Arquivo de abril de 2009

Jogos Cooperativos

publicado em 25 de abril de 2009 às 12:30

Para Jogar uns Com os outros e VenSer… Juntos !!

FÁBIO OTUZI BROTTO (*)

Os Jogos Cooperativos surgiram da preocupação com a excessiva valorização que a sociedade moderna atribui à competição.

Temos competido em lugares, com pessoas, em momentos que não deveríamos, como se essa fosse a única opção.

Ao contrário de ser uma característica única e inerente à espécie humana, a competição e a cooperação, são valores culturais, ou seja, são valores e atitudes construídas pela educação formal e informal.

De acordo com Terry Orlick, nós não ensinamos nossas crianças a terem prazer em buscar o conhecimento, nós as ensinamos a se esforçarem para conseguir notas altas. Da mesma forma, não as ensinamos a gostar dos esportes, nós as ensinamos a vencer jogos.

A hipervalorização da competição se manifesta nos jogos através da ênfase no resultado numérico e na vitória. Os jogos tornaram-se rígidos e organizados, dando a ilusão que só existe uma maneira de jogar.

Os Jogos em sua maioria são verdadeiros campos de batalha capazes de eliminar a diversão e a pura alegria de jogar. Estruturados para a eliminação de pessoas e para produzir mais perdedores do que vencedores, muitos jogos tornaram-se um espaço para tensão, derrota, ilusão de ser melhor ou pior que alguém e para sentimentos como raiva, medo, frustração, fracasso, rejeição, e animosidade.

Se fizermos um balanço de nossas experiências de jogar, na escola ou fora dela, verificamos que pendem muito para o lado dos Jogos Competitivos. Nem sempre os programas de Educação Física, Esporte ou Recreação dão ênfase a atividades que promovam interações positivas, colaborando para que a competição deixe de ser um comportamento condicionado, oportunizando a percepção e o exercício de outras formas de nos relacionarmos com as pessoas, com a natureza e com a gente mesmo.

Os Jogos Cooperativos são jogos com uma estrutura alternativa onde os participantes jogam COM o outro, e não contra o outro. Joga-se para superar desafios e não para derrotar os outros; joga-se para se gostar do jogo e pelo prazer de jogar. São jogos onde o esforço cooperativo é necessário para se atingir um objetivo comum e não para fins mutuamente exclusivos.

Tomados como um processo, pode-se aprender a considerar o outro, a ter consciência dos seus sentimentos e a operar para interesses mútuos.

Estes Jogos são estruturados para diminuir a pressão para competir e a necessidade de comportamentos destrutivos, para promover a interação e a participação de todos, e deixar aflorar a espontaneidade e a alegria de jogar.

Os Jogos Cooperativos são jogos de compartilhar, unir pessoas, jogos que eliminam o medo do fracasso e que reforçam a confiança em si mesmo e nos outros. Todos podem ganhar e ninguém precisa perder.

Dessa forma os Jogos Cooperativos resultam no envolvimento total, em sentimentos de aceitação e vontade de continuar jogando.

Sintetizando, podemos relacionar os Jogos Cooperativos e os Jogos Competitivos observando suas principais características:

JOGOS COOPERATIVOS JOGOS COMPETITIVOS
VISÃO DE QUE “TEM PRA TODOS” VISÃO DE QUE “SÓ TEM PRA UM”
OBJETIVOS COMUNS OBJETIVOS EXCLUSIVOS
GANHAR JUNTOS GANHAR SOZINHO
JOGAR COM JOGAR CONTRA
CONFIANÇA MÚTUA DES-CONFIANÇA / SUSPEITA
TODOS FAZEM PARTE TODOS À PARTE
DESCONTRAÇÃO / ATENÇÃO PREOCUPAÇÃO / TENSÃO
SOLIDARIEDADE RIVALIDADE
DIVERSÃO PARA TODOS DIVERSÃO ÀS CUSTAS DE ALGUNS
A VITÓRIA É COMPARTILHADA A VITÓRIA É UMA ILUSÃO
VONTADE DE CONTINUAR JOGANDO PRESSA PRA ACABAR COM O JOGO

Em geral, tivemos poucas chances de participar de Jogos Cooperativos de uma forma sistematizada. Por isso é importante desenvolver uma PEDAGOGIA DA COOPERAÇÃO.

Aprendendo a jogar cooperativamente podemos descobrir inúmeras possibilidades criar processos facilitadores da participação e inclusão.

Através da modificação gradativa das regras e estruturas básicas do jogo, podemos criar um clima de aceitação mútua entre os jovens praticantes, incentivando-os a refletir sobre as possibilidades de transformação do jogo, na perspectiva de melhorar a participação, o prazer e a aprendizagem de todos. Além disso, uma Pedagogia da Cooperação pode ajudá-los a dialogar, a decidir em consenso e a praticar as mudanças desejadas.

Exercitando a reflexão criativa, a comunicação sincera e a tomada de decisão por consenso para aprimorar o jogo, as crianças e jovens – e nós, educadores, também – poderão descobrir que têm plenas condições de intervir positivamente na construção, transformação e emancipação de si mesmos e da comunidade onde convivem.

Todo tipo de Jogo tem uma intenção que ultrapassa os limites do campo e da quadra. Assim, é importante perceber quais os valores que estão por trás dos jogos e a que tipo de propósitos as atividades estão servindo.

Além de conhecer o Jogo é preciso re-conhecer ao que e a quem ele serve. O propósito essencial dos Jogos Cooperativos é colaborar para a construção de um mundo melhor para todos… sem exceções, onde “se o importante é competir, o fundamental é cooperar.”1 Jogando dentro desse Estilo Cooperativo podemos desfazer a ilusão de sermos separados e isolados uns dos outros e percebermos o quanto é bom e importante ser a gente mesmo, respeitar a singularidade e JOGAR PARA VenSer… JUNTOS!

* Fábio Otuzi Brotto, 1997.

A Respiração do Planeta – The Earth Breathing

publicado em 25 de abril de 2009 às 12:14

Visões Biológicas Competitivas e Colaborativas

publicado em 20 de abril de 2009 às 11:11

AUGUSTO FRANCO – Escola de Redes – http://contexto4.blogspot.com/2008/05/7-competio-oucooperao.html 

Reconhecer que a competição existe nas sociedades humanas nada tem a ver com pregar a sua imanência ou a sua inexorabilidade, ou especular sobre sua possível fonte biológica ou genética.

Argumenta-se, freqüentemente, que o mundo natural é um campo de luta pela vida. Se o mundo natural é um campo de luta pela vida (struggle for life), então seria “natural” pensar que o mundo social também o é? O darwinismo social e um pouco também o neo-darwinismo (como, aliás, qualquer darwinismo, em que pesem os esforços ingentes de vários bem-intencionados pesquisadores contemporâneos de “salvar” Darwin, dizendo que ele nunca disse “isso” ou “aquilo” – mais ou menos assim como se tentou, durante décadas, livrar Lenin das conseqüências maléficas dos sistemas políticos implantados por seus seguidores) induzem a uma resposta afirmativa a esta questão. O problema não é tomar a biologia como geratriz de comportamentos sociais, o que, sob certo aspecto, é
inevitável, uma vez que o homem é um ser biológico basicamente. O problema está no tipo de biologia que se toma. Desse ponto de vista, todo darwinismo é social, na medida em que foi o comportamento social, observado num tipo de sociedade, que levou Darwin e seus seguidores a inferir um comportamento natural, ou melhor, a interpretar o comportamento natural em termos de luta. A sociedade inglesa, sob o influxo do emergente mercado capitalista, apresentava-se, de fato, como um campo de luta generalizado e até certo ponto selvagem (aliás, a expressão “capitalismo selvagem” tem tudo a ver com isso). Pelo que se pode depreender, a “lei da selva” não saiu da selva para a “praça do mercado”, mas, ao contrário, da segunda para a primeira como, aliás, já havia reconhecido Marx em 1862.

Matt Ridley resume de maneira brilhante: “Thomas Hobbes foi o antepassado intelectual de Charles Darwin em linha direta. Hobbes (1651) gerou David Hume (1739), que gerou Adam Smith (1776), que gerou Thomas Robert Malthus (1798), que gerou Charles Darwin (1859). Foi depois de ler Malthus que Darwin deixou de pensar sobre competição entre grupos e passou a pensar sobre competição entre indivíduos, mudança que Smith fizera um século antes. O diagnóstico hobbesiano – embora não a receita – ainda está no centro tanto da economia quanto da biologia evolutiva moderna (Smith gerou Friedman; Darwin gerou Dawkins). Na raiz das duas disciplinas está a noção de que, se o equilíbrio da natureza não foi projetado de cima, mas surgiu de baixo, não há motivo para pensar que se trata de um todo harmonioso. Mais tarde, John Maynard Keynes diria que A origem das espécies é ‘simples economia ricardiana expressa em linguagem científica’. E Stephen Jay Gould disse que a seleção natural ‘era essencialmente a economia de Adam Smith vista na natureza’. Karl Marx fez mais ou menos a mesma observação: ‘É notável’, escreve ele a Friedrich Engels, em junho de 1862, ‘como Darwin reconhece, entre os animais e as plantas, a própria sociedade inglesa à qual pertence, com sua divisão de trabalho, competição, abertura de novos mercados, ‘invenções’ e a luta malthusiana pela
existência. É a bellum omnium contra omnes de Hobbes’” (Ridley, 1996: 284-5).

Na verdade, a raiz do problema está nos pressupostos que tomamos: no caso da contraposição competição x cooperação, no tipo de biologia da evolução a que recorremos para construir nossos modelos de comportamento social. Como a teoria oficial da evolução – ainda ensinada em quase todas as escolas do mundo – é o neodarwinismo, acabamos importando pressupostos não-cooperativos para as nossas ciências sociais. O neodarwinismo, como se sabe, é resultado de uma combinação das idéias originais de Darwin sobre as mudanças evolutivas graduais com as descobertas de Mandel sobre a estabilidade genética. “De acordo com a teoria neodarwinista, toda variação evolutiva resulta de mutação aleatória – isto é, de mudanças genéticas aleatórias – seguida por seleção natural” (Capra, 1996: 180). Mas o neodarwinismo não é a única teoria existente. Existe também a teoria da endossimbiose seqüencial de Lynn Margulis, para quem “o neodarwinismo é fundamentalmente falho, não somente pelo fato de se basear em conceitos reducionistas, que hoje estão obsoletos, mas também porque foi formulado numa linguagem matemática inapropriada… [a linguagem] da tradição zoológica… [acostumada] a lidar apenas com uma parte pequena e relativamente recente da história da evolução. Pesquisas atuais em microbiologia indicam vigorosamente que os principais caminhos para a criatividade da evolução foram desenvolvidos muito tempo antes que os animais entrassem em cena” (Idem: 181) (n. i.).

Para Margulis, a simbiose (“a tendência de diferentes organismos para viver em estreita associação uns com os outros e, com freqüência, dentro uns dos outros, como as bactérias em nossos intestinos”) cumpre um papel fundamental na evolução: “simbioses de longa duração, envolvendo bactérias e outros microorganismos que vivem dentro de células maiores, levaram, e continuam a levar, a novas formas de vida… [Assim, ela] vê a criação de novas formas de vida por meio de arranjos simbióticos permanentes como o principal caminho de evolução para todos os organismos superiores” (Capra, 1996: 185) (n. i.).

Examinemos o que diz a própria Margulis. “A simbiose, termo cunhado pelo botânico alemão Anton deBary em 1873, é a convivência de tipos muito diferentes de organismos; deBary, na verdade, a definiu como a ‘convivência de organismos de nomes diferentes’. Em certos casos, a coabitação, existência a longo prazo, resulta em simbiogênese: o surgimento de novos corpos, novos órgãos, novas espécies. Em suma, acredito que a maior parte da inovação evolutiva surgiu, e ainda surge, diretamente da simbiose. Essa não é a noção mais comum presente na maioria dos livros didáticos quanto à base da mudança evolutiva.

A simbiogênese, idéia proposta pelo russo Konstantin Merezhkovsky (1855-1921), refere-se à formação de novos órgãos e organismos por meio de incorporações simbióticas… esse é um fato fundamental na evolução. Todos os organismos grandes o bastante para que possamos vê-los são compostos de micróbios antes independentes, agrupados para formar totalidades maiores. Ao se fundir, muitos perderam o que, em retrospecto, reconhecemos como sua antiga individualidade… Creio que já consegui convencer muitos cientistas e estudantes de que partes das células, as organelas, surgiram simbiogeneticamente, como consequência de diferentes simbioses permanentes… Atualmente, trabalho na expansão da teoria, para mostrar que organismos maiores, com seus novos órgãos e novos sistemas de órgãos, também evoluíram pela simbiogênese. Se os simbiontes se fundem por completo, se eles se incorporam e formam um novo tipo de ser, o novo ‘indivíduo’, o resultado da fusão, por definição, evoluiu por simbiogênese. Embora o conceito de simbiogênese tenha sido proposto há um século, somente agora dispomos das ferramentas para testar a teoria com rigor” (Margulis, 1998: 38.9).

