Arquivo de fevereiro de 2009
Sebrae Encorpar
publicado em 26 de fevereiro de 2009 às 20:38Facilitação do ENCORPAR – Encontro Regional de Parceiros, um Programa do Sebrae-SP que atendeu toda a Rede de Parceiros dos 30 Escritórios Regionais do Estado, durante um período de 2 anos (2006 à 2008), envolvendo aproximadamente 1.200 pessoas, tendo como foco principal a Integração e Cooperação entre os Parceiros Regionais e a reflexão sobre uma Visão Sistêmica de atuação nas regiões .
Seminário aberto em Florianópolis/SC – Jogos Cooperativos: uma Paz-Ciência da Cooperação
publicado em 20 de fevereiro de 2009 às 16:54Circulando Cooperação em Santo André
publicado em 16 de fevereiro de 2009 às 1:54Projeto "Escola de Cooperativismo" – Unifesp Baixada Santista
publicado em 14 de fevereiro de 2009 às 20:04Parceiro: Unifesp – Campus Baixada Santista
Local: Santos-SP
Data: 14/02/2009
Facilitador: Renato Milsoni
Cooperação: Facilitação no encontro de planejamento da equipe do projeto de Extensão Universitária “Escola de Cooperativismo”, utilizando Jogos Cooperativos e Metodologias Participativas (Open Space) para planejamento de ações a serem realizadas com a população dos cortiços do centro de Santos.
Encontro de Verão – Comum-Unidade do Projeto Cooperação
publicado em 12 de fevereiro de 2009 às 19:59Local: Santos-SP
Data: 11 e 12/02/2009
Cooperação: Reunião interna trimestral de desenvolvimento da comum-unidade do Projeto Cooperação
Encontro Estadual de Mulheres Cooperativistas – Sescoop-SP
publicado em 6 de fevereiro de 2009 às 14:29Participação do Projeto Cooperação no V Encontro de Mulheres Cooperativistas do Sescoop-SP, no dia 09/11/2008, No Grande Hotel São Pedro/SP. O tema do encontro foi baseado na Saúde da Mulher. Foram desenvolvidas Atividades Cooperativas visando despertar nas mulheres o Sentido de Comum-Unidade (ser como-um) no Cooperativismo. Você pode assistir ao slideshow ou visualizar cada foto individualmente no quadro abaixo.
Workshop de Jogos Cooperativos – Gurí Santa Marcelina
publicado em 5 de fevereiro de 2009 às 20:59O Projeto Gurí Santa Marcelina é um programa de ensino musical e inclusão sociocultural. Atualmente são atendidas por volta de seis mil crianças e adolescentes, na faixa etária de 06 a 18 anos. O Projeto Cooperação ministrou um workshop nos dias 02 e 03/02/2009, em São Paulo-SP, a fim de possibilitar a introdução do tema Cooperação e os Jogos Cooperativos, possibilitando esta vivência ao conjunto de professores e assistentes sociais, promovendo a difusão da pedagogia da cooperação (teoria) e vivenciando algumas práticas (jogos). Você pode assistir ao slideshow ou visualizar cada foto individualmente no quadro abaixo.
Workshop Jogos Cooperativos – Gurí Santa Marcelina – 02 e 03/02/2009
publicado em 5 de fevereiro de 2009 às 17:31Parceiro: Projeto Gurí Santa Marcelina
Local: São Paulo-SP
Data: 02 e 03/02/2009
Facilitador: Renato Milsoni
Cooperação: O Projeto Guri Santa Marcelina é um programa de ensino musical e inclusão sociocultural. Atualmente são atendidas por volta de seis mil crianças e adolescentes, na faixa etária de 06 a 18 anos. O Projeto Cooperação ministrará um workshop a fim de possibilitar a introdução do tema Cooperação e os Jogos Cooperativos, possibilitando esta vivência ao conjunto de professores e assistentes sociais, promovendo a difusão da pedagogia da cooperação (teoria) e vivenciando algumas práticas (jogos).
Clique aqui para ver as fotos do encontro.
Dançando e Cooperando
publicado em 4 de fevereiro de 2009 às 18:55Denise Jayme – Escola das Nações – Brasília – denisejayme@yahoo.com.br e
Eliana Fausto – Projeto Cooperação – eliana@projetocooperacao.com.br
RESUMO
Como Professoras de Educação Física, abraçamos a oportunidade de trabalhar com as Danças Circulares Sagradas na área educacional, pois acreditamos que elas oferecem alguns benefícios aos alunos, diferentes do que são alcançados com os jogos e exercícios físicos que já aplicamos. No início esbarramos com a conhecida resistência a tudo o que é novo. Aos poucos, algumas características dessas danças, como a formação do círculo, as mãos dadas, a magia das músicas e a repetição dos passos, foram contagiando os grupos e facilitando a alegre e participativa presença deles nesse projeto.
