb&#233;m um entendimento de cada um com rela&#231;&#227;o a todo o grupo, pois os alunos respeitavam a fala do outro, ouviam com aten&#231;&#227;o a explica&#231;&#227;o de um aluno. Nesse momento, tiveram posturas desej&#225;veis, como:</p>
<p>q Saber ouvir</p>
<p>q Esperar sua vez para falar</p>
<p>q Saber falar</p>
<p>q Respeitar o outro</p>
<p>Mesmo aqueles alunos que apresentavam algum tipo de dificuldade motora, ao participar dos jogos cooperativos de uma forma mais criativa e atuante, superaram as dificuldades devido ao seu envolvimento com os jogos e por estarmos, sempre que poss&#237;vel, trabalhando atitudes que devemos ter na vida.</p>
<p>S&#243; para dar &#234;nfase a este assunto, (Brotto, 2001, p. 35) resume e explica bem o processo: Atrav&#233;s dos Jogos e dos Esportes temos a oportunidade de<i> </i>ensinar, aprender<i> </i>e aperfei&#231;oar n&#227;o<i> </i>s&#243; habilidades e coordena&#231;&#227;o motora, mas tamb&#233;m um auto-conhecimento tanto de nossa compet&#234;ncia emocional, como: criatividade, confian&#231;a m&#250;tua, auto-estima, respeito e aceita&#231;&#227;o uns pelos outros, esp&#237;rito de grupo e daqueles sobre as quais precisamos nos fortalecer, tais como: compartilhar sucessos e fracassos a aprender a jogar uns com os outros, ao inv&#233;s de uns contra os outros.</p>
<h4>5. DESCRI&#199;&#195;O DOS JOGOS COMPARTILHADOS NAS EXPERI&#202;NCIAS</h4>
<h5>Um Time Zoneado</h5>
<p>A quadra &#233; dividida em 6 partes iguais (linha central, linha dos tr&#234;s metros do v&#244;lei e a linha de dentro do garraf&#227;o &#8211; basquete) que formam as zonas em A &#8211; B &#8211; A &#8211; B.</p>
<p>Os alunos s&#227;o distribu&#237;dos em cada zona, podendo haver um, dois, tr&#234;s ou mais alunos em cada espa&#231;o. Tudo depende do espa&#231;o da quadra e tamb&#233;m do n&#250;mero de alunos. &#201; importante ressaltar que os alunos somente poder&#227;o jogar dentro da zona que est&#227;o ocupando neste momento, n&#227;o podendo invadir o espa&#231;o do outro. </p>
<p>Os alunos da zona A fazem gol na zona B e os alunos que ocupam a zona B fazem gol na zona A. Os alunos que ocupam a zona A somente poder&#227;o passar a bola para os alunos da zona A e vice-versa com o B.</p>
<p><a href="http://projetocooperacao.tempsite.ws/wp-content/2009/01/clip-image002.gif" rel="lightbox[563]"><img style="border-right: 0px; border-top: 0px; border-left: 0px; border-bottom: 0px" height="135" alt="clip_image002" src="http://projetocooperacao.tempsite.ws/wp-content/2009/01/clip-image002-thumb.gif" width="272" border="0" /></a> Quando acontece o gol, quem estava no gol B vai em dire&#231;&#227;o ao gol A e quem estava no gol do A, vai para a zona B. Quem estava na zona B, vai para a A e assim sucessivamente at&#233; todos pularem uma casa. Feito o gol, o jogo inicia-se com a bola na zona A ou B. </p>
<p>RE-CRIA&#199;&#213;ES:</p>
<p>Jogar com os p&#233;s.</p>
<p>Jogar com os p&#233;s, e de m&#227;os dadas.</p>
<p>Nota: Este jogo foi tirado do livro &#8211; Jogos cooperativos &#8211; O Jogo e o Esporte como um Exerc&#237;cio de Conviv&#234;ncia &#8211; F&#225;bio Otuzi Brotto.</p>
<h6>Pique &#8211; Bandeira</h6>
<p>A classe &#233; dividida em dois grupos A e B. Um grupo de cada lado.</p>
<p>O objetivo do jogo &#233; que a equipe A ou B traga a bandeira que est&#225; localizada no gol do campo advers&#225;rio para seu pr&#243;prio campo.</p>
<p>Ao sinal, os dois grupos A e B iniciam a jogada simultaneamente, o grupo A deve entrar no campo do grupo B para pegar sua bandeira sem que seja pego. Caso isso ocorra, ele s&#243; poder&#225; sair de seu lugar quando for salvo por algu&#233;m do seu time. Caso contr&#225;rio esse aluno dever&#225; ficar no local at&#233; o fim da rodada. Se o aluno do grupo A ou B conseguir pegar a bandeira e voltar com a mesma nas m&#227;os sem ser pego por uma pessoa do outro time, &#233; ponto para seu grupo. Caso ele seja pego, ficar&#225; parado no lugar at&#233; que algu&#233;m venha salv&#225;-lo e a bandeira voltar&#225; para seu lugar de origem, dentro do gol. Quando isso ocorrer, n&#227;o &#233; necess&#225;rio iniciar uma nova partida. Quando o aluno conseguir trazer a bandeira para seu grupo, a equipe ganha um ponto e inicia-se o jogo novamente.</p>
<p>Re-cria&#231;&#245;es:</p>
<p>Tamb&#233;m se joga Pique-bol, ao inv&#233;s da bandeira coloca-se uma bola qualquer em jogo. Para finalizar a jogada, &#233; necess&#225;rio que os alunos chutem a bola para um colega do seu pr&#243;prio campo peg&#225;-la no ar. </p>
<p>O Pique-voleibol &#233; jogado com a bola de v&#244;lei e para marcar o ponto &#233; necess&#225;rio que o aluno de um saque (por baixo) e um colega de seu grupo pegue a bola no ar. Quando o grupo j&#225; est&#225; adiantado nos fundamentos do v&#244;lei, pode-se pedir que o colega receba a bola com manchete.</p>
<p>O Pique-basquete &#233; jogado com bola de basquete. Um grupo de alunos se dirige para o garraf&#227;o do outro lado da quadra que faz parte do seu grupo, realiza a defesa e manda a bola para seu campo para que os colegas marquem a cesta (esta bola s&#243; poder&#225; se enviada atrav&#233;s de passe ou correndo quicando a bola no ch&#227;o). Os alunos que permaneceram no seu campo dever&#227;o receber a bola do grupo que foi em dire&#231;&#227;o ao garraf&#227;o e tentar fazer a cesta ao redor do garraf&#227;o do seu pr&#243;prio campo. Enquanto esse grupo tentar&#225; marcar cesta, no garraf&#227;o de sua equipe, tamb&#233;m haver&#225; alunos do outro campo fazendo a defesa, pois o jogo acontece simultaneamente dos dois lados.</p>
<p>Dar um tempo para os alunos fazerem suas estrat&#233;gias de ataque e defesa. Esse &#233; um momento importante do jogo, pois &#233; a hora em que eles conversam e combinam suas regras da pr&#243;pria equipe. </p>
<p>A pontua&#231;&#227;o pode variar, h&#225; regras em que uma equipe s&#243; consegue vencer quando todos do grupo conseguir fazer o ponto. Outra regra &#233;: quando uma equipe faz ponto, acontece a invers&#227;o; a defesa de grupo A vai para o ataque do grupo B, o ataque do grupo B vai para a defesa do A. Ou ent&#227;o, ganha o jogo a equipe em que num determinado tempo, diferentes alunos da mesma equipe marcar ponto.</p>
<h6>Corrida P&#244;</h6>
<p><i><u></u></i></p>
<p>Este &#233; um jogo divertido e gostoso de jogar. Ele tem hora para come&#231;ar, mas n&#227;o tem hora para acabar.</p>
<p>Formar dois grupos de alunos. </p>
<p>Os alunos ter&#227;o que se posicionar na ponta direita de cada linha de fundo da quadra, (no v&#233;rtice da &#225;rea do gol), ficando assim, na diagonal um grupo para o outro.</p>
<p>Saber jogar J&#244; quem P&#244; (Pedra, papel e tesoura)</p>
<p>Desenvolvimento</p>
<p>Com um determinado sinal, inicia-se o jogo. Os primeiros alunos de cada coluna come&#231;am a corrida. Ao se encontrarem, come&#231;am a jogar j&#243; quem p&#244;, quem ganhar continua a corrida, quem perder, vai em dire&#231;&#227;o ao outro grupo ficando assim, no fim da fila. No mesmo momento em que o aluno que ganhou continua a corrida, o segundo aluno do outro grupo sai em sua dire&#231;&#227;o. Ao se encontrarem jogam j&#244; quem p&#244;, quem perde, sempre vai se colocar no final da coluna do outro grupo e quem ganha continua o percurso at&#233; conseguir chegar ma marca do p&#234;nalti. Quem conseguir chegar na marca do p&#234;nalti, &#233; porque ganhou todas as disputas de J&#244; quem p&#244;.</p>
<p>O ponto que o aluno conquista, fica no grupo onde ele iniciou a brincadeira, e ele se coloca atr&#225;s da coluna do outro grupo.</p>
<p><a href="http://projetocooperacao.tempsite.ws/wp-content/2009/01/clip-image005.jpg" rel="lightbox[563]"><img style="border-right: 0px; border-top: 0px; border-left: 0px; border-bottom: 0px" height="193" alt="clip_image005" src="http://projetocooperacao.tempsite.ws/wp-content/2009/01/clip-image005-thumb.jpg" width="348" border="0" /></a></p>
<p><a href="http://projetocooperacao.tempsite.ws/wp-content/2009/01/clip-image006.jpg" rel="lightbox[563]"><img style="border-right: 0px; border-top: 0px; border-left: 0px; border-bottom: 0px" height="55" alt="clip_image006" src="http://projetocooperacao.tempsite.ws/wp-content/2009/01/clip-image006-thumb.jpg" width="172" border="0" /></a></p>
<p><b></b></p>
<p><b></b></p>
<p>OBS: Os alunos dever&#227;o correr em cima das linhas.</p>
<h6>Tubar&#227;o e o Cardume de Peixes</h6>
<p>Desenvolvimento:</p>
<p>O Tubar&#227;o (pegador) fica no centro da quadra, s&#243; podendo se locomover em cima da linha, lateralmente, e tamb&#233;m s&#243; pode pegar um peixe se estiver na linha. Os peixes posicionam-se na linha de fundo da quadra.</p>
<p>Ao sinal, o cardume de peixe, tem que atravessar a quadra correndo, e por sua vez, o Tubar&#227;o tem que tentar pegar algum peixe.</p>
<p>Quem for pego pelo Tubar&#227;o, tamb&#233;m se tornar&#225; num Tubar&#227;o, e ajudar&#225; a pegar os outros peixes. </p>