Para Margulis, “a simbiogênese foi a lua que puxou a maré da vida de suas profundezas oceânicas para a terra seca e para o ar… Se as pessoas um dia viajarem por longos períodos pelo espaço, a aventura nunca será tão artificial e estéril quanto em Jornada nas estrelas. A visão da engenharia asséptica nos libertando de nossos companheiros de planeta não é apenas insossa e tediosa, mas toca as raias do revoltante. Não importa o quanto nossa espécie nos preocupe, a vida é um sistema muito mais amplo. A vida é uma interdependência incrivelmente complexa de matéria e energia entre milhões de espécies fora (e dentro) de nossa própria pele. Esses estranhos da Terra são nossos parentes, nossos ancestrais, e parte de nós. Eles reciclam nossa matéria e nos trazem água e alimento.

Não sobrevivemos sem ‘o outro’. Nosso passado simbiótico, interativo e interdependente, é interligado por águas agitadas” (Margulis, 1998: 106) (n. g.). Embora Lynn Margulis esteja se referindo a processos estritamente biológicos – e por isso mesmo –, a idéia de que, na natureza, “não sobrevivemos sem o outro” (ou seja, de que só sobrevivemos com-ooutro) inspira ao pensamento social pressupostos radicalmente opostos àqueles que são sugeridos pela idéia de que, para sobreviver, temos de, de algum modo, vencer o outro (isto é, ultrapassá-lo evolutivamente por melhor adaptação).

Por isso, tem razão Fritjof Capra quando assinala que “a teoria da simbiogênese implica uma mudança radical de percepção no pensamento evolutivo. Enquanto a teoria convencional concebe o desdobramento da vida como um processo no qual as espécies apenas divergem uma da outra, Lynn Margulis alega que a formação de novas entidades compostas por meio da simbiose de organismos antes independentes tem sido a mais poderosa e mais importante das forças da evolução. Essa nova visão tem forçado biólogos a reconhecer a importância vital da cooperação no processo evolutivo. Os darwinistas sociais do século XIX viam somente competição na natureza – “a natureza, vermelha em dentes e em garras”, como se expressou o poeta Tennyson –, mas agora estamos começando a reconhecer a cooperação contínua e a dependência mútua entre todas as formas de vida como aspectos centrais da evolução. Nas palavras de Margulis e de Sagan: ‘A vida não se apossa do globo pelo combate, mas sim, pela formação de redes’ [Margulis e Sagan, 1986: 15]” (Capra, 1996: 185) (n. i.) (n. g.).

Se nossos antropólogos, sociólogos e economistas passassem a tomar como referência a produção, por exemplo, de Margulis, Maturana ou Gould, ao invés de Darwin e seus seguidores, Wilson ou Dawkins; ou seja, se tomassem como pressupostos outras biologias da evolução, é muito provável que fizessem outro tipo de ciência social e econômica e que, assim, suas interpretações do que ocorre na natureza não fossem tão projetivas do que observam na sociedade mercantil.

Quando seres não humanos chocam-se entre si no seu processo de aceder a recursos sobrevivenciais ou reprodutivos – mesmo que uns devorem ou matem os outros – isso não é um duelo, uma guerra, uma competição em termos humanos, porque, em 99,999…9% dos casos, não há um “átomo de interesse” envolvido em disputa, não há auto-asserção egóica, não há a emoção de se comprazer no ato de privar o outro dos recursos necessários à sua subsistência ou de aniquilá-lo, não há assassinato ou, se houver, como se diz que há no caso de certos primatas (os 0,00…1%), essa emoção não é constitutiva do seu viver coletivo, a não ser que, por alguma razão (em geral, não por acaso, o contato com humanos civilizados), tenha se estabelecido uma incongruência com o meio, o que acabará levando tal espécie ou linhagem à extinção, em virtude da impossibilidade de realização da sua autopoiese. Todos os choques entre seres não humanos são, como reconheceu Maturana, resultados de processos coletivos de realização de autopoiese, coreografias da dança estrutural que permite a manutenção e a reprodução de espécies e linhagens em congruências múltiplas e recíprocas com o
meio.

Os darwinismos são sociais porque decalcam a biologia da sociologia desse tipo de sociedade em que vivemos e, nesse tipo de sociedade (do padrão civilizatório patriarcal), sempre haverá competição, em algum grau, em todas as esferas da realidade humano-social. A conclusão é a de que não há como restringir a competição à esfera do mercado, porque não há como desvencilhar a competição do ser humano realmente existente, na medida em que somos, em parte, culturalmente construídos segundo um padrão que se tem transmitido, de modo não-genético, geração após geração (pelo menos nos últimos seis mil anos). O que não quer dizer que não possa haver graus maiores de cooperação e/ou graus menores de competição nas sociedades atuais. Nem quer dizer que uma “lógica” competitiva (como, por exemplo, a do mercado) deva, necessariamente, prevalecer nas sociedades civis e nos governos das sociedades realmente existentes no mundo de hoje (como preconiza a ideologia dita neoliberal e outras teorias sub-liberais esposadas por grande parte dos economistas hodiernos).

As teorias do capital social, pelo contrário, argumentam que graus maiores de cooperação são mais favoráveis ao desenvolvimento das sociedades humanas. Ao fazer isso, pressupõem que ocdesenvolvimento social é condição para o desenvolvimento, de diversos pontos de vista sob os quais entendem o termo “desenvolvimento”, inclusive quando consideram apenas o desenvolvimento econômico. As teorias do capital aocial não são teorias para uma sociedade que não existe, mas para as sociedades realmente existentes, as quais, embora manifestem, em maior ou menor grau, uma racionalidade competitiva em todas as suas esferas, também são pervadidas, em maior ou menor grau, por uma racionalidade (e por uma emocionalidade!) cooperativa. Então, as teorias do capital social dizem o seguinte: quanto maior for o exercício social da cooperação, mais condições terá uma sociedade de se desenvolver socialmente e, por conseguinte, mais condições terá de ensejar a dinamização das potencialidades e a actualização das capacidades das pessoas que a compõem – o que redunda numa maior capacidade de realizar bons governos e de prosperar economicamente.

Num certo sentido, isso vai contra a crença, hoje bastante generalizada, de que, quanto maior o grau de enraizamento e de abrangência de uma racionalidade competitiva, mais condições terá uma sociedade de dinamizar sua economia, de crescer e, como conseqüência, de melhorar as condições de vida de suas populações. Mas essa crença é meio estúpida – de vez que quem dinamiza a economia não é o capital físico ou financeiro, enquanto coisas, entes objetiváveis independentemente das relações sociais que os constituem, mas a qualidade das relações entre as pessoas; e de vez que a qualidade dessas relações depende das capacidades das pessoas e do ambiente em que estas pessoas se relacionam – o qual deve fornecer uma base de confiança para que se possa efetivar qualquer relação economicamente viável e um lastro de cooperação para que possam tornar-se economicamente favoráveis seus resultados (reduzindo-se, por exemplo, as margens de incerteza e os custos de transação).

SOBRE O TEXTO PUBLICADO AQUI
CONTEXTO 4 tem apenas um texto: “Uma Teoria da Cooperação baseada em Maturana”, que foi publicado em papel na revista Aminoácidos 4 (Brasília: AED, 2002). Está reproduzido aqui como um registro de um dos caminhos investigativos que me levaram a fazer explorações imaginativas no multiverso de conexões ocultas que configuram o que chamamos de social. As idéias de Maturana fazem parte do grande contexto de visões no qual estou escrevendo agora (em maio de 2008) o livro A REDE. Para acompanhar ou participar da elaboração clique em Nan Dai.

The Spirit of Cooperation

publicado em 20 de abril de 2009 às 11:01

Allan Combs

Epochs of great confusion and general uncertainty in a given world contain the slumbering, not-yet-manifest seeds of clarity and certainty. The manifestations of the aperspectival world… show that these seeds are already pressing toward realization. This means that we are approaching the “zenith” of confusion and are thus nearing the necessary breakthrough. Jean Gebser, 1953 The Ever-Present Origin¹

Experience teaches that it is not disarmament that points the way to peace, but rather that peaceful relations open the door to disarmament. Peace is the consequence of practical cooperation. Richard von Weizäcker², President of West Germany.

It is evident that the continued success of the human species into the opening decades of the twentyfirst century will require a spirit of cooperation. This means a spirit of working together between individuals, a spirit of working together between political units such as nation states and international collectives, and a spirit of working together between the human and the many other species with which it shares the Earth.

Gebser’s evolutionary model of consciousness3 provides a uniquely valuable framework from which to examine the topic of cooperation. The very meaning of cooperation as well as its forms of expression change with each successive evolutionary structure of consciousness. The potentials, qualities, and limits of cooperation thus depend on the structures of consciousness from which it is born. These potentials, qualities, and limits form the subject of the present discussion.

Cooperation is a topic that is more than tangential to human survival in the decades to come. As suggested in the second opening quotation above, it is at the heart of process of reconciliation and peacemaking among otherwise ambivalent or even hostile factions. Based on extensive behavioral investigations of four species of nonhuman primates (chimpanzees, rhesus monkeys, stump-tailed monkeys, and bonobos) as well as careful observations of human behavior, Frans de Waal4 suggests that the failure of cooperation in the form of conflict is a natural part of life among primates. He also suggests, however, that reconciliation is just as natural, and as much a part of the primate constitution as is conflict. He finds that what leads to reconciliation is not the absence of strife but the presence of a valuable relationship, whether this relationship is between individuals or between nation states. Many friendships, for instance, are fraught with conflict, but both parties continue to reconcile their differences as long as the relationship continues to meet their intellectual, emotional, economic, or political needs. What this means in plain English is that both parties are involved in a mutually beneficial interaction.

It is apparent from even a tertiary survey of modern biological literature that cooperation is almost as widespread as life itself.5 Even at the level of single cell organisms cooperation in the form of symbiosis is common place if not, in fact, the rule.6 The meaning as well as the mechanics of cooperation are modulated, however, by the complexity of the particular organisms involved. With the evolutionary advent of large brains, behavior becomes more flexible and dynamic. Intelligence allows for increasingly higher order interactions in which separate organisms join together in elaborate behavioral exchanges. At the human level, such exchanges create higher order systems
such as families, communities, cities, nations, economic networks, and so on.7

Within the full spectrum of human activity there are many forms of cooperative exchange. One way to understand these is to examine the major structures of human experience and their implications for cooperation. In Gebser’s terms this means to explore the worlds of human reality implicit in the principal structures of consciousness, each with its own implications for cooperation as well as for hostility and aggression. The following pages will undertake this examination.

The Structures of Consciousness

The archaic structure.
On a historical scale, this structure is essentially prehuman. It is a form of consciousness which, though it knows it not, experiences a primal unity with the light of the origin itself. According to Gebser, this structure is the historical analog of the mythological state of purity at the beginning of history, life in the Garden of Eden before the fall. It represents a time when our hominid ancestors were entirely at home in the world of nature.
Since there are no detailed records of life in this epoch, perhaps the best appraisal of it is obtainedfrom observing the natural state of nonhuman primates. These tend to live in relatively small groups within which complex patterns of social interaction are common place, including cooperative behavior exhibited, for example, in defense of the group, foraging for food, and establishing social hierarchies.8

Aggression is not uncommon within and between such groups, but it is often followed by
reconciliatory efforts, so that there seems to be a natural counterpoint among primates between conflict and peacemaking.9 Waal concludes that this counterpoint is probably characteristic of most if not all primates, including humans, and probably has genetic roots that extend back at least thirty million years to a time before the modern primates, including humans, divided from a common ancestor. Interestingly, nonhuman primates, like their human relatives, may bear grudges for considerable periods of time, but tend not to exhibit them while cooperation dominates social interaction.10 Welker, for example, comments on the capucine monkey’s “ability to suppress enmities, and its inability to forget them.”11

When fighting breaks out among nonhuman primates it is in response to present causes such as territorial pressures or imbalances in the social structure within the group,12 and does not escalate into sustained conflicts such as are typical in human society. We might well suspect that life was similar among archaic humankind as that described above for nonhuman primates.