Percebemos então, que as respostas trazidas por nossos alunos eram muito positivas, que o crescimento de cada um era notável aos olhos e que o grupo havia se transformado pela possibilidade de dançarem juntos. Para nós, este foi um bom caminho encontrado, já que trabalhamos atentas ao aprendizado de valores como a cooperação, o respeito a si mesmo e ao outro, a valorização da amorosidade entre os jovens, a inclusão e a aceitação das diferenças.
Na conclusão do trabalho, nos alegramos ao conhecer os resultados e nos empenhamos a compartilhá-los, desejando que em vocês, as danças também façam a… DIFERENÇA.
INTRODUÇÃO
Estamos aqui unidas pelo sonho de divulgar as DANÇAS CIRCULARES SAGRADAS e de contar pra vocês um pouco da nossa experiência de, por meio delas, trabalhar com nossos alunos nas aulas de Educação Física de uma forma mais inteira, somando o corpo, a mente e o espírito.
Nossa aproximação aconteceu, quando descobrimos que compartilhávamos do mesmo objetivo: dentro de uma pedagogia que busca a educação integral do indivíduo, transformar nossas aulas em um veículo de ligação entre esportes e valores.
A beleza deste trabalho na área educacional é o fato dele estar cercado de várias possibilidades, como o encontro, o olhar, o contato. Considerando a dança uma forma de expressão, muitas coisas acontecem no círculo sem a necessidade de se dizer algo, como por exemplo, a elevação da auto-estima, revelada pelo ato de executar a dança assim que ela é aprendida, o que é uma ótima referência para seu potencial. Com isso, consideramos que quando dançamos e não damos “importância” ou “valor” ao erro (pois ele SEMPRE irá existir), somos nós mesmos e também capazes de perceber que o ritmo do grupo muitas vezes é diferente do nosso ritmo. Isso nos ajuda a ser pessoas melhores, tanto na roda quanto na vida.
“Onde pessoas dançam umas com as outras, elas se educam e se formam em si mesmas” (wosien, 2000)
HISTÓRICO
Em meados da década de 60, Bernard Wosien, um bailarino e coreógrafo alemão/polonês, ao procurar uma nova forma de trabalhar a expressão corporal que pudesse transmitir um estado espiritual pleno e realizar uma conexão com o interior de cada um, começou uma pesquisa sobre os velhos costumes dos povos do leste Europeu. Iniciou então, um trabalho de Danças Folclóricas e vivenciou a alegria, a amizade e o amor, tanto para consigo mesmo como para com os outros. Sentia que a dança de roda possibilitava uma comunicação sem palavras e mais amorosa entre as pessoas.
Em 1976, ele visitou a Comunidade de Findhorn, no norte da Escócia, e a convite de Peter Caddy, um de seus fundadores, ensinou pela primeira vez uma coletânea de Danças Folclóricas para os residentes. Desde esta época até os dias de hoje, centenas de danças foram incorporadas ao conjunto do que passou a se chamar “Danças Circulares Sagradas”. De Findhorn, essas danças espalharam-se pelo mundo todo, estando hoje presentes em mais de 20 países.
No Brasil
No Brasil, as danças começaram a ser difundidas no Centro de Vivências Nazaré, localizado em Nazaré Paulista, interior da cidade de São Paulo, no início da década de 80. Elas foram trazidas por Sarah Marriot, que morava na Comunidade de Findhorn. A partir da década de 90, essas danças começaram a sair dali para o resto do Brasil. Em 1994, Renata Ramos, diretora da Triom – Livraria e Centro de Estudos começou a oferecer cursos de Dança e ao mesmo tempo foi estreitando sua ligação com a Comunidade de Findhorn, possibilitando um intercambio maior na difusão das Danças aqui no Brasil.
Um ano depois, em 1995, na 1ª Clínica de Jogos Cooperativos, organizada por Fábio Otuzi Brotto, focalizador do Projeto Cooperação, realiza na Universidade de São Paulo – CEPEUSP, as Danças Circulares Sagradas experimentaram sua expansão. Muitas pessoas da área da educação perceberam que ali estava o início de um trabalho com grande potencial para trazer ao indivíduo uma consciência de si mesmo e o contato com o outro, de uma forma bastante enriquecedora. Ao mesmo tempo, surgia uma técnica nova para a área educacional no Brasil e a certeza de que seria uma prática escolar bem aceita nas Instituições Educacionais e nas Comunidades.