<p><a href="http://projetocooperacao.tempsite.ws/wp-content/2009/01/clip-image008.jpg" rel="lightbox[563]"><img style="border-right: 0px; border-top: 0px; border-left: 0px; border-bottom: 0px" height="94" alt="clip_image008" src="http://projetocooperacao.tempsite.ws/wp-content/2009/01/clip-image008-thumb.jpg" width="153" border="0" /></a><a href="http://projetocooperacao.tempsite.ws/wp-content/2009/01/clip-image010.jpg" rel="lightbox[563]"><img style="border-right: 0px; border-top: 0px; border-left: 0px; border-bottom: 0px" height="139" alt="clip_image010" src="http://projetocooperacao.tempsite.ws/wp-content/2009/01/clip-image010-thumb.jpg" width="294" border="0" /></a></p>
<p>Varia&#231;&#227;o: </p>
<p>Quando tiver um n&#250;mero grande se Tubar&#245;es, fazer uma corrente,(alunos de m&#227;os dadas em cima da linha, e s&#243; os alunos das pontas &#233; que podem pegar). Por outro lado, os peixes que conseguirem passar por baixo das pernas dos Tubar&#245;es, n&#227;o s&#227;o pegos.</p>
<p>Num determinado momento do jogo, falar que se os peixes passarem por baixo das pernas dos tubar&#245;es, eles se transformar&#227;o em peixe novamente. Iniciando assim novamente o jogo.</p>
<h6>Zerinho &#8211; Corda</h6>
<p><b></b></p>
<p>A proposta &#233; pedir para &#224;s crian&#231;as que cada batida da corda corresponde a passagem de uma crian&#231;a pela corda. Ou seja, n&#227;o pode haver &#8220;batidas vazias&#8221;, tem que haver a passagem de uma crian&#231;a ap&#243;s outra; por exemplo, em dez batidas de corda, dez crian&#231;as dever&#227;o ter passado sucessivamente.</p>
<p>A exig&#234;ncia maior do zerinho, fica por conta da organiza&#231;&#227;o do grupo; caso a crian&#231;a demore a voltar para o inicio da fila, &#233; poss&#237;vel acontecer de n&#227;o ter ningu&#233;m para passar pela corda. A organiza&#231;&#227;o &#233; fundamental. </p>
<p>Depois que os alunos estiverem em um ritmo bom, propor ao grupo alguns desafios:</p>
<p>Aumentar o ritmo da corda (bater mais r&#225;pido)</p>
<p>Propor para os alunos passarem pela corda sem esbarrar nela.</p>
<p>Passar de dois em dois, tr&#234;s em tr&#234;s, quatro em quatro.</p>
<p>Verificar o n&#250;mero de alunos e propor para que os mesmos passem pela corda o dobro de vezes. Ex: caso tenha 20 alunos, tentar passar 40 vezes.</p>
<p>Libere sua criatividade e proponha seus pr&#243;prios desafios, mas, fundamental &#233; fazer com que os desafios sejam compat&#237;veis com a faixa et&#225;ria dos alunos. &#201; importante que as crian&#231;as consigam realizar os desafios, principalmente para adquirir mais auto-confian&#231;a e auto-estima.</p>
<h6>Gincana Cooperativa</h6>
<p>A classe &#233; dividida em dois grupos e cada grupo recebe uma lista de tarefas a cumprir. (procurar objetos escondidos pela escola)</p>
<p>Marcar com os alunos um local para que todos possam encontrar-se ap&#243;s os dois grupos terem achado os objetos escondidos.</p>
<p>J&#225; no local marcado, verificar se os alunos encontraram todos os objetos pedidos, caso isso n&#227;o tenha ocorrido, pedir ent&#227;o que todos os alunos ajudem os outros a acharem o objeto. Em seguida, a professora prop&#245;e unir os objetos encontrados dos dois grupos e formar uma &#250;nica coisa.</p>
<h6>Queimar o Rabo do Drag&#227;o</h6>
<p>Formar um grande c&#237;rculo, e nesse c&#237;rculo um aluno est&#225; com uma bola na m&#227;o. De prefer&#234;ncia uma bola leve.</p>
<p>Dentro do c&#237;rculo e no centro, dois alunos estar&#227;o representando o Drag&#227;o e o Rabo. O aluno da frente &#233; o Drag&#227;o e o que est&#225; atr&#225;s segurando na cintura do Drag&#227;o para proteger-se ser&#225; o Rabo.</p>
<p>Inicia-se o jogo com os alunos que est&#227;o no circulo, passando a bola um para o outro, tentando queimar o Rabo do Drag&#227;o, e por sua vez, o Drag&#227;o tem que proteger o seu pr&#243;prio Rabo.</p>
<p>Quando algu&#233;m do c&#237;rculo queimar o Rabo do Drag&#227;o, ir&#225; para o centro e se transformar&#225; em Rabo, o aluno que era Rabo, se tornar&#225; Drag&#227;o e o aluno que era Drag&#227;o retorna ao c&#237;rculo. E assim recome&#231;a o jogo.</p>
<h6>Unidos Venceremos</h6>
<p>Dividir a classe em pequenos grupos, de 3 a 4 pessoas no m&#225;ximo.</p>
<p>Quanto mais l&#250;dica for a brincadeira melhor. Dependendo da faixa et&#225;ria, &#233; interessante contar uma hist&#243;ria antes.</p>
<p>Os alunos em pequenos grupos ser&#227;o unidos por um el&#225;stico (costura) pela cintura.</p>
<p>O grupo que estar&#225; com uma bola, de prefer&#234;ncia grande e leve, ser&#225; o pegador. Para que esse grupo pegue o outro grupo, &#233; necess&#225;rio que a bola encoste em algu&#233;m. Neste momento o pegador &#233; o grupo que foi pego.</p>
<p>Varia&#231;&#227;o: quando um grupo for pego, o aluno que a bola foi encostada, muda de grupo, e a bola fica para o grupo que ficou desfalcado. </p>
<p><i><u>Pega &#8211; Pega / Adivinhe quem &#233;!</u></i></p>
<p>Os alunos est&#227;o dispostos na quadra a vontade e s&#227;o numerados de 1 a quantidade de alunos.</p>
<p>Qualquer pessoa pode iniciar o jogo, mas o professor dever&#225; falar um n&#250;mero. Ex: 4 O aluno que for o n&#250;mero quatro, se identifica e come&#231;a a fugir, pois todos os alunos dever&#227;o queima-lo. Para isso, eles ter&#227;o que fazer passes com a bola e tentar cercar o aluno. Quem est&#225; com a bola n&#227;o pode andar.</p>
<p>Varia&#231;&#227;o: Num determinado momento do jogo, pede-se para os alunos n&#227;o se identificar mais quais s&#227;o seus n&#250;meros, ficando a crit&#233;rio do grupo todo tentar adivinhar qual aluno corresponde a qual n&#250;mero.</p>
<h6>Juntos nos Obst&#225;culos / Circuitodos</h6>
<p>Todos os alunos juntos e &#8220;presos&#8221; com um el&#225;stico de costura.</p>
<p>Na quadra, colocar cones, bambol&#234;s, cordas. Fazer um circuito em que os alunos dever&#227;o passar todos juntos no el&#225;stico.</p>
<p>Varia&#231;&#227;o: tamb&#233;m pode-se marcar um tempo para os alunos realizarem a tarefa.</p>
<h6>Voleibol&#227;o</h6>
<p>Joga-se numa quadra de voleibol, e o n&#250;mero de participantes &#233; ilimitado.</p>
<p>&#201; necess&#225;rio ter uma bola leve e bem grande.</p>
<p>Desenvolvimento:</p>
<p>O jogo come&#231;a com o professor lan&#231;ando a bola para um determinado lado. &#201; preciso que as pessoas n&#227;o deixem a bola cair no ch&#227;o, por isso pode-se tocar na bola mais de tr&#234;s vezes.</p>
<p>Varia&#231;&#227;o:</p>
<p>Quem der o &#250;ltimo toque na bola e a mesma passar para o outro lado da rede, essa pessoa tamb&#233;m vai para o outro lado da rede.</p>
<p>Dependendo de quem estiver jogando, caso consiga dar um saque, ou tocar a bola para o outro lado para iniciar uma partida, tamb&#233;m poder&#225; ir para o outro lado da quadra, ap&#243;s ter iniciado o jogo.</p>
<h6>Queimada da Abelha Rainha</h6>
<p>Este &#233; um jogo de queimada normal, com apenas uma varia&#231;&#227;o, escolher entre as pessoas do grupo quem ser&#225; a Abelha Rainha.</p>
<p>Por sua vez, quem for escolhido n&#227;o poder&#225; deixar ser queimo e as pessoas do seu grupo tamb&#233;m ter&#227;o a fun&#231;&#227;o de protege-lo. O mais importante &#233; que nenhum dos dois grupos pode saber quem foi escolhido, somente o professor.</p>
<p>Se no decorrer do jogo, a Abelha Rainha for queima pelo grupo A, todas as pessoas que estariam no morto voltariam para o vivo novamente e haveria uma troca de Abelha Rainha por parte do outro grupo e iniciaria o jogo novamente.</p>
<h6>Cabe&#231;obol</h6>
<p>Os alunos s&#227;o divididos em dois grupos A e B.</p>
<p>Fazer gol com a cabe&#231;a</p>
<p>Desenvolvimento:</p>
<p>Os alunos distribu&#237;dos em sua metade da quadra, at&#233; iniciar o jogo., sendo que para o jogo come&#231;ar, o grupo dever&#225; estar na linha central da quadra com a bola. Ao sinal, os jogadores v&#227;o passando a bola uns para os outros em dire&#231;&#227;o ou seu gol. O jogador que estiver com a bola na m&#227;o, n&#227;o poder&#225; andar, o restante sim. O gol s&#243; ser&#225; v&#225;lido se for jogado com a cabe&#231;a e com a ajuda de um colega do mesmo grupo que lan&#231;ar&#225; a bola para o colega que ir&#225; cabece&#225;-la.</p>
<p>Quem marcar o gol troca de grupo e de posi&#231;&#227;o, o jogador passar&#225; ser goleiro e o goleiro passar&#225; ser jogador em grupos opostos. </p>
<p>Varia&#231;&#227;o:</p>
<p>Mudando o nome do jogo, tamb&#233;m muda a forma de fazer gol. Tapabol &#8211; &#233; necess&#225;rio fazer gol com um tapa na bola. S&#243; poder&#225; ocorrer isso se a bola for de um material bem leve (pl&#225;stico) e bem grande.</p>
<h6>Ca&#231;ada ao Grupo</h6>
<p>Este jogo &#233; como um ca&#231;a ao tesouro.</p>
<p>&#201; necess&#225;rio tirar fotos do grupo em determinadas situa&#231;&#245;es ou atividades. Em seguida montar um cartaz com as fotos e alguns dizeres. Preparar um cartaz igual e esconder pela escola as fotos e os dizeres. Mostrar para os alunos o cartaz montado e desafia-los com o seguinte: Voc&#234;s ter&#227;o 20&#8217; para montar um outro cartaz igual a este.</p>