The magic structure.
We have no pure example of a solitary structure of consciousness in the human being because, like functional systems of the human brain, each new one as it emerges forms a governing system over the older ones, which in turn continue to function at their own level. Form the perspective of the modern human, Gebser’s structures are, in fact, ontogenic rather than phyletic, that is, each forms part the deep structure of the modern psyche. Historically, as each new structure emerges it becomes dominant over the older ones, until it itself becomes secondary to another emergent structure. We may look for examples of dominantly magical consciousness, for example, in African Bushmen or Australian Aboriginal cultures, but such cultural outlanders of the modern world, while exhibiting a greater awareness of magical possibilities than is characteristic of industrialized cultures, are still products of unique and long evolutionary histories in which the mythic and mental structures have had more than enough time to develop in their own right. Gebser himself was quick to point out the inappropriateness of directly equating, for example, ancient Europeans with modern tribal peoples.13 Still, it is the opinion of the present writer that something is to be learned from such comparisons if they are made cautiously and in the context of the available archeological records of our own history.

Gebser noted that the dominant magic structure of consciousness expressed a tribal or group identity rather than the personal or individual one characteristic of the mental and especially perspectival consciousness. This suggests that cooperation in the dominantly magical human was a matter of immersion in the ethos of the group or tribe. Strong relationships between individuals may well have existed–pair-bonding is not unknown even among nonhuman primates–but this would have been secondary to psychological absorption in the collective.

Magical consciousness, however, also implies a first awakening to a sense of separation from nature, and thus the beginning of the drive for power and control. Cultures dominated by this structure would seem capable of power motivated conflict within and especially between tribal or collective units. If such conflict arose, it seems more than likely that magic played some role in it, possibly in the form of spell casting or witchcraft. Large scale and sustained aggression, however, would appear unlikely in the absence of a developed mental structure to organize and carry it over long periods of time.

The mythic structure.
The mythic consciousness is characterized by story telling. In it the imagination is projected outward as imagery, then transformed into narrative. Imagination expressed through myth, in Gebser’s words, “renders the soul visible so that it may be visualized, represented, heard, and made audible.”14 This brings into the spotlight the vastly important process of language. While Gebser tended to focus on the centrality of the imagination in his discussions of the mythic structure of consciousness, the advent of articulate language no doubt played an important historical role in the appearance of the great societies of the mythic epoch, all of which relied heavily on social cooperation. These included the neolithic society of Old Europe,15 as well as the ancient civilizations of Mesopotamia, Egypt, Greece, Crete, the Indus Valley, and the Yellow River in China.

Cerebral asymmetries in the skull casts of Homo habilis suggest that the beginnings of human language may date as far back as four million years.16 The elaboration of language into an exquisite and powerful vehicle of social control and coherence probably did not come about, however, until much later. This may well have occurred as recently as a period from about fifty thousand to perhaps ten thousand years ago.17 This corresponds roughly to the development of the mythic imagination. It includes the the flourishing of the imagination expressed in the paintings found in the great cave sanctuaries of southern Europe,18 as well as the spread of the widely held mythology of the goddess beginning at about 20,000 to 18,000 B.C.19.

The full sweep of the mythic imagination, however, did not break free of the older structures and come into its own until the advent of the neolithic farming revolution around 8,000 to 9,000 B.C. During the next few millennia the entire Old European civilization based on farming developed in regions now largely in Eastern Europe and the Near East, bringing with it artistry, commerce, copper metallurgy, and even what appears to be a rudimentary script.20 Historically, the pouring forth of rich visual imagery characteristic of the mythic structure of consciousness was the internal combustion engine behind the rapid acceleration of technology that was so characteristic of the first millennia of the neolithic era. Homo erectus had lived for over one million years making no technological statement beyond a few modestly well crafted stone tools.

Later the Neanderthal spent half a million years developing what appears to be a moderately rich culture, but one still lacking in rich aesthetic and technological expression as judged against modern standards. With the Cro-Magnon man these aspects of culture began to gain speed, and with the advent of full blown mythic consciousness artistic and technological development accelerated exponentially. Feuerstein point’s out that this enormous creative energy needs to be made explicit because Gebser, in his own works, tends to stress the introverted aspect of mythic consciousness.21

One might suspect that societies dominated by the mythic structure of consciousness, like those earlier ones dominated by the magic structure, would, without the direction that the mental structure can provide, be subject to no more than occasional conflicts of the type observed in nonhuman primates. This would indeed seem to be the case for the Old European civilization, for which virtually no evidence of violent conflict has yet been found.22 If we look, however, at the more recent, but still ancient civilizations, for instance of Mesopotamia, Greece, and China we find quite a different picture. It would seem, in fact, that war as we know it today was virtually invented in Sumer around the third millennium B.C. A chronicle of that period reads:

Sargon, King of Agade …the city of Uruk he smote and its wall he destroyed. With the people of Uruk he battled and he routed them. With Lugal-zaggisi, King of Uruk, he battled and he captured him and in fetters he led him through the gate of Enlil. Sargon of Agade battled with the man of Ur and vanquished him; his city he smote and its wall he destroyed. E-Ninmar he smote and its wall he destroyed, and its entire territory, from Lagash to the sea, he smote. And he washed his weapons in the sea…23 What could motivate such destruction? The chronicle itself seems, indeed, to swagger with the answer. No matter what social or economic reasons might be offered, part of the answer would seem to be the appearance of rulers such as Sargon, who were intoxicated with egotism. Thus, while we are viewing a historical epoch that is, for the most part, still characterized by domination of the mythic structure of consciousness, the mental structure, and even the ego has surfaced with a vengeance.

If there is any doubt about the appearance of the ego in ancient Mesopotamia, it is put to rest by a reading of the epic of Gilgamesh. Here we find the ancient hero blatantly parading his masculine ego to the express humiliation of the representatives of the ancient tradition of the goddess,24 and in the end voicing his frustrations with the limitations human life in a thoroughly self-consciousness manner that carries a distinctly existential flavor.

In the ancient campaigns of king Sargon we have the oldest known record of the emergence of an equation that will occur again and again throughout the history of warfare and conflict. The mythic structure alone would most likely be incapable of sustained and systematic conflict of the kind we see in the campaigns of king Sargon. It would be more likely to engage in more or less sporadic flourishes of fighting, and these with an emphasis on heroic actions of individual warriors. We is what we find in many tribal peoples such as the Native Americans, and it is the style of fighting depicted by Homer in the Iliad. What we see in Sargon, however, is the play of the ego as a modulating influence on the tendency of the mythic consciousness to create great issues, that is, to polarize differences in perspective and magnify them into “mythic proportions.” In Sargon’s case, and many to follow him, this is accompanied by an inflation of the ego to the point that it sees itself as vastly larger than life. Sargon was a megalomaniac.

This mixture of the mental and the mythical structures, by which the mental makes distinctions–”I am important and your are not,” “capitalism is good, communism is bad,” “Christianity is right, Islam is wrong,” etc.–and the mythic polarizes them into gigantic proportions, can readily ignite into uncontrolled hostility and war. The enemy may then be projected as a demonic other, deserving of less than human consideration. Combine this with the still extant tendency of the magical structure to be drawn into collective social movements such as the Nazi party or the Moral Majority and we have the full prescription for relentless and heartless aggression. All this is to say that already in the third millennium B.C. we see the basic pattern for war even as it comes to us today, involving a unique interaction of the magic, mythic, and mental structures of consciousness.

The mental structure.
This structure became the dominant way of incorporating reality during the final centuries before the birth of Christ, and remains dominant today. As Gebser points out, it first reached full expression in classical antiquity when Parmenides, in 480 B.C., could say to gar auto noein estin to kai einai, “For thinking and being is one and the same.”25 Plato, in the Phaedo, attributes a similar attitude to Socrates, who seems to equate the soul and the afterlife with pure thought. The identification of being with thinking would be expressed again in modern times by René Descartes.

Feuerstein26 estimates that the roots of the mental structure of consciousness may actually go back many millennia before Christ and, as noted above, there is reason to postulate the emergence of the ego in certain individuals well before Greek classical antiquity. As with the other structures of consciousness, however, there is an efficient and a deficient form of mental consciousness. The efficient form is represented by directive, discursive thought, as seen, for instance, in the dialogues of Plato. One suspects that such discursive thought carried the potential for the first time of cooperative interactions between relatively large numbers of individuals, interactions based on a mutual exchange of ideas. Indeed, this is precisely what we find in classical Athenian democracy.

The democracy of Athens was no less than an experiment in governance by intellectual discourse. The fact that it lasted for only a brief period of time does not take away from this fact, nor form its greatness. The reasons for its failure are complex, but clearly involved a loss of mental balance in favor of the greed and heady egotism that led the Athenians of the late fifth century into the disastrous naval campaign against Syracuse. It seems that, tragically, while the new democracy was able to triumph over the deep collective tendencies of magical consciousness and the larger-than-life polarities of mythic consciousness, it was unable to stand against the catalytic power of the emergent perspectival egoic structure.

The possibilities for thoughtful cooperation and governance offered by the mental structure were not unique to Greece. For example, the Roman Empire, despite its many political turmoils and its final decadence, gave the world its first great system of international government. This was founded upon an effective system of reasonably equatable international law that was unprecedented in history.

The deficient form of the mental structure is perspectival consciousness, associated with an ego focally located in the head. This perspectival posture did not move into the foreground of consciousness until the mid sixteenth century A.D. and the Italian Renaissance, but as noted above, its roots go back well into the ancient world. Perspectival consciousness is associated with rational thought, or ratio, characterized by divisive, immoderate and hair-splitting reasoning. Gebser wrote: Ratio must not be interpreted…as “understanding” or “common sense”; ratio implies calculation and, in particular, division, an aspect expressed by the concept of “rational numbers” which is used to designate fractions and decimals, i.e., divided whole numbers or parts of a whole. This dividing aspect inherent in ratio and Rationalism–an aspect which has come to be the only valid one–is consistently overlooked, although it is of decisive importance to an assessment of our epoch.27 As expressed so poignantly in this passage, our own age is as much beset by the faults and problems brought on by the rule of the ego as that of the ancient Athenians, and indeed more so.

Such problems include a tendency to adopt isolated and self-centered viewpoints, accompanied by wrangling and hair-splitting over trivial differences in opinion, and, with the help of the mythic and magic strata of the psyche, magnify these to monumental proportions and emotionally acting them out in blind collectives. The result has been everything from the holy crusades and the Holocaust to the present threat to world cooperation and peace posed by nationalist and fundamentalist factions throughout the globe.

Even with all of this, however, the perspectival consciousness holds the seeds of a new form of cooperation, one that will reach completion only with the awakening of the aperspectival or integral structure. This is the ability to enter into cooperative exchanges with others while retaining a complete and developed awareness of one’s own individuality. In relationships founded on such exchanges each party can pursue her of his own individuation while at the same time contributing to the goals held in common. Such relationships may involve a diad, as in the marriage relationship, a group of scholars with certain broad interests shared in common, or an economic community of separate nation states.

We may understand such collections of dynamic centers of self-initiated activity, engaged in exchanges that benefit both individual goals and mutual interests, as synergistic communities, in the general sense suggested by Ruth Benedict,28 and in the recent specific formulation by mathematician and dynamical systems theorist Ralph Abraham.29 Benedict defined synergy as a situation in which “any act or skill that advantages the individual at the same time advantages the group.”30 She contrasted it with the opposite social situation in which “every act that advantages the individual is at the expense of others.” Abraham has modelled this notion in the mathematics of dynamical systems theory.

Riane Eisler has developed a partnership model of cooperative interactions between individuals “in which social relations are primarily based on the principle of linking rather than ranking.”31 The essential notion here is that human relationships, individual, political, or otherwise, have historically tended to fall into one of two attractor basins, to use the terminology of dynamical systems theory. One of these she terms the partnership model, described above, and the other she terms the dominator model. The latter emphasizes hierarchical relationships in which a small elite controls the lives of the majority by virtue of political power, financial influence, or simple brute strength. Such elites, almost always male, have for the most part determined the destiny of humanity since the the Endoeuropean invasions of the peaceful Old European culture right down to the present day.

The strength of the dominator system takes its origin from the ancient magical urge for power, an urge that undercuts all of the highest motives of compassion and reason. As Carl Jung observed, where there is will to power there is no love, and where there is love there is no will to power.

Even at its highest octave the best intentions of perspectival consciousness tend all too frequently to be undercut by self-centered egoic agendas, nit-picking, and failure to see beyond one’s own perspectival limitations. If sustained cooperation is to be achieved in personal relationships, in national and international economic ventures, and in the local, national, and international political arenas, a more effective form of consciousness is needed. Such a form is integral or aperspectival consciousness.