CARACTERÍSTICAS
Dançar é a manifestação artística mais antiga da humanidade. O homem primitivo dançava em grupos em todas as celebrações dos ciclos da vida humana e também da natureza. As Danças Circulares Sagradas reúnem antigas formas de expressão de diferentes povos e culturas. Somam-se a elas, hoje em dia, novas criações, coreografias, ritmos e significados próprios do homem inserido na realidade atual.
Elas nos contam histórias curiosas e nos trazem significados variados de acordo com suas origens. Compartilham passos conhecidos por diversas nações e resgatam outros não menos criativos. Espalham a vida e a cultura de outras épocas.
Elas chegam de todas as partes do mundo trazendo aquilo que tem de mais belo. As melodias delicadas dos pastores dos Bálcãs. Os movimentos do preparo da terra nas danças da Bulgária. A alegria e os passos saltitantes dos Gregos. Os rituais religiosos dos povos indianos. As tradições culturais dos ciganos.
Dançadas em círculos em sua maioria, também são encontradas na forma de linha, cruz ou espiral. Mas é mesmo de mãos dadas, que a dança acontece.
A forma geométrica das danças nos remete ao círculo, símbolo universal da unidade e da totalidade.
As danças, aplicadas de forma pedagógica e voltadas para o aprendizado motor, desenvolvem a coordenação motora, o ritmo, a referência espacial, o equilíbrio. Seguindo mais profundamente, elas dissolvem tensões, fortalecem a auto-estima, favorecem a cooperação, ampliam a concentração, vivenciam a amorosidade, exercitam a integração, promovem a inclusão e o respeito, trabalham a saúde física, emocional, mental e espiritual.
Além disso, algumas músicas impõem um ritmo físico intenso que, quando unido ao movimento, exige um trabalho cardio–respiratório, principalmente nos praticantes que não possuem um bom condicionamento físico. Outras danças, no entanto, nos fazem acalmar o coração e a alma, o ritmo é lento e sua intensidade nos leva às vezes, a um estado meditativo.
Só quem dança na roda pode sentir a cura que nos leva à transformação pessoal e coletiva.
ESCOLA CARANDÁ
CARANDÁ – Uma Palmeira do Pantanal mato-grossense. Ela é alta, reta, esguia, com folhas abrindo em leque. Uma de suas características, é que nunca está isolada – só é encontrada em grupo.
É uma Escola que ao longo de seus quase 30 anos, tem seu objetivo no indivíduo como único e ao mesmo tempo, um agente transformador da sociedade em que vive.
A Carandá forma os alunos para serem pessoas criativas, autônomas, críticas, tolerantes, participativas e cooperadoras. Acredita também na formação de pessoas flexíveis e responsáveis.
Nesta Escola, o aluno aprende a enfrentar os desafios que a vida e os novos tempos irão propor. Desenvolve, harmoniosamente, suas potencialidades intelectuais, físicas e emocionais. Ela acredita também, que seu aluno é um indivíduo que só se desenvolve plenamente em meio a um grupo.
Não foi difícil convencer a direção e a orientação da Escola a aceitar esta nova proposta de trabalho, uma visão diferenciada da Educação Física como um todo. Visto que o foco não estaria nos jogos esportivos ou mesmo nos exercícios físicos e sim nas Danças Circulares Sagradas, e acreditando nos objetivos e valores que a Escola traz consigo, entendemos que uma atividade com um novo olhar para a Educação Física em geral e também uma mudança de comportamento entre os alunos, mexeria com valores de uma cultura escolar e social, nada convencional.
O projeto com as Danças na Escola começou com a proposta da construção de sujeitos instrumentalizados para viver, conviver um grupo, respeitar as diferenças e melhorar em seu contexto pessoal e social. No início, a timidez tomou conta do grupo, pois os alunos não tinham o hábito de ficar em roda, de dar as mãos, de se olhar, de se tocar. Situações essas que parecem tão simples, mas para os jovens e adolescentes hoje em dia, que, sabem muito bem se conectar pela internet e se relacionam com facilidade por meio de Blogs e Orkut, ter uma aproximação com o toque das mãos e com a troca de olhares, é uma situação nada usual nos tempos modernos, principalmente para esta faixa etária, em que as relações estão cada vez mais rápidas e superficiais.