<p>Dicas:</p>
<p>&#201; importante que o grupo tenha organiza&#231;&#227;o, porque se n&#227;o ser&#225; dif&#237;cil atingir a meta.</p>
<p>Pensar com os alunos quem vai colar as fotos, quem vai procurar as fotos e quem vai organizar o cartaz.</p>
<p>&#201; uma atividade que envolve o grupo como um todo, todos devem perceber que &#233; fundamental a participa&#231;&#227;o de todos e a organiza&#231;&#227;o tamb&#233;m.</p>
<h6>Bingo Cooperativo</h6>
<p>Pedir para os alunos dobrar uma folha de sulfite em quatro partes. Ao abrir a folha, o aluno encontrar&#225; 16 quadrados. (O n&#250;mero de quadrados depender&#225; do n&#250;mero de alunos da sala, pois &#233; necess&#225;rio que tenha um n&#250;mero menor de quadrados do que de alunos). O professor pede para que os alunos pensem numa qualidade com a inicial do pr&#243;prio nome. Ex: Estela &#8211; Extrovertida. Em seguida pede para que os alunos coloquem seu nome com a qualidade num dos quadrados da folha de sulfite, de prefer&#234;ncia em cima no canto direito. Ao sinal, todos os alunos dever&#227;o preencher os quadrados restantes, com os nomes e as qualidades dos colegas. N&#227;o ser&#225; v&#225;lido repetir o nome de qualquer pessoa. Feito isso, o professor dever&#225; fazer o mesmo e cortar os pap&#233;is para sorteio e colocar num saquinho. Com tudo isso pronto, poder&#225; dar inicio ao bingo.</p>
<h6>Recortar e Colar</h6>
<p>Dividir os alunos em pequenos grupos.</p>
<p>Distribuir para cada grupo v&#225;rias revistas, esporte, moda, variedades, esporte radicais.</p>
<p>A proposta &#233;: os alunos dever&#227;o encontrar fotos que haja coopera&#231;&#227;o, e colar no cartaz. &#201; fundamental que os grupos se organizem antes de iniciar a atividade. Ex: qual aluno vai recortar, colar, organizar o cartaz e tamb&#233;m qual aluno vai explicar para a sala o cartaz e como foi a organiza&#231;&#227;o do grupo.</p>
<h6>Jogo da Rebatida</h6>
<p>Na quadra, fazer c&#237;rculos com giz ou colocar bambol&#234;s e numera-los na parte superior e do lado de fora; um bem afastado do outro. No centro da quadra dever&#225; ter um bast&#227;o e uma bola, de prefer&#234;ncia bem leve.</p>
<p>A classe dever&#225; se organizar de forma que fique dois alunos em cada c&#237;rculo, lembrando tamb&#233;m que dever&#225; ter dois alunos no centro da quadra. Um com o bast&#227;o e o outro com a bola. Lan&#231;ador e rebatedor.</p>
<p>Inicia-se o jogo, com os alunos que est&#227;o no centro com o bast&#227;o e a bola, esses alunos dever&#227;o escolher um n&#250;mero e falar bem alto o n&#250;mero escolhido. No momento em que o mesmo estiver rebatendo a bola. O n&#250;mero chamado, dever&#225; sair correndo com seu parceiro e tentar pegar a bola e procurar um c&#237;rculo vazio para ele e seu companheiro. Caso ele encontre, dever&#225; permanecer dentro dele com a bola na m&#227;o. A dupla que n&#227;o encontrar um c&#237;rculo, se colocar&#225; no centro da quadra para reiniciar o jogo. N&#227;o &#233; permitido que uma dupla de alunos retorne para o mesmo c&#237;rculo que estavam ao iniciarem a rodada. caso isso ocorra, a dupla vai para o centro da quadra. </p>
<p><a href="http://projetocooperacao.tempsite.ws/wp-content/2009/01/clip-image012.jpg" rel="lightbox[563]"><img style="border-right: 0px; border-top: 0px; border-left: 0px; border-bottom: 0px" height="125" alt="clip_image012" src="http://projetocooperacao.tempsite.ws/wp-content/2009/01/clip-image012-thumb.jpg" width="424" border="0" /></a></p>
<p>Varia&#231;&#227;o:</p>
<p>Num determinado momento o professor pede para que os alunos troquem de parceiros antes de entrarem no c&#237;rculo. A &#250;nica dupla que n&#227;o troca, &#233; a dupla que for chamada naquela rodada.</p>
<p>Tamb&#233;m h&#225; possibilidade do aluno que estiver no centro, ao inv&#233;s de chamar pelo n&#250;mero, chamar pelo nome as pessoas de dentro do c&#237;rculo.</p>
<p>Quando houver a troca de parceiros, fazer com que os alunos procurem um parceiro antes de entrar no c&#237;rculo, n&#227;o podendo entrar no circulo sozinhos.</p>
<p>Ao inv&#233;s da rebatida na bola, pode-se chutar, lan&#231;ar, arremessar.</p>
<p><b>6. CONSIDERA&#199;&#213;ES FINAIS</b></p>
<p>S&#227;o muitas as conclus&#245;es que s&#227;o tiradas deste trabalho de criar e re-criar jogos cooperativos. A alegria e o bem estar dessas crian&#231;as ao executarem esses jogos de uma forma l&#250;dica, leve e criativa, trouxe a possibilidade de participa&#231;&#227;o de todos, com sugest&#245;es e cr&#237;ticas construtivas. Como afirma (Brown,1994, p. 20), <i>&#8220;Estruturas de coopera&#231;&#227;o criam as condi&#231;&#245;es para transformar a desigualdade, produzindo situa&#231;&#245;es de igualdade e rela&#231;&#245;es humanas onde cada um sente a liberdade e a confian&#231;a para trabalhar em conjunto em fun&#231;&#227;o de algumas metas comuns&#8221;. </i></p>
<p>Tamb&#233;m &#233; preciso dizer do poder de iniciativa demonstrado pelo grupo ao planejarem uma forma nova e diferente de jogarem um determinado jogo.</p>
<p>Como foi dito anteriormente, mas &#233; importante ressaltar, mesmo alunos que apresentavam algum tipo de dificuldade motora, ao participarem do jogo cooperativo, superaram suas dificuldades, devido ao seu envolvimento frente &#224; situa&#231;&#227;o &#8211; colocavam-se de uma forma positiva diante do grupo e algumas vezes suas sugest&#245;es eram aceitas, tudo isso d&#225; for&#231;a e confian&#231;a para essas crian&#231;as.</p>
<p>Todo o ensino se beneficia com a pr&#225;tica cooperativa. &#201; necess&#225;rio que Escolas e Educadores adotem uma nova postura na &#225;rea educacional. Um indiv&#237;duo mais cooperador ter&#225; mais autonomia e seguran&#231;a para executar tarefas em sua vida e, automaticamente, ser&#225; mais aceito em nossa sociedade. </p>
<p>N&#227;o podemos mais criar pessoas mecanizadas por uma sociedade que muitas vezes copiam padr&#245;es pr&#233;-estabelecidos e modelos destorcidos que est&#227;o presentes em nossa cultura, para atingirem o sucesso a qualquer custo. </p>
<p>A competi&#231;&#227;o existe. Isso &#233; um fato! Mas &#233; importante que mostremos aos nossos alunos que h&#225; outra possibilidade e que esta, a coopera&#231;&#227;o, nos traz v&#225;rios benef&#237;cios pessoais e intelectuais, para que futuramente eles possam competir de uma forma mais honesta consigo mesmo e com o outro. </p>
<p>Por isso a insist&#234;ncia! Um &#243;timo lugar para come&#231;ar a ter um olhar diferenciado, uma atitude cooperativa para com as pessoas e as coisas que nos cercam &#233; a Escola. Educar para a coopera&#231;&#227;o.</p>
<p>&#201; necess&#225;rio que Escolas e Educadores transformem-se e eduquem as crian&#231;as de uma forma em que a coopera&#231;&#227;o fa&#231;a parte do dia-a-dia, levando em conta o indiv&#237;duo como ser &#250;nico, respons&#225;vel pelo seu pr&#243;prio ritmo.</p>
<p>Desenvolvendo a coopera&#231;&#227;o em nossos alunos e fazendo com que criem situa&#231;&#245;es novas dentro de um jogo, estaremos dando a oportunidade para que eles se coloquem e mostrando que todos s&#227;o importantes, que h&#225; coisas boas a compartilhar; com isso, a crian&#231;a se sentir&#225; confiante. N&#227;o podemos s&#243; enaltecer aquele aluno que tem mais habilidades e compet&#234;ncias, devemos, como educadores, identificar naquele aluno que &#233; menos favorecido, real&#231;ar quanto suas habilidades e compet&#234;ncias s&#227;o t&#227;o boas quanto as dos outros colegas, dar condi&#231;&#245;es para que essa crian&#231;a acredite ser capaz por ela mesma e, n&#227;o pelo que os outros falam dela.</p>
<p>Orlick (1989, p. 104) um autor importante quando o assunto &#233; o jogo cooperativo, afirma que: <i>&#8220;Se fizermos com que cada crian&#231;a se sinta aceita e dermos a cada uma um papel significativo a desempenhar no ambiente de atividade, estaremos bem adiantados em nosso caminho para a solu&#231;&#227;o da maioria dos s&#233;rios problemas psico-sociais que atualmente permeiam os jogos e os esportes. Essa &#233; uma das raz&#245;es porque &#233; t&#227;o importante criar jogos e ambientes de aprendizado onde ningu&#233;m se sinta um perdedor&#8221;. </i></p>
<p>Uma melhor rela&#231;&#227;o professor x aluno tamb&#233;m foi um resultado positivo. No decorrer do processo, ela se tornou mais efetiva, houve afeto e respeito. </p>
<p>E, para finalizar, &#233; necess&#225;rio colocar o papel da Escola na forma&#231;&#227;o da crian&#231;a cidad&#227;. A forma&#231;&#227;o desse novo sujeito implica uma escala de valores &#233;ticos, de inclus&#227;o, de solidariedade, de justi&#231;a, de aceita&#231;&#227;o do diferente e de transforma&#231;&#227;o social e pessoal. Tal discuss&#227;o precisa ter lugar no contexto da Escola, em todos os seus n&#237;veis de ensino. </p>
<p><b>BIBLIOGRAFIA</b></p>