The integral structure.
The models for peaceful cooperation that are possible for the mental consciousness are also possible for the integral consciousness which, however, can carry them forward without the selfdestructive limitations of the perspectival structure. Indeed, integral consciousness is not a structure among structures. It is the ability to experience all of the structures in their fullness, without being consumed by any of them. It is a clarity of awareness that stands above and yet contains all other structures. From this posture it is possible to experience one’s own motives and aspirations with increased transparency, and to see them in the context of the needs of others and of society and the world. It is also possible to overcome the ego’s neurotic habit of concealing from itself its own selfserving agendas, while pursuing them with a vengeance in the world.

The freedom of this structure from the temporal and spatial constraints of perspectivity allow it a degree of objectivity that no previous structure of consciousness could enjoy. Such objectivity carries the potential of newfound nobility. Frithjof Schuon observes: There is no knowledge without objectivity of the intelligence; there is no freedom without objectivity of the will; and there is no nobility without objectivity of the soul.32 In Gebser’s words, “the pursuit of power is replaced by the genuine capacity for love.”33 The integral structure may seem like the pipedream of a troubled world, or the provence of only a trivial few, but such may not be the case. Gebser saw evidence of its coming in many spheres of human activity, ranging from biology to music, form mathematics to jurisprudence, and from physics to poetry.

Though Gebser gave us relatively few suggestions regarding how to further the unfolding of consciousness to the level of the integral structure, he clearly perceived its development as an ongoning and large-scale process within society, involving many more than a few isolated individuals.

Let us hope that his whole system of structures of consciousness shares something in common with levels of human moral development34 in this sense, that by interacting with others more advanced than ourselves we may also be drawn upward to the highest levels.

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34 . Kohlberg, L. (1981). Essays on moral development (Vol.1). San Francisco: Harper & Row.

Uma Teoria da Cooperação Baseada em Maturana

publicado em 20 de abril de 2009 às 10:30

AUGUSTO FRANCO – Escola de Redes
http://contexto4.blogspot.com/2008/05/7-competio-ou-cooperao.html

Há uma teoria da cooperação implícita na exposição precedente, cujos elementos principais, apenas elencados em três conjuntos, de modo não axiomático, são os seguintes:

Primeiro conjunto: a cooperação está na constituição do humano.

1 – O que nos torna humanos é a linguagem.
2 – Não é, fundamentalmente, o tamanho do cérebro o que torna possível a linguagem, e, sim, o modode conviver.
3 – O modo de conviver que torna possível a linguagem jamais se teria conservado sem uma forte emoção amistosa capaz de permitir a intimidade na convivência com certa permanência.
4 – Sem uma história de interações suficientemente recorrentes, abrangentes e extensas, em que haja aceitação mútua em um espaço aberto às coordenações de ações, não se pode esperar que surja a linguagem.
5 – A linguagem só pode surgir na cooperação.
6 – A cooperação está na constituição do humano.

Segundo conjunto: a cooperação está na fundação do social.

1 – Só há sistema social se houver recorrência de interações que resultem na coordenação condutual dos seres vivos que o compõem, quando tal recorrência de interações passa a ser um mecanismo mediante o qual estes seres vivos realizam sua autopoiesis.
2 – A cooperação se dá em todas as relações sociais.
3 – Nem todas as relações humanas são sociais, tampouco o são todas as coletividades humanas, porque nem todas se fundam na operacionalidade da aceitação mútua.
4 – Distintas emoções especificam distintos domínios de ações.
5 – Coletividades humanas fundadas em emoções não centradas na emoção amistosa que permite a intimidade na convivência com certa permanência – ou o ser com o outro – estarão constituídas em outros domínios de ações que não o da cooperação e do compartilhamento – em coordenações de ações que implicam a aceitação do outro como um legítimo outro na convivência – e não serão comunidades sociais.
6 – A cooperação não se dá nas relações de dominação e submissão; a obediência não é um ato de cooperação.
7 – Afirmamos que o indivíduo humano se realiza na defesa competitiva de seus interesses porque não nos damos conta de que toda individualidade é social e só se realiza quando inclui cooperativamente em seus interesses os interesses dos outros seres humanos que a sustentam.

Terceiro conjunto: a competição não funda o social nem constitui o humano.

1 – Não existe, biologicamente falando, contradição entre o social e o individual. Toda a contradição que a humanidade vive nesse domínio é de origem cultural.
2 – A conduta social está fundada na cooperação e não na competição.
3 – O fenômeno da competição é cultural.
4 – A cultura patriarcal nega a colaboração.
5 – A cultura patriarcal se caracteriza pela conservação de um modo de coexistência que valoriza a competição.
6 – O fenômeno da competição não se dá no âmbito biológico.
7 – Seres vivos não humanos não competem.
8 – Se dois animais se encontram diante de um alimento e somente um come, isso não é competição, porque não é central para o que se passa com o que come o fato de que o outro não coma. No âmbito humano, ao contrário, a competição constitui-se culturalmente quando o fato de que outro não obtenha o que alguém obtém é fundamental para constituir o modo de relação.
9 – O ato de compartilhar alimentos – uma forma de colaboração –, que está evolutivamente na origem do humano, não consiste em deixar que o outro coma a seu lado e, sim, em transferir o que se tempara o outro.
10 – A competição tem ganhadores e perdedores. A competição é ganha quando o outro fracassa diante de nós, e se constitui (em escala ampliada) quando a perspectiva de que isso ocorra, de fato, torna-se culturalmente desejável.
11 – A competição não participa da evolução do humano, que se dá pela conservação de um fenótipo ontogênico ou um modo de vida no qual o linguagear pode surgir.
12 – A linguagem não poderia ter surgido na competição.
13 – A competição não pode ser constitutiva do humano.

Uma teoria da cooperação construída a partir das assertivas expostas acima resulta em algo bastante distinto de uma teoria da cooperação (ou da cooperação versus competição) que possa ser extraída da teoria dos jogos. Na verdade, da teoria dos jogos não pode sair nenhuma teoria da cooperação humana, porque, para a teoria dos jogos, o homem é, fundamentalmente, um ser que faz escolhas racionais, enquanto a cooperação não é motivada por uma razão, mas por uma emoção.

A emoção que nos leva a cooperar não pode ser completamente rastreada pelo comportamento de jogadores em jogos iterados: embora jogadores, na vida real, se movam sempre a partir de emoções – mesmo quando julgam que se estão movendo pela escolha racional – o que a teoria dos jogos considera, quando os jogadores preferem a cooperação a partir da verificação de que, no longo prazo, ela é mais vantajosa (altruísmo instrumental), é a afirmação da razão do indivíduo como “átomo” de interesse e não como indivíduo que só se realiza quando seus interesses tornam-se, em alguma medida, congruentes com interesses dos outros indivíduos que constituem o meio social a que pertence. Ora, quando há cooperação, é a “molécula social” de interesse que se realiza. Mas a consciência de que é a “molécula social” de interesse que se deve realizar não emerge por força de um raciocinar e, sim, de um emocionar, como atestam a resposta emocional de satisfação que todos obtemos quando cooperamos, e de insatisfação quando somos chamados a cooperar e não o fazemos.

Neste caso, em geral, nos vemos forçados a arranjar uma explicação racional para a omissão, ou para a deserção – para usar o jargão da teoria dos jogos. O termo, aliás, revela-se muito adequado: não cooperar é, em certo sentido, uma deserção social.

O que Maturana diz é que o emocionar que nos leva a cooperar é propriamente humano, porquanto nos constitui como seres humano-sociais, mas tem raízes biológicas: existe algo como uma “pegajosidade biológica” que, manifestando-se já no primata bípede que nos precedeu, possibilitou a deriva filogênica humana que resultou na linguagem. Entretanto, o emocionar que nos leva a competir não tem raízes biológicas e não pode ser encontrado em nenhum emocionar animal não humano.

Nenhuma espécie não humana compete, ainda que nosso olhar humano, lançado a partir uma cultura competitiva, interprete o deslizar dos seres vivos não humanos uns sobre os outros e uns com os outros – em congruência recíproca na conservação da sua autopoiesis e da sua correspondência com um meio que inclui a presença de outros – como uma forma de competição. Aliás, o primata bípede que nos antecedeu jamais se teria humanizado (ou hominizado) se tivesse vivido num ambiente predominantemente competitivo porque, nesse caso, não poderia ter se firmado uma história de interações suficientemente recorrentes, abrangentes e extensas, onde houvesse aceitação mútua em um espaço aberto às coordenações de ações, para que surgisse a linguagem.

Somente de uma teoria dos jogos que considerasse a “emotional motivation” (que está na raiz da rational choice) do ser emocional-racional que é, de fato, o ser humano poderia ser derivada uma teoria da cooperação. Já uma teoria da competição – que não é, ao contrário do que às vezes se pensa, uma imagem invertida da teoria da cooperação – seria uma teoria da cultura para o padrão civilizatório patriarcal em que vivemos.

Pode-se dizer que a visão de Maturana também tem lá os seus problemas. Por exemplo, o tratamento que ele dá à competição não deixa espaço para a existência do mercado; uma sociedade democrática sem mercado, nas circunstâncias do mundo atual, é uma sociedade que não pode realizar a democracia na esfera da vida econômica e, assim, não pode ser efetivamente democrática. Se a teoria de Maturana tivesse que servir de base para um programa para o estado atual do mundo, esse programa não levaria à uma sociedade inspirada pelos princípios de “participação, inclusão, colaboração, compreensão, acordo, respeito e co-inspiração” (Maturana, 1993: 27) característicos do modelo não patriarcal de sociedade, supostamente mais conformes à “biologia do amor”. Em outras palavras, não existem mediações nas elaborações intelectuais de Maturana, porque falta política nas suas teorias, inclusive onde não poderia faltar: na sua teoria da democracia. Não existindo mediações, não pode haver transição de um estado do mundo para outro.

Sustento, não obstante, que nada disso invalida as idéias de Maturana naquilo que essas idéias têm de fundamental. E divirjo daqueles que querem invalidar tais idéias com base em preconceitos com relação à utilização de categorias, consideradas não-científicas, como, por exemplo, a de “amor”. Tal como definido por ele – não como sentimento (psicológico), mas como emoção que possibilita uma proximidade continuada sem a qual não teria surgido o linguagear e, daí, o conversar que dá sequência ao humano propriamente dito – creio que o conceito está muito bem colocado.

A reação à utilização de categorias como “amor” nas teorias de Maturana, em geral, só fazem confirmar essas teorias. O amor é banido da racionalidade patriarcal e é deportado para o reino da poesia (de onde não consegue visto para reentrar na república dos sábios) porque, de fato, desorganiza essa racionalidade. Por outro lado, é sintomático do tipo de civilização em que vivemos que as pessoas não se assustem tanto com a palavra “violência” quanto com a palavra “amor”. Cenas de assassinato, mutilação, tortura, que nossas crianças assistem diariamente na TV, não são consideradas imorais, mas uma cena de uma pessoa beijando afetuosamente o sexo de outra seria um escândalo para a respeitável família patriarcal reunida após o jantar, mesmo que tal família, de fato, já não exista mais – porquanto a hipocrisia e o cretinismo moral que a caracterizam supervivem como tradição.

Maturana sustenta que relações hierárquicas e de trabalho, que existem em coletivos humanos, não são relações sociais. Ora, todas as relações que não são relações sociais – no particularíssimo sentido que ele atribui à expressão “relações sociais” – ou são relações competitivas ou, pelo menos, são relações que não induzem à cooperação, sendo que algumas delas induzem à competição regular e sistemática, como é o caso das relações hierárquicas. Portanto, para ele, não é que não possa haver relações competitivas em coletivos humanos e, sim, que essas relações não constituem o propriamente humano; quando tais relações competitivas se conservam como modo de vida transmissível culturalmente, acabam por impedir essa constituição e, no limite, inviabilizam a vida social humana e a própria vida humana (o que aqui se confunde, i. e., as duas dimensões – social e individual do humano – se fundem): nenhum grupo humano com grau zero de cooperação (ou com grau máximo de competição: todos sempre competindo com todos em todas as ocasiões) conseguiria se constituir sustentavelmente como sociedade humana e não se poderia dar, nestas circunstâncias, o fenômeno humano, por assim dizer. Em outras palavras, há um fator antropológico (que Maturana encara como biológico, também no sentido particularíssimo que atribui ao termo “biológico”) fundante das sociedades humanas e esse fator é a cooperação.

Por outro lado, não me parece correto afirmar que uma sociedade com grau máximo de cooperação (ou com grau zero de competição) não conseguiria se constituir sustentavelmente como sociedade humana. Essas coisas não são simétricas: cooperação não é competição negativa, não é competição com sinal trocado, nem vice-versa. São fenômenos distintos, embora correlacionáveis a posteriori por razão inversa. Mas a afirmação do primeiro, se não é acarretada pela negação do segundo, tampouco o evita.