É possível inserir as danças no currículo escolar, ela abre uma nova possibilidade ao professor de Educação Física que em sua maioria vê-se sua prática nos jogos pré-desportivos ou esportivos e também no exercício físico como dito anteriormente. Esta disciplina – Educação Física, tem a possibilidade de ver o aluno como um todo harmonioso, em que o indivíduo é pleno nas suas possibilidades. Por isso a riqueza da área.
Ao longo do trabalho desenvolvido, algumas respostas por parte dos alunos foram surgindo e com isso a dinâmica da Escola foi mudando, principalmente nos intervalos das aulas, pois a música e a dança começaram a fazer parte dos intervalos uma vez por semana.
Ao ler um depoimento como este, é de se notar que estamos no caminho certo e que a Escola acredita no desenvolvimento do indivíduo como um todo e a resposta está aqui, quando Carolina Moyses diz:
“A dança circular muitas vezes nos traz sensações muito diferentes, não importa a música nem a pessoa que está ao seu lado. Ela nos auxilia a tomar consciência de nosso próprio corpo, além de oferecer a nós mesmos a possibilidade de estarmos em contato com nós mesmos, assim percebendo a importância dos Valores Humanos”.
Flavia T. Iura, uma outra aluna, também trouxe para a roda o seu sentimento com relação às danças:
“Paz é o sentimento que predomina nas aulas de Educação Física. O que faz isso comigo? As danças circulares! Imagine que bom dançar com suas amigas, em que você pode se unir mais com elas e se sentir em Paz”.
Estes depoimentos nos alimentam e nos inspiram a prosseguir e saber que estamos no caminho certo. Outro que enriqueceu o trabalho, foi o depoimento da aluna Mariane Portella:
“Para que haja um bom proveito na dança, é preciso relaxar, prestar atenção no que está fazendo naquele momento e também, prestar atenção no que está sentindo, pois sempre você sente algo novo”.
É importante ressaltar que o trabalho se enriquece com esses depoimentos, o que faz acreditar que estamos proporcionando aos alunos um crescimento valioso nos tempos modernos, trazendo valores humanos para a roda, a percepção de si e do outro também, e um amadurecimento consciente de que só com consciência se transforma algo em si próprio e no mundo.
ESCOLA DAS NAÇÕES
Há 25 anos nascia em Brasília a Escola das Nações, cuja principal missão é formar cidadãos do mundo. Por ser uma escola bilíngüe, recebe até hoje muitos alunos estrangeiros vindos de longe, o que completa o sonho de uma educação para a paz, realizado com base nos princípios Báhá’is como, unidade entre os povos, igualdade entre homens e mulheres, livre investigação da verdade e educação transformadora. Sendo pioneira neste ramo, seu nome é citado como referência quando se fala em Jogos Cooperativos.
Com um programa de Educação Física diferenciado, em que são oferecidos, além dos esportes convencionais, atividades como capoeira, karate, dança e escalada, ficou um pouco mais fácil propor algo novo como as Danças Circulares Sagradas. Começamos oferecendo para as alunas de 14 a 17 anos.
O início se apresentou como um bom desafio para mim e algo bem estranho para elas. O círculo, o centro, as mãos dadas, o toque, o olhar e até os passos repetidos.
Mesmo cheias da ansiedade comum diante de tudo o que é desconhecido, aos poucos foram se abrindo para o que parecia contagiar seus corações e suas participações se tornaram bem expressivas. Começaram timidamente se fazendo mais presentes em pequenos gestos como, ajudar na criação dos centros, demonstrar curiosidades sobre as danças e as músicas, pedir as preferidas. Algumas queriam as meditativas, outras as de alegres celebrações, cada uma de acordo com o sentimento mais forte no momento. Logo nos reconhecemos bem mais próximas do que imaginávamos.
A Escola começou a sentir que havia algo diferente naquelas meninas. As pessoas iam passando e parando pra ver o que estava acontecendo. Olhavam curiosas e permaneciam de longe admirando nossa alegria nas danças celebrativas, ou então, se mostravam surpresas ao perceberem nossa capacidade de concentração nas danças meditativas.
Trabalhamos a coordenação motora, o ritmo, o equilíbrio e a lateralidade… como boas alunas de educação física. Desenvolvemos a auto-estima, a inclusão, o acolhimento, a aceitação, a igualdade, o reconhecimento do próprio eu, o respeito… como boas lições para a vida.