<p>BROTTO, F&#225;bio Otuzi. <b>Jogos Cooperativos: O Jogo e o Esporte como um Exerc&#237;cio de Conviv&#234;ncia</b>. Santos &#8211; SP: Projeto Coopera&#231;&#227;o, 2001.</p>
<p>BROWN, GUILHRMO. <b>Jogos Cooperativos: Teoria e Pr&#225;tica</b>. S&#227;o Leopoldo: Sinodal, 1994.</p>
<p>FREIRE, Jo&#227;o Batista. <b>Educa&#231;&#227;o de Corpo Inteiro</b>. S&#227;o Paulo: Scipione, 1989.</p>
<p>ORLICK, Terry. <b>Vencendo a Competi&#231;&#227;o</b>. S&#227;o Paulo: C&#237;rculo do Livro, 1989.</p>
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		<title>O Manifesto da Coopera&#231;&#227;o</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Jan 2009 22:38:27 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Fonte: Participantes do 2o. Festival de Jogos Cooperativos Taubaté/2001.
Somos um grupo que acredita na essência humana. Deixamos, pois, aqui nosso manifesto para aqueles que não tiveram a oportunidade de participar do 2o Festival de Jogos Cooperativos. Nós, que confiamos num mundo melhor, onde todos podem Ven-Ser, onde a justiça, a solidariedade, o amor, a liberdade [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fonte: Participantes do 2<sup>o</sup>. Festival de Jogos Cooperativos Taubaté/2001.</p>
<p>Somos um grupo que acredita na essência humana. Deixamos, pois, aqui nosso manifesto para aqueles que não tiveram a oportunidade de participar do 2o Festival de Jogos Cooperativos. Nós, que confiamos num mundo melhor, onde todos podem Ven-Ser, onde a justiça, a solidariedade, o amor, a liberdade e o respeito são possíveis, sentimos e divulgamos que esta já é uma realidade entre nós.</p>
<p>Optamos pela cooperação por ser um caminho pleno de possibilidades: união de consciências, cuidado com o outro, cidadania responsável. Da união da visão destas possibilidades com a ação, surge a transformação e, como um processo dialético, novas visões vão transcendendo essa transformação. </p>
<p>A semente já foi plantada e reafirmamos aqui o nosso compromisso de cuidá-la, buscando praticar valores como a união, respeito à ecologia interna e externa, desenvolver a intuição e a flexibilidade. Cabe a nós regar a semente para que o futuro floresça harmonioso e equilibrado.</p>
<p>Sabemos que este é um caminho com muitos desafios e riscos, que necessitará coragem e desprendimento, mas somos guiados pelo sonho e pela esperança. Almas são como velas, se a(s)cendem umas nas outras. Por isso confiamos que esta luz irá se propagar pelo mundo.</p>
<p>Através da inclusão celebramos a diversidade como um mosaico da raça humana. Queremos dizer a todos que em nossos corações habita a possibilidade de transformação e que, cada um, comprometido com essa as-ins-trans-piração, fará a diferença e transformará a humanidade em um lugar mais digno de se viver. </p>
<p>Porque tudo é uma questão de colocação da vírgula:</p>
<p>“Eu, não nós.</p>
<p>Eu não, nós.</p>
<p>Porque nós é feito D&#8217;eus”.<a href="#_ftn1_9338" name="_ftnref1_9338">[1]</a></p>
<p>Com esse espírito de cooperação, assinamos esse manifesto.</p>
<hr align="left" width="33%" size="1"/>
<p><a href="#_ftnref1_9338" name="_ftn1_9338">[1]</a> Geraldo Eustáquio, poeta mineiro.</p>
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		<title>Isso de Ganhar</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Jan 2009 22:36:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Artur da Távola [1]
Será mesmo necessário ganhar? De onde vem a necessidade do ser humano de ganhar ? O futebol do futuro vai ser sem o gol como única aferição da vitória e sem juiz. O momento do gol será festejado pelos dois times e cumprimentados os autores. Nem será necessária a bola transpor a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3>Artur da Távola <a href="#_ftn1_8896" name="_ftnref1_8896"><font color="#0000ff">[1]</font></a></h3>
<p>Será mesmo necessário ganhar? De onde vem a necessidade do ser humano de ganhar ? O futebol do futuro vai ser sem o gol como única aferição da vitória e sem juiz. O momento do gol será festejado pelos dois times e cumprimentados os autores. Nem será necessária a bola transpor a linha. Uma bela jogada de conclusão infeliz será considerada meio gol pelo time adversário que aceitará a qualidade de sua urdidura e mandará anotar o meio ponto. Haverá uma qualificação para a beleza das jogadas a valer pontos e dela participarão os dois times, mais empenhados em descobrir a beleza do que em evitá-la. O resultado final será a mescla do número de gols, como o de escanteios, o de jogadas consideradas belas e atitudes dignas de registro. Os dois times se reunirão para o proclamar e ambos comemorarão o fato de terem feito o espetáculo, aproveitando para verificar em que pontos melhoraram.</p>
<p>No futebol do futuro o adversário não servirá para ser superado ou superar, e, sim, para ajudar a conferir em que aspectos cada time superou-se (a si próprio e não ao adversário). O adversário nem assim se chamará. Será “o solidário”. As notícias dirão:</p>
<p>“A seleção brasileira solidarizou-se ontem com a da Alemanha na verificação dos pontos em que ambas progrediram. A do Brasil venceu a si mesma por três pontos e a da Alemanha empatou com o desempenho anterior. Ao final todos juntos comemorarão a alegria de compartir o esporte e de ajudar um ao outro na tarefa de auto-superação”.</p>
<p>Será o texto acima o de uma utopia ou o homem do futuro, liberto do mito do herói e da necessidade de poder o engendrará?</p>
<p>No dia em que o homem se tornar inteligente, e efetivamente livre, o esporte vai ser uma aferição exclusiva da auto-superação com a ajuda do outro, na condição de solidário e não de adversário. Deverá empenhar-se o máximo e o melhor que saiba. Como solidário e não como adversário, os desempenhos desportivos melhorarão enormemente. “O que faz a mão tremer na hora de retesar o arco é a obrigação de acertar”, já o diz, há milênios, a sabedoria do Taoísmo chinês.</p>
<p>Existe, mesmo, a necessidade de ganhar? Ou é dessas atitudes diante das quais só nos resta dizer: “O homem gosta de ganhar, precisa ganhar”.</p>
<p>Não analisar esse mecanismo compulsório é aceitá-lo e construir uma ordem social, econômica e política baseada na vontade secreta de vitória que anima o ser humano. Supondo-se ganhador o homem se sentirá seguro e deferirá ao sistema no qual viva os méritos de o haver conduzido à vitória.</p>
<p>Ganhar dos demais é eco do tempo em que, para sobreviver, o animal tinha que disputar a comida com os da própria tribo. A humanidade levou milênios nessa atitude. A disputa entre os sistemas políticos, entre os homens nas rinhas e entre os desportistas, é uma rememoração inconsciente da longa etapa (milênios), na qual o preço da própria vida era a capacidade de disputar a presa com o semelhante. O sentido de disputa como essencial à manutenção da vida permaneceu no inconsciente humano até hoje. A cada vitória o homem tem a sensação de preservação da própria vida bem como a cada derrota infiltrar-se – sorrateira – a idéia da morte disfarçada pelos signos da depressão, tristeza e falta de ânimo. Os fracos devem morrer, reza a lei da natureza bruta, que o homem supõe ter superado, sem, efetivamente, o ter logrado. Animo é (etimologicamente) alma e, sem ela, a vida é morte.Ganhar o que, de quem e para quê? Qual o sentido de ganhar? O que se ganha, ganhando? Uma alegria superpassageira e fugaz, algo culpada até, porque há sempre alguma crueldade embrulhada na mais legítima vitória.</p>
<p>Vencer, ganhar, levar a melhor é parte importante do universo infantil, povoado de fantasias onipotentes. Na fantasia onipotente a criança se defende das limitações de tamanho, idade e força, fabulando situações nas quais é superpoderosa, vencedora. Por isso se identifica tão fortemente com os mitos representativos da força máxima, absoluta, onipotente. São um mecanismo simbólico pelo qual a fantasia se manifesta.</p>
<p>Depois de crescidas, mudam as formas e a maneira de as conceber ou encarar, mas qualquer adulto fixado nos mitos infantis ou incapaz de os perceber lavrando interiormente, transforma a própria vida numa ânsia doida de vitória, êxito, ou se não, pelo menos de derrota, queda ou destruição dos que lhe são contrários, inimigos, diferentes, antipáticos ou adversos.</p>
<p>Pessoas e países. Estes, aprisionados dentro do mito do herói (e não são poucos) entram na mesma paranóia e se transformam em enormes máquinas de capital e de estado destinadas a manter o poder, a força e a hegemonia de qualquer grupo, classe, burocracia ou casta dominante.</p>
<p>Crianças, adultos que vivem em disputa e necessitados de só vencer (em vez de “venSer”) e países cuja meta não é o progresso do homem mas a riqueza para o poder. Crianças, adultos e países aí estão a nos mostrar como é poderosa no bicho homem a necessidade de ganhar, viver em disputa e levar a melhor.</p>