Abre-se aqui um debate com os que acreditam que a biologia humana leva à competição.
Sobre isso, penso o seguinte. Achar que a competição esteja geneticamente inscrita no corpo humano parece ser mais uma questão de justificação de uma opção e, portanto, de ideologia moral, do que de observação ou conclusão científica. Para aumentar a verossimilhança da hipótese, supõem alguns que a competição já estaria arquivada no genoma de ancestrais evolutivos da espécie, de vez que também se verificaria, por exemplo, em primatas não humanos (como os chimpanzés).

SOBRE O TEXTO PUBLICADO AQUI
CONTEXTO 4 tem apenas um texto: “Uma Teoria da Cooperação baseada em Maturana”, que foi publicado em papel na revista Aminoácidos 4 (Brasília: AED, 2002). Está reproduzido aqui como um registro de um dos caminhos investigativos que me levaram a fazer explorações imaginativas no multiverso de conexões ocultas que configuram o que chamamos de social. As idéias de Maturana fazem parte do grande contexto de visões no qual estou escrevendo agora (em maio de 2008) o livro A REDE. Para acompanhar ou participar da elaboração clique em Nan Dai.

Competição ou Cooperação?

publicado em 20 de abril de 2009 às 10:20

 

AUGUSTO FRANCO – Escola de Redes
http://contexto4.blogspot.com/2008/05/7-competio-ou-cooperao.html

Baseado neste arcabouço conceitual, Maturana vai bater de frente com as explicações correntes sobre a natureza competitiva do ser humano, seja nas suas formas hard (do tipo das hipóteses urdidas pelos sociobiólogos e pelos socialdarwinistas), seja nas suas formas mais soft (do tipo das hipóteses cerebradas por economistas, sociólogos, antropólogos e biólogos da evolução que trabalham, baseados na teoria dos jogos, com o nonzero, ou melhor, com a non-zero-sumness, com a rational choice, enfim, com a combinação otimizada entre competição e colaboração ou com a prevalência da relação “olho por olho” a longo prazo) (2).

Seu esquema explicativo é simples. Se o que nos torna humanos é a linguagem, e se a linguagem é uma coisa que, definitivamente, não pode surgir na competição, então a competição não pode ser constitutiva do ser humano, nem individual nem socialmente falando, isto é, individual –e socialmente falando, o primata bípede que nos antecedeu não se teria humanizado (ou hominizado) se tivesse vivido num ambiente predominantemente competitivo.

Maturana sustenta que “o fenômeno da competição que se dá no âmbito cultural humano e que implica contradição e negação do outro, não se dá no âmbito biológico. Os seres vivos não humanos não competem, deslizam uns sobre os outros e com os outros em congruência recíproca ao conservar sua autopoiesis e sua correspondência com um meio que inclui a presença de outros e não os nega.

Se dois animais se encontram diante de um alimento e somente um come e o outro, não, isso não é competição. E não é [competição] porque não é central para o que ocorre [inclusive e sobretudo em termos emocionais] com o que come, que o outro não coma. Ao contrário, no âmbito humano, a competição constitui-se culturalmente quando o fato de que outro não obtenha o que alguém obtém é parte fundamental do [e constitui o próprio] modo de relação.

A vitória é um fenômeno cultural que se constitui com a derrota do outro. A competição é ganha quando o outro fracassa diante de nós, e se constitui quando a perspectiva de que isso ocorra de fato torna-se culturalmente desejável. No âmbito biológico não humano tal fenômeno não se dá. A história evolutiva dos seres vivos não envolve competição. Por isso, da evolução do humano não participa a competição, senão a conservação de um fenótipo ontogênico ou modo de vida, no qual o linguagear pode surgir como uma variação circunstancial para sua realização quotidiana que não requer nada especial” (Maturana, 1988c: 21-2) (n. i.).

Por outro lado, observa Maturana, “o ato de compartilhar não consiste em deixar que o outro coma ao seu lado. Consiste em transferir o que se tem para o outro. Eu passo para outro algo que tenho, esse é um ato de compartilhar…. Somos animais compartilhadores porque pertencemos à história de compartilhar. Eu não sei em que momento desses três milhões de anos atrás começou o compartilhamento em nossa linhagem, porém somos animais compartilhadores” (Maturana, s/d: 71- 72). “O compartilhamento é uma forma de colaboração. Logo, somos animais cooperadores. A cooperação se dá somente e exclusivamente nas relações de mútuo respeito. A cooperação não se dá nas relações de dominação e submissão. A obediência não é um ato de cooperação. Nós somos animais enquanto pertencemos à história que nos dá origem, porém somos cooperadores devido a que não temos impedimentos para cooperar; quando, nas relações amistosas, aceitamos o convite para cooperar, sentimo-nos bem” (Idem).

Maturana confronta também aquelas teorias que tentam explicar a evolução humana e o (ou em virtude do) extraordinário crescimento do cérebro humano, a partir do desenvolvimento da mão no (e/ou do) uso da ferramenta, sobretudo da arma utilizada para matar.

Em primeiro lugar, ele sustenta que “não é o tamanho do cérebro o que torna possível a linguagem [que nos constitui humanos] e sim o modo de conviver”, o qual jamais se teria conservado sem uma forte emoção amistosa (base da colaboração) capaz de permitir a intimidade na convivência com certa permanência. Se compararmos o homem com o chimpanzé, veremos que as diferenças genéticas (em termos de DNA) são muito pequenas, não ultrapassando os 3%; porém, “as diferenças no viver são superlativas, somos muito distintos” (Maturana, s/d: 70), ou seja: o fundamental aqui é o fenotípico, não o genotípico.

Em segundo lugar, ele sustenta que nada obriga que a mão se tenha desenvolvido mais ao fabricar instrumentos do que ao debulhar e descascar vegetais e, sobretudo, ao acariciar sensualmente todas as concavidades, convexidades e reentrâncias dos corpos dos semelhantes (tanto dos parceiros sexuais, quanto dos filhos e de outros membros do grupo). Quem quer ver uma coisa vê essa coisa, ou melhor, quem tem medo de ver uma coisa não vê essa coisa – como aqui parece ser o caso: culturalmente vacinado contra o contato corporal, o pensamento da civilização patriarcal e predadora não pode admitir a centralidade da sensualidade na geração continuada do humano. Em terceiro lugar, ele sustenta que o ato de matar é, ao contrário do que supõe qualquer tipo de hunting hipothesis, “completamente distinto do ato de caçar. Se alguém observa as culturas caçadoras, vê que estas culturas consideram o ato de caçar como um ato sagrado: há agradecimento pelo animal que morre porque isso produz alimento para a vida. Da morte do animal se vai obter vida; porém, o ato de matar… tem um caráter totalmente distinto, não se mata… para comer e, sim, para exterminar. O ato de matar… é um assassinato! Quando se mata para exterminar, isso traz consigo uma emoção completamente distinta, não há agradecimento, é um ato de apropriação, é completamente diferente. O artefato que uso, por exemplo, para caçar… um animal que vou consumir, é um instrumento de caça. Todavia, o instrumento que uso para matar [e. g.] um lobo [o qual, pelo fato de ter sido excluído da minha convivência, tornou-se uma ameaça para os outros animais dos
quais me apropriei e, por conseguinte, inclusive para mim e para meus semelhantes neste modo de vida que instaurei] é uma arma. A emoção é distinta e é a emoção com a qual se usa um instrumento que o torna um instrumento de caça ou uma arma. No momento em que se mata por matar, aparece a guerra, aparece a inimizade, porém aparece outra coisa mais: aparece a legitimidade da solução de um conflito com a total negação do outro, porque é assim que funciona. A apropriação e a guerra caminham juntas e se desencadeiam mutuamente, quando da negação do outro se passa à sua eliminação, quando alguém se apropria do modo de viver do outro, quando a apropriação se converte em um modo de vida e quando alguém pode se apropriar de tudo, das coisas, das idéias, do sexo do outro… O ato de matar o lobo para excluí-lo da sua comida não é trivial na história. As crianças aprendem a fazer isso como uma coisa normal e isso se transforma em um modo de viver e, portanto, em uma cultura. Não se aprende somente a técnica de matar o lobo, se aprende também a emoção que acompanha o ato, a emoção que acompanha a apropriação, a emoção que acompanha o controle. Se se perde a confiança, aparece o controle, as relações passam a ser relações de controle e com isso temos a multiplicação do patriarcado” (Maturana, s/ d: 75-6).

Para Maturana, é como se tudo fizesse parte de um mesmo complexo macro-cultural: “a guerra não acontece, nós a fazemos; a miséria não é um acidente histórico, é obra nossa, porque queremos um mundo com as vantagens anti-sociais, que traz consigo a justificação ideológica da competição na justificação da acumulação de riqueza, mediante a geração de servidão sob o pretexto da eficácia produtiva… Enfim, afirmamos que o indivíduo humano se realiza na defesa competitiva de seus interesses porque não queremos viver sem dar-nos conta de que toda individualidade é social e só serealiza quando inclui cooperativamente em seus interesses os interesses dos outros seres humanos que a sustentam” (Maturana, 1985a: 85).

Maturana sustenta que “foi a conduta dos seres humanos… que fez do presente humano o que é…; vivemos o mundo que vivemos porque, socialmente, não queremos viver outro” (Maturana, 1985a: 85). Ora, impõem-se aqui, inevitavelmente, as perguntas: mas, afinal, que mundo é esse em que vivemos? E por que não queremos viver em outro?

SOBRE O TEXTO PUBLICADO AQUICONTEXTO 4 tem apenas um texto: “Uma Teoria da Cooperação baseada em Maturana”, que foi publicado em papel na revista Aminoácidos 4 (Brasília: AED, 2002). Está reproduzido aqui como um registro de um dos caminhos investigativos que me levaram a fazer explorações imaginativas no multiverso de conexões ocultas que configuram o que chamamos de social. As idéias de Maturana fazem parte do grande contexto de visões no qual estou escrevendo agora (em maio de 2008) o livro A REDE. Para acompanhar ou participar da elaboração clique em Nan Dai.

A Pedagogia da Cooperação: Construindo um Mundo onde Todos podem VenSer!

publicado em 14 de abril de 2009 às 23:08

Fábio Otuzi Brotto

Projeto Cooperação – Comunidade de Serviços

Florianópolis-SC. BRASIL

fabiobrotto@projetocooperacao.com.br

Começando Juntos…

“Uma visão sem uma tarefa, é apenas um sonho.

Uma tarefa sem uma visão, é somente um trabalho árduo.

Mas, uma visão com uma tarefa, pode mudar o mundo”.[1]

Quando falamos em Pedagogia da Cooperação, estamos imaginando um Caminho de Ensinagem Compartilhada, onde cada um e cada uma são considerados mestres-aprendizes, com-vivendo a descoberta de si mesmos e do mundo, através do encontro com os outros, diante de situações-problema que os desafiam a encontrar soluções cooperativas para o sucesso de todos e para o bem-estar Como-Um.

A Pedagogia da Cooperação pode ser percebida como um conjunto de sinais, indicadores, pistas e toques, para orientar a caminhada daqueles que se aventuram pelas trilhas da Cooperação rumo ao centro essencial de sua própria Comum-Unidade.

É uma pedagogia viva, acontecendo em alguns Momentos e em muitos Movimentos, sendo organicamente articulada com os passos e com-passos dados ao longo do caminho… Por quem caminha. É uma jornada de realização exterior para promover a transformação interior… Da pessoa e do grupo.

Como um mapa de uma viagem que se renova constantemente, a Pedagogia da Cooperação, é desenvolvida a partir de quatro Momentos transdisciplinar e holograficamente articulados:

1° Momento: Visão (Princípios).

2° Momento: In-Forma-Ação (Procedimentos).

3° Momento: Ação (Processos).

4° Momento: Trans-Forma-Ação (Práticas).

Considerando este nosso diálogo como um primeiro passeio pelos campos da Pedagogia da Cooperação, seguiremos compartilhando alguns dos pontos balizadores de cada um desses Momentos do Caminho…

1° Momento: Visão (Princípios)

Ao imaginarmos uma Pedagogia da Cooperação, logo pensamos sobre uma Filosofia da Cooperação: princípios, valores, visão de mundo, perspectivas sobre a co-existência humana… Como bagagem essencial para uma boa jornada.

1. Princípio da CO-EXISTÊNCIA.

Atualmente, não é difícil perceber o quanto somos-estamos ligados uns aos outros. E não apenas ligados aos outros que são-estão próximos da gente, mas nos perceber conectados intimamente, com pessoas, situações, lugares e acontecimentos, aparentemente muito distantes e sem relação direta com nossa vida.