Pedi à Manuela Ugalde, uma aluna chilena que cursa o último ano, para que descrevesse algumas de suas impressões, ela o fez assim:
“A experiência que tive de aprender sobre as Danças Circulares, dançar muitas músicas e conhecer a história de cada uma delas foi indescritível. Foi uma oportunidade única que tive até agora, e se pudesse, gostaria de repetir. É uma atividade que ajuda a relaxar, que nos leva a um outro mundo durante as danças, nos faz refletir muito e ainda é muito divertida e dinâmica. Se você tiver a possibilidade de dançar, não exite, pois não se arrependerá”.
Há um pequeno detalhe desde o começinho desta história. Entre minhas alunas e com o mesmo constrangimento, estava Vanessa, minha filha mais velha que, como uma boa adolescente, sempre se distrai com suas próprias críticas diante das invenções de sua mãe. Devagarzinho ela também foi se entregando, até que, encabulada, ela comentou que a aula tinha sido boa e que as colegas haviam comentado que estavam gostando muito. Neste dia tive a certeza de estar no caminho certo.
Hoje, pedi a ela que escrevesse um pouquinho sobre a experiência vivida nas aulas e aí estão suas palavras:
“Eu achei muito interessante, pois cada dança tem uma história, um significado e é possível refletir sobre muitas coisas enquanto dançamos. É claro que as que mais me chamaram a atenção foram as mais animadas, já que levantava o astral de qualquer uma na roda. Mas também era muito bom quando ficávamos em silêncio. Foi uma experiência única e muito produtiva.”
Sou muito agradecida a todos que acreditaram neste trabalho e às minhas alunas que, sem saberem, me ensinaram sobre a coragem diante do novo, sobre o desafio do diferente, sobre o poder da transformação, sobre o educar por inteiro.
Ficou em cada uma de nós o acolhimento peculiar de quem dança em círculo e as marcas invisíveis na alma, porque “quando a dança termina você não tem nada para segurar, exceto o que fica no seu corpo e na sua mente”. (Bernard Wosien)
DANÇANDO E COOPERANDO
“Somos, na verdade, seres comunitários que têm prazer em viver em grupo. Viver em grupo é necessariamente, cooperar”. (Berni, 2002, pg.05)
A sociedade contemporânea nos leva a ter uma postura individualista agindo, em sua grande maioria, com atitudes competitivas e agressivas, onde vencer é o mais importante e o foco está em ser o primeiro. Sendo assim, o erro, que faz parte do nosso acervo humano, passa a ser uma falha quase inadmissível em nossa sociedade. E nossos jovens estão inseridos nesse processo.
Sabendo disso, percebemos o quanto as pessoas necessitam viver diferente, o quanto é importante trazer para nosso dia-a-dia atitudes amorosas consigo mesmo e, principalmente, para com o outro. Nascemos para estar juntos com o outro, para irmos ao encontro do outro. Por isso, um bom motivo para dançarmos!!!
Acreditamos que podemos transformar nossos alunos em pessoas melhores, incluindo a Dança e a Cooperação como uma forma de falar de Amor, Respeito e Solidariedade. Ao mesmo tempo, proporcionamos a eles um momento prazeroso tanto em relação à dança como ao contato direto com o grupo, que traz a consciência de pertencimento, que valoriza estar junto com o outro e estar junto para celebrar. Wosien acrescentaria: “Não por acaso o homem exprime na dança a sua pura alegria e seu prazer. A dança lhe concede o brilho e a leveza para as festas e celebração de sua vida”. (wosien, 2000, pg. 28)
Com isso, percebemos que todas as pessoas que participam do círculo da dança saem satisfeitas e felizes. A cooperação surge naturalmente na roda e tudo acontece ao mesmo tempo, a Dança e a Cooperação.
“Falar de Dança Circular é falar de Cooperação. Poderia até dizer que são quase sinônimos, pois não existe dança circular se não houver cooperação entre as pessoas que estão dançando. O círculo da dança nos ensina de maneira prática, rápida, direta, que a melhor forma de ganhar é cooperar. Na roda todos ganham. Por uma única e simples razão: se não houver Cooperação não há dança! A roda só ‘roda’ se todos forem para o mesmo lado. É um jogo impossível de se jogar sozinho”. (Berni, 2002, pg. 5)
O que nos encanta nas Danças é a forma de dançar. Os passos são dos mais simples aos mais elaborados, mas o enfoque nas Danças Circulares Sagradas não é a técnica, e sim o sentimento de união e de grupo. O espírito comunitário que se instala a partir do momento em que todos, de mãos dadas, apóiam e auxiliam os companheiros é muito grande e intenso.