<p>Sem saber que a necessidade de vencer é a talvez principal fonte de sofrimentos do ser humano e das sociedades, o homem permanece aprisionado ao mito do herói, incapaz de aproveitar a energia despendida nessa luta estúpida, para outros tipos de vitória, as que não têm por meta a destruição de outras partes, e, sim, evoluir através da construção do mundo, da criatividade, da organização de sociedades justas, igualitárias e fraternas que não necessitem do impulso da competição para obterem a força de trabalho e a disposição necessária ao avanço e à evolução.</p>
<p>Vencer é importante e significativo de aspectos positivos e ativos do homem. Mas vitória só existe onde aparece a criação com a conquista de novos passos e não onde jazem cadáveres dos antagonistas ou a cisão de partes do real, representada pela posição dos discordantes.</p>
<p>Vencer é importante quando se luta por uma ordem positiva e não quando se luta contra o que nos parece negativo. Vencer é uma atitude positiva diante da vida e não a derrota do positivo que havia nos antagonistas.</p>
<p>Mas se o homem precisa ganhar, aprecia ganhar, não vive sem ganhar, poderíamos, então, trocar o adversário. Não se trata de ganhar do outro. Mas de ganhar de si mesmo através do outro. Os competidores, juntos, debruçar-se-iam sobre as virtudes próprias e adversárias (solidárias) na busca dos pontos nos quais houvesse superação de desempenhos anteriores.</p>
<p>Vivemos, porém, numa realidade que assim não dispõe. As pessoas se comportam em função de ditames impostos pelas ideologias e os nomeiam de “realismo”. A nuvem pragmática que invadiu a humanidade no século XX determinada pela utopia do progresso material, científico e tecnológico levou os processos educativos (os escolares e os dos costumes) a colocar na eficácia, no resultado e na forma, toda a finalidade dos atos humanos.</p>
<p>Tal determinação da utopia materializante das ideologias da sociedade industrial (capitalismo e comunismo) gerou regras, leis não escritas e comportamentos, identificando o realismo não como uma visão ampla do real, mas apenas com as atitudes necessárias ao seu lado “eficaz”, “útil”, “funcional”. A hipertrofia do funcional determinou o recuo outros conteúdos do real, como o “moral”, o “poético”, o de “justiça”, “virtude”, “beleza”, “igualdade”, “sensibilidade” etc. que passaram a ser conotados como “fora da realidade” quando eram e são partes integrantes dela. Daí a grave crise civilizatória em que estamos, intoxicados de “vitorismo” e de uma ética inventada para glorificar vitórias a qualquer preço, esquecendo que perder também faz parte da vida. E, muitas vezes, o que parecer ser perder pode ser “perdar”. </p>
<hr align="left" width="33%" size="1"/>
<p><a href="#_ftnref1_8896" name="_ftn1_8896">[1]</a> Comunicação é Mito: televisão em leitura crítica, Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985, p. 275-279</p>
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		<title>T&#234;nis e Frescobol</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Jan 2009 22:36:08 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Rubem Alves
Depois de muito meditar sobre o assunto conclu&#237; que os casamentos [relacionamentos] s&#227;o de dois tipos: h&#225; os casamentos do tipo t&#234;nis e h&#225; os casamentos do tipo frescobol. Os casamentos do tipo t&#234;nis s&#227;o uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. 
Os casamentos do tipo frescobol s&#227;o uma fonte de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Rubem Alves</p>
<p>Depois de muito meditar sobre o assunto conclu&#237; que os casamentos [relacionamentos] s&#227;o de dois tipos: h&#225; os casamentos do tipo t&#234;nis e h&#225; os casamentos do tipo frescobol. Os casamentos do tipo t&#234;nis s&#227;o uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. </p>
<p>Os casamentos do tipo frescobol s&#227;o uma fonte de alegria e t&#234;m a chance de ter vida longa. Explico-me. Para come&#231;ar, uma afirma&#231;&#227;o de Nietzche, com a qual concordo inteiramente. Dizia ele:</p>
<p>&quot;Ao pensar sobre a possibilidade do casamento, cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: &#8216;Voc&#234; cr&#234; que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa at&#233; sua velhice?&#8221;</p>
<p>Tudo o mais no casamento &#233; transit&#243;rio, mas as rela&#231;&#245;es que desafiam o tempo s&#227;o aquelas constru&#237;das sobre a arte de conversar.&quot;</p>
<p>Scheherazade sabia disso. Sabia que os casamentos baseados nos prazeres da cama s&#227;o sempre decapitados pela manha, e terminam em separa&#231;&#227;o, pois os prazeres do sexo se esgotam rapidamente, terminam na morte, como no filme &#8220;O Imp&#233;rio dos Sentidos&#8221;. Por isso, quando o sexo j&#225; estava morto na cama, e o amor n&#227;o mais se podia dizer atrav&#233;s dele, ela o ressuscitava pela magia da palavra: come&#231;ava uma longa conversa sem fim, que deveria durar mil e uma noites. O sult&#227;o se calava e escutava as suas palavras como se fosse m&#250;sica. </p>
<p>A m&#250;sica dos sons ou da palavra &#8211; &#233; a sexualidade sob a forma da eternidade: &#233; o amor que ressuscita sempre, depois de morrer.</p>
<p>H&#225; os carinhos que se fazem com o corpo e h&#225; os carinhos que se fazem com as palavras. E contrariamente ao que pensam os amantes inexperientes, fazer carinho com as palavras n&#227;o &#233; ficar repetindo o tempo todo: &quot;Eu te amo&#8230;&quot;. Barthes advertia: &quot;Passada a primeira confiss&#227;o, &#8216;eu te amo&#8217; n&#227;o quer dizer mais nada.&quot;</p>
<p>&#201; na conversa que o nosso verdadeiro corpo se mostra, n&#227;o em sua nudez anat&#244;mica, mas em sua nudez po&#233;tica. Recordo a sabedoria de Ad&#233;lia Prado: &quot;Er&#243;tica &#233; a alma&quot;.</p>
<p>O t&#234;nis &#233; um jogo feroz. O seu objetivo &#233; derrotar o advers&#225;rio. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se t&#234;nis para fazer o outro errar. O bom jogador &#233; aquele que tem a exata no&#231;&#227;o do ponto fraco do seu advers&#225;rio, e &#233; justamente para a&#237; que ele vai dirigir sua cortada palavra muito sugestiva &#8211; que indica o seu objetivo s&#225;dico, que &#233; o de cortar, interromper, derrotar. O prazer do t&#234;nis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo n&#227;o pode mais continuar porque o advers&#225;rio foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.</p>
<p>O frescobol se parece muito com o t&#234;nis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. S&#243; que, para o jogo ser bom, &#233; preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que n&#227;o foi de prop&#243;sito e faz o maior esfor&#231;o do mundo para devolve-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa peg&#225;-la. N&#227;o existe advers&#225;rio porque n&#227;o h&#225; ningu&#233;m a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ningu&#233;m ganha. E ningu&#233;m fica feliz quando o outro erra &#8211;   <br />pois o que se deseja &#233; que ningu&#233;m erre. O erro de um, no frescobol, &#233; como ejacula&#231;&#227;o precoce: um acidente lament&#225;vel que n&#227;o deveria ter acontecido, pois o gostoso mesmo &#233; aquele ir e vir, ir e vir, ir e vir&#8230; E o que errou pede desculpas, e o que provocou o erro se sente culpado. Mas n&#227;o tem import&#226;ncia: come&#231;a-se de novo este delicioso jogo em que ningu&#233;m marca pontos&#8230;</p>
<p>A bola: s&#227;o nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras. Conversar &#233; ficar batendo sonho pr&#225; l&#225;, sonho pr&#225; c&#225;&#8230;</p>
<p>Mas h&#225; casais que jogam com os sonhos como se jogassem t&#234;nis. Ficam &#224; espera do momento certo para a cortada. T&#234;nis &#233; assim: recebe-se o sonho do outro para destru&#237;-lo, arrebenta-lo, como bolha de sab&#227;o&#8230;</p>
<p>O que se busca &#233; ter raz&#227;o e o que se ganha &#233; o distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde.</p>
<p>J&#225; no frescobol &#233; diferente: o sonho do outro &#233; um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se &#233; sonho, &#233; coisa delicada, do cora&#231;&#227;o. </p>
<p>O bom ouvinte &#233; aquele que, ao falar, abre espa&#231;os para que as bolhas de sab&#227;o do outro voem livres.</p>
<p>Bola vai, bola vem &#8211; cresce o amor&#8230; Ningu&#233;m ganha, para que os dois ganhem. E se deseja ent&#227;o que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim&#8230;</p>
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		<title>InterSer</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Jan 2009 22:34:51 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Thich Nhat Hanh[1]

&#8220;Se voc&#234; for poeta ou poetisa, voc&#234; ver&#225; claramente que existe uma nuvem flutuando nesta folha de papel. Sem a nuvem, n&#227;o haveria chuva; sem a chuva, as &#225;rvores n&#227;o poderiam crescer; e sem as &#225;rvores n&#243;s n&#227;o poder&#237;amos fazer papel. A nuvem &#233; essencial para o papel existir. 