Compreendemos que estamos Todos Juntos num mesmo Grande Jogo e que seja lá o que alguém pensa, sente, faz ou não faz, afeta todos os outros e é afetado por todo mundo, sem exceção. Esta conscientização da Interdependência como uma característica factual de nossa existência, pode nos ajudar a perceber o quanto de Cooperação é necessário resgatar para dar conta das questões que estamos vivendo neste momento, quer sejam na sala de aula, no local que trabalhamos, no bairro onde moramos, no país em que vivemos no planeta que habitamos ou no universo onde existimos.

Cada pensamento, sentimento, sensação e ação ou não-ação de qualquer um, afeta – e é afetado por – todos os outros – Nós da Teia da Cooperação.

Nós inter-somos na co-existência cotidiana!

Porém, nem sempre temos tido consciência dessa Interdependência tão à flor da pele. Por isso, penso ser importante dedicar boa parte do que fazemos na escola, no trabalho, na comunidade e na família, para recuperar a Consciência dessa nossa inteireza e re-ligação. Em parte, essa não conscientização é conseqüência de uma visão fragmentada da realidade e da gente mesmo. Saber-se Interdependente é antes de tudo, renovar a visão que temos sobre as diferentes relações que estabelecemos com os outros. É exercitar nosso olhar, olhando por outras óticas e renovando a Ética de Comum-Unidade no cotidiano.

Creio que exercitando o olhar para além da superfície e das aparências, poderemos aperfeiçoar nossas Co-Opetências (competências compartilhadas) para ver o que há de comum na diferença, o que há de proximidade no distanciamento e, especialmente, o que há de solidário no solitário. Entretanto, nem sempre estamos abertos e sensíveis para perceber as relações de interdependência entre nós. “Não somente porque essas relações de interdependência não são objetos físicos visíveis aos olhos, mas fundamentalmente porque nem os nossos olhos e nem as nossas mentes foram preparados e educados para vê-las” (Assmann e Sung, 2000). Para isso, é necessário limpar a lente que temos usado para enxergar uns aos outros e assim, nos liberar da “Ilusão de Separatividade” (Weil, 1987) e recuperar a Visão de Comum-Unidade para nos percebermos como partes uns dos outros.

Além dessa fragmentação na educação de nossos olhares e mentes, podemos reconhecer outros obstáculos à Interdependência real, pois “quanto maior é a extensão do sistema social, os efeitos, benéficos ou perversos das ações e omissões levam mais tempo para retornar a sua origem e tocar os agentes” (Mariotti, 2000).

Nesse sentido, podemos desenvolver iniciativas para a reaproximação de pessoas e grupos que nos ajudem a perceber cada ocorrência, cada fato, como fenômenos pertencentes à realidade da qual somos e fazemos parte. Penso que podemos criar pontos de ressonância na sociedade, pequenos grupos comunitários servindo como elos para comunicar com maior agilidade e fidedignidade os efeitos das diferentes intenções e ações que se manifestam no sistema.

Tomar cuidado, zelar pelo campo de nossa co-existência, deve ser uma atenção permanente, porque havemos ainda de considerar mais um bloqueio à Consciência de Interdependência:

A distribuição desigual dos efeitos benéficos e maléficos no interior do sistema impede que exista uma mobilização interdependente de indivíduos e grupos. Em outras palavras, nem todos são afetados no mesmo instante e com a mesma intensidade (Mariotti, 2000).

Diante destes bloqueios – e de tantos outros – à Interdependência como um fato, é preciso continuar olhando mais atenta, ampla e profundamente a vida, para podermos enxergar os efeitos e defeitos das atitudes e comportamentos que praticamos nos vários ambientes que diariamente freqüentamos, especialmente, no ambiente das organizações de trabalho.

2. Princípio da COOPERAÇÃO.

O desenvolvimento da Cooperação como um exercício de co-responsabilidade para o aprimoramento das relações humanas em todas as suas dimensões e nos mais diversificados contextos, deixou de ser apenas uma tendência, passou a ser uma necessidade e em muitos casos, já é um fato consumado (Henderson, 1996). Porém, não é definitivo.

É preciso nutrir e sustentar permanentemente o processo de integração da Cooperação no cotidiano pessoal, comunitário e planetário, reconhecendo-a como um “estilo de vida”, uma conduta ética vital, que esteve consciente ou inconscientemente, presente ao longo da história de nossa civilização.

Contrariando o mito da competição como forma de garantir a sobrevivência e evolução humana, existe um conjunto amplo de evidências indicando que os povos pré-históricos, “que viviam juntos, colhendo frutas e caçando, caracterizavam-se pelo mínimo de destrutividade e o máximo de cooperação e partilha dos seus bens” (Orlick, 1989).

Ainda hoje, podemos encontrar culturas cooperativas em várias sociedades ancestrais existentes no planeta. Isto pode indicar uma boa reflexão sobre a natureza competitiva do ser humano, pois se essa idéia fosse totalmente verdadeira, seria lógico encontrar nas comunidades ancestrais (representantes da porção mais natural da nossa espécie), traços de uma cultura predominantemente, competitiva.

Diferentemente disso, tem-se descoberto indícios de uma Cooperação quase que genética, como um ingrediente imprescindível para surgimento e evolução da Vida. Erich Fromm (1973) analisou trinta culturas primitivas e as classificou com base na agressividade-competitiva e no pacifismo-cooperativo. Ora, se existem sociedades humanas pacíficas e cooperativas, e outras agressivas e competitivas, podemos inferir que se há uma natureza humana possível de ser afirmada, esta seria uma natureza de possibilidades.

A antropóloga Margaret Mead (1961), depois de ter analisado diferentes sociedades, concluiu que os vários graus de competição e cooperação existentes, são determinados pelas respectivas estruturas sociais. Considerando essa estrutura social como resultado das ações e relações dos membros de um grupo social, compreendo a Cooperação e a Competição como desdobramentos das nossas escolhas, decisões e atitudes praticadas na interação com outros indivíduos num pequeno grupo, comunidade, sociedade, país ou no ambiente das relações internacionais.

Somos socializados e socializamos os outros para a Cooperação e Competição através da educação, da cultura e da informação. Portanto, tornar a sociedade Solidário-Cooperativa ou Solitário-Competitiva é uma ação política, isto é, uma arte pessoal e coletiva capaz de realizar o melhor (im)possível para todos.

Terry Orlick, professor da Universidade de Ottawa, no Canadá, e um dos precursores em Jogos Cooperativos no mundo, nos oferece uma visão ampliada sobre a dinâmica de Competição e Cooperação, considerando-a como um espectro de atitudes humanas que variam e se movimentam de acordo com a motivação presente em cada situação (1989).

Fortalecendo essas idéias, de acordo com Humberto Maturana (1990), os seres humanos não são apenas animais políticos, mas, sobretudo “animais cooperativos”. Para ele, a cooperação é central na maneira humana de viver, como uma característica de vida cotidiana fundamentada na confiança e no respeito mútuo.

Isto talvez, nos ajude a entender um pouco melhor as dificuldades apresentadas por indivíduos e grupos que se dispõe a cooperar. Porque confiança é algo a ser construído e permanentemente nutrido. Confiar é estabelecer um pacto de cumplicidade e de certa maneira, entregar o destino da própria vida, nas mãos uns dos outros.

Estivemos durante muito tempo, nos educando, treinando, nos preparando para não nos mostrarmos aberta e autenticamente ao outro. Aprendemos a dissimular, não nos expormos como somos mesmo, sob o risco de ao fazê-lo, revelar nossas “fraquezas” e então sermos atacados e derrotados pelos “temíveis adversários”… Os outros seres humanos.

Para promover a mudança necessária, podemos passar a criar espaços para uma nova maneira de olhar uns aos outros, e a si mesmo, para então, podermos alterar nossa maneira de com-viver. Através de uma Educação baseada no desenvolvimento de Competências Cooperativas, poderemos despertar e olhar mais claramente sobre essa pseudo-ameaça – a presença do outro – que imaginamos estar nos cercando. Podemos fazer crescer nossa habilidade de fazer Com-Tato e de Co-Operar consigo mesmo; com o outro; com o Inteiro-Ambiente; e com a Comum-Unidade.

Cooperação, confiança e respeito mútuo parecem ser um dos alicerces principais para a co-evolução humana. Para isso, precisamos reaprendê-los, desenvolvendo o interesse pelo bem comum e o compromisso com o florescimento de uma Comum-Unidade Humana Real (nem ideal, nem normal) exercitada e cultivada no cotidiano.

3. Princípio da COMUM-UNIDADE.

Considerando nossa Co-Existência como um Fato da vida e a Cooperação como uma Prática Diária, podemos imaginar a Comum-Unidade como o Ambiente onde podemos cultivar o Espírito de Grupo, ou como disse Malidoma Some (1998), desenvolver o “Instinto de Comunidade”.

Grande parte dos estudos, pesquisas e trabalhos realizados no mundo atualmente, está focalizando a redescoberta do espírito de Comunidade em todos os lugares: na escola, no trabalho, na rua, em casa… Consigo mesmo, pois estamos usando o instinto de comunidade para nos isolar e proteger uns dos outros, em vez de criarmos uma cultura global de comunidades diversas e entrelaçadas (Wheatley e Kellner-Rogers in Hesselbein, 1998).

Todos sentimos como é forte o impulso para nos agregarmos a outros, para nos aproximar para constituir grupos, times, famílias e turmas. Ao mesmo tempo, sabemos quão desafiador é criar boas condições para a sustentabilidade dessas pequenas e complexas Comum-Unidades que criamos ao nosso redor. Para Wheatley e Kellner-Rogers (1998), esse paradoxo ocorre porque toda vida se configura como seres individuais que imediatamente se lançam a criar sistemas de relacionamentos. Esses indivíduos e sistemas surgem de duas forças aparentemente conflitantes:

1) A necessidade absoluta de liberdade individual.

2) A inequívoca necessidade de relacionamentos.

Em outras palavras, o problema poderia ser colocado assim: Como Ser e FAZER JUNTOS alguma coisa que sozinho ninguém seria capaz de fazer tão bem… Nem seria capaz de desfrutar tão plenamente, como se fizesse em Cooperação COM outro, num ambiente de Comum-Unidade?

Estudos clássicos sobre a psicologia dos grupos, tais como os de Morton Deutsch na década de 60, têm abordado as diferentes experiências vividas em situações de Competição e Cooperação, demonstrando experimentalmente, os efeitos de uma e de outra nos processos grupais e na dinâmica pessoal (Deustch apud Rodrigues, 1972).

Todos nós, de muitas maneiras, sabemos bem como é complexa essa dinâmica Cooperação-e-Competição na vida em Comum-Unidade. Praticamente o tempo todo estamos diante de situações nas quais somos convidados a descobrir um “terceiro” jeito de resolver o problema, alcançar a meta, harmonizar o conflito… Enfim, de sacar uma jogada onde todos ganhem e ninguém precise perder.

No meio daquele caos todo, bate a vontade de tocar a coisa sozinho – “deixa comigo, então, que eu resolvo do meu jeito!” ou “Ah é?! Então faz você. Quero ver se faz melhor!” ou ainda “Já que não tem acordo, vamos ver quem é que consegue mesmo fazer o que tá falando que faz!” ou pra terminar “Eu sabia. Num ia dar certo mesmo. É melhor cada um ficar na sua!”.

O anseio por Viver em Comum-Unidade é há muito tempo sonhado… Contudo, é uma caminho ainda incerto e repleto de surpresas!

Nesse sentido, vale a pena lembrar que em comunidades humanas, as condições de liberdade e de união são mantidas vibrantes concentrando-se no que acontece no coração da comunidade e não se fixando nas formas e estruturas da mesma (Wheatley e Kellner-Rogers in Hesselbein, 1998).

Por isso mesmo, cuidemos do que está no CENTRO de toda e qualquer Comum-Unidade. Mantenhamos o fogo aceso no meio da roda! Restauremos a todo instante, não aquilo que for importante, mas o que é Essencial!

Para Margaret Wheatley e Myron Kellner-Rogers, que conduzem o trabalho do Berkana Institute (EUA), uma fundação de pesquisa sem fins lucrativos que estuda novas formas e idéias organizacionais, sem estarmos de acordo sobre o motivo para estarmos reunidos, nunca podemos desenvolver instituições que façam qualquer sentido: nosso instinto de comunidade nos leva a uma comunidade ‘minha’, e não a uma comunidade ‘nossa’(1998).

Tudo isto, InterDepende da Comum-Unidade que desejamos ver aconteSer entre-nós.

Diferentes Comunidades podem existir e são sempre reflexos do Jeito de Ver-e-Viver (Brotto, 2001) do conjunto de seus integrantes. Compartilhar cotidianamente sobre nossas intenções, atitudes e comportamentos no ambiente da Comunidade que sonhamos-realizamos, pode ser um hábito simples e maravilhoso, suficientemente poderoso, não para mudar o mundo, mas para torná-lo mais transparente, acessível, compreensível, sensível… E possível para todos, sem exceção!!!