Cada Dança tem um ritmo, a melodia é própria, o simbolismo é único, os gestos, trazem, muitas vezes, a história de uma região do planeta, o folclore e as raízes de um povo. Está presente também a história da humanidade como forma de expressão.
“Por meio de passos, gestos e posturas muito simples e de fácil aprendizado, os participantes que conformam a roda vivenciam este sentimento de comunhão pela ampliação da consciência individual que a mesma dança induz”. (Grupo Rodas da Lua)
Ao dançarmos de mãos dadas o Círculo está montado, e nele temos a oportunidade de viver a experiência de ser parte de um todo, sem perder a individualidade. Podemos dizer que o círculo representa a conexão com as pessoas e simboliza a interdependência, porque a forma de dar as mãos, sempre com uma palma da mão para cima e outra para baixo, representa o fluir de energia e a conexão com o todo. Outro fator importante no círculo, é que temos a possibilidade de ver todas as pessoas e temos a certeza de que todas as pessoas estão nos vendo. E para concluir, a distância do centro do círculo (do eixo), é igual para todos.
É importante falarmos aqui por um instante sobre o Sagrado nas danças. Nos tempos atuais, deixamos de lado a importância dos rituais e dos ritos de passagem, nossa vida parece um constante turbilhão de acontecimentos aos quais na maioria das vezes atribuímos pouco ou nenhum significado. O Sagrado na dança vem para nos aproximar de nós mesmos e nos lembrar do que é sagrado em nosso eu interior, nos lembrar da nossa essência.
“Dançar é caminhar para o silencio, é uma oração sem palavras”. (Wosien, 2000, pg. 117)
E por meio de símbolos e pela atribuição do significado do movimento nas danças, estamos continuamente entrando em contato conosco, com o próximo e com a representação espiritual presente na crença de cada um.
CONCLUSÃO
São inúmeros os fatores que interferiram no processo com as Danças Circulares Sagradas na Escola. Essas danças são de fácil acesso, o resultado foi muito positivo para todos os envolvidos no processo.
Junto com a mudança interna que ocorreu em cada aluno, com suas diferenças particulares, foi possível notar um crescimento em relação às atitudes coletivas do grupo, uma relação cuidadosa e amorosa com o outro surgiu e o respeito às diferenças foi visto de uma forma consciente pelo círculo da dança na construção de um grupo coerente, participativo/ativo na Escola.
É importante ressaltar que a Escola tem um papel fundamental na formação de um indivíduo. A formação desse novo sujeito implica numa escala de valores éticos, de inclusão, de cooperação, de justiça, de aceitação do diferente e de transformação pessoal e social. A Escola é esse canal. Se acreditarmos que por meio da dança o Ser Humano se transforma, aí teremos a confiança de estarmos no caminho certo.
Com relação à nossa experiência, temos a dizer aquilo que acreditamos: é a melhor maneira do aluno se perceber como indivíduo, dentro de um todo, sendo ele verdadeiramente quem É.
A Dança possibilita crescimento!
A Dança permite percepções claras de seu corpo, do movimento e ao mesmo tempo, uma visão ampliada dele mesmo com relação ao grupo.
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
DANÇAS CIRCULARES SAGRADAS – Uma proposta de Educação e Cura. Organização de Renata Ramos, São Paulo, Ed. Triom, 1998
DANÇA – Um caminho para a totalidade. Bernard Wosien, São Paulo, Ed. Triom, 2000
REVISTA JOGOS COOPERATIVOS. Nº 6 – Ano I, São Paulo, 2002
APOSTILA DE DANÇAS CIRCULARES. Grupo Rodas da Lua, Brasília, 2004
Grupo Rodas da Lua – Grupo de Mulheres que focalizam Danças Circulares Sagradas em Brasília.
A História das Coisas
publicado em 4 de fevereiro de 2009 às 18:35História das Coisas é um documentário de 20 minutos que mostra, passo a passo, todo o processo que está envolvido no consumo de bens materiais. Da extração e produção até a venda, consumo e descarte, todos os produtos em nossa vida afetam comunidades em diversos países, a maior parte delas longe de nossos olhos.
Este vídeo é muito esclarecedor e nos ajuda a sabermos melhor nossa posição no Sistema Complexo-Terra que habitamos e qual a Cooperação necessária para sustentá-lo amorosa e pragmaticamente.