Se a nuvem n&#227;o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Thich Nhat Hanh<a href="#_ftn1_3836" name="_ftnref1_3836">[1]</a></p>
<p><b></b></p>
<p>&#8220;Se voc&#234; for poeta ou poetisa, voc&#234; ver&#225; claramente que existe uma nuvem flutuando nesta folha de papel. Sem a nuvem, n&#227;o haveria chuva; sem a chuva, as &#225;rvores n&#227;o poderiam crescer; e sem as &#225;rvores n&#243;s n&#227;o poder&#237;amos fazer papel. A nuvem &#233; essencial para o papel existir. </p>
<p>Se a nuvem n&#227;o estivesse aqui, a folha de papel tamb&#233;m n&#227;o poderia estar. Assim, n&#243;s podemos dizer que a nuvem e o papel <b><i>Inter-S&#227;o.</i></b></p>
<p><b><i>InterSer</i></b> &#233; uma palavra que ainda n&#227;o est&#225; no dicion&#225;rio mas quando n&#243;s combinamos o prefixo &#8220;Inter&#8221; com o verbo &#8220;Ser&#8221;, n&#243;s temos um novo verbo, <b><i>InterSer.</i></b></p>
<p>Se olharmos mais profundamente para esta folha de papel, n&#243;s poderemos ver a luz do sol nela. Se o sol n&#227;o estivesse presente, a floresta n&#227;o poderia crescer. Na realidade nada poderia crescer. Mesmo n&#243;s n&#227;o poder&#237;amos crescer sem a luz do sol. E assim, n&#243;s sabemos que a luz do sol tamb&#233;m est&#225; presente nesta folha de papel. O papel e a luz do sol <b><i>InterS&#227;o.</i></b> E se continuamos a olhar, n&#243;s poderemos ver o lenhador que cortou a &#225;rvore e a trouxe &#224; f&#225;brica para ser transformada em papel. E n&#243;s poderemos ver o trigo. N&#243;s sabemos que o lenhador n&#227;o poderia existir sem o p&#227;o di&#225;rio, e assim o trigo que se transformou em seu p&#227;o di&#225;rio tamb&#233;m est&#225; nesta folha de papel. E o pai e a m&#227;e do lenhador tamb&#233;m est&#227;o aqui. Quando n&#243;s olhamos desta forma, n&#243;s podemos ver que sem todas estas coisas, esta folha de papel n&#227;o poderia existir.</p>
<p>Olhando ainda mais profundamente, poderemos ver que n&#243;s estamos nela tamb&#233;m. Isto n&#227;o &#233; dif&#237;cil de se perceber, porque quando n&#243;s olhamos para uma folha de papel, a folha de papel &#233; parte de nossa percep&#231;&#227;o. Sua mente est&#225; presente nela e a minha tamb&#233;m. Assim n&#243;s podemos dizer que tudo est&#225; aqui nesta folha de papel. N&#243;s n&#227;o podemos apontar uma &#250;nica coisa que n&#227;o esteja aqui &#8211; tempo, espa&#231;o, a terra, a chuva, os minerais do solo, a luz do sol, a nuvem, o rio e o calor; Tudo co-existe com esta folha de papel. &#201; por isto que eu penso que a palavra <b><i>InterSer</i></b> deveria estar no dicion&#225;rio. </p>
<p><b><i>Ser &#233; InterSer. </i></b></p>
<p>Voc&#234; n&#227;o pode estar sozinho. Voc&#234; tem de <b><i>InterSer</i></b> com absolutamente cada coisa. Esta folha de papel existe porque tudo o mais existe.</p>
<p>Suponha que n&#243;s tent&#225;ssemos devolver um dos elementos para sua fonte. Suponha que n&#243;s retorn&#225;ssemos a luz do sol para o sol. Voc&#234; acha que esta folha de papel seria poss&#237;vel? </p>
<p>N&#227;o, sem a luz do sol nada poderia existir. E se n&#243;s retorn&#225;ssemos o lenhador para sua m&#227;e, n&#243;s n&#227;o ver&#237;amos o papel da mesma forma. O fato &#233; que esta folha de papel &#233; feita somente de &#8220;elementos n&#227;o-papel&#8221;. E se n&#243;s retorn&#225;ssemos esses elementos n&#227;o-papel para suas fontes, n&#227;o seria poss&#237;vel papel algum. Sem elementos n&#227;o-papel, como mente, lenhador, luz do sol e tudo mais, n&#227;o haveria papel. T&#227;o fina como esta folha de papel possa ser, ela cont&#233;m todo o Universo nela&#8221;.</p>
<hr align="left" width="33%" size="1" />
<p><a href="#_ftnref1_3836" name="_ftn1_3836">[1]</a> Paz a cada passo. Ed. Rocco, 1993.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Trabalho Colaborativo</title>
		<link>http://www.projetocooperacao.com.br/2009/01/14/trabalho-colaborativo/</link>
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		<pubDate>Wed, 14 Jan 2009 22:24:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Fredric M. Litto 
Fonte: Aprendiz do Futuro (site)
Duas ou tr&#234;s vezes por semana, tento achar tempo para andar durante uma hora, preferencialmente bem cedo na parte da manh&#227;, no lindo Parque Ibirapuera, na zona sul de S&#227;o Paulo. &#201; sempre uma oportunidade para fazer o &#243;bvio ben&#233;fico exerc&#237;cio f&#237;sico, e tamb&#233;m para recarregar minhas &#34;pilhas&#34; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fredric M. Litto </p>
<p>Fonte: Aprendiz do Futuro (site)</p>
<p>Duas ou tr&#234;s vezes por semana, tento achar tempo para andar durante uma hora, preferencialmente bem cedo na parte da manh&#227;, no lindo Parque Ibirapuera, na zona sul de S&#227;o Paulo. &#201; sempre uma oportunidade para fazer o &#243;bvio ben&#233;fico exerc&#237;cio f&#237;sico, e tamb&#233;m para recarregar minhas &quot;pilhas&quot; emocionais e espirituais, vendo as bonitas &#225;rvores e arbustos, os cisnes e gansos perto do lago, e pondo a minha imagina&#231;&#227;o para trabalhar. </p>
<p>Para ajudar o exerc&#237;cio da imagina&#231;&#227;o, e para manter um passo firme e regular, levo um walkman com fitas ou CDs de marchas militares tocadas por bandas de gaitas escocesas. Agora, &#233; perfeitamente leg&#237;timo perguntar por que um &quot;bom menino judeu de Nova Iorque&quot; encontra alimenta&#231;&#227;o emocional e espiritual nesse tipo de m&#250;sica e o significado disso para outras pessoas. </p>
<p>Acho essas m&#250;sicas muito inspiradoras e quando as escuto, entro num mundo de fantasia que me eleva ao n&#237;vel da mais agrad&#225;vel sensa&#231;&#227;o poss&#237;vel, esquecendo as coisas mundanas do dia-a-dia, tirando-me do meu isolamento como um indiv&#237;duo e colocando-me dentro de um grupo maior, feito de indiv&#237;duos como eu, mas que est&#225; agindo como um &quot;corpo&quot; &#250;nico. </p>
<p>Na minha fantasia, vejo-me como um soldado escoc&#234;s, marchando com os meus conterr&#226;neos, acompanhado daquela m&#250;sica t&#227;o inspiradora, para defender o nosso pa&#237;s, nosso povo, contra um agressor externo. &#201; uma fantasia meio complicada para mim, porque fundamentalmente sou um pacifista, e n&#227;o tolero a id&#233;ia de matar outros seres humanos, a n&#227;o ser em absoluta auto-defesa. Mas o prazer que vem de me juntar virtualmente a um grupo com o qual compartilho valores e metas, submeter minha individualidade, minhas idiossincrasias e desejos &#224; execu&#231;&#227;o de uma a&#231;&#227;o feita em conjunto, &#233; indescrit&#237;vel. A adrenalina corre solta e eu n&#227;o sinto cansa&#231;o. </p>