Criar, desenvolver e sustentar Comunidades é um cultivo em muitas dimensões e para todo o tempo: pode ser leve, apesar de freqüente; bem-humorado mesmo que profundo; livre e altamente comprometido; um passo-a-passo gradual e pronto para grandes saltos; aberto para abraçar o novo e muito focado no essencial; pode ser… Ou não… Mas, será ou não, COM todos em Cooperação!

2° Momento: In-Forma-Ação (Procedimentos)

No primeiro Momento de nossa conversa, fomos convidados e convidadas a reconhecer os Princípios da Co-existência, da Cooperação e da Comum-Unidade como reflexos da Visão que está por trás de cada uma de todas as Ações empreendidas para facilitar o desenvolvimento da Cultura da Cooperação.

Aqui-e-agora, vamos procurar nos envolver com alguns dos Procedimentos facilitadores do desenvolvimento da Cooperação em diferentes grupos e ambientes, tais como:

· O Círculo e o Centro:

O Círculo é uma forma e um símbolo. Desde os tempos imemoriais, a humanidade se reúne em Círculos para compartilhar suas jornadas, conquistas e realizações, problemas e soluções, lutos e celebrações… Quando formamos um Círculo recuperamos o sentido de Comum-Unidade, pois na roda todos são vistos como iguais; todos se vêem e são vistos por todos; não há quem está acima, nem abaixo; todos estão no Círculo, nem dentro, nem fora.

Assim, em Círculo, somos estimulados e estimuladas a manter atitudes e relações circulares, aquelas que são capazes de aparar as arestas, de arredondar os cantos, de harmonizar as diferenças e de encurtar as distâncias… Aproximando-nos do Centro Como-Um. Ao compor um Círculo, reconhecemos a existência de um Centro, de algo que está entre-nós, que é comum a todos e todas, sem exceção. Nele está aquilo que é essencial para o grupo… é o fogo que precisa ser mantido vivo no centro da roda. E por ser assim, é cuidado por cada um e cada uma… Todo o tempo.

Crie o Centro com algo bem familiar ao Grupo que está reunido. Uma boa dica é utilizar um vaso com flores naturais, sobre um tapetinho simples. As flores simbolizam sementes singulares que desabrocham na diversidade… Encantando o ambiente com a simplicidade e beleza.

O que está no seu Centro? E no nosso Centro?

· A Ensinagem Cooperativa:

Ensinagem?

É o processo de ensino-aprendizagem na linguagem de uma amiga-mestra – Neyde Marques[2] – que com a deliciosa sabedoria do povo de lá, economiza tempo no discurso para aproveitá-lo melhor no percurso compartilhado que a vida oferece.

Ensinagem Cooperativa? Claro, existem muitas boas maneiras para aprender alguma coisa. Nossa preferência é por aprender FAZENDO… Juntos!

Daí, toda a Pedagogia da Cooperação estar baseada em três movimentos:

Convivência: Ter a vivência compartilhada como o contexto fundamental para a aprendizagem. É preciso experimentar para poder re-conhecer a si mesmo e aos outros.

Consciência: Criando um clima de cumplicidade entre os participantes, incentivando-os a refletir sobre a convivência na Atividade e sobre as possibilidades de modificar comportamentos, relacionamentos e até da própria Atividade, na perspectiva de melhorar a participação, o prazer e a aprendizagem de todos.

Transcendência: Ajudando a sustentar a disposição para dialogar, decidir em consenso, experimentar as mudanças propostas e integrar na Atividade e na vida, as transformações desejadas.

Vamos aprender Fazendo… Juntos?!!

· Do mais simples para o mais complexo:

De certo modo, toda evolução ocorre de dentro para fora, do pequeno para o maior, do mais próximo para o mais distante, do indivíduo para a sociedade… Do mais simples para o mais complexo. Assim, aprendemos a correr, aprendendo a andar; aprendemos a escrever, aprendendo a falar… Aprendemos a Cooperar, praticando a Cooperação em diferentes níveis: pessoal, grupal, institucional e Comum-Unitário.

Para alcançarmos níveis mais complexos de Cooperação é preciso cultivá-la nos níveis mais simples, por exemplo: Ao buscar a Cooperação entre as Instituições Sesi-Senai (nível Comum-Unitário), é preciso promover a Cooperação dentro do Sesi e do Senai (nível Institucional), que por sua vez, leva à Cooperação dentro de cada diretoria, gerência, departamento, equipe… (nível Grupal), e daí, chegando à Cooperação de pessoa-pra-pessoa (nível Pessoal).

Dentro dessa perspectiva holística-transdisciplinar, teremos melhores chances de promover a Cooperação, quanto melhor estivermos desenvolvendo-a simultânea e adequadamente, em seus diferentes níveis.

Você já Cooperou, hoje?!!!

Com quem?

· Focalizando a Cooperação:

Focalizar um processo de Cooperação é ser como a luz acendida no quarto escuro. É apenas ajudar a iluminar a situação para que cada um descubra seu próprio caminho, dê seus próprios passos e siga na direção de sua própria transformação… E que além disso, se mantenha aberto em colaborar com aqueles outros que estão, assim como ele mesmo, no infinito caminho de seu eterno reencontro.

Enquanto Pedagogos e Pedagogas da Cooperação, nossa tarefa é criar e manter um ambiente de Cooperação, suficientemente, favorável para o desabrochar da Consciência de Cooperação em cada pessoa, em cada grupo, em cada instituição e em toda a Comum-Unidade.

· Começar e terminar com todos juntos:

Eu gosto muito desta pista!!!

Sabe, ela dá aquela sensação da gente fazer parte de um time. Um time se mantém firme diante dos maiores desafios (até quando o desafio maior é o próprio time) e celebra juntos cada pequena conquista. Tem, também, aquela fidelidade a toda prova… A dos pactos de sangue (que às vezes é o da cuspidela na palma da mão… dói menos e é tão firme como os outros, né?), de mano-pra-mano… Coisas de uma cumplicidade deliciosa!

Nem sempre conseguimos realizar um processo de Cooperação mais robusto, que apareça muito… Mas, começar e terminar com todos juntos, é tão simples de fazer que cabe em qualquer lugar, situação e grupo. E por ser assim tão simples é que é maravilhosamente potente.

Pode ser através de uma história contada, de uma dança dançada, de um jogo jogado… E até por um silêncio compartilhado. O que vale é sermos e estarmos todos juntos… Pelo menos no começo e no final da caminhada. Muita coisa pode acontecer durante uma jornada coletiva, não importa nos sabemos ser um Time Como-Um.

Aconteça o que acontecer, começamos e terminamos juntos!!!

Espero que com estas dicas, pistas e toques, tenhamos todos e todas uma boa clareza sobre alguns dos Procedimentos vinculados à Pedagogia da Cooperação. Com eles na mente e no coração, poderemos seguir caminhando em frente, descortinando outras paisagens, atravessando campos novos e circulando por alguns dos Processos facilitadores da Cooperação.

3° Momento: Ação (Processos)

Há muito tempo, a humanidade vem desenvolvendo estratégias colaborativas para favorecer sua própria evolução e a do meio em que vive. É como se tivéssemos um “instinto de cooperação” (Winston, 2006) que vem se aperfeiçoando desde os humanos primitivos que viviam nas savanas africanas, até os humanos civilizados vivendo na aldeia planetária da atualidade.

Muitos desses Processos estão sendo sistematizados como uma nova linguagem pedagógica, combinando a sabedoria de toda nossa ancestralidade, com os recursos de nossa modernidade… Imaginando desvendar um caminho que nos guie em direção à contínua e infinita eterna-idade.

Vejamos alguns deles:

· Jogos Cooperativos:

Um dos aspectos essenciais, presente nos Jogos Cooperativos, é a possibilidade de ampliarmos nossa consciência sobre a Cooperação. Nesse tipo de Jogo, onde “se o importante é competir o fundamental é cooperar” (Brotto, 1997), podemos nos dar conta dos padrões competitivos que muitas vezes adotamos, como se fossem a única alternativa, para a relação com o outro e com o mundo. Dessa forma, expandimos nossas percepções sobre a importância de praticarmos um “saber fazer coletivo” que inclua o exercício de convivência e o aprimoramento das relações grupais como condições fundamentais para a vida coletiva.

Nesse sentido a experiência da Cooperação, vivida por meio do Jogo Cooperativo, nos ajuda a reconhecer a importância de aprender a fazer com o outro, bem como, valorizar os processos de construção coletiva presentes nos diferentes contextos de nossas relações cotidianas: na educação, no ambiente familiar, na comunidade e no mundo das organizações de trabalho.

· Danças Circulares:

No atual momento de evolução da Humanidade, a Dança Circular auxilia na expressão amorosa de cada indivíduo, despertando o espírito de Cooperação. Trabalha com Danças Folclóricas, Étnicas e Coreografadas; com músicas de diversos ritmos, músicas clássicas e cantos universais. Tem como um de seus propósitos demonstrar que cada pessoa pode entrar em contato com o mais profundo ponto do seu ser, o ponto do coração e, a partir daí, se tornar criativo, alegre e participante ativo na sua comunidade. Ressalta ainda a importância da diversidade entre os povos despertando o sentido de Unidade Planetária.

· Aprendizagem Cooperativa:

Através da Cooperação no dia a dia da sala de aula, podemos transformar a nossa prática pedagógica e criar um ambiente de mútua ajuda, respeito pelas diferenças e responsabilidade compartilhada.

Estudiosos insatisfeitos com a pedagogia tradicional pesquisaram uma prática alternativa que vem se desenvolvendo, especialmente, nos Estados Unidos: a Aprendizagem Cooperativa (Cooperative Learning). Um dos primeiros pesquisadores foi o Dr. Spencer Kagan, que desenvolveu uma abordagem estrutural, na qual há a criação, análise e aplicação sistemática de estruturas que podem ser usadas para quase todas as matérias, nas diferentes séries e em vários momentos de uma aula. Uma abordagem que permite a aprendizagem de conteúdos curriculares, aliada a aprendizagem de valores e atitudes cooperativas.

· Jogos Cooperativos de Tabuleiro:

Criados por Jim Deacove, da Family Pastimesã (Canadá), os Jogos Cooperativos de Tabuleiro vêm espalhando-se pelo mundo todo, já sendo possível encontrá-los em diversos idiomas. Esses jogos abrangem uma faixa etária que vai desde cinco anos até a idade adulta, podendo ser jogado individualmente ou em grupos, com os mais diversificados temas e desafios. Os jogadores ajudam-se a despoluir uma cidade, ou para evitar uma Guerra Mundial e até para constituir a Carta da Terra!!!

Como facilitadores no processo ensino-aprendizagem, o Jogo da Terraâ e o jogo Lugar Bonitoâ, entre outros, são ferramentas espetaculares para auxiliar na promoção do espírito de equipe, solução pacífica de conflitos, valorização dos vínculos afetivos e relacionamentos sociais dentro e além da sala de aula.

· Brinquedos Cooperativos:

Você se lembra das Brincadeiras e Brinquedos do tempo de criança?

Muitas delas são puramente cooperativas!

- Brincar na Gangorra do parquinho, subindo e descendo com o amiguinho!

- Fazer Currupio segurando firme nas mãos uns dos outros!

- Brincar com o Vai-e-Vem confiando em ter do outro lado, alguém!

- Jogar Frescobol na praia e desfrutando juntos da brisa do mar!

Você consegue lembrar de outras brincadeiras cooperativas? Quais?

E daquelas que mesmo sendo, aparentemente, não tão cooperativas, tinham um sabor especial quando conseguíamos compartilhar com os outros?

- Andar de bicicleta pelo bairro com a turma.

- Fantasiar com bonecas e fantoches um faz de conta… Re-encantado com as bonecas e a presença das amiguinhas.

- Brincar na rua de terra num dia de chuva de verão… Aprontando aquela com-fusão.

- E o beijo, abraço ou aperto de mão? Que delícia o friozinho na barriga diante da expectativa de cair com aquela “paquerinha” tão sonhada, hein?

Resgatando um pouco dessa nossa memória lúdica, podemos reconhecer, também, as infinitas possibilidades de re-creação de jogos e brincadeiras tradicionais, em atividades cooperativas. Como seria…

- Pular corda com todo mundo junto?

- Brincar de amarelinha de um jeito que chegar primeiro é o primeiro passo pra ajudar os outros a chegarem, também?

- Um pega-pega onde o salve-se quem puder, vire um salve-se com um abraço?

- E um Corre Cotia onde quem é pego, ao invés de ficar no meio e “pagar uma prenda”, passa a liderar a brincadeira?

Se pudéssemos enxergar por trás de cada um de todos os Processos acima apresentados, contemplaríamos uma Arquitetura Cooperativa, que se caracteriza, essencialmente por quatro aspectos Como-Uns:

· Todos têm um sentimento de vitória.

· Todos PODEM participar.

· Todos são bem aceitos pelo que são.

· Todos Cooperam para realizar objetivos comuns.

Quando imaginamos criar e realizar (im)possibilidades para a Cooperação circular no grupo, sabemos ser importante respeitar essas Características Como-Uns da Arquitetura da Cooperação.

Bem, estes são alguns dos Processos que podemos utilizar para facilitar a experiência da Cooperação em diferentes ambientes, grupos e situações. Além destes, existem outros, tais como a Arte de Liderar em Círculo, a Comunicação Colaborativa e as Atividades dos Povos Tradicionais (como a da “Corrida das Toras”, dos índios Kanela, no Brasil).

Agora, sigamos em frente… Porque se atrás vem gente, o que nos espera lá na frente?!

4° Momento: Trans-Forma-Ação (Práticas)

Deixar-se aconteSer cooperativamente no dia-a-dia é o desafio essencial deste Jogo de Cooperação. É no cotidiano, diante do mundo e da gente mesmo, que temos a real oportunidade para VenSer quem somos mais plenamente.

É através do Ser-Vir-à que alcançamos o Vir-à-Ser !

Toda a caminhada pelas trilhas da Pedagogia da Cooperação é um permanente exercício de refinamento do modo como podemos servir à Comum-Unidade que constituímos em todos os lugares. Focalizando o desenvolvimento de diferentes grupos, podemos destacar alguns Movimentos fundamentais para promover a Aplica-Ação da Cooperação:

· Fazer Com-Tato e Estabelecer Com-Trato:

Quais são nossos acordos fundamentais? O que gostaríamos e o que não gostaríamos que acontecesse entre nós?

· Des-Cobrir a Identidade Grupal:

Quem sou eu, quem é você, e quem somos nós?!!! Quais são nossos signos, símbolos, cores e sabores, nosso nome… Qual é nosso grito de garra?!!!

· Compartilhar In-Quieta-Ações:

Quais as dúvidas, as incertezas? O que eu não sei? Qual a minha ignorância: “só sei que nada sei” (Sócrates)? E o que não sabemos juntos?

· Vislumbrar o Sonho Coletivo:

O que nos re-uniu?

· Compor Objetivos Como-Uns:

O que queremos fazer Juntos?

· Cultivar as Co-Opetências para Ser-Vir:

Quais são nossas forças-fraquezas, capacidades-incapacidades, habilidades-inabilidades… qual nossa luz-e-sombra? Liderança Circular, Com-Fiança, Bom Humor e Diligência.

· Praticar a Cooperação:

Consigo mesmo, com o grupo, com a instituição e com a Comum-Unidade.

· Exercitar a Com-Vivência:

Diálogo, respeito mútuo, empatia, auto-estima e alter-estima. Cuidar bem uns dos outros.

· Viver a Comum-Unidade:

O que fomos capazes de fazer juntos que imaginávamos ser impossível de fazer sozinhos?

· Re-Crear a Real-Idade:

Transformar Cooperativamente Jogos, Canções, Danças, Eventos, Programas, Rotinas de Trabalho, Hábitos de Vida… Re-Crea-Atividade Contínua.

· Celebrar os É-Feitos:

Aconteça o que acontecer… Acontecerá para todo mundo!

Comemorar os resultados e honrar a Memória do Grupo.

· Sonhar um Plano de Pouso:

Qual o próximo passo… Para dentro de si mesmo… No Aqui-e-Agora? Prazeres de Casa!!!

Sente-se livre para seguir em frente?

Porque “se eu não te acompanho, eu te componho!”

Estes são alguns Movimentos bem simples – e altamente complexos – capazes de estimular e cultivar a Cooperação dentro e entre os diferentes Grupos constituímos nas mais variadas Comum-Unidades que criamos na sociedade em que vivemos. Contudo, não há garantias que isso aconteça… pelo menos do jeito que a gente pensa poder acontecer, pois…

… quando empoderamos as pessoas e os grupos para desenvolverem-se como uma verdadeira Comum-Unidade Cooperativa, as ações, relações, efeitos e os destinos, escapam do nosso controle – ainda bem – e se alojam no Centro de Poder Como-Um que assume a direção e realização de seu próprio caminho.

Isto é autonomia, emancipação e protagonismo… soberania, cooperação e realismo… colocados em Prática, postos em Cooperação!!!

E não é para isto que estamos aqui, percorrendo juntos este caminho para construir um mundo onde todos podem VenSer?!

Terminando Juntos…

“As pessoas não se precisam, elas se completam.

Não por serem metades, mas por serem inteiras,

dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias, tristezas

e principalmente por continuar escrevendo em conjunto, suas vidas”. [3]

Assim, após, caminharmos juntos pelos vários Momentos e Movimentos da Pedagogia da Cooperação, é tempo de re-unir e re-pousar…

Tempo… Para recolher a experiência, deixando que ela circule por todo o corpo e se aloje na consciência… Tempo necessário… A cada um e cada uma, para uma conversa silenciosa, ao pé do ouvido, ao redor da fogueira… Tempo extra… Para celebrar nossa convivência ao longo das palavrAções compartilhadas aqui… com-firmando nossa Presença Como-Um neste vasto caminho infinito de descoberta pessoal e transformação coletiva.

E Tempo especial… Para reunir a tribo, embalar o sono, manter o sonho vivo e nos reencantar para a próxima jornada!

Ainda há o Tempo essencial… Façamos dele um colo amoroso para acolher esta nossa Comum-Unidade Cooperativa… e-terna-mente, por que…

“Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo, levará você de mim.
Eu sei e você sabe, que a distância não existe
Que todo grande amor, só é bem grande se for triste.
Por isso meu amor, não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos me encaminham pra você.
Assim como o oceano só é belo com o luar
Assim como a canção só tem razão se cantar
Assim como uma nuvem só acontece se chover
Assim como o poeta só é grande se sofrer
Assim como viver sem ter amor não é viver
Não há você sem mim, e eu não existo sem você.” [4]

Para quem quer mergulhar na Fonte…

“Pé em Deus e Fé na Taba” [5]

Para mergulhar um pouquinho mais no universo da Pedagogia da Cooperação, compartilhamos algumas de nossas leituras prediletas. Bom proveito!!!

ASSMANN, Hugo e SUNG, Jung Mo. Competência e sensibilidade solidária: Educar para a esperança. 2a.

ed. Petrópolis, RJ : Vozes, 2000.

BOLEN, Jean Shinoda. – O Milionésimo Círculo: como transformar a nós mesmos e ao mundo. Um guia

para Círculos de Mulheres. São Paulo: Taygeta / Triom, 2003.

BRAHMA KUMARIS WORLD SPIRITUAL UNIVERSITY. – Visions of a better world. London: United

Nations Peace Messenger, 1993.

BROTTO, Fábio Otuzi. – Jogos cooperativos: se o importante é competir, o fundamental é cooperar. Santos:

Projeto Cooperação, 1997.

BROTTO, Fábio Otuzi. – Jogos Cooperativos: O Jogo e o Esporte como um Exercício de Convivência.

Santos : Projeto Cooperação, 2001.

BROTTO, Fábio Otuzi (org.) – Jogos Cooperativos nas Organizações. São Paulo: SESC e Projeto

Cooperação, 2001.

BROWN, Guillermo. - Jogos cooperativos: teoria e prática. São Leopoldo: Sinodal, 1994.

CARSE, James P. Jogos Finito e Infinitos: a vida como jogo e possibilidades. Rio de Janeiro : Nova Era,

2003.

COMBS, Alan (Ed.). – Cooperation: beyond the age of Competition. Philadelphia: Gordon and Breach

Science, 1992. (The World futures general evolution studies; v.4).

DEACOVE, Jim. – Manual de Jogos Cooperativos. Santos: Projeto Cooperação, 2002.

FROMM, Erich. A anatomia da destrutividade humana. Rio de Janeiro: Zahar, 1973.

HENDERSON, Hazel. – Construindo um mundo onde todos ganhem: a vida depois da guerra da economia

global. São Paulo: Cultrix, 1996.

HESSELBEIN, Frances … et al. – A comunidade do futuro: idéias para uma nova comunidade. São Paulo :

Futura, 1998.

KOHN, Alfie. – The brighter side of human nature: altruism and empathy in everyday life. USA: Basic

Books, 1990.

MALIDOMA SOME, escritor e professor da África Ocidental apud WHEATLEY, M. e KELLNER-

ROGERS, M. – O Paradoxo e a promessa de comunidade IN Hesselbein, F. et al. – A Comunidade do

Futuro: idéias para uma nova comunidade. São Paulo : Futura, 1998. (p. 21)

MARIOTTI, Humberto – As paixões do Ego: complexidade, política e solidariedade. São Paulo: Palas

Athena, 2000.

MATURANA, Humberto R. Emociones y lenguaje en educacion y politica. Santiago: Hachete, 1990.

MATURANA, Humberto R. e VERDEN-ZÖLLER, Gerda - Amar e brincar: fundamentos esquecidos do

humano. São Paulo : Palas Athena, 2004.

MEAD, Margaret. Cooperation and competition among primitive people. Boston : Beacon, 1961.

MORTON Deutsch, apud RODRIGUES, Aroldo. Psicologia social. Petrópolis : Vozes, 1972. (p.149).

ORLICK, Terry. – Vencendo a competição. São Paulo: Círculo do Livro, 1989.

PLATTS, David E. – Autodescoberta divertida: uma abordagem da Fundação Findhorn para desenvolver a

confiança nos grupos. São Paulo: Triom, 1997.

RAMOS, Renata Carvalho Lima (Org.). Danças Circulares Sagradas: Uma proposta de educação e cura.

São Paulo: Triom, 1998.

RIDLEY , Matt – As origens da Virtude: um estudo biológico da solidariedade. Record, 2000.

VELÁZQUEZ, Carlos – Educação para a Paz: Desenvolvendo valores na escola através da Educação Física

para a Paz e dos Jogos Cooperativos. Santos : Projeto Cooperação, 2004.

WEIL, Pierre. – A neurose do paraíso perdido. São Paulo: Espaço e Tempo: Cepa,

1987.

WHEATLEY, M. e KELLNER-ROGERS, M. – O Paradoxo e a promessa de comunidade IN Hesselbein, F. et

al. – A Comunidade do Futuro: idéias para uma nova comunidade. São Paulo : Futura, 1998.

WINSTON, Robert – Instinto Humano: como nossos impulsos primitivos moldaram o que somos hoje. São

Paulo : Globo, 2006.

SITES

www.projetocooperacao.com.br – Projeto Cooperação – Comunidade de Serviço.

www.triom.com.br – Triom – Centro de Estudos (Danças Circulares).

www.cooperando.com.br – Cooperando – Instituto para a Cooperação.

www.jogoscooperativos.com.br – Revista de Jogos Cooperativos.

www.palasathena.org.br – Associação Palas Athena.

www.findhorn.org – Findhorn Foundation (Escócia).

www.ecosocial.com.br – Instituto Ecosocial.

www.harmonianaterra.org.br – Instituto Harmonia na Terra.

www.institutoelosbr.org.br – Instituto Elos.

www.familypastimes.com – Family Pastimes (Canadá).

cooperabrasil@projetocooperacao.com.br – Coopera Brasil (J. Cooperativos de Tabuleiro).


[1] Declaração de Mount Abu. “Projeto Cooperação Global para um Mundo Melhor” – Universidade Brahma Kumaris-1988/1990.

[2] NEYDE MARQUES; doutora em arte educação, é uma daquelas pessoas que você deseja estar sempre por perto e que mesmo distante sente-se constantemente abraçado por ela. www.suryalaya.com.br

[3] Sem conhecimento da autoria. Colaboração enviada pela Profa. Denise Jayme de Arimathea Villela, Coordenadora de Educação Física da Escola das Nações, em Brasília-DF.

[4] Vinícius de Moraes, poeta e compositor brasileiro.

[5] Da canção: “Os Tribalistas”, com Marisa Monte, Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes.

Comum-unidade de Jogos Cooperativos

publicado em 14 de abril de 2009 às 22:55

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A Comunidade de Jogos Cooperativos no NING foi criada com o objetivo de facilitar o compartilhamento de conhecimentos e experiências sobre Jogos Cooperativos. Este movimento colaborativo em rede já conta com a participação de quase 1000 pessoas de vários lugares do Brasil e do Mundo e, através dele, muitos outros grupos estão sendo criados com o propósito de promover a cooperação em todos os lugares. Clique aqui e faça parte deste Jogo de Cooperação.