<p>Para marchar acompanhando outros, &#233; necess&#225;rio n&#227;o apenas manter o passo correto (em rela&#231;&#227;o &#224; m&#250;sica), mas manter a dist&#226;ncia precisa do sujeito que est&#225; na frente, e dos sujeitos que est&#227;o nos dois lados, isto feito sem virar a cabe&#231;a, que tem que ficar quase im&#243;vel, embora o resto do corpo esteja em pleno movimento. &#201; necess&#225;rio puxar a barriga para dentro, manter os ombros para baixo e para tr&#225;s, balan&#231;ar os bra&#231;os nem mais e nem menos do que ficou estabelecido no treinamento, e manter sempre o alinhamento da fila e da coluna a que se pertence (tudo isso sem virar a cabe&#231;a). A perfeita execu&#231;&#227;o de um grupo de homens ou mulheres marchando em conjunto &#233; uma coisa linda de se ver. Sugere para o espectador que esse grupo de seres humanos individuais sabe agir de forma coordenada, harmoniosa, eficiente&#8230; como um rel&#243;gio, com todas as suas pe&#231;as contribuindo para o sucesso da fun&#231;&#227;o do rel&#243;gio: marcar o tempo. Ou como os instrumentistas de uma orquestra sinf&#244;nica: se cada um entra com o seu som quando bem quiser, &#233; um caos total. &#201; f&#225;cil saber, ao ouvir o r&#225;dio, se a orquestra que est&#225; tocando &#233; de segunda categoria ou &#233; um dos celebrados conjuntos musicais de reputa&#231;&#227;o internacional: as entradas de som de uma dezena de instrumentos de corda ou de madeira s&#227;o como um s&#243; instrumento. Como &#233; que conseguem essa perfei&#231;&#227;o quando h&#225; tantas possibilidades, devido &#224;s vari&#225;veis impl&#237;citas na situa&#231;&#227;o, de caos puro? </p>
<p>Id&#234;ntica &#233; a situa&#231;&#227;o dos remadores num esportivo barco a remo com oito indiv&#237;duos: se todos os remos n&#227;o entrarem na &#225;gua e sa&#237;rem dela exatamente ao mesmo tempo, o barco come&#231;ar&#225; a mudar de rumo e a perder sua velocidade m&#225;xima. O remador, al&#233;m de fazer o pesado remo entrar e sair precisamente em conjun&#231;&#227;o com os seus colegas, tem que coordenar os r&#225;pidos movimentos para frente e para tr&#225;s do carrinho no qual est&#225; sentado (com os p&#233;s amarrados e fixos no ch&#227;o) de forma a n&#227;o bater nas costas do remador a sua frente; os corpos dos dois ocupam o mesmo espa&#231;o f&#237;sico em momentos alternados por uma fra&#231;&#227;o de segundo. Oh! E tem tamb&#233;m que seguir as instru&#231;&#245;es gritadas do timoneiro, exatamente como o instrumentista de orquestra tem que tirar os olhos de partitura para seguir as instru&#231;&#245;es visuais do regente, dadas atrav&#233;s de sua batuta e das emo&#231;&#245;es que expressa no rosto. </p>
<p>N&#227;o resta d&#250;vida de que s&#227;o o talento natural e as horas intermin&#225;veis de pr&#225;tica que fazem a diferen&#231;a entre remadores e instrumentistas excelentes e os amadores, mas tem um outro componente tamb&#233;m: a aceita&#231;&#227;o do &quot;jogo&quot; do trabalho colaborativo, isto &#233;, da submiss&#227;o da identidade individual em favor daquela de um grupo. Examinando minha pr&#243;pria vida, vejo que sempre procurei atividades em que era poss&#237;vel fazer parte de um grupo, em que grande parte da gratifica&#231;&#227;o de participa&#231;&#227;o vinha do prazer de ser integrante de algo envolvendo v&#225;rias pessoas, cada uma contribuindo, a seu modo, para atingir uma meta dif&#237;cil, de valor intr&#237;nseco e do grupo. Quando adolescente fiz parte do corpo de bal&#233; do Museu de Brooklyn, em Nova Iorque; na escola secund&#225;ria, toquei violoncelo na orquestra, e quando aluno na Universidade da Calif&#243;rnia, Los Angeles, tocava instrumentos de percuss&#227;o na orquestra e remava na equipe de remo da institui&#231;&#227;o; no Brasil, tive a honra e o prazer de fazer parte da bateria da escola de samba Camisa Verde e Branco durante sete carnavais, tocando o meu chocalho-de-tr&#234;s-andares no meio dos outros instrumentistas que n&#227;o queriam saber de onde eu vinha, qual o meu Q.I. (nos dois sentidos!) ou minha profiss&#227;o, e me aceitaram como apenas mais um que queria colaborar no ato prazeroso de fazer m&#250;sica em conjunto e talvez trazer honraria &#224; nossa escola. </p>
<p>&#201; uma pena n&#227;o poder dizer que no meu trabalho profissional no Brasil encontrei condi&#231;&#245;es de me integrar a um grupo onde tive o prazer de trabalhar colaborativamente. Em 28 anos como professor titular (isto &#233;, com direito de participar de muitos colegiados onde decis&#245;es significativas s&#227;o tomadas) da maior universidade brasileira, ainda n&#227;o encontrei um ambiente prop&#237;cio para o trabalho harmonioso e gratificante que sempre resulta quando uma equipe bem articulada funciona, seguindo princ&#237;pios de respeito m&#250;tuo e de colabora&#231;&#227;o profissional. Em doze anos como consultor do CNPq, CAPES e MEC tive a oportunidade de verificar que este fen&#244;meno de n&#227;o-colabora&#231;&#227;o &#233; end&#234;mico no pa&#237;s, em todos os setores acad&#234;micos, e quando, por acidente, ocorre o contr&#225;rio, &#233; por pouco tempo, de t&#227;o inst&#225;vel que &#233; o esp&#237;rito colaborativo entre n&#243;s. </p>
<p>Esse fen&#244;meno faz parte das profundas ra&#237;zes culturais brasileiras, n&#227;o tenho d&#250;vida; &#233; s&#243; observar que apenas as camadas menos favorecidas economicamente mant&#234;m a pr&#225;tica de mutir&#245;es (para a constru&#231;&#227;o de suas resid&#234;ncias e a limpeza de suas ruas, feitas por absoluta necessidade de sobreviv&#234;ncia), a soberba organiza&#231;&#227;o das grandes escolas de samba, e a bela integra&#231;&#227;o dos times de futebol. J&#225; as camadas superiores demonstram (propositalmente? Cf. Thorsten Veblen, Teoria das Classes de Laser) ignor&#226;ncia sobre a sensatez do trabalho cooperativo, preferindo seguir a &quot;Lei do Gerson&quot; e o seu conceito de oportunismo. </p>
<p>Por que o trabalho em colabora&#231;&#227;o &#233; t&#227;o importante hoje e no futuro? Por causa do aumento da complexidade em todos os assuntos humanos. Nunca houve tantas: pessoas na face da terra, op&#231;&#245;es onde morar, indiv&#237;duos com quem casar, carreiras &#224; seguir, lugares para estudar, religi&#245;es a praticar e comidas diferentes a comprar e comer. At&#233; para passar duas horas de divertimento temos que escolher entre uma dezena de formatos diferentes, para falar apenas daqueles que dependem de tecnologia. Os melhores exemplos da rela&#231;&#227;o entre complexidade e necessidade de colabora&#231;&#227;o s&#227;o os fatos de que desde meados do s&#233;culo XX, as guerras s&#227;o vencidas n&#227;o por um general ou comandante, mas por uma equipe de generais, e os ganhadores do Pr&#234;mio Nobel n&#227;o s&#227;o mais cientistas individuais trabalhando em condi&#231;&#245;es de isolamento e pen&#250;ria, mas sim equipes de pesquisa, bem equipadas, &#224;s vezes espalhadas em v&#225;rios continentes, e sempre somando esfor&#231;os diferenciados para alcan&#231;ar com &#234;xito o alvo de sua investiga&#231;&#227;o.</p>
<p>A complexidade no mundo s&#243; tende a aumentar; n&#227;o diminuir&#225; de forma alguma. E as culturas que na sua educa&#231;&#227;o b&#225;sica, formal e informal, n&#227;o inculcarem bons h&#225;bitos de trabalho colaborativo nos seus jovens, certamente sofrer&#227;o as conseq&#252;&#234;ncias terr&#237;veis de n&#227;o-compatibilidade com aquelas culturas na qual a colabora&#231;&#227;o permita maior competitividade e o orgulho de fazer parte de um time que est&#225; ganhando exatamente porque funciona como time. Duvido que seja poss&#237;vel para uma cultura ter &#234;xito quando muitos dos seus membros aprendem e acreditam em conceitos como &quot;Nunca ensinar o &#250;ltimo pulo do gato&quot;, &quot;Vamos esconder o leite&quot;, ou &quot;O &#243;timo &#233; inimigo do bom&quot;. </p>
<p>Est&#225; claro para todos que se preocupam com o futuro que uma boa parte da for&#231;a de trabalho, daqui em diante, ser&#225; organizada por grupos ad hoc de especialistas em assuntos ou campos de conhecimento diferentes, convocados por per&#237;odos longos ou curtos para solucionar determinados problemas. Dificilmente esses grupos ser&#227;o sempre compostos pelas mesmas pessoas, havendo um fluxo grande e constante de pessoas entrando e saindo de grupos, provocando a forma&#231;&#227;o de grupos novos e a extin&#231;&#227;o de outros. Quem n&#227;o tiver um comportamento profissional apropriado simplesmente acabar&#225; sendo exclu&#237;do dos grupos de maior reputa&#231;&#227;o, independentemente da sua compet&#234;ncia t&#233;cnica pessoal. </p>
<p>Em que consiste a prepara&#231;&#227;o adequada para participar com &#234;xito de um time que est&#225; fazendo um trabalho de natureza colaborativa? Em primeiro lugar, uma sincera e madura capacidade de aceitar cr&#237;tica sobre a contribui&#231;&#227;o feita. </p>
<p>Na cultura brasileira, essa capacidade &#233; dificilmente encontrada na popula&#231;&#227;o em geral, provavelmente por interferir com a exig&#234;ncia de cordialidade que faz parte importante do tecido dessa cultura. Quem critica o trabalho de outro n&#227;o est&#225; sendo cordial com ele ou ela. Mesmo quando a cr&#237;tica &#233; feita de forma construtiva, n&#227;o &#233; bem recebida e normalmente provoca desentendimentos pessoais. Para poder colaborar verdadeiramente, &#233; necess&#225;rio ter um bom senso de auto-cr&#237;tica e de honestidade, admitindo os erros cometidos, aceitando sem rancor a demonstra&#231;&#227;o cabal de que o trabalho revela vi&#233;s, ou uma enuncia&#231;&#227;o est&#250;pida, ou a apresenta&#231;&#227;o insuficiente de evid&#234;ncia para as conclus&#245;es. Humildade, transpar&#234;ncia, autenticidade e honestidade total s&#227;o os componentes comportamentais individuais fundamentais para gerar a confian&#231;a necess&#225;ria para um trabalho de grupo bem sucedido. Quem n&#227;o compartilha a informa&#231;&#227;o, quem n&#227;o &#233; c&#226;ndido, quem n&#227;o cumpre promessas feitas (entregar um trabalho em data combinada, realizar um trabalho ou levantamento realmente exaustivo), perde a confian&#231;a do grupo, e merece ser exclu&#237;do dele.    <br />Em segundo lugar, a lideran&#231;a de qualquer grupo que quer ter &#234;xito na sua miss&#227;o exige que qualquer tipo de intimida&#231;&#227;o ou coers&#227;o seja eliminada dos procedimentos. Um verdadeiro l&#237;der n&#227;o precisa impor suas id&#233;ias ao grupo. Ele est&#225; l&#225; para coordenar as id&#233;ias criativas dos outros, apenas de vez em quando lan&#231;ando m&#227;o de uma contribui&#231;&#227;o sua. Em terceiro lugar, a busca permanente pela excel&#234;ncia no trabalho do grupo &#233; essencial&#8211;apenas isso garante a renova&#231;&#227;o e atualiza&#231;&#227;o constante do grupo. </p>
<p>Acredito ser poss&#237;vel agora enumerar as atitudes e comportamentos negativos e positivos que t&#234;m um efeito direto no trabalho hoje:</p>
<p><b>Atitudes negativas</b>:</p>
<p>&#183; Ter uma &quot;agenda oculta&quot; pessoal.</p>
<p>&#183; Ser ambicioso pessoalmente.</p>
<p>&#183; Ter falta de confian&#231;a no grupo ou em certos membros do grupo e Silenciar sobre isso.</p>
<p>&#183; Ser motivado apenas pela remunera&#231;&#227;o que resultar&#225; do trabalho, e n&#227;o pelo prazer e orgulho que vem da realiza&#231;&#227;o de um trabalho bem feito e que tem valor intr&#237;nseco al&#233;m do pecuni&#225;rio.</p>
<p>&#183; Ser contra a ado&#231;&#227;o de crit&#233;rios, modelos ou sistemas provindos de outras regi&#245;es ou pa&#237;ses simplesmente por considera&#231;&#245;es nacionalistas.</p>
<p>&#183; N&#227;o querer passar para os colegas do grupo os seus conhecimentos sobre qualquer fen&#244;meno, seus pontos fortes e fracos.</p>
<p>&#183; N&#227;o aceitar cr&#237;ticas construtivas ao seu trabalho. </p>
<p><b>Atitudes positivas:</b></p>
<p>&#183; Ter uma forte capacidade associativa.</p>
<p>&#183; Estar disposto a aprender coisas novas e ter experi&#234;ncias novas.</p>
<p>&#183; Apreciar a heterogeneidade do grupo e respeitar a diversidade.</p>
<p>&#183; Estar aberto &#224; diverg&#234;ncia; respeitar honestamente a opini&#227;o e a experi&#234;ncia dos outros.</p>
<p>&#183; Comprometer-se sinceramente e totalmente com os objetivos e metas do grupo.</p>
<p>&#183; Aceitar participar do planejamento de algo em curt&#237;ssimo prazo.</p>
<p>&#183; Dar ao grupo o m&#225;ximo da sua capacidade criativa e cr&#237;tica. </p>
<p><b>Comportamentos negativos:</b></p>
<p>&#183; Realizar uma luta de poder dentro do grupo.</p>
<p>&#183; Exibir comportamento anti-social, como paternalismo, arrog&#226;ncia, autoritarismo, megalomania, gan&#226;ncia, decep&#231;&#227;o e narcisismo (incapacidade de ter empatia com algu&#233;m al&#233;m de si mesmo)    <br />deixar atritos e fric&#231;&#245;es levarem a confronta&#231;&#245;es e tens&#227;o.</p>
<p>&#183; Ter medo de pedir ajuda ou de d&#225;-la; ou ter timidez ao propor uma nova id&#233;ia; ter medo de correr riscos, de inovar.</p>
<p>&#183; Ser pregui&#231;oso, sem iniciativa, fazer apenas aquilo que lhe &#233; solicitado formalmente.</p>
<p>&#183; Ter um comissionamento individual exclusivo, remunerado ou n&#227;o, com empresa ou entidade, sem o conhecimento do grupo.</p>
<p>&#183; Ser pirata das id&#233;ias, planos e problemas do grupo, passando-os para terceiros.</p>
<p>&#183; Ser anti-&#233;tico, como cobrar de algu&#233;m algo que n&#227;o foi combinado, ou que foi explicitamente descartado, ou elogiar falsamente ou de forma insincera, ou procurar achar um &quot;bode expiat&#243;rio&quot;.</p>
<p><b>Comportamentos positivos</b>:</p>
<p>&#183; Manter uma id&#233;ia clara da miss&#227;o e das tarefas do grupo,    <br />escutar os outros (prestar aten&#231;&#227;o, n&#227;o interromper)     <br />exibir humildade, generosidade e honestidade.</p>
<p>&#183; Faltar a reuni&#245;es do grupo, ou atrasar, apenas em circunst&#226;ncias excepcionais</p>
<p>&#183; Ser afirmativo, isto &#233;, de n&#227;o ficar &quot;em cima do muro&quot;, mas sempre tomar uma posi&#231;&#227;o; ser c&#226;ndido; ser agressivo n&#227;o como indiv&#237;duo mas como algu&#233;m promovendo o sucesso do grupo [&quot;Para ser grande, s&#234; inteiro: nada teu exagera ou exclui. S&#234; todo em cada coisa. P&#245;e quanto &#233;s no m&#237;nimo que fazes&#8230;.&quot; (Fernando Pessoa,1933)]. </p>
<p>&#183; Saber o que est&#225; sendo realizado por todos os membros do grupo.</p>
<p>&#183; Saber gerenciar, sem lam&#250;rias, conting&#234;ncias inesperadas, recursos escassos. </p>
<p>Os grupos que n&#227;o conseguem eliminar as atitudes e comportamentos negativos, enfatizando os positivos, certamente ser&#227;o &quot;intoxicados&quot;, disfuncionais, desperdi&#231;ando seus recursos e gastando suas energias em tudo menos a sua miss&#227;o. </p>
<p>Tanto &#233; importante a quest&#227;o da colabora&#231;&#227;o hoje que um novo termo est&#225; surgindo: co-opeti&#231;&#227;o, para descrever a situa&#231;&#227;o quando duas empresas normalmente concorrentes na mesma pra&#231;a ou mercado resolvem colaborar entre si, ou para reduzir custos ou para compartilhar conhecimentos tecnol&#243;gicos ou mercadol&#243;gicos, de forma que ambas se beneficiem. </p>
<p>Co-opeti&#231;&#227;o ser&#225; uma alternativa de trabalho tanto para entidades quanto para indiv&#237;duos trabalhando como &quot;free-lancers&quot;. Est&#225; na hora de preparar a pr&#243;xima gera&#231;&#227;o de brasileiros para o trabalho colaborativo. </p>
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